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Chuvas torrenciais no sul do Brasil já deixaram 100 mortos
FLORIANÓPOLIS, sexta-feira, 28 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI expressou seu pesar pela tragédia ambiental no Estado de Santa Catarina (sul do Brasil), onde as fortes chuvas e enchentes afetaram 1,5 milhão de pessoas e deixaram até o momento 100 mortos.
Em telegrama enviado pelo cardeal Tarcisio Bertone ao arcebispo de Florianópolis, Dom Murilo Krieger, ontem, o Papa afirma que tomou conhecimento, «com profundo pesar, das trágicas e lutuosas consequências das chuvas torrenciais destes últimos dias que atingiram o Estado de Santa Catarina».
O pontífice afirma-se «espiritualmente presente nesta hora de dor com as famílias das vítimas e com os milhares de desalojados e desabrigados desta enorme tragédia ambiental».
«Nesta ocasião, ao sufragar os falecidos, Sua Santidade implora de Deus misericordioso a assistência e a consolação para todos os sinistrados e quantos sofrem física e moralmente», afirma o telegrama.
O Papa envia «propiciadora Bênção Apostólica, extensiva ao povo catarinense e aos que se engajaram nas campanhas de solidariedade».
O arcebispo de Florianópolis agradeceu o Papa por sua expressão de solidariedade.
«Para todos nós é confortador saber que o Papa Bento XVI está unido espiritualmente aos que perderam seus entes queridos e aos que sofrem», disse Dom Murilo em nota.
Baseado em uma «laicidade saudável»
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 13 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé e a República Federal do Brasil assinaram um acordo de amizade e colaboração nesta quinta-feira, no Palácio Apostólico Vaticano, segundo deu a conhecer a Sala de Imprensa Vaticana.
O acordo foi assinado, por parte da Santa Sé, pelo arcebispo Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados, e por parte do Brasil, por Celso Amorim, ministro de Assuntos Exteriores.
Assistiram ao ato numerosas personalidades, entre elas o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, e Dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, Dom Lorenzzo Baldisseri, núncio apostólico no Brasil, o presidente da República Federal do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, e a embaixadora do Brasil na Santa Sé, Vera Barroulin Machado.
O acordo, explica a nota vaticana, «consolida ulteriormente os tradicionais vínculos de amizade e de colaboração existentes entre ambas as partes»; está composto por um preâmbulo e 20 artigos que regulam vários âmbitos, entre eles «o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, o reconhecimento dos títulos de estudo, o ensino religioso nas escolas públicas, o matrimônio canônico e o regime fiscal». Entrará em vigor após o intercâmbio das ratificações.
No discurso de Dom Mamberti, o prelado recordou que «dois acontecimentos de particularíssima relevância marcam, nos dois últimos anos, a vida do Brasil e da Igreja Católica que vive nele».
Um deles foi a visita apostólica de Bento XVI por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida, em maio de 2007.
No momento de sua chegada, recordou, o pontífice afirmou que o Brasil «ocupa um lugar muito especial no coração do Papa, não só porque é cristão e tem o número mais elevado de católicos, mas principalmente porque é uma nação rica de potencialidades com uma presença eclesial que é motivo de alegria e esperança para toda a Igreja».
O olhar do Santo Padre, acrescentou Dom Mamberti, estendeu-se «desde o Brasil a toda a América Latina, um continente – afirma o documento conclusivo de Aparecida – que é em si mesmo um dom entregue benevolamente por Deus, graças à beleza e fecundidade de suas terras e à riqueza de humanidade que emana de sua gente, das famílias, dos povos e das múltiplas culturas».
A segunda circunstância é precisamente a assinatura do acordo, «importante ato que se coloca no caminho desses vínculos de amizade e colaboração que subsistem há quase dois séculos entre as partes, e que hoje foram ulteriormente reforçados».
Se a constituição de 1824 imprimia ao império brasileiro um caráter «estritamente confessional», explicou o representante vaticano, as sucessivas cartas fundacionais modificaram este marco, até a vigente constituição de 1988, que assegura «por uma parte a laicidade saudável do estado e, por outra, garante o livre exercício das atividades da Igreja em todos os âmbitos de sua missão».
