Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo
Meditação do padre Raniero Cantalamessa
ROMA, sexta-feira, 27 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pregador da Casa Pontifícia, sobre a liturgia do próximo domingo.
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29 de Junho: Festa dos Santos Pedro e Paulo
Atos 12, 1-11; 2 Timóteo 4, 6-8.17-18; Mateus 16, 13-19
Tu és Pedro!
O Evangelho de hoje é o Evangelho da entrega das chaves a Pedro. Sobre isso, a tradição católica sempre foi baseada em fundar a autoridade do Papa sobre toda a Igreja. Alguém poderia dizer: mas o que tem a ver o Papa com tudo isto? Eis a resposta da teologia católica. Se Pedro deve funcionar como «fundamento» e «rocha» da Igreja, continuando a existir a Igreja deve continuar a existir também o fundamento. É impensável que as prerrogativas quase solenes («a ti darei as chaves do reino dos céus») se referissem somente aos primeiros vinte ou trinta anos da vida da Igreja e que elas seriam cessadas com a morte do apóstolo. O papel de Pedro se prolonga portanto em seus sucessores.
Por todo o primeiro milênio, este ofício de Pedro foi reconhecido universalmente por todas as Igrejas, ainda que interpretado de forma diversa no Oriente e no Ocidente. Os problemas e as divisões nasceram com o milênio há pouco terminado. E hoje também nós, católicos, admitimos que não são nascidos todos por culpa dos outros, dos considerados «cismáticos»: antes os orientais, depois os protestantes. A primazia instituída por Cristo, como todas as coisas humanas, foi exercitada ora bem ora menos bem. Ao poder espiritual se mesclou, pouco a pouco, um poder político e terreno, e com isso os abusos. O próprio Papa João Paulo II, na carta sobre o ecumenismo, Ut unum sint, indicou a possibilidade de rever as formas concretas com as quais é exercida a primazia do Papa, de modo a tornar novamente possível em torno a isso a concórdia de todas as Igrejas. Como católicos, não podemos não desejar que se prossiga com sempre maior coragem e humildade sobre esta estrada da conversão e da reconciliação, de modo a incrementar a colegialidade desejada pelo Concílio.
Aquilo que não podemos desejar é que o próprio ministério de Pedro, como sinal e fator da unidade da Igreja, seja menor. Seria uma forma de nos privar de um dos dons mais preciosos que Cristo deu à sua Igreja, além de contradizer sua vontade precisa. Pensar que basta à Igreja ter a Bíblia e o Espírito Santo com o qual interpretá-la, para poder viver e difundir o Evangelho, é como dizer que bastaria aos fundadores dos Estados Unidos escrever a constituição americana e mostrar em si mesmos o espírito com o qual devia ser interpretada, sem prever algum governo para o país. Existiria ainda os Estados Unidos?
Uma coisa que podemos fazer já e todos para aplainar a estrada para a reconciliação entre as Igrejas é começar a reconciliar-nos com anossa Igreja. «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»: Jesus disse a «minha» Igreja, no singular, não as «minhas» Igrejas. Ele pensou e quis uma só Igreja, não uma multipliciade de Igrejas independentes ou, pior, em luta umas contra as outras. «Minha», além de singular, é também um adjetivo possessivo. Jesus reconhece portanto a Igreja como «sua»; disse «a minha Igreja» como um homem diria: «a minha esposa», ou «o meu corpo». Identifica-se com ela, não se envergonha dela. Sobre os lábios de Jesus a palavra «Igreja» não tem nenhum daqueles significados negativos que acrescentamos.
Isto é, naquela expressão de Cristo, um forte chamado a todos os crentes a reconciliarem-se com a Igreja. Renegar a Igreja é como renegar a própria mãe. «Não pode ter Deus por pai – dizia São Cipriano – quem não tem a Igreja por mãe». Seria um belo fruto da festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo se começássemos a dizer também nós, da Igreja Católica à qual pertencemos: «aminhaIgreja!»
[Traduzido do italiano por José Caetano]
Pe. Lombardi explica o sentido e o impacto da devoção a Nossa Senhora
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 26 de maio de 2008 (ZENIT.org).- O amor a Maria não é algo sentimental ou mitológico, mas o presente de Cristo na cruz, explicou o porta-voz do Vaticano.
