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Por Papa Bento XVI
Tradução: Vaticano
Fonte: Vaticano
Queridos irmãos e irmãs!
Prosseguindo os nossos encontros com os doze Apóstolos escolhidos directamente por Jesus, hoje dedicamos a nossa atenção a Tomé. Sempre presente nas quatro listas contempladas pelo Novo Testamento, ele, nos primeiros três Evangelhos, é colocado ao lado de Mateus (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 15), enquanto nos Actos está próximo de Filipe (cf. Act 1, 13). O seu nome deriva de uma raiz hebraica, ta’am, que significa “junto”, “gémeo”. De facto, o Evangelho chama-o várias vezes com o sobrenome de “Dídimo” (cf. Jo 11, 16; 20, 24; 21, 2), que em grego significa precisamente “gémeo”. Não é claro o porquê deste apelativo.
Sobretudo o Quarto Evangelho oferece-nos informações que reproduzem alguns traços significativos da sua personalidade. O primeiro refere-se à exortação, que ele fez aos outros Apóstolos, quando Jesus, num momento crítico da sua vida, decidiu ir a Betânia para ressuscitar Lázaro, aproximando-se assim perigosamente de Jerusalém (cf. Mc 10, 32). Naquela ocasião Tomé disse aos seus condiscípulos: “Vamos nós também, para morrermos com Ele” (Jo 11, 16).
Esta sua determinação em seguir o Mestre é deveras exemplar e oferece-nos um precioso ensinamento: revela a disponibilidade total a aderir a Jesus, até identificar o próprio destino com o d’Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte. De facto, o mais importante é nunca separar-se de Jesus. Por outro lado, quando os Evangelhos usam o verbo “seguir” é para significar que para onde Ele se dirige, para lá deve ir também o seu discípulo. Deste modo, a vida cristã define-se como uma vida com Jesus Cristo, uma vida a ser transcorrida juntamente com Ele. São Paulo escreve algo semelhante, quando tranquiliza os cristãos de Corinto com estas palavras: “estais no nosso coração para a vida e para a morte” (2 Cor 7, 3). O que se verifica entre o Apóstolo e os seus cristãos deve, obviamente, valer antes de tudo para a relação entre os cristãos e o próprio Jesus: morrer juntos, viver juntos, estar no seu coração como Ele está no nosso.
Uma segunda intervenção de Tomé está registada na Última Ceia. Naquela ocasião Jesus, predizendo a sua partida iminente, anuncia que vai preparar um lugar para os discípulos para que também eles estejam onde Ele estiver; e esclarece: “E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho” (Jo 14, 4). É então que Tomé intervém e diz: “Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?” (Jo 14, 5). Na realidade, com esta expressão ele coloca-se a um nível de compreensão bastante baixo; mas estas suas palavras fornecem a Jesus a ocasião para pronunciar a célebre definição: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). Portanto, Tomé é o primeiro a quem é feita esta revelação, mas ela é válida também para todos nós e para sempre. Todas as vezes que ouvimos ou lemos estas palavras, podemos colocar-nos com o pensamento ao lado de Tomé e imaginar que o Senhor fala também connosco como falou com ele.
Ao mesmo tempo, a sua pergunta confere também a nós o direito, por assim dizer, de pedir explicações a Jesus. Com frequência nós não o compreendemos. Temos a coragem para dizer: não te compreendo, Senhor, ouve-me, ajuda-me a compreender. Desta forma, com esta franqueza que é o verdadeiro modo de rezar, de falar com Jesus, exprimimos a insuficiência da nossa capacidade de compreender, ao mesmo tempo colocamo-nos na atitude confiante de quem espera luz e força de quem é capaz de as doar.
