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São Cipriano de Cartago

jun 5, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: História da Igreja, Santos da Igreja

Por Papa Bento XVI
Tradução: Zenit
Fonte: Vaticano/Zenit

Queridos irmãos e irmãs:

Na série de nossas catequeses sobre as grandes personalidades da Igreja antiga, chegamos hoje a um excelente bispo africano do século III, São Cipriano, «o primeiro bispo que na África alcançou a coroa do martírio». Sua fama, como testemunha o diácono Pôncio, o primeiro em escrever sua vida, está também ligada à criação literária e à atividade pastoral dos treze anos que se passaram entre sua conversão e o martírio (cf. «Vida» 19, 1; 1,1). Nascido em Cartago no seio de uma rica família pagã, depois de uma juventude dissipada, Cipriano se converte ao cristianismo aos 35 anos. Ele mesmo narra seu itinerário espiritual: «Quando ainda jazia como em uma noite escura, escreve meses depois de seu batismo, me parecia sumamente difícil e fatigoso realizar o que me propunha a misericórdia de Deus… Estava ligado a muitíssimos erros de minha vida passada, e não cria que pudesse libertar-me, até o ponto de que seguia os vícios e favorecia meus maus desejos… Mas depois, com a ajuda da água regeneradora, ficou lavada a miséria de minha vida precedente; uma luz soberana se difundiu em meu coração, um segundo nascimento me regenerou em um ser totalmente novo. De maneira maravilhosa começou a dissipar-se toda dúvida… Compreendia claramente que era terreno o que antes vivia em mim, na escravidão dos vícios da carne, e pelo contrário, era divino e celestial o que o Espírito Santo já havia gerado em mim» («A Donato», 3-4).

Imediatamente depois da conversão, Cipriano, apesar de invejas e resistências, foi eleito ao ofício sacerdotal e à dignidade de bispo. No breve período de seu episcopado, enfrentou as duas primeiras perseguições sancionadas por um edito imperial, a de Décio (250) e a de Valeriano (257-258). Depois da perseguição particularmente cruel de Décio, o bispo teve de empenhar-se com muito esforço por voltar a pôr disciplina na comunidade cristã. Muitos fiéis, de fato, haviam abjurado, ou não haviam tido um comportamento correto ante a prova. Eram os assim chamados «lapsi», ou seja, os «caídos», que desejavam ardentemente voltar a entrar na comunidade. O debate sobre sua readmissão chegou a dividir os cristãos de Cartago em laxistas e rigoristas. A estas dificuldades é preciso acrescentar uma grave epidemia que atingiu a África e que propôs interrogantes teológicos angustiantes, tanto dentro da comunidade como em relação aos pagãos. Deve-se recordar, por último, a controvérsia entre Cipriano e o bispo de Roma, Estevão, sobre a validez do batismo administrado aos pagãos por parte de cristãos hereges.

Nestas circunstâncias realmente difíceis, Cipriano demonstrou elevados dotes de governo: foi severo, mas não inflexível com os «caídos», dando-lhes a possibilidade do perdão depois de uma penitência exemplar; ante Roma, foi firme na defesa das sãs tradições da Igreja africana; foi sumamente compreensivo e cheio do mais autêntico espírito evangélico na hora de exortar os cristãos à ajuda fraterna aos pagãos durante a epidemia; soube manter a justa medida na hora de recordar aos fiéis, muito temerosos de perder a vida e os bens terrenos, que para eles a verdadeira vida e os autênticos bens não são os deste mundo; foi inquebrantável na hora de combater os costumes corruptos e os pecados que devastam a vida moral, sobretudo a avareza.

«Passava dessa forma os dias», conta o diácono Pôncio, «quando por ordem do procônsul, chegou inesperadamente à sua casa o chefe da polícia» («Vidas», 15,1). Nesse dia, o santo bispo foi preso e depois de um breve interrogatório enfrentou valorosamente o martírio no meio de seu povo.

