Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo
VATICANO, 14 Mai. 08 / 07:00 pm (ACI).- Depois da catequese da Audiência Geral, o Papa Bento XVI fez um chamado por “as populações de Sichuán e as províncias limítrofes da China, duramente afetadas pelo terremoto que causou graves perdas de vidas humanas, muito numerosos dispersos e danos incalculáveis”.
“Convido-vos a vos unir comigo na oração fervente por todos os que perderam a vida. Estou perto espiritualmente das pessoas submetidas à dura prova de uma calamidade tão devastadora: imploremos a Deus que alivie seus sofrimentos”, alentou o Santo Padre.
Finalmente pediu a Deus para que “conceda sua ajuda a todos os que fazem frente às exigências imediatas de socorro”.
O terremoto ocorrido na zona de Sichuán e vizinhas no sudoeste chinês, o mais forte das últimas três décadas cobrou até o momento a vida de mais de 12 mil pessoas, enquanto que 17 mil se encontram desaparecidas.
Em 11 de fevereiro se celebra a XVI Jornada Mundial do Enfermo
Por Mirko Testa
CIDADE DO VATICANO, domingo, 10 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A Eucaristia é o consolo de quem vive o sofrimento abrindo-se à fé e à «vitória definitiva» sobre a enfermidade, afirma o cardeal Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde.
Em uma entrevista concedida à Zenit no marco da XVI Jornada Mundial do Enfermo, que se celebra em 11 de fevereiro com o tema «A Eucaristia, Lourdes e a atenção pastoral aos enfermos», o purpurado mexicano refletiu sobre o «sacrifício de Cristo como vínculo específico que une a Maria, mãe consoladora por excelência, com o mundo do sofrimento».
O cardeal aprofunda deste modo na chave de leitura proposta por Bento XVI na Mensagem que escreveu para esta ocasião, na qual sublinha a íntima relação que existe entre o mistério eucarístico, o papel de Maria no projeto de salvação e a realidade da dor humana.
Esta celebração une este ano dois acontecimentos importantes para a vida da Igreja: o 150º aniversário das aparições da Vrigem Maria a Bernadette Soubirous na gruta de Massabielle, cujas celebrações concluirão em 8 de dezembro próximo, e a celebração do Congresso Eucarístico Internacional que acontecerá em Quebec, Canadá, de 15 a 22 de junho deste ano.
«A única maneira para libertar-nos do sofrimento é Cristo Senhor, que com sua Cruz aniquilou a morte e todas as conseqüências da morte, as enfermidades, a dor, os sofrimentos, declara o cardeal Lozano.
«Cristo carrega todo o mal, com o pecado da humanidade, se faz pecado por nós até morrer e da morte surge a belíssima flor da ressurreição», acrescenta.
«A Eucaristia é a vitória definitiva, é, como dizia Paulo VI na encíclica Mysterium Fidei, a “medicina da imortalidade”», sublinha o responsável deste organismo vaticano encarregado de promover e orientar atividades da Cúria Romana sobre a saúde e de coordenar os 113.000 centros de saúde católicos no mundo.
«O Santo Padre nos convidou em várias ocasiões a ter como centro a Eucaristia, como linfa vital que consola quem sofre, ajudando a compreender o valor salvífico da dor, e que dá força aos agentes de pastoral da saúde».
«A Eucaristia se entende aqui como viático, como assistência pastoral», segue dizendo o purpurado, que recebeu do Santo Padre o convite a continuar em seu cargo, depois de ter completado em 26 de janeiro os 75 anos.
«Neste contexto, a pastoral da saúde vai mais além da mera beneficência – segue explicando –, convertendo-se em resposta aos grandes interrogantes da vida à luz da morte e ressurreição do Senhor».
Dado que Bento XVI não poderá presidir esta segunda-feira a missa com os enfermos na Basílica vaticana, pois começou este domingo os exercícios espirituais que durarão toda a semana, pediu ao cardeal Lozano Barragán que o substitua.
A Jornada Mundial do Enfermo foi instituída por João Paulo II em 1992.