Como dizia o Concílio Vaticano II na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, por outro lado, «a comunidade política e a Igreja são independentes e autônomas uma da outra em seus respectivos campos. Mas as duas, ainda que de diferente maneira, estão ao serviço da vocação pessoal e social dos próprios homens. Elas levarão a cabo este serviço pelo bem de todos, de forma tanto mais eficaz quanto mais cultivem uma saudável colaboração entre elas, segundo modalidades adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar».
Através da assinatura deste acordo, observou Dom Mamberti, este marco «recebe hoje uma ulterior confirmação, de caráter jurídico e internacional».
Entre os principais elementos do texto, citou «o reconhecimento da personalidade jurídica das instituições previstas no ordenamento canônico, o ensino da religião católica nas escolas, como das demais confissões religiosas, o reconhecimento das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial, a inserção de espaços dedicados ao culto nos ordenamentos urbanos e o reconhecimento dos títulos acadêmicos eclesiásticos».
A propósito disso, o prelado constatou que «estaria fora de lugar falar de privilégios, porque não há nenhum privilégio no reconhecimento de uma realidade social de tão grande relevância histórica e atual como a Igreja Católica no Brasil, sem que isso tire nada do que se deve aos cidadãos de outra fé e de distinta convicção ideológica».
Da mesma forma, recordou «com sentido de gratidão» o papel da Conferência Episcopal Brasileira na gênese do Acordo, sublinhando que foi precisamente o episcopado brasileiro quem sugeriu em 1991 a oportunidade de estipular um Acordo internacional entre a Igreja e o Estado, impulso que levou em 2006 ao começo oficial das negociações.
Neste contexto, Dom Mamberti augurou que o texto «possa o quanto antes entrar em vigor e contribuir, como está em suas finalidades, não só para consolidar os vínculos entre a Santa Sé e o Brasil e favorecer cada vez mais o desenvolvimento ordenado da missão da Igreja Católica, mas também para promover o progresso espiritual e material de todos os habitantes do país e colaborar, enquanto for possível, na solução dos grandes problemas que hoje preocupam a humanidade».
Telegrama de felicitação ao presidente eleito
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 5 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI enviou uma mensagem de felicitação ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, na qual o convida a «construir um mundo de paz, solidariedade e justiça».
Em um telegrama, transmitido através da embaixadora americana na Santa Sé, Mary Ann Glendon, o Papa garante a Obama suas orações para que Deus o assista em suas «elevadas responsabilidades ao serviço da nação e da comunidade internacional».
«Que as abundantes bênçãos do Senhor – deseja o Santo Padre na versão italiana da mensagem – apóiem o senhor e o povo americano em vossos esforços, junto a todos os homens e mulheres de boa vontade, para construir um mundo de paz, solidariedade e justiça.»
O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Papa, também dirigiu um telegrama de felicitação ao futuro presidente.
A notícia do telegrama foi comunicada aos jornalistas pelo Pe. Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, que fez um comentário sobre o desafio que Obama enfrenta como 44º presidente desse país.
«A tarefa do presidente dos Estados Unidos é uma tarefa de imensa e altíssima responsabilidade, não só para seu país, mas para o mundo todo, dado o peso que os Estados Unidos têm em todos os campos do cenário internacional», declarou o porta-voz vaticano.
«Por isso, todos desejamos ao novo presidente que responda a estas expectativas e às esperanças que se depositam nele, servindo eficazmente o direito e a justiça e encontrando caminhos adequados para promover a paz no mundo; favorecendo o crescimento e a dignidade das pessoas no respeito dos valores humanos e espirituais essenciais.»
«Os crentes rezam para que Deus o ilumine e o assista em sua elevadíssima responsabilidade», acrescentou.
O Pe. Lombardi explicou que o Papa também enviará uma mensagem a Obama por ocasião de sua tomada de poder, em 20 de janeiro.
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