O Pe. Federico Lombardi, S.J., diretor da Sala de Imprensa vaticana, analisou as últimas intervenções de Bento XVI neste mês de maio, desde o terço guiado em Santa Maria Maior no primeiro sábado, às visitas aos famosos santuários marianos de Savona e Gênova e a cerimônia conclusiva prevista na Praça de São Pedro.
No editorial do último número de «Octava Dies», semanal do Centro Televisivo Vaticano (CTV), do qual é também diretor, o sacerdote declarou que o amor a Maria não é «devoção sentimental ou, pior, mitológica».
«Trata-se de reencontrar na Mãe de Jesus a via mestra para voltar a situar a encarnação de Deus no centro de nossa vida e – como acrescentava o Papa Bento XVI – de nosso tempo e de nossas cidades.»
«Extraindo da contemplação da vida de Cristo, pode-se ‘irrigar’ a sociedade, a partir das relações cotidianas, e purificá-la de tantas forças negativas, abrindo-a à novidade de Deus», acrescenta.
Entre os gestos marianos do Papa neste mês, um dos mais representativos foi proclamar o dia 24 de maio como Jornada Mundial de Oração pela Igreja na China.
Neste dia se celebrava a memória de Maria ‘auxílio dos cristãos’, tão venerada naquele país, e em especial no santuário de Sheshan, perto de Xangai, o mais famoso da China.
Deste modo, diz o Pe. Lombardi, «na oração mariana, o horizonte se torna universal: Cristo moribundo confiou todos nós aos cuidados da Mãe».
«Os católicos chineses aspiram com perseverança a poder expressar em plena liberdade sua fé; o povo chinês sofre neste tempo a terrível tragédia do terremoto.»
«Olhamos para o país mais populoso do mundo com fraternidade e solidariedade, com o verdadeiro desejo de seu bem humano e espiritual.»
«É justo ter esperança em relação serena entre a Santa Sé e a China, porque a Igreja pode ser verdadeiramente chinesa e verdadeiramente católica ao mesmo tempo – conclui. Os sinais positivos não faltam. Peçamos que a Mãe da China, da Ásia, da Igreja acompanhe e favoreça o caminho.»
Por Papa Bento XVI
Tradução: Vaticano
Fonte: Vaticano
Queridos irmãos e irmãs!
Prosseguindo a nossa viagem entre os protagonistas das origens cristãs, dedicamos hoje a nossa atenção a alguns dos outros colaboradores de São Paulo. Devemos reconhecer que o Apóstolo é um exemplo eloquente de homem aberto à colaboração: na Igreja ele não quer fazer tudo sozinho, mas serve-se de numerosos e diversos colegas. Não nos podemos deter sobre todos estes preciosos colaboradores, porque são muitos. É suficiente recordar, entre outros, Epafras (cf. Cl 1, 7; 4, 12; Fm 23), Epafrodito (cf. Fl 2, 25; 4, 18), Tíquio (cf. Act 20, 4; Ef 6, 21; Cl 4, 7; 2 Tm 4, 12; Tt 3, 12), Urbano (cf. Rm 16, 9), Gaio e Aristarco (cf. Act 19, 29; 20, 4; 27, 2 Cl 4, 10). E mulheres como Febe (cf. Rm 16, 1), Trifena e Trifosa (cf. Rm 16, 12), Pérside, a mãe de Rufo da qual São Paulo diz: “Também é minha mãe” (cf. Rm 16, 12-13) sem esquecer casais como Prisca e Aquila (cf. Rm 16, 3; 1 Cor 16, 19; 2 Tm 4, 19). Hoje, entre esta grande multidão de colaboradores e colaboradoras de São Paulo dirigimos o nosso interesse a estas três pessoas, que desempenharam um papel particularmente significativo na evangelização das origens: Barnabé, Silvano e Apolo.