D. José Policarpo, na celebração de Adoração da Cruz
LISBOA, sexta-feira, 6 de abril de 2007 (ZENIT.org).- Segundo o cardeal-patriarca de Lisboa, «só o justo, no seu coração puro, é capaz de oferecer o sofrimento como ato de louvor».
Ao refletir sobre o sofrimento do Inocente, em sua homilia na Paixão do Senhor, na Sé Patriarcal, esta Sexta-Feira Santa, D. José Policarpo recordou que os cristãos contemplam hoje o« acontecimento decisivo da história da humanidade, fundador da nossa identidade cristã: a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz, máxima expressão do sofrimento inocente, fonte de sentido para todo o sofrimento humano».
Segundo o cardeal, o sofrimento é uma realidade permanente na experiência humana, que não atinge a sua expressão fecunda devido à impureza do coração humano, incapaz de o aceitar e oferecer.
«O pecado torna estéril o sofrimento. A realidade do pecado sublinha a atualidade da Cruz de Cristo. Nós precisamos, para a nossa redenção, que Cristo continue a oferecer-Se a Deus por nós.»
Segundo o cardeal Policarpo, «só Cristo é verdadeiramente inocente e, por isso, só o Seu sofrimento é redentor. Mas purificados no Seu sangue e unidos a Ele no batismo, podemos sofrer n’Ele e com Ele, que faz suas as nossas dores e as oferece ao Pai, em ato de louvor.»
«Em Cristo a nossa dor ganha a densidade do sofrimento inocente, naquela pureza reconstruída pela ação do Espírito que Ele infunde em nós.»
«Quando o crente –prossegue o cardeal–, com o coração purificado, fazendo um com Cristo, se abandona ao sofrimento aceite e oferecido, abre-se à universalidade da salvação, participa dos sentimentos de Jesus na Cruz, o Qual, de braços abertos, abraça a humanidade de todos os tempos.»
«Esse é sempre o horizonte da Igreja, sobretudo quando celebra a Eucaristia e que hoje, nesta celebração, se exprime na oração por todos os homens, cristãos e não cristãos, crentes e descrentes, atores de um drama cuja amplitude desconhecem e que encontra na Cruz de Cristo a chave da sua compreensão», afirmou o patriarca.
MURCIA, sexta-feira, 5 de maio de 2006 (ZENIT.org-Veritas).- O congresso «Europa pela Vida», que se celebra de 4 a 7 de maio na Universidade Católica Santo Antonio de Murcia (UCAM), converteu-se em uma articulada defesa do embrião humano.
O encontro foi inaugurado esta quinta-feira com uma conferência do cardeal Alfonso López Trujillo, presidente do Conselho Pontifício para a Família, na qual reconheceu que o homem «não pode se tornar objeto das aventuras da ciência, por muito arrogante que esta seja».
Segundo o purpurado, a discussão sobre se o embrião é ou não pessoa é uma discussão que já havia encerrado há muitos anos, e indicou que a reabertura deste «dilema superado pela ciência» deve-se a uma série de interesses «que não têm nada de científico».
«Não há um Estado que possa encomendar o direito sobre a vida de uma criança, porque o homem não é uma coisa, mas uma imagem que vem de Deus», acrescentou, constatando que a família e a defesa da vida humana são «um selo» do pontificado de Bento XVI.
Neste sentido se expressou também o bispo de Cartagena e presidente da Subcomissão para a Família e a Vida da Conferência Episcopal Espanhola, Dom Juan Antonio Reig Pla, que afirmou que «a Igreja sempre ensinou que o ser humano deve ser tratado como pessoa desde o momento da concepção e, portanto, deve-se reconhecer a ele os mesmos direitos que a toda pessoa, especialmente o direito inviolável à vida».
Direitos assassinos
Em seu discurso inaugural, o presidente da UCAM e consultor do Conselho Pontifício para a Família, José Luis Mendoza, centrou a atenção do congresso «naqueles atentados que fazem referência à vida nascente e em fase terminal, que suscitam graves problemas pelo fato de que na consciência coletiva tendem a perder o caráter de delito, para passar a ser um direito, até o ponto de obter seu reconhecimento por parte dos Estados, e sua execução mediante a intervenção gratuita dos próprios agentes sanitários».