Depois, muito conhecida e até proverbial é a cena de Tomé incrédulo, que aconteceu oito dias depois da Páscoa. Num primeiro momento, ele não tinha acreditado em Jesus que apareceu na sua ausência, e dissera: “Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito” (Jo 20, 25). No fundo, destas palavras sobressai a convicção de que Jesus já é reconhecível não tanto pelo rosto quanto pelas chagas. Tomé considera que os sinais qualificadores da identidade de Jesus são agora sobretudo as chagas, nas quais se revela até que ponto Ele nos amou. Nisto o Apóstolo não se engana. Como sabemos, oito dias depois Jesus aparece no meio dos seus discípulos, e desta vez Tomé está presente. E Jesus interpela-o: “Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!” (Jo 20, 27). Tomé reage com a profissão de fé mais maravilhosa de todo o Novo Testamento: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). A este propósito, Santo Agostinho comenta: Tomé via e tocava o homem, mas confessava a sua fé em Deus, que não via nem tocava. Mas o que via e tocava levava-o a crer naquilo de que até àquele momento tinha duvidado” (In Iohann. 121, 5). O evangelista prossegue com uma última palavra de Jesus a Tomé: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que, sem terem visto, crerão” (cf. Jo 20, 29). Esta frase também se pode conjugar no presente; “Bem-aventurados os que crêem sem terem visto”.
Contudo, aqui Jesus enuncia um princípio fundamental para os cristãos que virão depois de Tomé, portanto para todos nós. É interessante observar como o grande teólogo medieval Tomás de Aquino, compara com esta fórmula de bem-aventurança aquela aparentemente oposta citada por Lucas: “Felizes os olhos que vêem o que estais a ver” (Lc 10, 23). Mas o Aquinate comenta: “Merece muito mais quem crê sem ver do que quem crê porque vê” (In Johann. XX lectio VI 2566). De facto, a Carta aos Hebreus, recordando toda a série dos antigos Patriarcas bíblicos, que acreditaram em Deus sem ver o cumprimento das suas promessas, define a fé como “fundamento das coisas que se esperam e comprovação das que não se vêem” (11, 1). O caso do Apóstolo Tomé é importante para nós pelo menos por três motivos: primeiro, porque nos conforta nas nossas inseguranças; segundo porque nos demonstra que qualquer dúvida pode levar a um êxito luminoso além de qualquer incerteza; e por fim, porque as palavras dirigidas a ele por Jesus nos recordam o verdadeiro sentido da fé madura e nos encorajam a prosseguir, apesar das dificuldades, pelo nosso caminho de adesão a Ele.
Uma última anotação sobre Tomé é-nos conservada no Quarto Evangelho, que o apresenta como testemunha do Ressuscitado no momento seguinte à pesca milagrosa no Lago de Tiberíades (cf. Jo 21, 2). Naquela ocasião ele é mencionado inclusivamente logo depois de Simão Pedro: sinal evidente da grande importância de que gozava no âmbito das primeiras comunidades cristãs. Com efeito, em seu nome foram escritos depois os Actos e o Evangelho de Tomé, ambos apócrifos mas contudo importantes para o estudo das origens cristãs. Por fim recordamos que segundo uma antiga tradição, Tomé evangelizou primeiro a Síria e a Pérsia (assim refere já Orígenes, citado por Eusébio de Cesareia, Hist. eccl. 3, 1) depois foi até à Índia ocidental (cf. Actos de Tomé 1-2 e 17ss.), de onde enfim alcançou também a Índia meridional. Nesta perspectiva missionária terminamos a nossa reflexão, expressando votos de que o exemplo de Tomé corrobore cada vez mais a nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e nosso Deus.
Por Papa Bento XVI
Tradução: Vaticano
Fonte: Vaticano
Queridos irmãos e irmãs!
Dedicamos o encontro de hoje à recordação de outro membro muito importante do colégio apostólico: João, filho de Zebedeu e irmão de Tiago. O seu nome, tipicamente judaico, significa “o Senhor fez a graça”. Estava a consertar as redes na margem do lago de Tiberíades, quando Jesus o chamou juntamente com o irmão (cf. Mt 4, 21; Mc 1, 19). João pertence também ao grupo restrito, que Jesus chama em determinadas ocasiões.
