Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo


Católicos e evangélicos reúnem-se em encontro em Lavrinhas

mai 1, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Protestantismo

Evento é hospedado pela Comunidade Canção Nova

SÃO PAULO, quinta-feira, 29 de abril de 2008 (ZENIT.org).- De 30 de abril a 1 de maio, realiza-se o 1º Encontro de Irmãos Evangélicos e Católicos, em Lavrinhas (São Paulo), organizado pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Os participantes irão se reunir sob o lema «Pai, para que todos sejam um» (Jo 17, 21). A anfitriã do evento é a comunidade Canção Nova em Lavrinhas.

Segundo um comunidado difundido pela Canção Nova, «superando décadas de distância, estes irmãos e irmãs sentiram profundamente o apelo do Senhor ao testemunho comum e discerniram que era o momento de reunir-se, para orar e ouvir a Palavra de Deus».

Trata-se de um primeiro passo deste tipo no Brasil, semelhante ao que tem acontecido na Itália (Bari) e na Argentina (Buenos Aires) – sempre sob o olhar pastoral dos bispos católicos.

O evento é promovido pela ação conjunta de Novas Comunidades Católicas e representantes pentecostais.

Do âmbito católico, estarão Matteo Calisi (da Comunità di Gesù, Itália), a Sra. Doris Hoyer de Carvalho (Comunidade Bom Pastor, Rio de Janeiro) e o Sr. Izaías de Souza Carneiro (Comunidade Coração Novo, Rio de Janeiro).

No Brasil, a iniciativa surge espontaneamente e de um modo informal, a partir dos contatos de Matteo Calisi com diferentes líderes e presbíteros católicos, e dos contatos de vários pastores – como Pr. Jorge Himitian, que é um dos líderes da renovação no âmbito evangélico, tanto na Argentina como no Brasil.

O encontro não terá um caráter oficial, mas fraterno. Serão momentos de oração e louvor a Deus, compartilhando experiências e ouvindo a Sagrada Escritura.

O presidente da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CNBB, Dom José Alberto Moura, acredita que este encontro oferece a oportunidade de viver uma experiência de reconciliação, fundada no Batismo e na vida da graça.


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Chamado do Papa à Igreja: dar testemunho da verdade sem temores

jun 25, 2007 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Santa Sé

Na solenidade do nascimento de São João Batista

CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Na solenidade do nascimento de São João Batista, Bento XVI fez um chamado à Igreja a dar «testemunho da verdade sem temores».

E, como fez o primo de Jesus, o Papa convidou a não ter medo de denunciar «as transgressões aos mandamentos de Deus», em particular quando seus protagonistas são os poderosos.

«João Batista foi o precursor, a ‘voz’ enviada a anunciar o Verbo encarnado», esclareceu antes de rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos que na Praça de São Pedro suportaram um calor asfixiante.

«Comemorar seu nascimento — acrescentou, falando desde a janela dos seus aposentos — significa na verdade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, entre os quais o Batista foi o maior, chamado para ‘preparar o caminho’ do Messias.»

João Batista é «a primeira ‘testemunha’ de Jesus, pois recebeu do Céu este sinal: ‘Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo’».

Precisamente com esse batismo começa o livro «Jesus de Nazaré», que acaba de ser publicado por Joseph Ratzinger - Bento XVI.

Após o batismo, João viu como baixava sobre Jesus o Espírito em forma de pomba. «Então ele ‘conheceu’ a realidade plena de Jesus de Nazaré e começou a ‘manifestá-lo a Israel’ (João 1, 31), apresentando-o como Filho de Deus e redentor do homem».

Recordando a decapitação, o Papa continuou explicando que «como um autêntico profeta, João deu testemunho da verdade sem temores».

«Denunciou as transgressões aos mandamentos de Deus, inclusive quando os protagonistas das mesmas eram potentes», recordou.

« Dessa forma, pagou com a vida a acusação de adultério a Herodes e Herodíades, selando com o martírio seu serviço a Cristo, que é a Verdade em pessoa», sublinhou.

O pontífice concluiu pedindo que « também em nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com valentia sua verdade e seu amor a todos».