Mendoza criticou o «investimento de grandes somas para a obtenção de produtos farmacêuticos que fazem possível a morte do embrião no seio materno, sem necessidade de recorrer à ajuda do médico», assim como «a política antinatalista dirigida contra os países pobres».
«Não menos graves são as ameaças que afetam também os enfermos incuráveis e os terminais, em um contexto social e cultural que, fazendo mais difícil suportar o sofrimento, aumenta a tentação de resolver o problema do sofrimento eliminando-o em sua raiz», acrescentou.
Referiu-se também à aprovação do «matrimônio homossexual»: «Esta medida gerou uma grave desordem social e moral por parte dos governos que o impuseram de maneira ditatorial; fato que na Espanha foi rejeitado por milhões de espanhóis em diversas manifestações».
Censura na imprensa
Por sua parte, o sacerdote e jornalista Santiago Martín, consultor do Conselho Pontifício para a Família, denunciou que se dá uma censura nos meios de comunicação, baseada no silêncio, na humilhação ou ridicularização dos argumentos das instituições que defendem a vida e a família.
A família, patrimônio da humanidade
Por sua parte, o cardeal Ricardo Maria Carles, arcebispo emérito de Barcelona, afirmou esta sexta-feira que «se quer desestruturar uma sociedade, há que começar por desestruturar o matrimônio».
Para o purpurado, «a decadência de estabilidade da vida familiar está intrinsecamente ligada à decadência da democracia, entendida no sentido filosófico, como um sistema de governo que reconhece o valor soberano do homem».
Por este motivo, perguntou se chegou o momento de pedir que «o matrimônio seja patrimônio da humanidade».
Supõem «uma grave violação da liberdade religiosa», denuncia seu porta-voz
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 4 de maio de 2006 (ZENIT.org).- Com «profundo desgosto» Bento XVI recebeu as notícias das ordenações episcopais ilegítimas celebradas na China continental –fatos que levam a Santa Sé a «dar voz» ao sofrimento da comunidade católica do país–.
«Um ato tão relevante para a vida da Igreja, como é uma ordenação episcopal, foi realizado» –duas vezes no espaço de três dias– «sem respeitar as exigências da comunhão com o Papa», expressou na manhã desta quinta-feira o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls.
«Estou capacitado –iniciou sua declaração– para dar a conhecer a postura da Santa Sé acerca das ordenações episcopais dos sacerdotes Giuseppe Ma Yinglin e Giuseppe Liu Xinhong, que aconteceram, respectivamente, no domingo passado, 30 de abril, em Kunming (província de Yunnan), e na terça-feira, 2 de maio, em Wuhu (província de Anhui)».
«Trata-se de uma grave ferida à unidade da Igreja», lamentou o porta-voz vaticano, recordando as «severas penas canônicas» previstas para estes casos.
O Código de Direito Canônico, em seu cânon 1.382 –em sede da «usurpação de funções eclesiásticas e dos delitos no exercício das mesmas»– estabelece que «o bispo que confere a alguém a ordenação episcopal sem mandato pontifício, assim como o que recebe dele a ordenação, incorre em excomunhão latae sententiae, reservada à Sede Apostólica». Uma pena latae sententiae é aquela na qual se incorre ipso facto (cânon 1.314) («no ato», «imediatamente». Ndr).
O porta-voz vaticano fez-se eco das informações segundo as quais «bispos e sacerdotes foram submetidos –por parte de organismos alheios à Igreja– a fortes pressões e ameaças, a fim de que tomassem parte nas ordenações episcopais que, estando privadas do mandato pontifício, são ilegítimas e, também, contrárias à consciência deles».
«Vários prelados opuseram uma rejeição a tais pressões, enquanto que alguns não puderam fazer outra coisa que suportá-las com grande sofrimento interior», apontou.
