Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo
Convertendo-se assim em mensageira da paz de Cristo ao mundo
CIDADE DO VATICANO, domingo, 11 de maio de 2008 (ZENIT.org).- A Igreja constitui uma unidade na diversidade, chamada a transmitir a verdadeira paz de Cristo a toda a humanidade, assegurou Bento XVI na solenidade de Pentecostes.
Assim explicou o Santo Padre durante a homilia da celebração eucarística deste domingo, presidida em uma Basílica de São Pedro do Vaticano cheia de peregrinos, na qual declarou que a Igreja não é «uma federação de Igrejas».
Como explicou o pontífice comentando as escrituras da liturgia, a Igreja teve seu «batismo de fogo» na vinda do Espírito Santo sobre os discípulos, reunidos junto com a Virgem Maria em Jerusalém.
«Em Pentecostes a Igreja não fica constituída pela vontade humana, mas pela fortaleza do Espírito de Deus. E imediatamente pode-se ver que este Espírito dá vida a uma comunidade que é ao mesmo tempo única e universal, superando assim a maldição de Babel», assegurou.
Multiplicidade e unidade
«De fato, só o Espírito Santo - sublinhou -, que cria unidade no amor e na recíproca aceitação das diversidades, pode libertar a humanidade da constante tentação de uma vontade de potência que quer dominá-lo e uniformizá-lo totalmente».
O Papa quis deter-se em «um aspecto peculiar da ação do Espírito Santo», ou seja, na relação entre «multiplicidade e unidade».
Já em Pentecostes fica claro, disse, que «pertencem à Igreja os diferentes idiomas e culturas; na fé podem compreender-se e fecundar-se mutuamente», desde seu nascimento a Igreja «já é “católica, universal».
«Fala desde o início todos os idiomas, pois o Evangelho que se confiou está destinado a todos os povos, segundo a vontade e o mandato de Cristo ressuscitado».
«A Igreja que nasce em Pentecostes não é antes de tudo uma comunidade particular, a Igreja de Jerusalém, mas a Igreja universal, que fala os idiomas de todos os povos».
«Dela nascerão depois as demais comunidades em todas as partes do mundo, Igrejas particulares que são sempre expressão da única Igreja de Cristo».
«Portanto, a Igreja Católica não é uma federação de Igrejas, mas uma realidade única: a prioridade ontológica corresponde à Igreja universal - indicou -. Uma comunidade que não fosse neste sentido católica não seria nem sequer Igreja».
Vínculo de paz para a humanidade
Mas esta unidade não só deve ser vivida dentro da Igreja, mas tem de ser anunciada também «até os confins da terra».
Uma mensagem que Jesus ressuscitado pronuncia com a palavra hebraica «Shalom, paz a vós!».
«A expressão shalom não é uma simples saudação - declarou o bispo de Roma -; é muito mais: é o dom da paz prometida, conquistada por Jesus com o preço de seu sangue, é o fruto da vitória na luta contra o espírito do mal».
Em Pentecostes, o Papa pediu voltar a tomar consciência da «responsabilidade que implica este dom: responsabilidade da Igreja de ser constitucionalmente sinal e instrumento da paz de Deus para todos os povos».
«Tentei transmitir esta mensagem ao visitar recentemente a sede da ONU para dirigir minha palavra aos representantes dos povos», confessou.
«A Igreja realiza seu serviço à paz de Cristo sobretudo na presença e ação ordinária em meio dos homens, com a pregação do Evangelho e com os sinais de amor e de misericórdia que a acompanham», acrescentou.
E, entre estes sinais, sublinhou principalmente o serviço que a Igreja oferece ao ministrar o sacramento da Reconciliação.
«Que importante –infelizmente não suficientemente compreendido– é o dom da Reconciliação, que pacifica os corações!», exclamou.