Cipriano compôs numerosos tratados e cartas, sempre ligados a seu ministério pastoral. Pouco proclive à especulação teológica, escrevia sobretudo para a edificação da comunidade e para o bom comportamento dos fiéis. De fato, a Igreja é seu tema preferido. Distingue entre «Igreja visível», hierárquica, e «Igreja invisível», mística, mas afirma com força que a Igreja é uma só, fundada sobre Pedro.

Não se cansa de repetir que «quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual está fundada a Igreja, fica na ilusão de permanecer na Igreja» («A unidade da Igreja Católica», 4). Cipriano sabe bem, e o disse com palavras fortes, que «fora da Igreja não há salvação» (Epístola 4, 4 e 73,21), e que «não pode ter Deus como Pai que não tem a Igreja como mãe» («A unidade da Igreja Católica», 4). Característica irrenunciável da Igreja é a unidade, simbolizada pela túnica de Cristo sem costura (ibidem, 7): unidade que, segundo diz, encontra seu fundamento em Pedro (ibidem, 4) e sua perfeita realização na Eucaristia (Epístola 63, 13). «Só há um Deus, um só Cristo», exorta Cipriano, «uma só é sua Igreja, uma só fé, um só povo cristão, firmemente unido pelo fundamento da concórdia: e não pode separar-se o que por natureza é um» («A unidade da Igreja Católica», 23).

Falamos de seu pensamento sobre a Igreja, mas não podemos esquecer, por último, o ensinamento de Cipriano sobre a oração. Gosto particularmente de seu livro sobre o «Pai Nosso», que me ajudou muito a compreender melhor e a rezar melhor a oração do Senhor: Cipriano ensina que precisamente no «Pai Nosso» se oferece ao cristão a maneira reta de rezar; e sublinha que esta oração se conjuga no plural «para que quem reza não reze só por si mesmo. Nossa oração — escreve — é pública e comunitária e, quando rezamos, não rezamos só por nós, mas por todo o povo, pois somos uma só coisa com todo o povo» («A oração do Senhor» 8). Deste modo, oração pessoal e litúrgica se apresentam firmemente unidas entre si. Sua unidade se baseia no fato de que respondem à mesma Palavra de Deus. O cristão não diz «Pai meu», mas «Pai nosso», inclusive no segredo de seu quarto fechado, pois sabe que em todo lugar, em toda circunstância, é membro de um mesmo Corpo.

«Rezemos, portanto, irmãos queridos, escreve o bispo de Cartago, como Deus, o Mestre, nos ensinou. É uma oração confidencial e íntima rezar a Deus com o que é seu, elevar a seus ouvidos a oração de Cristo. Que o Pai reconheça as palavras de seu Filho quando elevamos uma oração: que quem habita interiormente no espírito esteja também presente na voz… Quando se reza, também é preciso ter uma maneira de falar e de rezar que, com disciplina, mantenha calma e reserva. Pensemos que estamos ante o olhar de Deus. É necessário ser gratos ante os olhos divinos, tanto com a atitude do corpo como com o tom da voz… E quando nos reunimos junto aos irmãos e celebramos os sacrifícios divinos com o sacerdote de Deus, temos de fazê-lo com temor reverencial e disciplina, sem jogar ao vento por todos os lados nossas orações com vozes desmesuradas, nem lançar com tumultuosa verborréia uma petição que deve ser apresentada a Deus com moderação, pois Deus não escuta a voz, mas o coração (’non vocis sed cordis auditor est’)» (3-4). Trata-se de palavras que continuam sendo válidas também hoje e que nos ajudam a celebrar bem a santa Liturgia.

Em definitivo, Cipriano se encontra nas origens dessa fecunda tradição teológico-espiritual que vê no «coração» o lugar privilegiado da oração. Segundo a Bíblia e os Padres, de fato, o coração é o íntimo do ser humano, o lugar onde mora Deus. Nele se realiza esse encontro no qual Deus fala ao homem, e o homem escuta Deus; no qual o homem fala a Deus e Deus escuta o homem: tudo isso acontece através da única Palavra divina. Precisamente neste sentido, seguindo São Cipriano, Emaragdo, abade de São Miguel, nos primeiros anos do século IX, testifica que a oração «é obra do coração, não dos lábios, pois Deus não vê as palavras, mas o coração orante» («A diadema dos monges», 1).

