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São Columbano da Irlanda

ago 7, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: História da Igreja, Santos da Igreja

Por Papa Bento XVI
Tradução: Élison Santos
Fonte: Vaticano

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje quero falar do santo abade Columbano, o irlandês mais famoso da Alta Idade Média: com razão pode ser chamado de santo «europeu», pois como monge, missionário e escritor trabalhou em vários países da Europa ocidental. Junto aos irlandeses de sua época, era consciente da unidade cultural da Europa. Em uma de suas cartas, escrita em torno do ano 600, dirigida ao Papa Gregório Magno, encontra-se pela primeira vez a expressão «totius Europae – de toda a Europa», em referência à presença da Igreja no continente (cf. Epistula I,1).

Columbano havia nascido em torno do ano 543 na província de Leinster, no sudeste da Irlanda. Educado em sua casa por ótimos professores, que o encaminharam no estudo das artes liberais, ele foi confiado depois à guia do abade Sinell, da comunidade de Cluain-Inis, na Irlanda do Norte, onde pôde aprofundar no estudo das Sagradas Escrituras.

Quando tinha cerca de 20 anos, entrou no mosteiro de Bangor, no nordeste da ilha, onde era abade Comgall, um monge conhecido por sua virtude e seu rigor ascético. Em plena sintonia com seu abade, Columbano praticou com zelo a severa disciplina do mosteiro, levando uma vida de oração, ascese e estudo. Lá foi ordenado sacerdote. A vida em Bangor e o exemplo de abade influíram em sua concepção do monaquismo, que Columbano amadureceu com o tempo e difundiu depois no transcurso de sua vida.

Aos 50 anos, seguindo o ideal ascético tipicamente irlandês da «peregrinatio pro Christo», ou seja, de tornar-se peregrino por Cristo, Columbano deixou a ilha para empreender com 12 companheiros uma obra missionária no continente europeu. Devemos recordar que a migração de povos do norte e do leste provocou um regresso ao paganismo de regiões inteiras que haviam sido cristianizadas.

Por volta do ano 590, esse pequeno grupo de missionários desembarcou na costa bretanha. Acolhidos com benevolência pelo rei dos francos da Austrásia (a atual França), só pediram um pedaço de terra sem cultivar. Foi-lhes entregue a antiga fortaleza romana de Annegray, em ruínas, recoberta pela vegetação. Acostumados a uma vida de máxima renúncia, os monges conseguiram levantar em poucos meses, das ruínas, o primeiro mosteiro. Desse modo, a reevangelização começou antes de tudo pelo testemunho de vida.

Com o cultivo da terra começaram também um novo cultivo das almas. A fama desses religiosos estrangeiros que, vivendo de oração e em grande austeridade, construíam casas, difundiu-se rapidamente, atraindo peregrinos e penitentes. Sobretudo muitos jovens pediam ser acolhidos na comunidade monástica para viver como eles esta vida exemplar que renovava o cultivo da terra e das almas. Logo tiveram de fundar um segundo mosteiro. Foi construído a poucos quilômetros, nas ruínas de uma antiga cidade termal, Luxeuil. O mosteiro se converteria em centro da irradiação monástica e missionária da tradição irlandesa no continente europeu. Erigiu-se um terceiro mosteiro em Fontaine, a uma hora de caminho para o norte.

Em Luxeuil, Columbano viveu durante quase 20 anos. Lá o santo escreveu para seus seguidores de Regula manochorum – durante um certo tempo mais difundida na Europa que a de São Bento –, perfilando a imagem ideal do monge. É a única antiga regra monástica irlandesa que hoje possuímos. Como complemento, redigiu a Regula coenobialis, uma espécie de código penal para as infrações dos monges, com castigos mais surpreendentes para a sensibilidade moderna, que só se podem explicar com a mentalidade daquele tempo e ambiente. Com outra obra famosa, titulada De poenitentiarum misura taxanda, que também escreveu em Luxeuil, Columbano introduziu no continente a confissão privada e reiterada com a penitência, que previa uma proporção entre a gravidade do pecado e a reparação imposta pelo confessor. Estas novidades suscitaram suspeitas entre os bispos da região, uma suspeita que se converteu em hostilidade quando Columbano teve a valentia de repreendê-los abertamente pelos costumes de alguns deles.