«A paz de Cristo se difunde só através de corações renovados de homens e mulheres reconciliados, servidores da justiça, dispostos a difundir no mundo a paz com a única força da verdade, sem rebaixar-se a compromissos com a mentalidade do mundo, pois o mundo não pode dar a paz de Cristo: deste modo a Igreja pode ser fermento dessa reconciliação que procede de Deus», concluiu.
Por Papa Bento XVI
Tradução: Vaticano
Fonte: Vaticano
Queridos irmãos e irmãs!
Hoje tomamos em consideração dois dos doze Apóstolos: Simão o Cananeu e Judas Tadeu (que não se deve confundir com Judas Iscariotes). Consideramo-los juntos, não só porque nas listas dos Doze são sempre mencionados um ao lado do outro (cf. Mt 10, 4; Mc 3, 18; Lc 6, 15; Act 1, 13), mas também porque as notícias que a eles se referem não são muitas, excepto o facto que o Cânon neotestamentário conserva uma carta atribuída a Judas Tadeu.
Simão recebe um epíteto que varia nas quatro listas: Mateus qualifica-o como “cananeu”, Lucas define-o “zelote”. Na realidade, as duas qualificações equivalem-se, porque significam a mesma coisa: na língua hebraica, de facto, o verbo qanà’ significa “ser zeloso”, “dedicado” e pode referir-se quer a Deus, porque é zeloso do povo por ele escolhido (cf. Êx 20, 5), quer a homens que são zelosos no serviço a Deus único com dedicação total, como Elias (cf. 1 Rs 19, 10). Portanto, é possível que este Simão, se não pertencia exactamente ao movimento nacionalista dos Zelotes, tivesse pelo menos como característica um fervoroso zelo pela identidade judaica, por conseguinte, por Deus, pelo seu povo e pela Lei divina. Sendo assim, Simão coloca-se no antípoda de Mateus, que ao contrário, sendo publicano, provinha de uma actividade considerada totalmente impura.
Sinal evidente que Jesus chama os seus discípulos e colaboradores das camadas sociais e religiosas mais diversas, sem exclusão alguma. Ele interessa-se pelas pessoas, não pelas categorias sociais ou pelas actividades! E o mais belo é que no grupo dos seus seguidores, todos, mesmo se diversos, coexistiam, superando as inimagináveis dificuldades: de facto, era o próprio Jesus o motivo de coesão, no qual todos se reencontravam unidos. Isto constitui claramente uma lição para nós, com frequência propensos a realçar as diferenças e talvez as contraposições, esquecendo que em Jesus Cristo nos é dada a força para superar os nossos conflitos. Tenhamos também presente que o grupo dos Doze é a prefiguração da Igreja, na qual devem ter espaço todos os carismas, os povos, as raças, todas as qualidades humanas, que encontram a sua composição e a sua unidade na comunhão com Jesus.
No que se refere depois a Judas Tadeu, ele é chamado assim pela tradição, unindo ao mesmo tempo dois nomes diferentes: de facto, enquanto Mateus e Marcos o chamam simplesmente “Tadeu” (Mt 10, 3; Mc 3, 18), Lucas chama-o “Judas de Tiago” (Lc 6, 16; Act 1, 13). O sobrenome Tadeu tem uma derivação incerta e é explicado ou como proveniente do aramaico taddà’, que significa “peito” e, por conseguinte, significaria “magnânimo”, ou como abreviação de um nome grego como “Teodoro, Teódoto”. Dele são transmitidas poucas coisas. Só João assinala um seu pedido feito a Jesus durante a Última Ceia. Diz Tadeu ao Senhor: “Senhor, como aconteceu que te deves manifestar a nós e não ao mundo?”. É uma pergunta de grande actualidade, que também nós fazemos ao Senhor: porque o Ressuscitado não se manifestou em toda a sua glória aos seus adversários para mostrar que o vencedor é Deus? Por que se manifestou só aos Discípulos? A resposta de Jesus é misteriosa e profunda. O Senhor diz: “Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14, 22-23). Isto significa que o Ressuscitado deve ser visto, sentido também com o coração, de modo que Deus possa habitar em nós. O Senhor não se mostra como uma coisa. Ele quer entrar na nossa vida e por isso a sua manifestação é uma manifestação que exige e pressupõe o coração aberto. Só assim vemos o Ressuscitado.