Tenhamos este «coração que escuta», do qual nos falam a Bíblia (cf. 1 Reis 3, 9) e os Padres: isso nos faz muita falta! Só assim poderemos experimentar em plenitude que Deus é nosso Pai e que a Igreja, a santa Esposa de Cristo, é verdadeiramente nossa Mãe.


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VATICANO, 15 Mai. 08 / 07:00 pm (ACI).- Ao receber aos participantes na sessão plenária do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Emigrantes e Itinerantes, que nestes dias refletiram sobre o tema: “A família emigrante e itinerante”, o Papa Bento XVI destacou a necessidade de acolher com caridade aos emigrantes, mas usou a oportunidade para abordar o tema da importância do matrimônio e a família.

Depois de reafirmar que “a solicitude da Igreja pela família emigrante não diminui o interesse pastoral por aquela itinerante”, o Santo Padre sublinhou que “a família é a célula originária da sociedade, que não se pode destruir, senão que se deve defender com valentia e paciência. Representa a comunidade em que alguém se forma da infância para adorar e amar a Deus, aprendendo a fazer bom uso da liberdade na verdade”.

Referindo-se posteriormente ao “vínculo profundo” entre os Sacramentos da Eucaristia e do Matrimônio, dado que “a liturgia prevê que este último se celebre no centro da celebração eucarística”, o Papa assinalou que os maridos “devem inspirar seu comportamento segundo o exemplo de Cristo, que amou à Igreja, e se entregou a si mesmo por ela”.

“Este supremo gesto de amor se repete em cada celebração eucarística. Por isso, de maneira conveniente, a pastoral familiar terá em consideração este sacramento como referência de fundamental importância”, adicionou o Papa.

O Pontífice prosseguiu explicando que “aquele que assiste a Missa -e se deve facilitar a celebração também para os emigrantes e itinerantes- acha na Eucaristia um forte vínculo com a própria família, com o próprio matrimônio, e se sente animado a viver sua situação em perspectiva de fé, procurando na graça divina a força necessária para obtê-lo”.

O Papa concluiu destacando que “a mobilidade humana representa, no atual mundo globalizado, uma fronteira importante para a nova evangelização” e neste sentido alentou aos membros e consultores do dicastério a “seguir com renovado empenho sua tarefa pastoral”.


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Católicos e evangélicos reúnem-se em encontro em Lavrinhas

mai 1, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Protestantismo

Evento é hospedado pela Comunidade Canção Nova

SÃO PAULO, quinta-feira, 29 de abril de 2008 (ZENIT.org).- De 30 de abril a 1 de maio, realiza-se o 1º Encontro de Irmãos Evangélicos e Católicos, em Lavrinhas (São Paulo), organizado pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Os participantes irão se reunir sob o lema «Pai, para que todos sejam um» (Jo 17, 21). A anfitriã do evento é a comunidade Canção Nova em Lavrinhas.

Segundo um comunidado difundido pela Canção Nova, «superando décadas de distância, estes irmãos e irmãs sentiram profundamente o apelo do Senhor ao testemunho comum e discerniram que era o momento de reunir-se, para orar e ouvir a Palavra de Deus».

Trata-se de um primeiro passo deste tipo no Brasil, semelhante ao que tem acontecido na Itália (Bari) e na Argentina (Buenos Aires) – sempre sob o olhar pastoral dos bispos católicos.

O evento é promovido pela ação conjunta de Novas Comunidades Católicas e representantes pentecostais.

Do âmbito católico, estarão Matteo Calisi (da Comunità di Gesù, Itália), a Sra. Doris Hoyer de Carvalho (Comunidade Bom Pastor, Rio de Janeiro) e o Sr. Izaías de Souza Carneiro (Comunidade Coração Novo, Rio de Janeiro).

No Brasil, a iniciativa surge espontaneamente e de um modo informal, a partir dos contatos de Matteo Calisi com diferentes líderes e presbíteros católicos, e dos contatos de vários pastores – como Pr. Jorge Himitian, que é um dos líderes da renovação no âmbito evangélico, tanto na Argentina como no Brasil.