Está com Pedro e com Tiago quando Jesus, em Cafarnaum, entra em casa de Pedro para curar a sua sogra (cf. Mc 1, 29); com os outros dois segue o Mestre na casa de Jairo, chefe da sinagoga, cuja filha será chamada à vida (cf. Mc 5, 37); segue-o quando ele sobe ao monte para ser transfigurado (cf. Mc 9, 2); está ao lado dele no Monte das Oliveiras quando, face à imponência do Templo de Jerusalém, pronuncia o sermão sobre o fim da cidade e do mundo (cf. Mc 13, 3); e, finalmente, está ao seu lado quando, no Horto do Getsémani, se retira para rezar ao Pai antes da Paixão (cf. Mc 14, 33). Pouco antes da Páscoa, quando Jesus escolhe dois discípulos para os enviar a preparar a sala para a Ceia, confia a ele e a Pedro esta tarefa (cf. Lc 22, 8).
Esta sua posição de relevo no grupo dos Doze torna de certa forma compreensível a iniciativa tomada um dia pela mãe: ela aproximou-se de Jesus para lhe pedir que os dois filhos, precisamente João e Tiago, pudessem sentar-se um à sua direita e outro à sua esquerda no Reino (cf. Mt 20, 20-21). Como sabemos, Jesus respondeu fazendo por sua vez uma pergunta: pediu que eles estivessem dispostos a beber do cálice que ele mesmo estava para beber (cf. Mt 20, 22).
A intenção que estava por detrás daquelas palavras era a de despertar os dois discípulos, introduzi-los no conhecimento do mistério da sua pessoa e de os fazer reflectir sobre a futura chamada a ser suas testemunhas até à prova suprema do sangue.
De facto, pouco depois Jesus esclareceu que não veio para ser servido mas para servir e dar a própria vida em resgate pela multidão (cf. Mt 20, 28). Nos dias seguintes à ressurreição, encontramos “os filhos de Zebedeu” empenhados com Pedro e outros discípulos numa noite infrutuosa, à qual se segue, pela intervenção do Ressuscitado, a pesca milagrosa: será “o discípulo que Jesus amava” quem reconhece primeiro “o Senhor” e quem o indica a Pedro (cf. Jo 21, 1-13). (more…)
Um livro histórico - como são os evangelhos - merece credibilidade quando reúne três condições básicas: ser autêntico, verídico e íntegro. Quer dizer, quando o livro foi escrito na época e pelo autor a que se atribui (autenticidade), quando o autor do livro conheceu os acontecimentos a que se refere e não quer enganar seus leitores (veracidade), e, por último, quando chegou até nós sem alteração substancial (integridade).
E os evangelhos são autênticos, em primeiro lugar, porque só um autor contemporâneo a Jesus Cristo ou discípulo imediato seu poderia escrevê-los: leva-se em conta que no ano 70 Jerusalém foi destruída e a nação judaica desterrada em massa, dificilmente um escritor posterior, com os meios que então havia, tenha podido descrever os lugares; ou de modo similar os hebraismos que figuram no grego vulgar em que esta redigido quase todo o Novo Testamento; ou inventar as descrições que aparecem, tão ricas em detalhes históricos, topográficos e culturais, que foram confirmadas pelos sucessivos achados arqueológicos e os estudos sobre outros autores daquele tempo. Os fatos mais notórios da vida de Jesus são perfeitamente comprováveis mediante outras fontes independentes de conhecimento hostórico.
Com respeito à integridade dos evangelhos, nos encontramos frente a uma situação privilegiada, pois desde os primeiros tempos os cristãos fizeram numerosas cópias em grego e latim, para o culto litúrgico e a leitura e meditação das escrituras.
Graças à isto, testemunhas documentais do Novo Testamento são abundantíssimos: na atualidade se conhecem mais de 6.000 manuscritos gregos; há além disso uns 40.000 manuscritos de traduções antiquíssimas em diversas línguas (latim, copta, armênio, etc.), que dão fé ao texto grego que esteve à vista os tradutores; nos chegaram 1.500 lecionários de Missas que contém a maior parte do texto dos evangelhos distribuído em lições ao longo de todo o ano; e a tudo isto deve-se acrescentar as freqüentíssimas citações do evangelho de escritores antigos, que são como fragmentos de outros manuscritos anteriores perdidos para nós.