Barnabé significa “filho da exortação” (Act 4, 36) ou “filho da consolação” e é sobrenome de um judeu-levita originário de Chipre. Tendo-se estabelecido em Jerusalém, ele foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo, depois da ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade entregando a quantia aos Apóstolos para as necessidades da Igreja (cf. Act 4, 37). Foi ele quem se fez garante da conversão de Saulo junto da comunidade cristã de Jerusalém, a qual ainda desconfiava do antigo perseguidor (cf. Act 9, 27). Tendo sido enviado a Antioquia da Síria, foi buscar Paulo a Tarso, onde se tinha retirado, e transcorreu com ele um ano inteiro, dedicando-se à evangelização daquela importante cidade, em cuja Igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. Act 13, 1). Assim Barnabé, no momento das primeiras conversões dos pagãos, compreendeu que tinha chegado a hora de Saulo, o qual se retirara para Tarso, sua cidade. Foi ali procurá-lo. Assim, naquele momento importante, quase restituiu Paulo à Igreja; deu-lhe, neste sentido, novamente o Apóstolo das Nações. Da Igreja antioquena Barnabé foi enviado em missão juntamente com Paulo, realizando o que classifica como primeira viagem missionária do Apóstolo. Na realidade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, sendo ele o verdadeiro responsável, ao qual Paulo se juntou como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na actual Turquia, com as cidades de Attalia, Perge, Antioquia de Psídia, Listra e Derbe (cf. Act 13-14). Juntamente com Paulo foi depois ao chamado Concílio de Jerusalém onde, depois de um aprofundado exame da questão, os Apóstolos com os Anciãos decidiram separar a prática da cincuncisão da identidade cristã (cf. Act 15, 1-35). Só assim, no final, tornaram oficialmente possível a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo.
Os dois, Paulo e Barnabé, entraram depois em contraste, no início da segunda viagem missionária, porque Barnabé tinha em mente assumir como companheiro João Marcos, mas Paulo não queria, tendo-se separado o jovem deles durante a viagem anterior (cf. Act 13, 13; 15, 36-40). Portanto, também entre santos existem contrastes, discórdias, controvérsias. E isto parece-me muito confortador, porque vemos que os santos não “caíram do céu”. São homens como nós, com problemas também complicados. A santidade não consiste em nunca ter errado ou pecado. A santidade cresce na capacidade de conversão, de arrependimento, de disponibilidade para recomeçar, e sobretudo na capacidade de reconciliação e de perdão. E assim Paulo, que tinha sido bastante rude e amargo em relação a Marcos, no final encontra-se com ele. Nas últimas Cartas de São Paulo, a Filemon e na segunda a Timóteo, precisamente Marcos aparece como “o meu colaborador”. Portanto, não é o facto de nunca ter errado que nos torna santos, mas a capacidade de reconciliação e de perdão. E todos podemos aprender este caminho de santidade. Em todo o caso Barnabé, com João Marcos, partiu para Chipre (cf. Act 15, 39) por volta do ano 49. Daquele momento em diante perdem-se os seus vestígios. Tertuliano atribui-lhe a Carta aos Hebreus, ao que não falta a plausibilidade porque, pertencendo à tribo de Levi, Barnabé podia ter interesse pelo tema do sacerdócio. E a Carta aos Hebreus interpreta-nos de modo extraordinário o sacerdócio de Jesus.
Outro companheiro de Paulo foi Silas, forma grecizada de um nome hebraico (talvez sheal, “pedir, invocar”, que é a mesma raiz do nome “Saulo”), do qual resulta também a forma latinizada Silvano. O nome Silas é confirmado só no Livro dos Actos, enquanto que o nome Silvano se encontra apenas nas Cartas paulinas. Ele era um judeu de Jerusalém, um dos primeiros que se fez cristão, e naquela Igreja gozava de grande estima (cf. Act 15, 22), sendo considerado profeta (cf. Act 15, 32). Foi encarregado de levar “aos irmãos de Antioquia, Síria e Cilícia” (Act 15, 23) as decisões tomadas no Concílio de Jerusalém e de as explicar. Evidentemente ele era considerado capaz de realizar uma espécie de mediação entre Jerusalém e Antioquia, entre judeus-cristãos e cristãos de origem pagã, e desta forma servir a unidade da Igreja na diversidade de ritos e de origens. Quando Paulo se separou de Barnabé, assumiu precisamente Silas como novo companheiro de viagem (cf. Act 15, 40). Com Paulo ele alcançou a Macedónia (com as cidades de Filipos, Tessalónica e Berea), onde permaneceu, enquanto Paulo prosseguiu para Atenas e depois para Corinto. Silas alcançou-o em Corinto, onde cooperou na pregação do Evangelho: de facto, na segunda Carta dirigida por Paulo àquela Igreja, fala-se de “Jesus Cristo, aquele que foi por nós anunciado entre vós, por mim, por Silvano e por Timóteo” (2 Cor 1, 19). Explica-se assim por que é que ele resulta como co-destinatário, juntamente com Paulo e Timóteo, das duas Cartas aos Tessalonicenses. Também isto me parece importante. Paulo não age “sozinho”, como indivíduo, mas juntamente com estes colaboradores no “nós” da Igreja. Este “eu” de Paulo não é um “eu” isolado, mas um “eu” no “nós” da Igreja, no “nós” da fé apostólica. E Silvano no final é mencionado também na Primeira Carta de Pedro, na qual se lê: “por Silvano, a quem considero um irmão fiel, escrevo-vos” (5, 12). Assim vemos também a comunhão dos Apóstolos. Silvano serve Paulo, serve Pedro, porque a Igreja é uma e o anúncio missionário é único.