Foi atribuída a Judas Tadeu a paternidade de uma das Cartas do Novo Testamento, que são chamadas “católicas” porque não se destinam a uma determinada Igreja local, mas a um círculo muito amplo de destinatários. De facto, ele dirige-se “aos eleitos amados por Deus Pai e guardados para Jesus Cristo” (v. 1). A preocupação central deste escrito é advertir os cristãos de todos os que, com o pretexto da graça de Deus, desculpam a própria devassidão e para desviar outros irmãos com ensinamentos inaceitáveis, introduzindo divisões dentro da Igreja “deixando-se levar pelo seu delírio” (v. 8), assim define Judas estas suas doutrinas e ideias especiais. Ele compara-os inclusivamente aos anjos caídos, e com palavras fortes diz que “seguiram pelo caminho de Caim” (v. 11). Além disso classifica-os sem reticências como “nuvens sem água que os ventos levam; árvores de outono sem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas furiosas do mar que repelem a espuma da sua torpeza; estrelas errantes condenadas à negrura das trevas eternas” (vv. 12-13).
Talvez hoje nós já não estejamos habituados a usar uma linguagem tão polémica, que contudo nos diz uma coisa importante. No meio de todas as tentações que existem, com todas as correntes da vida moderna, devemos conservar a identidade da nossa fé. Certamente, o caminho da indulgência e do diálogo, que o Concílio Vaticano II felizmente empreendeu, deve ser sem dúvida prosseguida com uma constância firme. Mas este caminho do diálogo, tão necessário, não deve fazer esquecer o dever de reconsiderar e de evidenciar sempre com igual força as linhas-mestras e irrenunciáveis da nossa identidade cristã. Por outro lado, é necessário ter bem presente que esta nossa identidade exige força, clareza e coragem face às contradições do mundo em que vivemos. Por isso o texto epistolar prossegue assim: “Mas vós, caríssimos, fala a todos nós mantende-vos no amor de Deus, esperando que a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo vos conceda a vida eterna. Tratai com misericórdia aqueles que vacilam…” (vv. 20-22). A Carta conclui-se com estas bonitas palavras: “Àquele que é poderoso para vos livrar das quedas e vos apresentar diante da sua glória, imaculados e cheios de alegria, ao Deus único, nosso Salvador, por meio de Jesus Cristo, Senhor nosso, seja dada glória, a majestade, a soberania e o poder, antes de todos os tempos, agora e por todos os séculos, Amém” (vv. 24-25).
Vê-se bem que o autor destas frases vive plenamente a própria fé, à qual pertencem realidades grandes como a integridade moral e a alegria, a confiança e por fim o louvor, sendo motivado em tudo apenas pela bondade do nosso único Deus e pela misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, tanto Simão o Cananeu, como Judas Tadeu nos ajudam a redescobrir sempre de novo e a viver incansavelmente a beleza da fé cristã, sabendo dar um testemunho dela forte e ao mesmo tempo sereno.
ROMA, 24 Abr. 08 / 07:00 pm (ACI).- O Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal José Saraiva Martins, destacou que “as relíquias de quem dorme no Senhor, e em modo especial as dos santos, convidam-nos a olhar ao futuro, a renovar a fé na ressurreição da carne. São Pio foi um padre fecundo de almas”.
Assim o expressou esta manhã o Cardeal na homilia da Missa com a que se iniciou a ostensão dos restos de São Pio de Pietrelcina a quem recordou como quem “tem escrito uma página original reunindo em torno de si a uma multidão como membros de seus grupos de oração“.
A presença do corpo do santo frade, disse o Cardeal Saraiva, “convida a uma memória: olhando seus restos mortais recordamos todo o bem que fez em meio de nós por meio desse corpo”.