Toda esta variedade e extensão de testemunhos dos evangelhos constituem uma prova historicamente incontrovertível. Se o comparamos, por exemplo, com o que conhecemos das grandes obras clássicas, veríamos que os manuscritos mais antigos que se conservam destas obras são muito mais distantes da época de seu autor. Por exemplo: Virgílio (século V, uns 500 anos), Horácio (século VIII, mais de 900 anos despois), Platão (século IX, uns 1400), Júlio César (século X, quase 1100), e Homero (século XI, da ordem de 1900 depois). Entretanto, há papiros dos evangelhos em datas muito mais próximas de sua redação original (pode-se dizer que hoje em dia, graças aos avanços dos estudos filológicos, podem ser datados com grande precisão): o Códice Alexandrino, uns 300 anos depois; o Códice Vaticano e o Sinaítico, uns 200; o papiro Chester Beatty, entre 125 e 150; o Bodmer, aproximadamente 100; e o papiro Rylands, finalmente, dista tão somente 25 ou 30 anos.
Certeza total?
Pois bem, há quem duvide da certeza total dos evangelhos já que os manuscritos são muitos e muito antigos e os copistas poderiam fazer interpolações ou deformar algumas passagens.
Entretanto, havendo tantísimas cópias e de procedência tão diversa (são dezenas de milhares, em vários idiomas e encontradas em lugares e datas muito distantes), é facílimo desmascarar o copista que faz alguma alteração do texto, porque difere das demais cópias que chegam por outras vias. Apareceram de fato, um reduzido número de falsificações ou cópias apócrifas; mas sempre tem-se detectado com facilidade, graças à prodigiosa coincidência do resto das versões.
Assim vem-se comprovando ao longo do próprio proceso histórico de descobrimento dos diversos manuscritos: por exemplo, no século XVI foram feitas numerosas edições impressas baseadas em profundos estudos críticos sobre cópias manuscritas algumas das quais se remontavam até o século VIII, que era o mais antigo que conheciam até então; posteriormente foram encontrados códices dos séculos IV e V, e concordavam substancialmente com aqueles textos impressos; mais adiante, desde o século XIX até nossos dias, foram encontrados cerca de cem novos papiros escritos entre os séculos II e IV, a maioria procedentes do Egito, que também coindiram de forma realmente surpreendente com as cópias que havia.
Levando em conta as diversíssimas procedências de cada um desses documentos - repetindo que são dezenas de milhares - cabe deduzir que a prodigiosa coincidência de todas as versões que nos têm chegado é um testemunho esmagador da veneração e fidelidade com que foram conservados os evangelhos ao longo dos séculos, assim como da sua autenticidade e integridade indiscutíveis.
O Novo Testamento é, sem qualquer comparação com outra obra literária da antiguidade, o livro melhor e mais abundantemente documentado.
É verdade o que contam os evangelhos?
Sobre a veracidade dos evangelhos, poderiam ser apontadas inúmeras razões. Pascal, referindo-se ao testemunho que os primeiros cristãos deram com sua vida, dá um argumento muito simples e convincente: “Creio com mais facilidade nas histórias cujas testemunhas se deixaram martirizar em comprovação de seu testemunho”.
Terem morrido por ser fiéis aos ensinamenteos dos evangelhos outorga a estas pessoas uma forte garantia de veracidade (pelo menos se conhecem poucos mentirosos que tenham morrido para defender suas mentiras).
Por outro lado, é bastante chamativo, por exemplo, que os evangelistas não calem seus próprios defeitos nem as representações recebidas de seu maestro, assim como relatem fatos embaraçosos para os cristãos, que um falsificador poderia ter ocultado.
Por que não foram corrigidos, ou ao menos suavisados um pouco, as passagens mais delicadas? Que razões há, por exempo, para que se narre a traição e dramática morte de Judas, um dos doze apóstolos, escolhido pessoalmente por Jesus Cristo? Houve - aponta Vittorio Messori - muitas oportunidades para omitir esse episódio, que desde o início foi motivo de escárnio contra os cristãos (Que classe de profeta é este - ironizava Celso - que não sabe sequer escolher seus seguidores?); entretanto, a passagem chegou inalterada até nós.