O encontro não terá um caráter oficial, mas fraterno. Serão momentos de oração e louvor a Deus, compartilhando experiências e ouvindo a Sagrada Escritura.

O presidente da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CNBB, Dom José Alberto Moura, acredita que este encontro oferece a oportunidade de viver uma experiência de reconciliação, fundada no Batismo e na vida da graça.


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Cardeal Lozano: Eucaristia é a «vitória definitiva» sobre a enfermidade

fev 10, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

Em 11 de fevereiro se celebra a XVI Jornada Mundial do Enfermo

Por Mirko Testa

CIDADE DO VATICANO, domingo, 10 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A Eucaristia é o consolo de quem vive o sofrimento abrindo-se à fé e à «vitória definitiva» sobre a enfermidade, afirma o cardeal Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde.

Em uma entrevista concedida à Zenit no marco da XVI Jornada Mundial do Enfermo, que se celebra em 11 de fevereiro com o tema «A Eucaristia, Lourdes e a atenção pastoral aos enfermos», o purpurado mexicano refletiu sobre o «sacrifício de Cristo como vínculo específico que une a Maria, mãe consoladora por excelência, com o mundo do sofrimento».

O cardeal aprofunda deste modo na chave de leitura proposta por Bento XVI na Mensagem que escreveu para esta ocasião, na qual sublinha a íntima relação que existe entre o mistério eucarístico, o papel de Maria no projeto de salvação e a realidade da dor humana.

Esta celebração une este ano dois acontecimentos importantes para a vida da Igreja: o 150º aniversário das aparições da Vrigem Maria a Bernadette Soubirous na gruta de Massabielle, cujas celebrações concluirão em 8 de dezembro próximo, e a celebração do Congresso Eucarístico Internacional que acontecerá em Quebec, Canadá, de 15 a 22 de junho deste ano.

«A única maneira para libertar-nos do sofrimento é Cristo Senhor, que com sua Cruz aniquilou a morte e todas as conseqüências da morte, as enfermidades, a dor, os sofrimentos, declara o cardeal Lozano.

«Cristo carrega todo o mal, com o pecado da humanidade, se faz pecado por nós até morrer e da morte surge a belíssima flor da ressurreição», acrescenta.

«A Eucaristia é a vitória definitiva, é, como dizia Paulo VI na encíclica Mysterium Fidei, a “medicina da imortalidade”», sublinha o responsável deste organismo vaticano encarregado de promover e orientar atividades da Cúria Romana sobre a saúde e de coordenar os 113.000 centros de saúde católicos no mundo.

«O Santo Padre nos convidou em várias ocasiões a ter como centro a Eucaristia, como linfa vital que consola quem sofre, ajudando a compreender o valor salvífico da dor, e que dá força aos agentes de pastoral da saúde».

«A Eucaristia se entende aqui como viático, como assistência pastoral», segue dizendo o purpurado, que recebeu do Santo Padre o convite a continuar em seu cargo, depois de ter completado em 26 de janeiro os 75 anos.

«Neste contexto, a pastoral da saúde vai mais além da mera beneficência – segue explicando –, convertendo-se em resposta aos grandes interrogantes da vida à luz da morte e ressurreição do Senhor».

Dado que Bento XVI não poderá presidir esta segunda-feira a missa com os enfermos na Basílica vaticana, pois começou este domingo os exercícios espirituais que durarão toda a semana, pediu ao cardeal Lozano Barragán que o substitua.

A Jornada Mundial do Enfermo foi instituída por João Paulo II em 1992.


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O Papa chama à Igreja na América Latina a centrar-se na Fé, não nas ideologias

mai 14, 2007 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

APARECIDA, 13 Mai. 07 / 12:00 am (ACI).- Durante a inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, o Papa Bento XVI fez um chamado a centrar a vida da Igreja na Fé em Jesus Cristo e suas conseqüências, e não nas ideologias ou projetos terrenos.