Este contraste, manifestou-se com as disputas sobre a data de Páscoa: a Irlanda seguia a tradição oriental, ao contrário da tradição romana. O monge irlandês foi convocado no ano 603 em Châlon-Saôn para prestar contas ante um sínodo de seus costumes sobre a penitência e a Páscoa. Em vez de apresentar-se ante o sínodo, mandou uma carta na qual minimizava a questão, convidando os padres sinodais a discutirem não só sobre o problema pequeno, «mas também sobre todas as normas canônicas necessárias que são descuidadas por muitos, o qual é mais grave» (cf. Epistula II, 1). Ao mesmo tempo, escreveu ao Papa Bonifácio IV – alguns anos antes já se havia dirigido ao Papa Gregório Magno (cf. Epistula I) – para defender a tradição irlandesa (cf. Epistula III).

Dado que era intransigente em questões morais, Columbano entrou em conflito também com a casa real, pois havia repreendido duramente o rei Teodorico por suas relações de adultério. Surgiu uma rede de intrigas e manobras no âmbito pessoal, religioso e político que, em 610, provocou um decreto de expulsão de Luxeuil de Columbano e de todos os monges de origem irlandesa, que foram condenados a um exílio definitivo. Escoltaram-nos até chegar ao mar e foram embarcados em um navio da corte rumo à Irlanda. Mas o barco encalhou a pouca distância da praia e o capitão, ao ver nisso um sinal do céu, renunciou à empresa e, por medo a ser maldito por Deus, voltou com os monges a terra firme. Estes, em vez de regressar a Luxeuil, decidiram começar uma nova obra de evangelização. Embarcaram no Rin e voltaram ao rio. Depois de uma primeira etapa em Tuggen, no lago de Zurich, eles se dirigiram à região de Bregenz, no lago de Costanza, para evangelizar os alemães.

Agora, pouco depois, Columbano, por causa de problemas políticos, decidiu atravessar os Alpes com a maior parte de seus discípulos. Só restou um monge, chamado Gallus. De seu mosteiro se desenvolveria a famosa abadia de Sankt Gallen, na Suíça. Ao chegar à Itália, Columbano foi recebido na corte imperial longobarda, mas logo teve de enfrentar grandes dificuldades: a vida da Igreja estava lacerada pela heresia ariana, ainda majoritária entre os longobardos por um cisma que havia separado a maior parte das Igrejas da Itália do Norte da comunhão com o bispo de Roma.

Columbano se integrou com autoridade neste contexto, escrevendo um lindo libelo contra o arianismo e uma carta a Bonifácio IV para convencê-lo a comprometer-se decididamente no restabelecimento da unidade (cf. Epistula V). Quando o rei dos longobardos, em 612 ou 613, entregou-lhes um terreno em Bobbio, no valle de Trebbia, Columbano fundou um novo mosteiro que logo se converteria em um centro de cultura comparável ao famoso de Montecasino. Lá ele concluiu seus dias: faleceu em 23 de novembro de 615 e nessa data é comemorado pelo rito romano até nossos dias.

A mensagem de São Columbano se concentra em um firme convite à conversão e ao desapego das coisas terrenas em vista da herança eterna. Com sua vida ascética e seu comportamento frente à corrupção dos poderosos, evoca a figura severa de São João Batista. Sua austeridade, contudo, nunca é um fim em si mesma, mas um meio para abrir-se livremente ao amor de Deus e corresponder com todo o ser aos dons recebidos d’Ele, reconstruindo em si a imagem de Deus e ao mesmo tempo trabalhando a terra e renovando a sociedade humana.