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Bento XVI considera que Brasil pode oferecer novo modelo de desenvolvimento

mai 23, 2007 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

Uma «reconciliação» entre o homem e a criação, graças à relação com Deus

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 23 de maio de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI está certo de que o Brasil, o país com o maior número de católicos, pode dar testemunho de um novo modelo de desenvolvimento.

Ao fazer um balanço de sua visita a São Paulo e Aparecida, de 9 a 13 de maio, o pontífice rememorou alguns dos momentos que trouxe em seu coração a Roma, agradecendo por isso a todo o povo brasileiro, em particular seu presidente, Luis Inácio Lula da Silva.

O Brasil, disse, é «uma nação que pode propor ao mundo o testemunho de um novo modelo de desenvolvimento: a cultura cristã pode inspirar uma ‘reconciliação’ entre os seres humanos e a criação, a partir da recuperação da dignidade pessoal na relação com Deus Pai».

Neste sentido, apresentou como modelo a Fazenda da Esperança, perto de Aparecida, que deu vida a «uma rede de comunidades de recuperação para jovens que querem sair do túnel tenebroso das drogas».

Em particular, recordou que essa comunidade conta com a presença de um mosteiro de religiosas clarissas.

«Isso me pareceu emblemático para o mundo de hoje, que precisa de uma ‘recuperação’ certamente psicológica e social, mas sobretudo profundamente espiritual», disse.

Como símbolo de desenvolvimento integral, o Papa apresentou o exemplo do primeiro santo nascido no Brasil, Antônio de Sant’Ana Galvão, a quem ele mesmo canonizou em São Paulo, e que em vida era conhecido como «homem de paz e de caridade».

«Seu testemunho é mais uma confirmação de que a santidade é a verdadeira revolução, que pode promover a autêntica reforma da Igreja e da sociedade», explicou o Papa.

Em síntese, como disse o Papa ao recordar seu encontro com os bispos brasileiros, «eu os convidei a recuperar por toda parte o estilo da primitiva comunidade cristã».


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O olhar de um coração puro consegue contemplar Deus no Menino, diz arcebispo

dez 21, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade

JUIZ DE FORA, quinta-feira, 21 de dezembro de 2006 (ZENIT.org).- Em sua mensagem de Natal aos fiéis católicos, o arcebispo de Juiz de Fora (Minas Gerais, sudeste do Brasil) pergunta: «Que tipo de olhar consegue contemplar ao mesmo tempo Deus e homem, unidos num pobre bebê?».

«Certamente, o olhar de um coração puro como o de Maria, o de José, o dos pastores», responde Dom Eurico dos Santos Veloso.

Segundo o arcebispo, o nosso olhar hoje deve ser como o de Maria, José e dos pastores. Assim como eles «viram Deus naquele pequenino bebê, nós temos que ver a presença de Deus em todas as circunstâncias da nossa vida».

«Temos que chegar a um ponto onde os eventos do dia-a-dia não mais “encobrem” a presença de Deus mas, ao contrário, se tornam transparência de Deus.»

E Dom Eurico afirma que «isto é possível porque há 2000 anos atrás um bebezinho nasceu em Belém, um bebezinho realizou definitivamente a união do homem com Deus».

«Portanto, segundo a fórmula de Irineu e de Atanásio, Deus se torna homem para que o homem possa se tornar Deus. O acontecimento de Belém só tem sentido quando se torna uma realidade para nós aqui e agora.»

O arcebispo de Juiz de Fora explica que a Festa do Natal do Senhor começa a ser celebrada no Ocidente no Século IV, em lugar do Culto de Mitra “natalis solis invicti” (25 de Dezembro).

«Cristo, é agora, o Verdadeiro Sol, o Sol da Justiça que, liturgicamente, se mistura ao testemunho do sangue (Santo Estevão), ao testemunho do Amor (São João Evangelista) e ao testemunho da Inocência (os Mártires Inocentes)«, afirma.

«As três celebrações litúrgicas dos dias 26, 27 e 28 de Dezembro, nos ajudam a compreender o sentido pleno do Deus-Criança que se nos revelou no Presépio. Ele veio para viver a nossa vida de modo pleno. Só podemos viver também a sua de modo também completo.»