Por isso, denunciou que se está «frente a uma grave violação da liberdade religiosa, apesar de que se tenha tentado, com pretextos, apresentar as duas ordenações episcopais como um ato necessário para prover de pastor dioceses vacantes».
Daí que a Santa Sé considere «seu preciso dever dar voz ao sofrimento de toda a Igreja católica, em particular da comunidade católica na China e especialmente dos bispos e sacerdotes –acrescentou–, que se vêem obrigados contra consciência a realizar ou participar de ordenações episcopais que nem os candidatos nem os bispos ordenantes querem realizar sem ter recebido o mandato pontifício.
Origem das ordenações ilegítimas
Segundo foi informado e analisado estes dias pela Agência do Pontifício Instituto de Missões Exteriores (PIME) «AsiaNews», detrás destas ordenações episcopais sem o consentimento do Papa está a «Associação Patriótica» chinesa (AP) (Zenit, 3 de maio de 2006).
Na China, o governo permite a prática religiosa só com pessoas reconhecidas e em locais registrados no Departamento de Assuntos Religiosos e sob o controle da AP.
Isso explica a diferença entre uma Igreja «oficial» e os fiéis que tentam sair do citado controle para pôr-se em obediência direta do Papa, formando a Igreja «não oficial», ou «clandestina».
No contexto do anúncio da ordenação ilegítima do domingo passado, o diretor da agência do PIME, padre Bernardo Cervellera, explicou que «em tema de relações diplomáticas, tanto o governo (chinês) como o Vaticano desejam atuar sem a AP».
«Nos últimos anos, o governo de Pequim e o Vaticano haviam chegado a um acordo que deixava a Roma a indicação do candidato ao episcopado. Desta maneira foram ordenados os bispos auxiliares de Xangai, Xian, Wanxian e o ordinário de Suzhou», recordava.
Da análise do sacerdote desprendia-se que tal acordo «situava à margem a AP –«por décadas detentora das ordenações»–, «diminuindo seu poder sobre a Igreja oficial», algo com o qual aquela demonstrou não estar de acordo.
Sublinhou que, «por parte vaticana, da Igreja oficial e clandestina, abre cada vez mais caminho a idéia de aceitar a inscrição das comunidades e dos bispos no Escritório de Governo de Assuntos Religiosos, mas sem se aderir à AP, que trabalha por uma Igreja nacional e independente de Roma».
Navarro-Valls afirmou esta quinta-feira que «a Santa Sé segue com atenção o doloroso caminho da Igreja Católica na China e, ainda consciente de algumas peculiaridades de tal caminho, pensava e esperava que tais episódios deploráveis (as ordenações episcopais ilegítimas. Ndr) pertencessem já ao passado».
Viveu-se uma situação similar em 2000: «Precisamente enquanto circulavam vozes de uma aproximação entre China e Vaticano, a AP programou para 6 de janeiro» desse ano «a ordenação de doze novos bispos», comentou recentemente o padre Cervellera.
«Sete deles rejeitaram a designação, ao conhecer que não havia aprovação da Santa Sé –prosseguiu–; os cinco restantes foram isolados e enganados para aceitarem a ordenação», celebrada na catedral de Pequim com a participação «só de alguns prelados patrióticos».
«Sacerdotes, fiéis e outros bispos convidados ausentaram-se. Até os seminaristas do seminário nacional de Pequim desertaram da cerimônia » e em uma carta a seu reitor «expressaram seu desgosto pela ordenação celebrada sem o consentimento do Vaticano», recordou.
«A Santa Sé afirma a necessidade do respeito da liberdade da Igreja e da autonomia de suas instituições de qualquer ingerência exterior», manifestou esta quinta-feira seu porta-voz ante a eventualidade de mais ordenações episcopais ilegítimas.
Reiterada vontade eclesial de diálogo
Em sua declaração, Navarro-Valls sublinhou a reiterada disponibilidade da Santa Sé «a um diálogo honesto e construtivo com as autoridades chinesas competentes, para encontrar soluções que satisfaçam as legítimas exigências de ambas partes».