A única explicação razoável é que este fato, por mais desgraçado que fosse, ocorreu realmente. Os evangelistas estavam obrigados a respeitar a verdade porque, do contrário - e deixando margem a outros motivos - as falsificações seriam denunciadas por seus contemporâneos. Os cristãos foram naqueles tempos objeto de escárnio, considerados loucos, mas não se colocou em discussão que o que predicavam não correspondia à verdade do que sucedeu.
Além disso, postos a inventar - continua Messori - dificilmente os evangelistas teriam idealizado episódios como a fuga dos apóstolos na Paixão, a tripla negação de Pedro, as palavras de Cristo no Horto das Oliveiras ou sua exclamação na cruz (”Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”), fatos que ninguém teria ousado escrever se não tivessem sido escrupulosamente reais: tão contrários eram à idéia de um Messias, vitorioso e potente, arraigada à mentalidade judaica da época.
Frente a contrastes deste tipo, o próprio Rousseau, nada suspeitoso de simpatia para com a fé católica, costumava afirmar, falando dos evangelhos: Invenções…? Amigo, assim não se inventa.
A maioria dos argumentos com que estes últimos séculos têm se dirigido contra a veracidade dos evangelhos parecem ditados por um preconceito ideológico. E toda essa forte crítica, que em alguns momentos pareceu por em crise a fé tratando de eliminar a sua base histórica, tem conseguido apenas , como resposta, fortalecê-la. Um grande número de sucessivos descobrimentos foram varrendo pouco a pouco toda a nuvem de hipótese que tinha se formado contra ela.
A nuvem que agora paira no ambiente é de que a suspeita de muitos daqueles grandes desmitificadores da fé não tenha tido sucesso, e finalmente ser, na realidade, uns grandes inventores de mitos em torno à interpretação dos evangelhos (mitos que naqueles anos ninguém ousava discutir). Hoje - assegura Lucien Cerfaux, prestigiado especialista de exegese bíblica - depois de dois séculos de ensinamento crítico, estamos descobrindo com surpresa que, possivelmente, o modo mais “científico” de ler os evangelhos é lê-los com simplicidade.
Fonte: ACI Digital
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VATICANO, 11 Out. 06 (ACI) .- 40 mil fiéis se congregaram nesta manhã na Praça de São Pedro para participar da Audiência Geral com o Papa Bento XVI, que ao apresentar as figuras dos apóstolos Simão Cananeu e Judas Tadeu recordou que o diálogo não deve perder de vista as linhas mestras e irrenunciáveis da identidade cristã. Sobre a carta do Novo Testamento atribuída a Judas, cujo apelido Tadeu significa “magnânimo”, o Santo Padre destacou que sua “preocupação central é alertar os cristãos de todos os que com o pretexto da graça de Deus se desculpam de seus desenfreios e enganam os outros com ensinamentos inaceitáveis, introduzindo divisões na Igreja“.
“Possivelmente hoje não estamos acostumados a utilizar uma linguagem tão polêmica -observou o Papa-, que embora com imagens muito formosas não deixa de dizer com muita claridade o que caracteriza o cristianismo e o que é incompatível com ele”.
“É preciso prosseguir com perseverança o caminho da indulgência e do diálogo, felizmente empreendido pelo Concílio Vaticano II. Mas não podemos esquecer o dever de repropor e destacar sempre com igual força as linhas mestras e irrenunciáveis de nossa identidade cristã, que não é apenas cultural, mas sim requer a força, a clareza e a coragem dos desafios próprios da fé“. precisou.
Igualmente, o Bispo de Roma se referiu a Simão Cananeu, chamado também “zelota“, quem como resultado de tal nome poderia ser caracterizado “por um ardente zelo pela identidade judaica, portanto por Deus, por seu povo e pela Lei divina”.
“De ser assim, Simão é completamente diferente de Mateus -disse o Santo Padre-, que como publicano, procedia de uma atividade considerada impura. Este é um sinal evidente de que Jesus chama seus discípulos e colaboradores de todos os níveis sociais e religiosos, sem diferenças. Interessam-lhe as pessoas, não as categorias sociais ou as etiquetas”.