Segundo o arcebispo, «Ele nos quer plenamente filhos. Possamos nos colocar diante deste mistério imenso, grandioso, do Deus-Criança que nasceu para nós, do Filho de Deus que se nos doou de presente.»

«Nossa oração, hoje, só pode ser a de nos situar diante deste Mistério tremendo e cheios de gratidão e de alegria, pedir a graça para testemunhar com o nosso sangue, como o fez Estevão; com nosso amor, como fez João; com a nossa pureza de coração, como os Santos Inocentes o fizeram, este Dom Infinito de Deus por cada um de nós.»

«É assim, que o Milagre do NATAL acontecerá “HOJE” em nossas vidas!», escreve o arcebispo.


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Papa Pio XII: «Deves sentir-te orgulhoso de ser judeu»

nov 17, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Bíblia, Igreja

Descoberto o testemunho de um jovem judeu publicado em 1944

ROMA, quinta-feira, 16 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Um artigo publicado em 28 de abril de 1944 por um jovem judeu em «The Palestine Post» –a partir de 1950 «The Jerusalem Post» (o jornal mais importante e difundido do local)–, demonstra a estima de Pio XII pelo «povo eleito».

No artigo, publicado na página seis da citada edição, com o título «Uma audiência papal em tempo de guerra», e assinado «por um refugiado» (no pé de página se diz que o autor do artigo chegou à Palestina na enbarcação de refugiados «Nyassa»), o escritor relata que no outono de 1941 foi recebido, junto a outros judeus, em audiência pelo Papa Pio XII.

Quando o Santo Padre se aproximou, o jovem revelou ter nascido na Alemanha, mas ser judeu, e o Papa lhe respondeu: «Diga-me, o que posso fazer por ti?».

O jovem judeu contou ao Papa o naufrágio dos judeus refugiados que foram salvos por um barco italiano no mar Egeu e feitos prisioneiros em um campo em uma ilha local. O pontífice escutou atentamente e se preocupou pela situação física e saúde dos judeus feitos prisioneiros.

Segundo o artigo, a seguir Pio XII lhe disse: «Fizeste bem em vir aqui me contar esta história, já estava informado ao respeito. Vem amanhã com um informe escrito e entrega-o à Secretaria de Estado, que se encarregará da questão. Mas agora, com relação a ti, és um jovem judeu. Sei bem o que isto significa e espero que tu estejas sempre orgulhoso de ser judeu».

A seguir, o autor do artigo sublinha que o pontífice levantou a voz de maneira que todos na sala pudessem escutá-lo claramente: «Filho, aquilo do que és merecedor só o Senhor sabe, mas creia-me, tu tens a mesma dignidade de qualquer outro ser humano que vive em nossa terra! E agora, meu querido amigo judeu, vai com a proteção de Deus, e não esqueças nunca de sentir-te orgulhoso de ser judeu».

Relata o autor do artigo que, após esta declaração feita em voz alta, o Papa levantou a mão para dar-lhe a acostumada bênção, mas «se deteve, sorriu, e com os dedos me tocou a cabeça e me convidou a levantar-me», dado que estava ajoelhado.

Pio XII pronunciou estas palavras no curso de uma audiência na qual estavam presentes cardeais, bispos e também um grupo de soldados alemães.

Este importante testemunho foi descoberto no Arquivo da Universidade de Tel Aviv por William Doino, colaborador da revista americana «Inside the Vatican» e autor de uma bibliografia no livro «The Pius War: Responses to the Critics of Pius XII» (A guerra de Pio: respostas às críticas a Pio XII), em 2004, de Lexington Books.

Segundo William Doino, «este testemunho é relevante porque mostra a atenção e o grande amor do pontífice pelos judeus, além de reafirmar a rejeição das teorias raciais nazistas que consideravam os judeus como os últimos da terra».

Sobre este assunto, William Doino publicará no número de dezembro de «Inside The Vatican» uma informação completa sobre a cópia original de «The Jerusalem Post».