Mas iniciativas como estas ordenações episcopais ilegítimas «não só não favorecem tal diálogo –reconhece–, mas criam novos obstáculos contra o mesmo».
Recorda o pregador do Papa em sua homilia da Sexta-Feira Santa
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 14 de abril de 2006 (ZENIT.org).- Com a certeza de que nada nos poderá separar do amor de Deus e falando de que amor se trata, o pregador do Papa abordou a recordação da Paixão e Morte de Jesus na celebração desta Sexta-Feira Santa na Basílica Vaticana.
Para isso, aprofundou em sua homilia nos ensinamentos que nos chegam «do amor de Deus», cuja «demonstração histórica» é «a cruz de Cristo», apoiando-se, perante Bento XVI, em sua encíclica, «Deus caritas est».
O padre Raniero Cantalamessa, ofm. cap, leu do documento: «O olhar fixo no lado trespassado de Cristo, de que fala João, compreende o que serviu de ponto de partida a esta Carta Encíclica: Deus é amor. É lá que esta verdade pode ser contemplada. E começando de lá, pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o cristão encontra o caminho do seu viver e amar»
«Sim, Deus é amor!», exclamou o pregador do Papa. «O amor de Deus é luz, é felicidade, é plenitude de vida», aonde chega «cura e suscita vida», «sacia toda sede» e «está ao alcance da mão», «capaz de iluminar e aquecer tudo em nossa vida».
Contudo, «passamos a existência na escuridão e no frio», e este –advertiu o padre Cantalamessa– «é o único motivo verdadeiro de tristeza da vida».
Deus amou-nos «com amor de generosidade, na criação, quando nos encheu de dons, dentro e fora de nós», e «com amor de sofrimento na redenção, quanto inventou sua própria entrega, sofrendo por nós os mais terríveis padecimentos, a fim de convencer-nos de seu amor», recordou.
«Por isso –afirmou–, é na cruz que se deve contemplar já a verdade de que Deus é amor».
E aludiu «à paixão de amor» que «Deus desde sempre alimenta para com o gênero humano e que, na plenitude dos tempos, levou-o a vir à terra e padecer por nós».
Citando a encíclica, sublinhou que o amor de Deus pelo homem não só «se dá totalmente gratuito, sem nenhum mérito anterior», mas que também «é amor que perdoa». Uma qualidade que igualmente «resplandece no grau máximo no mistério da cruz», assinalou o pregador da Casa Pontifícia.
«O amor de Cristo na cruz» «é um amor de misericórdia, que desculpa e perdoa, que não quer destruir o inimigo –apontou–, mas sim a inimizade».
«É precisamente desta misericórdia e capacidade de perdão que temos necessidade hoje, para não afundar cada vez mais no abismo de uma violência globalizada», advertiu o padre Cantalamessa.
«A humanidade está envolta por tanta escuridão e inclinada sob tanto sofrimento que deveríamos também ter um pouco de compaixão e de solidariedade uns com os outros», refletiu.
«Há outro ensinamento que nos vem do amor de Deus manifestado na cruz de Cristo» –prosseguiu–: «o amor de Deus pelo homem é fiel e eterno». «Deus fez a aliança para amar para sempre, privou-se da liberdade de voltar atrás», «é este o sentido profundo da aliança que em Cristo se transformou em nova e eterna».
Recordou que, como diz Bento XVI em sua encíclica, «o desenvolvimento do amor para com suas mais altas cotas» leva que «agora aspire ao definitivo», tanto no sentido de «exclusividade –somente esta pessoa–» como no sentido do «para sempre», pois o amor engloba todas as dimensões da existência, «inclusive também o tempo»: «o amor tende à eternidade».
E por fim afirmou que o amor de Deus é «vitorioso», e a ele canta São Paulo, que «nos convida a realizar» «uma maravilhosa experiência de cura interior».
O Apóstolo «pensa em todas as coisas negativas e nos momentos críticos de sua vida (…) –disse o pregador do Papa–. Contempla-os à luz da certeza do amor de Deus e grita: Mas em tudo isso somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou!».