No que poderia ser o discurso mais extenso de seu pontificado, o Santo Padre passou revista aos principais desafios, assim como as prioridades pastorais que estudarão os bispos da América Latina e do Caribe na assembléia histórica que se leva a cabo em Aparecida, Brasil; e que concluirá em 31 de maio com um documento pastoral.

O Santo Padre enfatizou em sua extensa conferência, em que fez uma pausa para ouvir o canto do hino pontifício, que “o encontro com Cristo na Eucaristia suscita o compromisso da evangelização e o impulso à solidariedade; acordada no cristão o forte desejo de anunciar o Evangelho e testemunhá-lo na sociedade para que seja mais justa e humana”.

Em contraste, o Pontífice advertiu que “tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas, uma vez estabelecidas, funcionariam por si; afirmaram que não só não teriam tido necessidade de uma precedente moralidade individual, mas também elas fomentariam a moralidade comum”.

“E esta promessa ideológica –adicionou– se demonstrou que é falsa. Os fatos o põem de manifesto”.

Bento XVI enfatizou além que “o trabalho político não é competência imediata da Igreja”, e que “a Igreja é advogada da justiça e dos pobres, precisamente ao não identificar-se com os políticos nem com os interesses de partido”.

Logo depois de expor as prioridades pastorais –a formação na fé, a família, o sacerdócio, a vida consagrada, as vocações, a pastoral juvenil– o Pontífice concluiu implorando “de modo especial a Nossa Senhora – sob a invocação de Guadalupe, Padroeira da América, e de Aparecida, Padroeira do Brasil– que lhes acompanhe em seu formoso e exigente trabalho pastoral. A ela confio o Povo de Deus nesta etapa do terceiro Milênio cristão. Peço também que guie os trabalhos e reflexões desta Conferencia Geral, e que abençoe com abundantes dons aos queridos povos deste Continente”.


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Este é o núcleo de seu pontificado, explica

PAVIA, domingo, 22 de abril de 2007 (ZENIT.org).- Ao visitar o túmulo de Santo Agostinho, na tarde deste domingo, Bento XVI relançou a mensagem central de seu pontificado: «Deus é amor».

«A humanidade contemporânea tem necessidade desta mensagem essencial, encarnada em Cristo Jesus», assegurou, ao concluir sua visita pastoral à cidade de Pavia.

«Tudo deve começar daqui e aqui tudo deve conduzir: toda ação pastoral, todo tratado teológico», afirmou na homilia que pronunciou na Basílica de São Pedro no Céu de Ouro por ocasião da celebração das vésperas com sacerdotes, religiosos e religiosas (muitos deles agostinianos) e seminaristas da diocese do norte da Itália.

Começou explicando que quis «vir para venerar os restos mortais de Santo Agostinho, para expressar tanto a homenagem de toda a Igreja a um de seus “padres” maiores, como minha pessoal devoção e reconhecimento por quem teve tanta importância em minha vida de teólogo e de pastor, mas diria ainda antes de homem e de sacerdote».

Os escritos de Santo Agostinho, bispo de Hipona, que viveu de 354 a 430, doutor da Igreja, marcaram a vida de Joseph Ratzinger, que em 1953 escreveu sua tese doutoral sobre este filósofo e teólogo.

«Ante o túmulo de Santo Agostinho, quero voltar a entregar espiritualmente à Igreja e ao mundo minha primeira encíclica, que contém precisamente esta mensagem central do Evangelho: “Deus caritas est”, Deus é amor».

Esta é «a mensagem que Santo Agostinho segue repetindo a toda a Igreja», assegurou: «o amor é a alma da vida da Igreja e de sua ação pastoral».

«Só quem vive a experiência pessoal do amor do Senhor é capaz de exercer a tarefa de guiar e de acompanhar os demais pelo caminho do seguimento de Cristo».

«Repito-vos esta verdade como bispo de Roma, enquanto, como uma alegria sempre renovada, acolho-a junto a vós como cristão», confessou.

«Servir a Cristo é antes de tudo uma questão de amor», sublinhou. «A Igreja não é uma mera organização de encontros coletivos nem, pelo contrário, a soma de indivíduos que vivem uma religiosidade privada».