O terceiro companheiro de Paulo, que desejamos recordar, é chamado Apolo, provável abreviação de Apolónio ou Apolodoro. Mesmo tratando-se de um nome de tipo pagão, ele era um fervoroso judeu de Alexandria do Egipto. Lucas no Livro dos Actos define-o “homem eloquente e muito versado nas Escrituras… cheio de fervor” (18, 24-25). A entrada de Apolo no cenário da primeira evangelização acontece na cidade de Éfeso: tinha ido ali para pregar e ali teve a ventura de encontrar o casal cristãos Priscila e Áquila (cf. Act 18, 26), que o introduziram a um conhecimento mais completo do “caminho de Deus” (cf. Act 18, 26). De Éfeso passou para a Acaia alcançando a cidade de Corinto: ali chegou com o apoio de uma carta dos cristãos de Éfeso, que recomendavam aos Coríntios que o acolhessem bem (cf. Act 18, 27). Em Corinto, como escreve Lucas, “pela graça de Deus, prestou grande auxílio aos fiéis; pois refutava energicamente os judeus, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Cristo” (Act 18, 27-28), o Messias. O seu sucesso naquela cidade teve um aspecto problemático, porque haviam alguns membros daquela Igreja que em seu nome, arrebatados pelo seu modo de falar, se opunham aos outros (cf. 1 Cor 1, 12; 3, 4-6; 4, 6). Paulo na Primeira Carta aos Coríntios expressa apreço pela obra de Apolo, mas reprova os Coríntios por dilacerarem o Corpo de Cristo dividindo-se assim em fracções contrapostas. Ele tira um importante ensinamento de toda a vicissitude: quer eu quer Apolo diz ele mais não somos do que diakonoi, isto é, simples ministros, através dos quais alcançastes a fé (cf. 1 Cor 3, 5). Cada um tem uma tarefa diferenciada no campo do Senhor: “Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento… Pois, nós somos cooperadores de Deus, e vós sois a seara de Deus, o edifício de Deus” (1 Cor 3, 6-9). Tendo regressado a Éfeso, Apolo resistiu ao convite de Paulo para voltar imediatamente a Corinto, adiando a viagem para uma data posterior por nós desconhecida (cf. 1 Cor 16, 12). Não temos outras notícias suas, mesmo se alguns estudiosos pensam nele como possível autor da Carta aos Hebreus, da qual, segundo Tertuliano, seria autor Barnabé.
Estes três homens brilham no firmamento das testemunhas do Evangelho por um aspecto comum além das características próprias de cada um. Em comum, além da origem judaica, têm a dedicação a Jesus Cristo e ao Evangelho, juntamente com o facto de os três terem sido colaboradores do apóstolo Paulo. Nesta original missão evangelizadora eles encontraram o sentido da sua vida, e como tais estão diante de nós como modelos luminosos de abnegação e de generosidade. E, no final, voltemos mais uma vez a esta frase de São Paulo: tanto eu como Apolo somos ministros de Jesus, cada um a seu modo, porque é Deus que faz crescer. Esta palavra também é válida hoje para todos, quer para o Papa, quer para os Cardeais, os Bispos, os sacerdotes, os leigos. Todos somos humildes ministros de Jesus. Servimos o Evangelho na medida do possível, segundo os nossos dons, e rezamos a Deus para que faça crescer hoje o seu Evangelho, a sua Igreja.