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Bento XVI: Reconstruir a confiança após escândalos de sacerdotes

nov 8, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Bíblia, Igreja

Discurso aos bispos da Irlanda

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que dirigiu Bento XVI aos bispos da Conferência Episcopal da Irlanda ao receber-lhes por ocasião de sua visita «ad limina apostolorum» em 28 de outubro.

* * *

Queridos Irmãos Bispos

Segundo as palavras de uma tradicional saudação irlandesa, dirijo-vos cem mil boas-vindas, Bispos da Irlanda, na circunstância da vossa visita ad Limina. Ao venerardes os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, possais haurir inspiração da coragem e da visão destes dois grandes Santos, que tão fielmente guiaram o caminho da missão da Igreja de proclamar Cristo ao mundo. Hoje, viestes para fortalecer os vínculos de comunhão com o Sucessor de Pedro, e manifesto com alegria o meu apreço pelas amáveis palavras que me foram dirigidas em vosso nome pelo Arcebispo D. Seán Brady, Presidente da vossa Conferência Episcopal. O testemunho constante de inumeráveis gerações do povo irlandês na sua fé em Cristo, e a sua fidelidade à Santa Sé, forjaram a Irlanda no nível mais profundo da sua história e da sua cultura. Todos nós estamos conscientes da contribuição saliente que a Irlanda tem oferecido para a vida da Igreja, e da extraordinária coragem dos seus filhos e das suas filhas missionários, que levaram a mensagem do Evangelho muito além do seu litoral. Entretanto, a chama da fé continuou a arder intrepidamente na pátria, através das provações que afligiram o seu povo ao longo da sua história. Em conformidade com as palavras do Salmista: “Hei-de cantar para sempre o amor do Senhor; a todas as gerações hei-de anunciar a sua fidelidade” (Sl 89 [88], 1).

O momento presente oferece numerosas novas oportunidades para dar testemunho de Cristo e dos renovados desafios para a Igreja na Irlanda. Vós falastes sobre as consequências para a sociedade, do aumento da prosperidade que se verificou ao longo dos últimos quinze anos. Depois de séculos de emigração, que envolveu a dor da separação para muitas famílias, pela primeira vez estais a receber uma onda de imigração. A tradicional hospitalidade irlandesa está a passar por renovadas e inesperadas manifestações. Como o sábio pai de família, que “tira coisas novas e velhas do seu tesouro” (Mt 13, 52), o vosso povo tem necessidade de considerar com discernimento as mudanças que estão a verificar-se na sociedade, e nisto ele busca a vossa orientação. Ajudai-o a reconhecer a incapacidade que a cultura secular e materialista tem de suscitar satisfação e alegria autênticas. Tende a coragem de lhes falar da alegria que provém do anúncio de Cristo e de uma vida levada em conformidade com os seus mandamentos. Recordai-lhe que os vossos corações foram criados para o Senhor e que estão inquietos, enquanto não descansam nele (cf. Santo Agostinho, Confissões, 1, 1).

Com muita frequência, o testemunho contracorrente oferecido pela Igreja é entendido de modo equívoco, como se fosse algo atrasado e negativo para a sociedade contemporânea. Eis por que motivo é importante pôr em evidência a Boa Nova, a mensagem evangélica que dá vida e a dá em abundância (cf. Jo 10, 10). Embora seja necessário falar vigorosamente contra os males que nos ameaçam, contudo temos o dever de corrigir a ideia de que o catolicismo é meramente “uma colectânea de proibições”. Aqui são necessárias uma catequese sólida e uma atenta “formação do coração”, e a este propósito na Irlanda tendes a bênção de dispor de sólidos recursos na vossa rede de escolas católicas, e em numerosos religiosos empenhados e professores leigos, que estão comprometidos seriamente na educação dos jovens. Continuai a encorajá-los na sua tarefa e certificai-vos de que os seus programas catequéticos permaneçam alicerçados no Catecismo da Igreja Católica, assim como no novo Compêndio. É necessário evitar apresentações superficiais do ensinamento católico, pois somente a plenitude da fé pode comunicar o poder libertador do Evangelho. Mediante o exercício da vigilância sobre a qualidade dos programas de estudo e dos livros de texto utilizados, e através da proclamação da doutrina da Igreja na sua integridade, vós assumis a vossa responsabilidade de “anunciar a palavra… oportuna e inoportunamente… com toda a magnanimidade e doutrina” (2 Tm 4, 2).

