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Muçulmanos elogiam papa por rezar virado para Meca

dez 1, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

Por Philip Pullella e Tom Heneghan

ISTAMBUL (Reuters) - O papa concluiu na sexta-feira sua conciliadora viagem à Turquia recebendo elogios da imprensa local por ter visitado a Mesquita Azul, de Istambul, e rezado voltado para Meca “como os muçulmanos”.

O papa, que há dois meses provocou protestos em todo o mundo islâmico por causa de um discurso aparentemente crítico à religião, parecia relaxado e contente ao entrar na catedral do Espírito Santo para uma missa, ao final da delicada visita de quatro dias.

Sua primeira visita como papa a um país de maioria islâmica, sob forte esquema de segurança, foi marcada por uma série de gestos conciliatórios, que culminaram na tarde de quinta-feira com a ida à famosa Mesquita Azul.

“A temida visita do papa foi concluída com uma maravilhosa surpresa”, disse o jornal Askam em sua capa.

“Na mesquita Sultão Ahmet [nome oficial da Mesquita Azul], ele se voltou para Meca e rezou como os muçulmanos”, descreveu o popular diário Hurriyet.

Durante a visita, o papa também manifestou apoio à adesão turca à União Européia e elogiou o caráter pacífico do Islã. Aparentemente, esses gestos eliminaram o mal-estar decorrente do discurso de setembro, em que ele citava um imperador bizantino para o qual o Islã era uma religião violenta e irracional.

Mas, no mundo árabe, vários comentaristas continuam pedindo que Bento 16 peça desculpas pelo discurso. Surpreso pelos protestos provocados, o papa disse não concordar com a frase mencionada no discurso, mas não se desculpou.

Autoridades católicas também descreveram como um momento importante de reconciliação a visita do papa à mesquita, onde ele ficou de pé, orando silenciosamente, enquanto o grão-mufti de Istambul, Mustafa Cagrici, rezava em voz alta.

“Eu compararia a visita do papa à mesquita com os gestos do papa João Paulo 2 no Muro das Lamentações”, disse o influente cardeal Roger Etchegaray, referindo-se às orações do falecido pontífice em Jerusalém, em 2000. “Ontem, Bento 16 fez com os muçulmanos o que João Paulo 2 fez com os judeus”.

A visita, que começou em Ancara e incluiu uma parada na cidade antiga de Éfeso, revelou um lado diplomático do papa, de quem se espera uma posição mais dura em relação ao Islã do que a demonstrada por João Paulo 2.

Bento 16 cobrou mais liberdade religiosa na Turquia e, por extensão, no resto do mundo islâmico, mas sem o tom de confronto que muitos na Igreja previam após sua eleição, em abril de 2005.

Os protestos contra a visita dele foram poucos e localizados.

Antes da missa, Bento 16 soltou pombas representando a paz no jardim diante da catedral católica de Istambul. Ele também abençoou uma estátua do papa João 23 (1958-63).

Antes de se tornar o papa João 23, o arcebispo Angelo Roncalli foi diplomata do Vaticano em Istambul, entre 1935 e 1944, e se tornou uma figura popular na cidade. A rua onde ficava seu gabinete agora se chama rua Papa Roncalli.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele usou sua base em Istambul para ajudar quase 24 mil judeus a fugirem do Holocausto na Hungria, na Romênia e na Bulgária, então ocupadas pelo nazismo. Para isso, o cardeal muitas vezes expedia falsas certidões de batismo.

Entre os participantes da missa de sexta-feira estava o patriarca ecumênico de Istambul, Bartolomeu, líder espiritual dos 250 milhões de cristãos ortodoxos do mundo. Na véspera, ele e o papa assinaram uma declaração comprometendo-se a trabalhar pela reunificação das igrejas, divididas pelo Grande Cisma de 1054.


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Papa e muçulmanos: um encontro que vale mais que mil palavras

set 26, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Mundo

Um escritor iraquiano presente considera que se abre uma nova etapa

CASTEL GANDOLFO, segunda-feira, 25 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Ao convidar nesta segunda-feira a Castel Gandolfo os diplomatas de vinte e um países de maioria islâmica e os representantes muçulmanos da Itália, Bento XVI era consciente de que há gestos que valem mais que muitas palavras.

Antes que o Papa chegasse, seus hóspedes na residência pontifícia veraneia conversaram com o cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, e com os membros desse dicastério da Santa Sé, em particular com Dom Khaled Akasheh, chefe do Escritório para o Islã.

Também se uniu a estas conversas Dom Pietro Parolin, subsecretário da Seção da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados.

Os 21 países representados pelos diplomatas eram: Kuwait, Jordânia, Paquistão, Qatar, Costa do Marfim, Indonésia, Turquia, Bósnia-Herzegovina, Líbano, Yemen, Egito, Iraque, Senegal, Argélia, Marrocos, Albânia, Síria, Tunísia, Líbia, Irã e Azerbaijão.

Na audiência, estava presente também o representante da Liga dos Estados Árabes, Salid Khalid, pois a Santa Sé tem o estatuto de observador nessa instituição.

Quinze muçulmanos participaram, em representação dos membros da Consulta Islâmica na Itália, entre os quais se encontrava o embaixador italiano Mario Scialoja e o escritor iraquiano residente no país Younis Tawfik.

Na audiência, também saudou o Papa o imame da mesquita de Roma, Ali Salem Mohammed Salem, e o secretário-geral do Centro Islâmico Cultural da Itália, Abdellah Redouane.

O discurso do Papa, no qual reafirmou que o diálogo entre muçulmanos e cristãos «é uma necessidade vital, da qual depende em grande parte nosso futuro», foi acolhido por um aplauso.

O cardeal Poupard apresentou o Santo Padre a cada um de seus hóspedes muçulmanos, entre os quais havia quatro mulheres, e o Papa conversou com cada um deles. O encontro durou mais de meia hora e não faltou a foto de grupo.

Após a audiência, Younis Tawfik confessou que o discurso do Papa foi «emocionante e de grande impacto, pois não quis retomar ou afirmar a polêmica dos dias passados, mas pronunciar um discurso totalmente novo, como se quisesse dar uma volta, virar a página, dando a impressão de continuar o caminho da Igreja pelo diálogo».

«Confirmou sua estima pelo islã, pelos muçulmanos, dando-nos uma aula de grande tolerância, sobretudo quando passou a saudar-nos um a um. Deteve-se o tempo suficiente para perguntar a cada um quem era e para agradecer-lhe por ter vindo à audiência», explicou o escritor iraquiano aos microfones da «Rádio Vaticano».

Para Tawfik, o discurso do Papa é muito importante nestes momentos em que «muitas pessoas só buscam seus interesses, entre outras coisas, fomentando o ódio e o confronto».

«Pelo contrário, o discurso do Santo Padre quis evitar este confronto, quis convidar todos a refletirem sobre a importância da paz e dos valores da humanidade», concluiu o escritor.


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