Segundo a teóloga Jutta Burggraf
Por Miriam Díez i Bosch
PAMPLONA, 7 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Maria é «mestra e companheira no caminho» do ecumenismo, assegura a teóloga alemã Jutta Burggraf, especialista em Teologia da Criação, Teologia Ecumênica e Teologia Feminista.
Burggraf é doutora em Psicopedagogia, doutora em Sagrada Teologia e professora de Teologia dogmática na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra e esteve em Roma recentemente para apresentar o «Dicionário de Teologia» da Editora EUNSA. Zenit a entrevistou.
–Maria pode impulsionar o ecumenismo?
–Burggraf: Certamente. Não podemos esquecer que o verdadeiro protagonista do movimento ecumênico é o Espírito Santo. Portanto, é aconselhável que uma pessoa que quer trabalhar a sério pela unidade dos cristãos tome Maria como mestra e companheira no caminho: sua docilidade ao Espírito pode ser considerada como o núcleo íntimo de uma autêntica atitude ecumênica.
A veneração a nossa Mãe se fundamenta na Sagrada Escritura. Maria canta no Magnificat: «Desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada». Estas palavras são uma profecia e, por sua vez, uma missão para a Igreja de todos os tempos.
Os cristãos não inventaram nada novo quando começaram a louvar Maria. Ao contrário, descuidariam do que lhes foi confiado se não o fizessem. Eles se afastariam da palavra bíblica, e não glorificariam a Deus como Ele quer ser glorificado.
–Maria é protagonista de festas litúrgicas não só na tradição católica.
–Burggraf: Nos tempos anteriores às grandes separações do Oriente (século XI) e do Ocidente (século XVI), as primeiras gerações cristãs já haviam começado a celebrar algumas festas marianas. Assim, por exemplo, a festa da Dormição é conhecida em Jerusalém no século VI, e em Constantinopla no ano 600. Como se supõe que Maria morreu muito suavemente, com muita paz e com a grande alegria de unir-se ao seu Filho, não se fala de «morte», mas de «Dormição». Tanto os ortodoxos como os muçulmanos celebram hoje esta festa em 22 de agosto, e a preparam com 15 dias de jejum. No final do século VII, foi introduzida em Roma, onde passou a chamar-se «Assunção de Santa Maria».
No século VIII se celebrava no Oriente a festa da Imaculada Conceição, sem dar muitas explicações teológicas ao respeito: o pensamento oriental prefere o mistério; o ocidental, ao contrário, a clareza analítica. Também Lutero foi favorável a esta festa. O reformador também costumava cantar o «Magnificat» diariamente, segundo conta a tradição.
Para os ortodoxos, o primeiro título de Maria é Theotokos, «Mãe de Deus», usado freqüentemente nos hinos e nas ricas obras iconográficas. O hino Akathistos (que literalmente significa «estando de pé», porque se canta nesta posição) é o hino mariano mais famoso no Oriente. Foi composto no final do século V por um autor desconhecido. Como diz um escritor moderno, não há problemas em que o hino seja anônimo. «Assim é de todos, porque é da Igreja.»
Há também uma marca comum a quase todos os ícones da Virgem no Oriente. Maria é representada como Mãe de Deus que leva o Menino Jesus nos braços. Estas imagens confessam a fé na maternidade divina de Maria.
–Qual é a atitude dos protestantes com relação a Maria?
–Burggraf: Alguns disseram que, com a veneração de Maria, os cristãos teriam «caído», desde a altura da veneração do único Deus, ao louvor do ser humano. Na realidade, não é assim. Quando louvamos Maria, veneramos Deus. Quem elogia uma obra de arte, elogia o artista que a fez. Se estou fascinada com as pinturas «El aguador de Sevilla» ou «Las Meninas», o louvor recai em Diego Velázquez, que as realizou.
A Igreja venera em Maria a realização mais perfeita da obediência na fé. Isso é algo que podem aceitar também os cristãos evangélicos e, de fato, muitos o afirmam cada vez mais claramente. Não quer dizer que a Mãe de Jesus – como a chamam os protestantes – tenha sido um instrumento passivo nas mãos de Deus.