«Levanta então o olhar –continuou–; desde sua vida pessoal passa a considerar o mundo que o circunda e o destino humano universal, e de novo a mesma jubilosa certeza: Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida…, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor»
Com estas palavras de Paulo no coração, o padre Cantalamessa convidou a adorar nesta Sexta-Feira Santa a cruz de Cristo.
ROMA, quinta-feira, 13 de abril de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a «Palavra de Vida» escrita para este mês de abril por Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares.
“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” (Jn 12, 24).
Estas palavras de Jesus, muito mais eloqüentes do que um tratado, revelam o segredo da vida.
Não existe alegria de Jesus que não seja fruto de uma dor abraçada. Não há ressurreição sem morte.
Aqui Jesus fala de si mesmo e explica o significado da sua existência.
Faltam poucos dias para a sua morte. Será dolorosa, humilhante. Por que morrer, justamente Ele que se definiu Eu sou a Vida? Por que sofrer, Ele que é inocente? Por que ser caluniado, esbofeteado, escarnecido, pregado numa cruz, a morte mais desonrosa? E sobretudo por que Ele, que viveu na união constante com Deus, haveria de sentir-se abandonado pelo seu Pai? Também Ele sente medo da morte. No entanto, ela terá um sentido: a ressurreição.
Jesus tinha vindo para reunir os filhos de Deus dispersos, para derrubar toda e qualquer barreira que separa povos e pessoas, para irmanar os homens divididos entre si, para trazer a paz e construir a unidade. Mas havia um preço a ser pago: para atrair todos a si, Ele deveria ser levantado da terra, na cruz. Daí a parábola, a mais bonita de todo o Evangelho:
“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.”
Aquele grão de trigo é Ele.
Neste tempo de Páscoa Ele se apresenta a nós do alto da cruz seu martírio e sua glória como sinal de amor extremo. Ali Ele doou tudo: aos carrascos, o perdão; ao ladrão, o Paraíso; a nós, sua mãe e o próprio corpo e sangue. Deu a sua vida até o ponto de gritar: Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?.
Eu escrevia em 1944: Sabes que Ele nos deu tudo? Que mais poderia dar-nos um Deus que, por amor, parece esquecer-se de que é Deus? E deu-nos a possibilidade de nos tornarmos filhos de Deus: gerou um povo novo, uma nova criação.
No dia de Pentecostes o grão de trigo caído na terra e morto já florescia qual espiga fecunda: três mil pessoas de todos os povos e nações são transformadas num só coração e numa só alma. Depois são cinco mil, e depois
“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.”
Esta Palavra dá sentido também à nossa vida, ao nosso sofrimento, à nossa morte, quando ela chegar.
A fraternidade universal pela qual desejamos viver, a paz, a unidade que queremos construir ao nosso redor é um vago sonho, uma ilusão, se não estivermos dispostos a percorrer o mesmo caminho traçado pelo Mestre.
O que fez Ele para produzir muito fruto?
Compartilhou todo o nosso modo de ser. Assumiu sobre si os nossos sofrimentos. Conosco, Ele se fez trevas, melancolia, cansaço, contraste
Experimentou a traição, a solidão, a orfandade
Numa palavra: Ele se fez um conosco, carregando tudo aquilo que para nós era um peso.
Assim devemos fazer também nós. Enamorados deste Deus que se faz nosso próximo, temos um modo para demonstrar-lhe a nossa imensa gratidão pelo seu infinito amor: viver como Ele viveu. E a nossa chance está em nos tornarmos próximos de quem passa ao nosso lado na vida, estando dispostos a nos fazermos um com ele, a abraçar a dor de uma divisão, a partilhar um sofrimento, a resolver um problema, com um amor concreto que sabe servir.
Jesus no abandono se doou completamente. Na espiritualidade centralizada Nele, Jesus Ressuscitado deve resplandecer plenamente e a alegria deve testemunhar que isso é verdade.
Chiara Lubich