“O corpo do Padre Pio está aqui mas não é somente um cadáver: ele, que viveu em plena união com Cristo crucificado, vive agora na definitiva comunhão de Cristo ressuscitado”, acrescentou.
O amado santo e seus filhos espirituais, afirmou logo o Prefeito, “fazem próprio o sentir de Cristo” e a figura deste santo capuchino chamou e chama ainda a milhões de pessoas “assentadas na verdade e bondade, em busca do consolo e a conversão”.
“Hoje nós veneramos seu corpo inaugurando um período particularmente intenso de peregrinação”, comentou. Ao finalizar a celebração o Cardeal se aproximou, junto aos concelebrantes, à cripta aonde estão os restos de São Pio para venerá-los.
VATICANO, 26 Mar. 08 / 12:00 am (ACI).- O Papa Bento XVI destacou esta manhã na Audiência Geral das quartas-feiras que a Páscoa de Cristo “é também nossa Páscoa porque em Cristo ressuscitado nos é dada a certeza da nossa ressurreição final”.
Diante de mais de 30 mil presentes na Praça de São Pedro, o Santo Padre explicou que “toda a liturgia do tempo pascal canta a certeza e a alegria da ressurreição de Cristo” que “constitui a realidade central da fé cristã, em sua riqueza doutrinal e em sua vitalidade inesgotável”.
O Pontífice, que chegou até a Praça de São Pedro em helicóptero da residência de Castel Gandolfo, afirmou em seguida que “a morte do Senhor demonstra o amor imenso com que nos amou até entregar-se por nós, mas somente sua ressurreição é a ‘prova segura’” de que “tudo o que afirma é verdade”.
“É importante reafirmar esta verdade fundamental de nossa fé, cuja verdade histórica está amplamente documentada embora hoje como no passado, não faltam aqueles que a colquem em discussão ou inclusive a negam. Se se debilitar a fé na ressurreição de Jesus se debilita o testemunho dos fiéis”, prosseguiu.
“Pelo contrário, a adesão a Cristo morto e ressuscitado muda a vida e ilumina toda a existência das pessoas e dos povos”, enfatizou.
Seguidamente o Papa indicou que “especialmente nesta Oitava de Páscoa, a liturgia nos convida a encontrar pessoalmente ao Ressuscitado e a reconhecer sua ação vivificadora nos acontecimentos da história e em nosso viver cotidiano”.
Como com os discípulos de Emaus, dos que fala o Evangelho de hoje, o Senhor está em caminho “conosco, explica-nos a Escritura e nos faz entender este mistério: tudo nos fala d’Ele. Assim teriam que arder os nossos corações para que também se abram os nossos olhos. O Senhor que fica conosco nos ensina o caminho verdadeiro”.
Bento XVI finalizou sua catequese precisando que os discípulos de Emaus reconheceram a Cristo “ao partir o pão. Também nós na Santa Eucaristia“. “Podemos encontrar e conhecer o Jesus, nesta dupla mesa da Palavra e do pão e o vinho consagrado. Cada domingo a comunidade revive a Páscoa do Senhor e recolhe do Salvador seu testamento de amor e de serviço fraternal”, concluiu.
Comentário do Pe. Cantalamessa à liturgia da Solenidade de Todos os Santos
ROMA, quarta-feira, 31 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. – pregador da Casa Pontifícia ¬– sobre a liturgia da Solenidade de Todos os Santos.
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Solenidade de Todos os Santos
Apocalipse 7, 2-4. 9-14; João 3, 1-3; Mateus 5, 1-12a
Quem são os santos
Faz tempo que os cientistas enviam sinais ao cosmos em espera de respostas por parte de seres inteligentes em algum planeta perdido. A Igreja desde sempre mantém um diálogo com os habitantes de outro mundo, os santos. É o que proclamamos ao dizer: «Creio na comunhão dos santos». Ainda que existissem habitantes fora do sistema solar, a comunicação com eles seria impossível, porque entre a pergunta e a resposta passariam milhões de anos. Aqui, ao contrário, a resposta é imediata, porque existe um centro de comunicação e de encontro comum que é Cristo Ressuscitado.