Diz em suas Instruções: «Se o homem utiliza retamente essas faculdades que Deus concedeu à sua alma, então será semelhante a Deus. Recordemos que devemos devolver-lhe todos os dons que nos confiou quando nos encontrávamos na condição originária. Ele nos ensinou o jeito de fazê-lo com seus mandamentos. O primeiro deles é o de amar o Senhor com todo o coração, pois Ele, em primeiro lugar, nos amou, desde o início dos tempos, antes ainda de que víssemos a luz deste mundo» (cf. Instructiones XI).

O santo irlandês encarnou realmente estas palavras em sua vida. Homem de grande cultura e rico de dons de graça, seja como incansável construtor de mosteiros, seja como pregador penitencial intransigente, dedicou todas as suas energias a alimentar as raízes cristãs da Europa que estava nascendo. Com sua energia espiritual, com sua fé, com seu amor a Deus e ao próximo, ele se converteu em um dos pais da Europa, e nos mostra hoje onde estão as raízes das quais a nossa Europa pode renascer.


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Dramático apelo do Papa para Jornada pela Paz no Oriente Médio

jul 20, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Santa Sé

VATICANO, 20 Jul. 06 (ACI) .- A Sala de Imprensa da Santa Sé deu a conhecer esta quinta-feira o dramático chamado do Papa a todos os católicos a dedicar no próximo domingo uma jornada de oração e penitência pela paz no Oriente Médio.

“O Santo Padre segue com grande preocupação a sorte de todas as populações interessadas e assinala para o próximo domingo, 23 de julho, uma especial jornada de oração e penitência, convidando aos Pastores e fiéis de todas as Igrejas particulares como a todos os fiéis do mundo a implorar a Deus o dom precioso da paz”, diz o comunicado.

O Papa deseja que a oração se eleve ao Senhor “para que cesse imediatamente o fogo entre as partes, se instaurem imediatamente pontes humanitárias para poder levar ajuda às populações sofredoras e se iniciem logo negociações razoáveis e responsáveis, para pôr fim às situações objetivas de injustiça existentes na região”, adiciona o comunicado.

O Papa, finalmente, “dirige um chamado às organizações de caridade, para que ajudem a todas as populações golpeadas por este desumano conflito”.

A atual crise no Meio Oriente, que tem como cenário o território libanês, a zona de fronteira entre o Líbano e Israel, onde opera o grupo terrorista muçulmano “Hezbollah” e o território palestino autônomo de Gaza, desatou-se faz dez dias e escalou a nível de uma guerra convencional.

Os ataques israelenses no Líbano, dirigidos a desarmar o Hezbollah, produziram 300 mortos, mais de 1,000 feridos e meio milhão de deslocados em sete dias de bombardeios.


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Papa exorta a viver maior adesão a Jesus nas celebrações pascais

abr 12, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

VATICANO, 12 Abr. 06 (ACI) .- Na catequese da Audiência Geral, celebrada hoje na Praça de São Pedro, diante de 40 mil pessoas, o Papa Bento XVI fez uma iluminadora recapitulação de cada um dos dias que conformam o Tríduo Pascal e exortou a todos os fiéis a acender em seu interior um maior desejo de adesão a Jesus e a segui-lo de modo generoso. Ao referir-se ao Tríduo Pascal, o Santo Padre afirmou que se trata de “dias dispostos a acrescentar em nós um mais vivo desejo de adesão a Cristo e de segui-lo generosamente, conscientes do fato de que Ele nos amou até dar sua vida por nós”.

Sobre a Quinta-feira Santa, o Pontífice disse que “se comemora a entrega total que Cristo fez de Si à humanidade no sacramento da Eucaristia“.