“Seus seguidores, embora diversos, coexistiam superando as imagináveis dificuldades: Jesus era o motivo de coesão. Nós, ao contrário, tendemos freqüentemente a sublinhar as diferenças e inclusive as contraposições, esquecendo que em Jesus Cristo reside a força para resolver nossos conflitos“, apontou.
Finalmente o Papa leu um resumo de suas palavras em diversos idiomas, entoou o Pater Noster e deu a Bênção Apostólica.
«Uma profecia», reconhece Bento XVI
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 4 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que Bento XVI enviou ao arcebispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino, por ocasião da celebração do vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, que acontece em Assis de 4 a 5 de setembro.
Ao venerado irmão
Dom Domenico Sorrentino
Bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino
Celebra-se este ano o vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, convocado por meu venerado predecessor João Paulo II, em 27 de outubro de 1986, na cidade de Assis. Ele não só convidou para aquele encontro os cristãos das diferentes confissões, mas também os expoentes das diferentes religiões. A iniciativa teve um amplo eco na opinião pública: foi uma mensagem vibrante a favor da paz e se converteu em um acontecimento que deixou uma marca na história de nosso tempo. Compreende-se, portanto, que a lembrança do que então sucedeu continue suscitando iniciativas de reflexão e de compromisso. Algumas foram organizadas precisamente em Assis, por ocasião do vigésimo aniversário daquele acontecimento. Penso na celebração, organizada em colaboração com essa diocese, pela Comunidade de Santo Egídio, seguindo os passos de análogos encontros realizados anualmente pela mesma. Nos dias do aniversário se celebrará também um Congresso organizado pelo Instituto Teológico de Assis, no qual se encontrarão as Igrejas particulares dessa região em torno da Eucaristia celebrada pelos bispos da Úmbria na Basílica de São Francisco. Por último, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso organizará um encontro de diálogo, de oração e de formação na paz para jovens católicos e de outras religiões.
Os Evangelhos atestam a divindade de Jesus.
A Igreja, depois de examinar todas as coisas, com todo o rigor que lhe é peculiar, não tem dúvida de nos apresentar os Evangelhos como rigorosamente históricos. A Constituição apostólica Dei Verbum, do Vaticano II, diz: “A santa Mãe Igreja, segundo a fé apostólica, tem como sagrados e canônicos os livros completos tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, porque, escritos sob a inspiração do Espírito Santo, eles têm Deus como Autor e nesta sua qualidade foram confiados à Igreja” (DV,11).
O Catecismo da Igreja afirma com toda a segurança:
“A Igreja defende firmemente que os quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem exitação, transmitem fielmente aquilo que Jesus, Filho de Deus, ao viver entre os homens, realmente fez e ensinou para a eterna salvação deles, até ao dia que foi elevado” (n° 126).
Jesus impressionava as multidões por ser Deus, “ensinava como quem tinha autoridade e não como os escribas” (Mt. 7,29).
Ele provou ser Deus; isto é, Senhor de tudo, onipotente, oniciente, onipresente: andou sobre as águas sem afundar (Mt 14,26), multiplicou os pães (Mt 15,36), curou leprosos (Mt 8,3), dominou a tempestade (Mt 8,26), expulsou os demônios (Mt. 8,32), curou os paralíticos (Mt 8,6), ressuscitou a filha de Jairo (Mt 9,25), o filho da viúva de Naim, chamou Lázaro do túmulo, já em estado de putrefação (Jo11, 43″44), transfigurou-se diante de Pedro, Tiago e João, no Monte Tabor (Mt 17,2) e ressuscitou triunfante dos mortos (Mt 28,6)…
Os Evangelhos narram 37 grandes milagres de Jesus, sem contar os que não foram escritos. Provou que era Deus!
Só Deus pode fazer essas obras! É por isso que São Paulo disse que:
“Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Col 2,9).
“Ele é a imagem do Deus invisível” (Col 1,15).
S.Pedro diz, como testemunha:
“Vimos a sua majestade com nossos próprios olhos” (2 Pe 1,16).