Talvez também pelo momento do ano em que cai, a Solenidade de Todos os Santos tem algo especial que explica sua popularidade e as numerosas tradições ligadas a ela em alguns setores da cristandade. O motivo está no que diz João na segunda leitura. Nesta vida, «somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos»; somos como o embrião no seio da mãe que anseia nascer. Os santos «nasceram» (a liturgia chama «dia do nascimento», dies natalis, no dia de sua morte); contemplá-los é contemplar nosso destino. Enquanto ao nosso redor a natureza se desnuda e caem as folhas, a festa de todos os santos nos convida a olhar para o alto; e nos recorda que não estamos destinados a ficar na terra para sempre, como as folhas.
A passagem do Evangelho é a das bem-aventuranças. Uma em particular inspirou a escolha da passagem: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados». Os santos são aqueles que tiveram fome e sede de justiça, isto é, na linguagem bíblica, de santidade. Não se resignaram à mediocridade, não se contentaram com meias palavras.
A primeira leitura da Solenidade nos ajuda a entender quem são os santos. São «os que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro». A santidade se recebe de Cristo; não é uma produção própria. No Antigo Testamento, ser santos queria dizer «estar separados» de tudo o que é impuro; na acepção cristã, quer dizer o contrário, ou seja, «estar unidos», mas a Cristo.
Os santos, isto é, os salvos, não são só os que o calendário ou o santoral enumeram. Existem os «santos desconhecidos»: que arriscaram suas vidas pelos irmãos, os mártires da justiça e da liberdade, ou do dever, os «santos leigos», como alguém os chamou. Sem saber, também suas vestes foram lavadas no sangue do Cordeiro, se viveram segundo a consciência e lhes importou o bem dos irmãos.
Surge espontaneamente uma pergunta: o que os santos fazem no paraíso? A resposta está, também aqui, na primeira leitura: os salvos adoram, deixam suas coroas ante o trono, exclamando: «Louvor, honra, bênção, ação de graças…». Realiza-se neles a verdadeira vocação humana, que é a de ser «louvor da glória de Deus» (Ef 1, 14). Seu coro é guiado por Maria, que no céu continua seu canto de louvor: «Minha alma proclama a grandeza do Senhor». É neste louvor que os santos encontram sua bem-aventurança e seu gozo: «Meu espírito se alegra em Deus». O homem é aquilo que ama e aquilo que admira. Amando e louvando a Deus, ele se une Deus, participa de sua glória e de sua própria felicidade.
Um dia, um santo, São Simeão, o Novo Teólogo, teve uma experiência mística de Deus tão forte que exclamou para si: «Se o paraíso não for mais que isso, já me basta!». Mas a voz de Cristo lhe disse: «És bem mesquinho se te contentas com isso. O gozo que experimentaste em comparação com o do paraíso é como um céu pintado no papel com relação ao verdadeiro céu».
[Tradução realizada por Zenit]
O Santo Padre recordou que o primeiro encontro ocorreu em 1994 em Roma, por ocasião do Ano Internacional da Família, promovido pelas Nações Unidas. João Paulo II escreveu então a sua conhecida “Carta às famílias” de todo o mundo. Os demais encontros tiveram como palco Rio de Janeiro (1997), Roma (2000), com motivo do Jubileu das Famílias, e Manila (2003).
“É importante que também as famílias de hoje escutem o memorável chamado que João Paulo realizou há 25 anos na exortação apostólica “Familiaris consortio”: “Família, seja cada vez mais o que é!”.
“O tema do próximo encontro de Valência - disse o Papa- é a transmissão da fé na família. É neste compromisso que se inspira o lema de minha visita apostólica a essa cidade: “Família! Viva e transmita a fé!”.
“Em tantas comunidades, hoje secularizadas, o mais urgente - para os que crêem em Cristo - é renovar a fé dos adultos para que possam transmití-la às novas gerações”.