Na prática do vosso ministério pastoral tivestes que responder, ao longo destes últimos anos, a muitos e dilacerantes casos de abuso sexual contra menores. E eles são ainda mais trágicos, quando quem abusa é um clérigo. As feridas causadas por tais actos são profundas, e é urgente a tarefa de reconstruir a confidência e a confiança, onde elas foram prejudicadas. Nos vossos esforços permanentes em vista de resolver eficazmente este problema, é importante estabelecer a verdade a respeito daquilo que aconteceu no passado, dar todos os passos que forem necessários para impedir que ele volte a ocorrer, assegurar que os princípios da justiça sejam plenamente respeitados e, sobretudo, dar alívio às vítimas e a todas as pessoas que foram atingidas por estes crimes hediondos. Desta forma, a Igreja que está na Irlanda será fortalecida, tornando-se cada vez mais capaz de dar testemunho do poder redentor da Cruz de Cristo. Rezo a fim de que, mediante a graça do Espírito Santo, este tempo de purificação torne todo o povo de Deus capaz de, “com a ajuda de Deus, conservar e aperfeiçoar na sua vida a santidade que receberam [de Deus]” (Gaudium et spes, 40).

O trabalho excelente e a dedicação altruísta da grande maioria de sacerdotes e religiosos na Irlanda não deveriam ser obscurecidos pelas agressões cometidas por alguns dos seus irmãos. Estou persuadido de que as pessoas compreendem isto e continuam a considerar o seu clero com carinho e estima. Encorajo os vossos presbíteros a buscarem sempre a renovação espiritual e a descobrirem novamente a alegria de exercer o seu ministério em favor dos respectivos rebanhos, no seio da grande família da Igreja. Outrora, a Irlanda foi abençoada com tal abundância de vocações sacerdotais e religiosas, que uma boa parte do mundo podia beneficiar das suas obras apostólicas. Todavia, nos anos mais recentes o número de vocações diminuiu vertiginosamente.

Então, como é urgente prestar atenção às palavras do Senhor. “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9, 37-38). É-me grato saber que muitas das vossas dioceses adoptaram a prática da oração silenciosa pelas vocações diante do Santíssimo Sacramento. Isto deveria ser calorosamente encorajado. Mas acima de tudo compete a vós, Bispos, bem como ao vosso clero, oferecer aos jovens uma visão inspiradora e atraente do sacerdócio ordenado. A nossa oração pelas vocações “deve conduzir à acção, a fim de que do nosso coração orante brote uma centelha da nossa alegria em Deus e no Evangelho, suscitando no coração dos outros a disponibilidade para dizer “sim”" (Discurso aos sacerdotes e aos diáconos permanentes, Freising, 14 de Setembro de 2006). Não obstante o compromisso cristão seja considerado obsoleto em determinados contextos, entre os jovens da Irlanda existe uma fome espiritual concreta e um desejo generoso de servir o próximo. A vocação ao sacerdócio ou à vida religiosa oferece a oportunidade de responder a esta aspiração, de maneira a suscitar uma profunda alegria e a realização individual.

Permiti que acrescente uma observação, que me está a peito. Durante muitos anos, os representantes cristãos de todas as denominações, os líderes políticos e numerosos homens e mulheres de boa vontade estiveram comprometidos na busca de instrumentos para garantir um futuro mais resplandecente à Irlanda do Norte. Embora o caminho seja árduo, nos últimos tempos já se alcançou um grande progresso. Rezo a fim de que os esforços decididos, realizados pelas pessoas interessadas, leve à formação de uma sociedade que se caracterize por um espírito de reconciliação, de respeito recíproco e de solícita cooperação, em vista do bem comum de todos.

No momento em que vos preparais para regressar às vossas respectivas Dioceses, confio o vosso ministério apostólico à intercessão de todos os Santos da Irlanda e asseguro-vos o meu profundo afecto, assim como a minha oração constante por todos vós e pelo povo irlandês em geral.