Ao contrário, sua entrega humilde e obediente só foi possível graças a uma grande atividade interior que manifesta, por sua vez, liberdade e maturidade. Pois só uma pessoa que é «dona» de si mesma pode dar-se alegremente aos demais. Só quem se sente autenticamente livre não se fere por ser «escrava».
Maria não foi passiva, mas receptiva; esteve disposta a receber os dons divinos. Esta atitude constitui uma condição necessária para levar uma vida cristã: quem não deixa Deus entrar em sua vida, não pode receber a fé nem as demais graças, e tampouco pode desenvolver plenamente suas capacidades. A escrava do Senhor é também a rainha dos céus.
O teólogo protestante Helmut Thielicke conta em sua autobiografia que, em uma visita que fez a um convento católico na Áustria, as religiosas lhe causaram uma grande impressão. Descreve assim: «Meu espírito se elevou – diz –, enquanto passeava meu olhar pelos diferentes rostos lá congregados. Todas elas pareciam ter marcas únicas, eram uma espécie de trabalho artesanal – primoroso – de Deus… Não havia marca de um padrão de fisionomias de moda, imitação ou uniformidade… Impressionou-me especialmente a beleza desses rostos tão idosos, que haviam sido moldados pelo Espírito».
Após cura de sua mãe de um tumor inoperável por intercessão de São Pio de Pietrelcina
PESCENA, terça-feira, 27 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Enquanto na Itália se intensificava o debate sobre os estigmas do Padre Pio, em um povoado da Romênia se punha a primeira pedra da primeira igreja dedicada ao santo de Pietrelcina, em um dos países que até pouco tempo girava em torno da União Soviética.
O evento, segundo informou Renzo Allegri à Zenit, aconteceu no povoado de Pesceana, comarca de Valcea, na Romênia centro-meridional, graças ao Pe. Victor Tudor, sacerdote romeno que, até alguns anos atrás, era ortodoxo, mas que, após conhecer a existência do Padre Pio e ser testemunha de um grande milagre, realizado por Deus por intercessão do santo capuchinho, quis entrar na Igreja Católica e com ele todos os seus paroquianos.
Tudo começou em 2002. Lucrecia Tudor, mãe do Pe. Victor, que tinha então 71 anos, tinha um tumor no pulmão esquerdo. Os médicos romenos, após submetê-la a exames clínicos, disseram que lhe restavam poucos meses de vida.
Não se podia nem sequer tentar uma intervenção cirúrgica porque o tumor produziu metástase. O Pe. Victor pediu ajuda a seu irmão, Mariano Tudor, um jovem e reconhecido pintor romeno, especialista em iconografia, que vive e trabalha em Roma, esperando que conhecesse algum importante médico italiano, capaz de realizar o impossível.
Mariano contatou com um dos cirurgiões mais célebres do mundo, que havia operado inclusive Bill Gates. «Faça a sua mãe chegar a Roma e tentarei salvá-la», disse o professor.
Mariano levou a sua mãe a Roma e o professor examinou o expediente clínico dos colegas romenos e realizou exames mais detalhados na paciente.
Mas também ele, ante o quadro clínico, disse que uma operação era já inútil. Podia-se intervir só com fármacos para sedar as dores que seriam fortes, sobretudo na fase terminal.
Mariano ficou com sua mãe em Roma e a levava ao hospital para realizar controles. Estava trabalhando no mosaico de uma igreja e, como sua mãe não conhecia o italiano, ele a levava consigo. Enquanto ele trabalhava, sua mãe percorria a igreja, contemplando os quadros e as estátuas.
Em um lugar, havia uma grande estátua do Padre Pio. Lucrecia ficou impressionada e perguntou a seu filho quem era. Mariano lhe relatou brevemente a história. Nos dias seguintes, ele percebeu que sua mãe passava todo o tempo sentada diante da imagem, com a qual conversava como se fosse uma pessoa viva.
Passados cerca de quinze dias, Mariano levou sua mãe ao hospital para o controle e os médicos constataram com estupor que o tumor havia desaparecido. A mulher, ortodoxa, pediu ajuda ao Padre Pio e este a havia escutado.
