Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo
BUENOS AIRES, 11 Jul. 06 (ACI) .- O Arcebispo de Corrientes, Dom Domingo Castagna, chamou os argentinos a agradecer ao Pai pelo dom de uma pátria livre”, ao mesmo tempo em que advertiu que negar Deus de maneira terminante e irrefletida é fechar “as portas para o progresso e o encontro com a verdade“.
“Sem Deus o universo não tem sentido. Supor que tudo se deve ao azar constitui um verdadeiro contra-senso intelectual. A fé traz a segurança de que Deus é o sentido de todas as coisas e, obviamente, do homem e de sua história. Quando se substitui Deus, com uma negativa teimosa e irrefletida, produz-se o pessimismo existencial que fecha as portas para o progresso e o encontro com a verdade”, expressou o Prelado durante a Missa dominical, no dia do aniversário pátrio.
Dom Castagna afirmou que “nossas origens cristãs nos dão a convicção de que Deus decidiu manifestar-se em Cristo”. Acrescentou que obter o amor solidário e fraterno na Argentina implica “excluir de nossos corações o ódio, que nos envolve perigosamente em táticas vingativas e que nos impede o passo para uma autêntica justiça, reparadora do bem comum e da paz verdadeira”.
O Arcebispo também agradeceu “os exemplos de abnegação” e de espírito patriótico que “reaparecem em diversas e críticas circunstâncias”, porque “sem dúvida a Pátria é filha de homens e mulheres que amam o povo até renunciar a interesses pessoais e de setor“. Nesse sentido pediu manter a “qualidade moral e espiritual” dos que construíram a Argentina, porque do contrário “continuarão se produzindo as quedas mais lamentáveis, às quais não pudemos nem devemos nos acostumar”.
Depor ódios e procurar a unidade
Por sua vez, o Arcebispo de Mercedes-Luján, Dom Rubén Di Monte, chamou a não cansar-se de trabalhar pela grandeza e soberania da Argentina, e a não perder a paz, a depor ódios e procurar a unidade.
Igual pedido fez o Arcebispo de Tucumán, Dom Luis Villalba, que expressou que diante dos “graves fenômenos de imoralidade”, deve-se retornar aos mandamentos de Deus, para “construir a casa, que é nosso país, sobre rocha firme e não sobre areia movediça”.
“Os dez mandamentos são uma espécie de bússola para a consciência. Antes de ser escritos em tábuas de pedra, os dez mandamentos foram gravados por Deus na consciência e no coração do homem. Os dez mandamentos destacam os deveres essenciais e os direitos fundamentais inerentes à natureza humana”, explicou.
02 de abril de 2006
Juan Chapa
Provavelmente, os primeiros cristãos não comemoravam aniversários (cf. Orígenes, PG XII, 495). Comemoravam o die natalis, dia da entrada na pátria definitiva (cf. Martírio de Policarpo 18,3), como participação na salvação realizada por Jesus ao vencer a morte com sua paixão gloriosa. Recordavam com precisão o dia da glorificação de Jesus, o 14/15 de Nisan, mas não a data de seu nascimento, sobre o qual nada nos dizem os relatos evangélicos. Até o século III, não temos informações sobre a data do nascimento de Jesus. Os primeiros testemunhos de Padres e escritores eclesiásticos assinalam diferentes datas. O primeiro testemunho indireto de que a natividade de Cristo foi em 25 de dezembro partiu de Julio Africano no ano 221. A primeira referência direta de sua celebração aparece no calendário litúrgico filocaliano do ano 354 (MGH, IX, I, 13-196): VIII kal. Ian. natus Christus in Betleem Iudeæ (no dia 25 de dezembro nasceu Cristo em Belém da Judéia). A partir do século IV, os testemunhos deste dia como data do nascimento de Cristo tornam-se comuns na tradição ocidental. Na oriental, prevalece a data de 6 de janeiro.
Uma explicação bastante difundida é a de que os cristãos optaram pelo dia porque, a partir do ano 274, em 25 de dezembro celebra-se em Roma o die natalis Solis invicti, o dia do nascimento do Sol invicto, a vitória da luz sobre a noite mais longa do ano. A liturgia de Natal e os Padres da época estabeleciam um paralelismo entre o nascimento de Jesus Cristo e expressões bíblicas como sol de justiça (Ml 4, 2) e luz do mundo (Jo 1, 4ss.) No entanto, não há provas de que isto foi assim e parece difícil imaginar que os cristãos quisessem adaptar festas pagãs ao calendário litúrgico, especialmente quando acabavam de experimentar a perseguição. É possível, todavia, que com o transcorrer do tempo, a festa cristã absorvesse a festa pagã.
Outra explicação mais plausível faz a data do nascimento de Jesus depender da data de sua encarnação, que, por sua vez, está relacionada com a data de sua morte. Em um tratado anônimo sobre solstícios e equinócios, afirma-se que Nosso Senhor foi concebido no dia 8 das calendas de abril no mês de março (corresponde ao nosso 25 de março), que é o dia da paixão do Senhor e de sua concepção, pois foi concebido no mesmo dia que morreu (B. Botte, Lês Orígenes de la Noel et de lEpiphanie, Louvain 1932, 1. 230-33). Na tradição oriental, apoiando-se em outro calendário, a paixão e a encarnação do Senhor celebram-se em 6 de abril, data que condiz com a celebração de Natal em 6 de janeiro. A relação entre paixão e encarnação está em consonância com a mentalidade antiga e medieval, que admirava a perfeição do universo como um todo, em que as grandes intervenções de Deus estavam vinculadas entre si. Trata-se de uma concepção que também encontra raízes no judaísmo, em que a criação e a salvação se relacionam com o mês de Nisan. A arte cristã refletiu esta mesma idéia ao longo da história ao pintar na Anunciação da Virgem o menino Jesus descendo do céu com uma cruz. Assim, é possível que os cristãos vinculassem a redenção realizada por Cristo com sua concepção, e esta determinou a data de nascimento. O mais decisivo foi a relação existente entre a criação e a cruz, entre a criação e a concepção de Cristo (J. Ratzinger, El espíritu de la liturgia, 131).
BIBLIOGRAFIA
RATZINGER, Josef El espíritu de la liturgia. Una introducción (Cristiandad, Madrid, 2001).
TOLLEY, Thomas J. The origins of the liturgical year, 2nd ed., Liturgical Press, Collegeville, MN, 1991 (tradução italiana: Le origini dellanno liturgico, Queriniana, Brescia, 1991).
Fonte: www.opusdei.org.br