Que Nossa Senhora de Knock vele sobre vós, protegendo-vos sempre. A todos vós, aos sacerdotes, aos religiosos e aos fiéis leigos da vossa amada Ilha, concedo do íntimo do coração a minha Bênção Apostólica, como penhor de paz e de júbilo no Senhor Jesus Cristo.

[Tradução distribuída pela Santa Sé
© Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana]


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A Sagrada Tradição e os Protestantes

ago 16, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Bíblia

Os protestantes que se dizem voltar ao cristianismo primitivo, que se dizem conhecedores da Palavra de Deus e seus fiéis seguidores, renegam duas parcelas importantíssimas da Palavra de Deus: A Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério.

O escopo de nosso artigo está na Sagrada Tradição, em outra oportunidade trataremos do Sagrado Magistério.

A Ordem Apostólica

Os adeptos da “Sola Scriptura” (Somente as Escrituras), na verdade são adeptos da “Sola alguns versículos da Scriptura”. Negam verdades bem explícitas da Sagrada Escritura como a real presença do Senhor no pão e no vinho da Eucaristia (cf. Jo 6,51-56), negam também que a autoridade apostólica não se encerrou com a geração dos apóstolos, mas se perpetuou em seus legítimos sucessores (cf. At 1,15-26; 1Tm 5,1.19-20; Tt 1,5; 2,9-10.15), negam o preço que o Senhor e São Paulo possuiam pelos celibatários (cf.Mt 19,12; 1Cor 7,1.26-27) e entre outras coisas. Mas se tratando da Sagrada Tradição, fecham seus olhos para a seguinte instrução de São Paulo:

    “Assim, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavra, seja por carta nossa” (2Tes 2,15).

Verter por escrito a Revelação era uma preocupação secundária

Vejam que São Paulo nos manda guardar toda doutrina apostólica, seja ela oral ou escrita. A Sagrada Tradição é maior que a Escritura, pois foi ela que deu origem à Escritura. A ordem do Senhor foi: “Ide, e pregai o Evangelho a toda criatura” (cf. Mt 28,19-20) e não “Ide e imprimi as Escrituras”.

A preocupação da Igreja era anunciar o Evangelho. E fizeram isto de viva voz. Somente em circunstância especiais é que os apóstolos se viram obrigados a colocar algo por escrito. Mas de forma alguma se preocuparam em colocar tudo por escrito (cf. Jo 21,25; 1Cor 11,12; 2Jo 1,12; 3; 3Jo 1,13-14).

Veja o testemunho de Eusébio, Bispo de Cesaréia e historiador da Igreja nos tempos primitivos:

    “[Os Apóstolos] Anunciaram o reino dos céus a todo orbe habitado, sem a menor preocupação de escrever livros.Assim procediam porque lhes cabia prestar um serviço maior e sobre-humano. Até Paulo, o mais potente de todos na preparação dos discursos, o mais dotado relativamente aos conceitos, só transmitiu por escrito breves cartas, apesar de ter realidades inúmeras e inefáveis a contar [...] Outros seguidores de nosso Salvador, os primeiros apóstolos, os setenta discípulos e mil outros mais não eram inexperientes das mesmas realidades. Entretanto, dentre eles todos, somente Mateus e João deixaram memória dos entretenimentos do Salvador. E a Tradição refere que estes escreveram forçados pela necessidade. [...] Quanto a João [o Apóstolo], diz-se que sempre utilizava o anúncio oral. Por fim, também ele pôs-se a escrever pelo seguinte motivo. Quando os três evangelhos precedentes já se haviam propagado entre todos os fiéis e chegaram até ele, recebeu-os, atestando sua veracidade. Somente careciam da história das primeiras ações de Cristo e do anúncio primordial da palavra. E trata-se de verdadeiro motivo.” (História Eclesiástica Livro III, 24,3-7. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C)

Pois o Cristianismo não é baseado num manual de instruções, mas sim no Magistério Vivo da Igreja. E é disto que as Sagradas Escrituras (cf. 2Cor 3,6) e os antigos deram testemunho.

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