«A cura prodigiosa de minha mãe, realizada pelo Padre Pio a favor de uma mulher ortodoxa, me impressionou muito – relata o Pe. Victor. Comecei a ler a vida do santo italiano. Contei a meus paroquianos o que havia acontecido. Todos conheciam a minha mãe e todos sabiam que havia ido à Itália para tentar uma intervenção cirúrgica, e que depois havia voltado para casa curada sem que nenhum médico a tivesse operado. Em minha paróquia, começaram a conhecer e a amar o Padre Pio. Líamos tudo o que encontrávamos sobre ele. Sua santidade nos conquistava. Enquanto isso, também outros enfermos de minha paróquia receberam graças extraordinárias do Padre Pio. Entre minha gente se difundiu um grande entusiasmo e, pouco a pouco, decidimos tornar-nos católicos, para estar mais próximos dele.»
A passagem da Igreja Ortodoxa à Católica requereu um longo procedimento jurídico. E dificuldades de todo tipo, explica em seu artigo Renzo Allegri. Mas o Pe. Victor e seus paroquianos não se detiveram ante as dificuldades.
«Com a ajuda do Padre Pio – diz Allegri – seus projetos se tornaram realidade. E imediatamente começaram a recolher os fundos necessários para a construção de uma igreja para dedicá-la ao Padre Pio».
«Os fundos são o resultado das economias desta pobre gente, e da ajuda de alguns católicos alemães que souberam de nossa história», diz o Pe. Victor.
«E são meus paroquianos os que estão levando adiante as obras, trabalhando gratuitamente. Em maio, iniciamos as obras de fundação. Há alguns dias, celebramos solenemente a colocação da primeira pedra. E foi uma grande festa, porque quem veio para celebrar a cerimônia foi sua beatitude Lucian Muresan, arcebispo metropolitano de Fagaras e Alba Julia dos Romenos, ou seja, a máxima autoridade da Igreja greco-católica na Romênia. Ao acabar a cerimônia, o metropolita quis conhecer a minha mãe, curada por um milagre do Padre Pio, e tirou uma foto com ela.»
Publica o livro em espanhol «Hipótese sobre Maria»
ROMA, sexta-feira, 22 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Acaba de ser publicado em espanhol o livro «Hipótese sobre Maria», LibrosLibres, no qual o escritor Vittorio Messori faz um rigoroso estudo da que considera a mulher mais influente da história.
Messori é um dos autores católicos que mais livros vendeu em vida. Seu livro mais conhecido foi «Hipótese sobre Jesus» (1976), escrito após ter experimentado um caminho de conversão.
Messori entrevistou dois Papas. Primeiro o que era prefeito da Congregação vaticana para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, no livro «Informe sobre a fé» (1984).
Em «Hipótese sobre Maria», Messori aclara quem é para os cristãos a Mãe de Deus, que credibilidade merecem suas aparições em Lourdes, Fátima, etc., e que significado tem Maria para o cristianismo.
«Quando em 1976 publiquei meu primeiro livro, “Hipótese sobre Jesus”, muitos leitores me pediram que me pusesse ao trabalho com as “Hipóteses sobre Maria”», confessa Messori em declarações a Zenit.
«O assunto, então, me parecia estranho, inaceitável. O fato é que a Jesus se encontra nas ruas, a Mãe está em casa, na discrição: se a conhece e se a ama quando se alcança bastante intimidade com o Filho para entrar onde Ele habita», afirmou.
«Maria, para a sabedoria do mundo, não é nada — segue declarando–. Para a perspectiva da fé é um abismo de mistério: é pessoa humana como nós e por sua vez é instrumento indispensável para o maior acontecimento: a encarnação do próprio Deus».
O autor busca com estas 470 páginas «mostrar que é possível ser devotos marianos convencidos sem cair em uma certa retórica, em um certo “devocionismo”».
A devoção à Virgem não é algo «de crentes sentimentais ou ignorantes, mas uma exigência irrenunciável para todo crente».
«Tudo o que a Igreja disse e diz sobre a Mãe está, na realidade, ao serviço de Cristo, em defesa de sua humanidade e, por sua vez, divindade», considera o jornalista.
«A “mariologia” é, na realidade, “cristologia”; seus dogmas não são senão confirmação e baluarte dos de seu Filho. Ali onde Maria foi esquecida, antes ou depois se desvaneceu também Cristo», insiste.