Do mesmo modo, o Papa acrescentou que “esta singular jornada se fecha com a Adoração eucarística, na memória da agonia do Senhor no horto Getsêmani. Ainda hoje o Senhor nos diz: ‘Orai e vigiai comigo’. E vemos também nós, discípulos de hoje, como freqüentemente adormecidos. Esta foi para Jesus a hora do abandono e da solidão, a que segue, no coração da noite, a prisão e o início do doloroso caminho para o Calvário”.

Bento XVI prosseguiu sua meditação com a Sexta-feira Santa, “dia de jejum e penitência, tudo orientado à contemplação de Cristo sobre a Cruz”.

“No mistério do Crucificado –continuou- realiza-se aquele dirigir-se de Deus contra si mesmo no qual Ele se doa para elevar o homem e salvá-lo; amor em sua forma mais radical“.

Fazendo depois referência ao Sábado Santo, o Santo Padre disse que neste dia “a Igreja, unindo-se espiritualmente a Maria, permanece em oração diante do sepulcro. Avançada a noite começará a Vigília Pascal, durante a qual em cada igreja o canto contente do Glorifica e do Aleluia pascal se elevará do coração dos novos batizados e de toda a comunidade cristã, contente porque Cristo ressuscitou e venceu a morte”.

Mais adiante, o Santo Padre convidou à participação no sacramento da Reconciliação, uma espécie de “morte e ressurreição para cada um de nós”. “Somos conscientes de ser pecadores -disse-, mas confiamos na misericórdia divina. Reconciliemo-nos com Cristo para desfrutar, com mais intensidade, da alegria que nos comunica com sua ressurreição“.

“O perdão que nos vem doado por Cristo no sacramento da Penitência é fonte de paz interior e exterior e nos faz apóstolos de paz em um mundo onde continuam as divisões, os sofrimentos e os dramas da injustiça, do ódio e da violência, da incapacidade de reconciliar-se para recomeçar de novo com um perdão sincero”.

A celebração da morte e a ressurreição de Cristo, concluiu Bento XVI, “nos dá a certeza de que o mal não tem a última palavra: confortados por esta certeza poderemos trabalhar, com mais força e entusiasmo, na construção de um mundo mais justo”.

Em seguida, o Santo Padre leu um resumo de sua meditação em diversas línguas, entoou o Pater Noster e deu a Bênção Apostólica.


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Semana Santa no Vaticano recupera a celebração da penitência

abr 11, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

Com confissão e absolvição individual

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 11 de abril de 2006 (ZENIT.org).- Na tarde desta terça-feira reviveu-se no Vaticano o antigo costume da celebração da Penitência, por ocasião da Semana Santa, que aconteceu segundo o rito para a reconciliação comunitária, com confissão e absolvição individual.

Em nome de Bento XVI, no ato na basílica de São Pedro, o cardeal James Francis Stafford, penitenciário maior, em sua homilia explicou que «a escuridão do pecado não poderá suprimir nunca a luz da misericórdia divina».

O purpurado norte-americano reconheceu que esta é a resposta para as muitas pessoas que hoje se perguntam se é possível perdoar, sobretudo quando se trata de crimes malvados, como a violência contra as crianças ou os assassinatos em massa de inocentes.

Segundo havia explicado o arcebispo Piero Marini, mestre de celebrações litúrgicas pontifícias, tratava-se de um rito que era tradicional em Roma na Quinta-Feira Santa até o Renascimento.

Após a sóbria procissão em silêncio e a oração ante o Crucifixo, a celebração continuou com a Liturgia da Palavra e a homilia do cardeal Stafford.

Em seguida aconteceu o «Rito da reconciliação», com a fórmula da confissão geral dos pecados, seguida por algumas invocações de perdão e o Pai Nosso.

Ato seguido se deu a confissão e absolvição sacramental individual, para a qual se puseram à disposição 60 confessores que administraram o sacramento em 26 idiomas.

Durante esse longo tempo, os fiéis cantavam salmos e invocações de perdão.

O ato concluiu com uma breve exortação do cardeal Stafford a cumprir obras boas, com a ação de graças e a benção.


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