“Por outro lado, o caminho da iniciação cristã das crianças e dos adolescentes pode oferecer, aos pais, a oportunidade para aproximar-se de novo da Igreja e para aprofundar na beleza e na verdade do Evangelho”.
O Santo Padre se retirou em oração para a sua capela após saber de um acidente de metrô no qual morreram várias pessoas em Valência.
“A família é um organismo vivo, onde se intercambiam dons reciprocamente”. O importante é que nunca falte a Palavra de Deus, que mantém viva a chama da fé. Com um gesto muito significativo -explicou o Santo Padre -, durante o rito do Batismo o pai ou o padrinho acendem uma vela no grande círio pascal, símbolo de Cristo ressuscitado e depois o celebrante, dirigindo-se aos familiares, diz: “Cuidai de que este menino, iluminado por Cristo, viva sempre como filho da luz”.
“Para que este gesto, que abarca todo o sentido da transmissão da fé na família, seja autêntico - concluiu Bento XVI-, tem que estar precedido e acompanhado pelo compromisso dos pais de aprofundar no conhecimento da própria fé, reavivando a chama com a oração e a prática assídua dos sacramentos da Confissão e da Eucaristia”.
ORAÇÃO PELO ACIDENTE EM VALÊNCIA
O Papa Bento XVI enviou uma mensagem ao arcebispo de Valência, Mons. Agustín García-Gasco, na qual transmite suas condolências às vítimas do acidente no metrô da cidade.
A mensagem, remitida pelo Pontífice através da Secretaria de Estado do Vaticano, diz textualmente o seguinte:
“Ao conhecer com profundo pesar a triste notícia do acidente no metrô de Valência, que deixou tantas famílias de luto, ofereço sufrágios pelo eterno descanso dos falecidos e peço ao Senhor que conceda consolo e serenidade a quem chora a perda de seus entes queridos.
Assim mesmo, rogo a Vossa Excelência que transmita meus mais sentidos pêsames aos familiares das vítimas e expresse os sentimentos de minha paterna proximidade espiritual aos numerosos feridos, ao mesmo tempo em que envio a todos, com afeto, a confortante Bênção Apostólica como sinal de fé e esperança em Cristo ressuscitado. Bento PP. XVI”.
Fonte: Opus Dei
02 de abril de 2006
Juan Chapa
Os evangelhos nos fornecem poucos dados. Lc. 8,2 diz-nos que, entre as mulheres que seguiam Jesus e o assistiam com seus bens, estava Maria Madalena, ou seja, uma mulher chamada Maria, que era originária de Migdal Nunayah, Tariquea em grego, uma pequena povoação junto ao lago da Galiléia, a 5,5 km ao norte de Tiberíades. Dela Jesus havia expulsado sete demônios (Lc. 8,2; Mc. 16,9), o que equivale dizer todos os demônios. A expressão pode ser entendida tanto como uma possessão diabólica quanto como uma doença do corpo ou do espírito. Os Evangelhos sinópticos a mencionam como a primeira de um grupo de mulheres que contemplou, de longe, a crucificação de Jesus (Mc. 15, 40-41 e par.) e que permaneceu sentada em frente ao sepulcro (Mt 27,61), enquanto sepultavam Jesus (Mc. 15,47). Assinalam que, na madrugada do dia depois do sábado, Maria Madalena e outras mulheres voltaram ao sepulcro para ungir o corpo com os perfumes que haviam comprado (Mc 16, 1-7 e par); é, então, que um anjo lhes comunica que Jesus havia ressuscitado e as encarrega de levarem a notícia aos discípulos (cf. Mc. 16, 1-7 e par). São João apresenta os mesmos fatos com pequenas variações. Maria Madalena está junto à Virgem Maria ao pé da cruz (João 19,25).