Alguém poderia perguntar, mas quem pode provar a autenticidade dos Evangelhos?
Pois bem, a crítica Racionalista dos últimos séculos empreendeu com grande ardor o estudo crítico dos Evangelhos, com a sede maldosa de destruí”los. A que conclusão chegaram esses racionalistas materialistas que empreenderam, com o mais profundo rigor da Ciência, cujo deus era a Razão, a análise sobre a autenticidade histórica dos Evangelhos?
Empregando os “métodos das citações”, “das traduções”, “o método polêmico”, e outros, tentando desmascarar a “farsa” dos Evangelhos, chegaram à conclusão exatamente oposta a seus desejos e, por coerência científica, tiveram que afirmar como Renan, racionalista da França, na sua obra Vie de Jesus:
“Em suma, admito como autênticos os quatro Evangelhos canônicos”.
Harnack, racionalista alemão, foi obrigado a afirmar:
“O caráter absolutamente único dos Evangelhos é, hoje em dia, universalmente reconhecido pela crítica” (Jesus Cristo é Deus ? José Antonio de Laburu, ed. Loyola, pág. 55).
Streeter, grande crítico inglês afirmou que:
“Os Evangelhos são, pela análise crítica, os que detém a mais privilegiada posição que existe”( idem).
Os mais exigentes críticos do século XIX, Hort e Westcott, foram obrigados a afirmar:
“As sete oitavas partes do conteúdo verbal do Novo Testamento não admitem dúvida alguma. A última parte consiste, preliminarmente, em modificações na ordem das palavras ou em variantes sem significação. De fato, as variantes que atingem a substância do texto são tão poucas, que podem ser avaliadas em menos da milésima parte do texto” (idem pág. 56).
Finalmente os racionalistas tiveram que reconhecer a veracidade histórica, científica, dos Evangelhos:
“Trabalhamos 50 anos febrilmente para extrair pedras da cantaria que sirvam de pedestal à Igreja Católica?” (ibidem).
Enfim, os inimigos da fé, quiseram destruir os Evangelhos, e acabaram reconhecendo”os como os Livros mais autênticos, segundo a própria crítica racionalista.
Santa Teresinha, doutora da Igreja, dizia:
“É acima de tudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações; nele encontro tudo que me é necessário para a minha pobre alma. Descubro nele sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos”.
DO Livro: Escola da Fé IV (no prelo) do Prof. Felipe de Aquino
Fonte: http://www.cleofas.com.br/
02 de abril de 2006
Santiago Ausín
No ano de 1947 no Wadi Qumran, junto ao Mar Morto, apareceram, em onze diferentes cavernas, algumas jarras de barro que continham muitos documentos escritos em hebreu, aramaico e grego. Sabe-se que foram escritos entre o século II a.C. e 70 d.C., ano em que teve lugar a destruição de Jerusalém.
Foram recompostos 800 escritos dentre vários milhares de fragmentos, pois quase nenhum desses documentos estava completo. Há fragmentos de todos os livros do Antigo Testamento (exceto o de Ester), de outros livros judeus não canônicos (alguns já conhecidos, outros não), e um bom número de escritos próprios de um grupo sectário de essênios, que vivia retirado no deserto.
Os documentos de maior importância, sem dúvida, eram os textos da Bíblia. Até o descobrimento dos textos do Qumran, os manuscritos mais antigos que se conhecia em língua hebraica eram dos séculos IX-X d.C. Mas havia a suspeita de que neles haviam sido cortadas, acrescentadas ou modificadas palavras ou frases dos originais, consideradas incomômodas. Com os novos descobrimentos comprovou-se que os textos encontrados coincidiam com os originais, ainda que fossem de mil anos antes, e que as poucas diferenças que apresentavam coincidiam, na sua maioria, com algumas já testemunhadas pela versão grega chamada dos Setenta ou pelo Pentateuco Samaritano. Outros vários documentos contribuíram para demonstrar que havia uma maneira de interpretar as Escrituras (e as normas legais) diferente da que era habitual entre os saduceus e os fariseus.