«A Igreja é uma comunidade de pessoas que crêem no Deus de Jesus Cristo e se comprometem a viver no mundo o mandamento da caridade que Ele lhes deixou».

«É, portanto, uma comunidade na qual se educa no amor, e esta educação não acontece apesar senão através dos acontecimentos da vida».

O Papa concluiu lançando um chamado a viver a vida cristã, que «tem na caridade o vínculo de perfeição e que deve traduzir-se em um estilo de vida moral inspirado no Evangelho, inevitavelmente contra a corrente dos critérios do mundo, mas que sempre há que testemunhar com um estilo humilde, respeitoso e cordial».

Apo sua peregrinação aos restos mortais de Santo Agostinho, e após despedir-se da comunidade dos religiosos agostinianos, o Papa tomou um helicóptero que o levou ao aeroporto de Milão-Linate, desde onde regressou a Roma.

A terceira visita pastoral de Bento XVI à Itália teve como metas as cidades de Vigevano (onde celebrou a missa na tarde do sábado) e Pavia (onde manteve um intenso programa de encontros públicos este domingo).


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Jovens: prioridade para sacerdotes, assegura Papa

fev 23, 2007 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Santa Sé

Em uma conversa espontânea com presbíteros de sua diocese

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- Em uma conversa espontânea com os sacerdotes da diocese de Roma, Bento XVI os exortou, nesta quinta-feira, a fazer da atenção aos jovens uma prioridade.

«A juventude tem de ser verdadeiramente uma prioridade de nosso trabalho pastoral, pois vive em um mundo afastado de Deus», reconheceu, ao responder espontaneamente às perguntas dos presbíteros.

«Buscar, em nosso contexto cultural, o encontro com Cristo, a vida cristã e a vida da fé é muito difícil», sublinhou.

E acrescentou: «Os jovens têm necessidade de muito acompanhamento para poder realmente encontrar esse caminho».

Definitivamente, explicou, é necessário dar a entender aos jovens que Cristo não é um «grande profeta». Nele, vemos «o Rosto de Deus», o Rosto do perdão e do amor.

Ao responder às perguntas de nove sacerdotes, o Papa falou sobre a importância das peregrinações, da oração litúrgica e da adoração eucarística; da transmissão da fé, do ecumenismo, dos movimentos eclesiais, do equilíbrio entre vida espiritual e pastoral, do valor da reparação eucarística ante os roubos sacrílegos e as seitas satânicas, da unidade da fé e do pluralismo na Teologia.

Em resposta a uma das perguntas, confirmou que a Igreja é antes de tudo uma realidade espiritual.

«A Igreja não é uma grande estrutura, uma dessas instituições supranacionais. A Igreja, ainda que seja corpo, é corpo de Cristo e, portanto, um corpo espiritual, como diz São Paulo.»

«Não é um corpo administrativo, não é um corpo de poder — afirmou. Não é tampouco uma agência social, ainda que tenha um trabalho social, mas um corpo espiritual.»

Não faltaram momentos de sorrisos e brincadeiras, como quando o Papa falou da necessidade de conseguir um equilíbrio pessoal entre a dimensão espiritual e pastoral do sacerdote.

«Os evangelhos dizem: de dia trabalhava, de noite estava no monte com o Pai e rezava. Eu tenho de confessar minha fraqueza, pois de noite não posso rezar, eu gostaria de dormir à noite.»

Os sacerdotes o interromperam com um sonoro aplauso.

«Contudo — acrescentou o Papa –, é necessário realmente oferecer algo do tempo livre ao Senhor.»

Na saudação introdutória, o cardeal Camillo Ruini, bispo vigário da diocese de Roma, sublinhou a importância desse encontro, tradicional neste pontificado, no qual os sacerdotes de Roma podem apresentar livremente ao Papa «suas perguntas, esperanças e dificuldades».

Dado que as respostas do Papa foram amplas e espontâneas, posteriormente a Sala de Imprensa da Santa Sé publicará sua transcrição na íntegra.


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