Depois do sábado, quando ainda era noite, ela se aproxima do sepulcro, vê a pedra afastada e avisa Pedro, pensando que alguém tinha roubado o corpo de Jesus (João 20,1-2). Voltando ao sepulcro, enquanto chora, encontra-se com Jesus ressuscitado que a encarrega de anunciar aos discípulos a Sua volta ao Pai (João 20,11-18). Esta é a sua glória. Por isso, a Tradição, na Igreja Oriental, a chamou de isapóstolos igual a um apóstolo e, na Igreja Ocidental, apostola apostolorum apóstolo dos apóstolos. Uma tradição do Oriente diz que ela foi enterrada em Éfeso e que suas relíquias foram levadas para Constantinopla no século IX.
Maria Madalena foi identificada freqüentemente com outras mulheres que aparecem nos Evangelhos. Na Igreja Latina, a partir dos séculos VI e VII, houve a tendência de identificar Maria Madalena com a mulher pecadora que na casa de Simão, o fariseu, ungiu os pés de Jesus com suas lágrimas (Lc. 7,36-50). Por outro lado, alguns Padres a escritores eclesiásticos, harmonizando os evangelhos, já haviam identificado esta mulher pecadora com Maria, irmã de Lázaro, que em Betânia unge com um perfume a cabeça de Jesus (João 12,1-11; Mateus e Marcos, no trecho correspondente, não mencionam o nome de Maria, apenas dizendo tratar-se de uma mulher e que a unção ocorreu na casa de Simão, o leproso (Mt 26,6-13 e par). Em conseqüência disso, no Ocidente, devido principalmente a São Gregório, generalizou-se a idéia de que as três mulheres eram uma só pessoa.
Mas os dados evangélicos sugerem apenas que se deve identificar Maria Madalena com a Maria que unge Jesus em Betânia, pois presumivelmente é a irmã de Lázaro (João 12,2-3). Os evangelhos também não permitem deduzir que seja a mesma que a pecadora que, segundo Lc. 7,36-49, ungiu Jesus, embora a identificação seja compreensível pelo fato de São Lucas, imediatamente depois do relato em que Jesus perdoa esta mulher, mencionar que algumas mulheres o ajudavam, entre elas Maria Madalena, de quem ele havia expulsado sete demônios (Lc. 8,2). Além disso, Jesus elogia o amor da mulher pecadora: muitos pecados lhe são perdoados porque muito amou (Lc. 7,47) e também se percebe um grande amor no encontro entre Maria e Jesus depois da Ressurreição (João 20,14-18). Em todo caso, mesmo em se tratando da mesma mulher, seu passado de pecados não é um desdouro. Pedro foi infiel a Jesus e Paulo um perseguidor dos cristãos. A grandeza deles não está na sua imunidade ao pecado, mas no seu amor.
Por seu papel de relevo no Evangelho, Maria Madalena foi uma protagonista que recebeu especial atenção em alguns grupos marginais na Igreja primitiva. Estes são constituídos fundamentalmente por seitas gnósticas, cujos escritos relatam revelações secretas de Jesus depois da Ressurreição e recorrem à figura de Maria para transmitir suas idéias. São relatos que não têm fundamento histórico. Padres da Igreja, autores eclesiásticos e outras obras destacam o papel de Maria como discípula do Senhor e anunciadora do Evangelho. A partir do século X surgem narrações fictícias que elogiam sua pessoa e que se difundem principalmente na França. É aí que nasce a lenda, que não tem nenhum fundamento histórico, de que Madalena, Lázaro e outros mais, foram de Jerusalém a Marselha, quando se iniciou a perseguição contra os cristãos, e evangelizaram a Provença. Segundo esta lenda, Maria morreu em Aix-en-Provence ou Saint Maximin e suas relíquias foram levadas a Vezelay.
BIBLIOGRAFIA
V.SAXER. Maria Magdalena. Biblioteca Sanctorum VIII. Roma, 1966, 1078-1104. M. FRENSCHKOWSKI. Maria Magdalena, in Biographisch-Bibliographischen Kirchenlexikons.
Fonte: Opus Dei