«Nestas “Hipóteses sobre Maria” me ocupo muito de aparições, ainda limitando-me às reconhecidas pela Igreja. Nas aparições a Virgem continua sua vocação de mãe que corre junto aos filhos nos momentos difíceis», reconhece.
«As aparições são um chamado, uma sacudida, uma confirmação. Vou quando posso como peregrino, além de como estudioso, aos santuários marianos europeus: ali encontro as multidões que já não vão a suas paróquias, mas que são atraídas por aqueles lugares onde a presença materna se manifestou».
«No Ocidente o aumento das peregrinações foi o único índice de sinal positivo em uma Igreja onde tudo diminuía, desde a participação nos sacramentos até as vocações», indica.
«A devoção mariana é atualmente talvez o maior recurso pastoral: e não sei o que pensar de certos “clérigos intelectuais” que rejeitam ou até desprezam esta extraordinária possibilidade».
Informações sobre o livro: www.libroslibres.info
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MADRI, 16 Mar. 07 (ACI) .- Uma artista italiana, ex-atéia, narrou ao semanário Alba à dramática história de sua vida: Sobreviveu às tentativas de aborto de sua mãe, aos 20 anos de idade abortou seu próprio filho, superou a mais profunda depressão e hoje ajuda a outras mulheres vítimas do aborto com a convicção de que só a fé ajuda a sanar as feridas desta praga.
Edi Liccioli vive em Murcia mas nasceu e cresceu em Florência, Itália, no seio de uma família atéia. Ainda muito jovem, sua mãe –que padecia de severas depressões- contou-lhe que tentou abortá-la várias vezes com os métodos da época, banhos quentes, paus de ferro, etc.
“Algumas mulheres descobrem a maternidade quando nasce a criança e se tornam leoas protetoras; a minha mãe não passou”, recorda Edi e sustenta que “de algum jeito fui mal educada percebendo a maternidade como uma ameaça, um mal, uma condenação”.
Em sua adolescência esteve a ponto de ligar as trombas. “Fui a uma clínica para ligar as trombas, mas felizmente me questionaram e me disseram que pensasse melhor nisso”, relatou Alba.
Em 1983, aos 20 anos de idade, acabou grávida de seu noivo de 21 anos e decidiram abortar seu bebê. “Era uma catástrofe; acabavam-se os estudos, as possibilidades de trabalho, tudo; nem nos expomos ter a nosso filho“, sustenta Edi e assegura que contou com o apoio de sua mãe.
“Fui ao hospital de Florência; ali ninguém me disse nada, ninguém me perguntou nada que não fora a mera praxe para abortar; ninguém me explicou as conseqüências do aborto. (…) Pensei que tinha tirado um problema de cima de mim”, adiciona.
Entretanto, alguns meses depois começou a dor. “Fechei-me em meu quarto, chorava muito, lia e pensei seriamente em suicidar-me; tinha uma depressão profunda”, relata Edi e narra que sofria de pesadelos pelas noites e incapacidade para ver bebês, sobreviveu, diz, por amor a sua profissão, a arte.
Mudou-se para Murcia com seu atual marido e ficou grávida de novo. “Então é quando tomei consciência de tudo, dava-me conta de onde estava meu problema“, recorda.
“Havia perdoado meu pai, minha mãe, meu marido e até meu filho, mas eu não tinha me perdoado; consegui me perdoar graças à fé”, sustenta e assegura que por isso se revolve quando escuta que o sentimento de culpa é próprio de fiéis. “Algumas tratam de evitá-lo, como mecanismo de defesa. Mas eu não era fiel e tive sentimento de culpa; e o mesmo acontece com todas minhas amigas que abortaram e não são fiéis”, sustenta.
Agora, Edi proclama que o aborto não é uma opção digna para as mulheres. “Há que informar corretamente; eu quero dar utilidade ao sofrimento tão enorme que tive; como em outros problemas graves que podem afetar uma pessoa: nada melhor que um que já passou por isso para entendê-lo e acompanhar; eu quero fazer o mesmo”.
Edi colabora há um ano e meio com a Associação de Vítimas do Aborto (AVA) ajudando a outras mulheres que se encontrem em uma situação de risco.