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Quem foram os doze Apóstolos?

jun 16, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Outros

02 de abril de 2006
Vicente Balaguer

Um dos dados mais seguros da vida de Jesus é que constituiu um grupo de doze discípulos aos quais denominou os “Doze Apóstolos”. Esse grupo era formado por homens que Jesus chamou pessoalmente, que lhe acompanhavam em sua missão de instaurar o Reino de Deus e seriam testemunhas de suas palavras, de suas obras e de sua ressurreição.

O grupo dos Doze aparece nos escritos do Novo Testamento como um grupo estável ou fixo. Seus nomes são “Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, ou seja, filhos do Trovão; André e Felipe, Batolomeu e Mateus, Tomé e Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu e Simão Cananeu; e Judas Iscariotes, o que O entregou” (Mc 3, 16-19).

Nas listas que aparecem em outros Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos, há poucas variações. Chama-se Tadeu de Judas, mas não é significativo, pois é notório que várias pessoas se chamavam da mesma maneira – Simão, Tiago – e se distinguiam pelo patronímico ou por um segundo nome. Trata-se, pois, de Judas Tadeu. O significativo é que no livro dos Atos não se fale do trabalho evangelizador de muitos deles: sinal que se dispersaram rapidamente e de que, apesar disso, a tradição dos nomes dos Apóstolos está bem assentada (At 1,26).

São Marcos (3,13-15) diz que Jesus “subindo ao monte chamou aos que quis e foram para onde Ele estava. E constituiu a doze, para que estivessem com ele e para enviá-los a pregar com poder de expulsar demônios”. Assinala dessa maneira a iniciativa de Jesus e a função do grupo dos Doze: estar com Ele e ser enviados a pregar com a mesma potestade de Jesus.

Os Evangelistas – São Mateus (10,1) e São Lucas (6,12-13) – expressam-se no mesmo tom. Ao longo do evangelho, percebe-se como acompanham Jesus, participam de sua missão e recebem um ensino particular. Os evangelistas não escondem que muitas vezes não entendem as palavras do Senhor e que O abandonaram no momento da provação. Mas assinalam também a confiança renovada que Jesus lhes outorga.

É muito significativo que o número dos eleitos seja doze. Esse número remete às doze tribos de Israel (cf. Mt 19,28; Lc 22, 30; etc) e não a outros números comuns naquele tempo – os membros do Sinédrio eram 71, os membros do Conselho de Qumrán, 15 ou 16, e os membros adultos necessários para o culto na sinagoga, 10. Dessa maneira, Jesus parece deixar claro que não quer restaurar o reino de Israel (At 1,6) sobre a base do território, do culto e do povo, mas instaurar o Reino de Deus sobre a terra. Isso se torna evidente também pelo fato de que, antes da vinda do Espírito Santo no Pentecostes, Matias ocupe o lugar de Judas Iscariotes e complete o número dos Doze.

BIBLIOGRAFIA

GNILKA, J. Jesús de Nazaret, Herder, Barcelona 1993.
PUIG, A. Jesús. Una biografía, Destino, Barcelona 2005.
SEGALLA, G. Panoramas del Nuevo Testamento, Verbo Divino, Estella 2004.

Fonte: www.opusdei.org.br


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Messori explica o que se sabe e o que não se sabe de Judas

abr 17, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Mundo

ROMA, 2006-04-17 (ACI).- “A Heresia do Iscariotes benemérito” é o título de um artigo em que o polemista católico italiano Vittorio Messori, demonstra o absurdo que subjaz sobre a idéia de um Judas “bondoso” que difunde o polêmico documentário “O evangelho de Judas”, transmitido no Domingo de Ramos pela National Geographic. Messori, autor do “Informe sobre a Fé” e do livro-entrevista com o Papa João Paulo II “Cruzando o Limiar da Esperança”, escreve no diário Corriere della Sera que “há dezoito anos a Igreja condenou uma heresia gnóstica entre muitas, aquela dos ‘cainitas’ que valorizando em chave anti-judaica as figuras negativas da Escritura, propunha a hipótese de um Iscariotes benéfico, traidor a pedido do próprio Jesus”.

Messori se surpreende que um texto que já era conhecido há mil e 800 anos e condenado pelos Padres da Igreja tenha merecido o “clamor mediático suspeito de interesses comerciais” que na realidade “não revela nada de novo, salvo alguns dos textos precisos sobre os quais caiu a condenação católica”.

Não sem ironia, o polemista italiano afirma que “se ninguém fala das infinitas ridicularidades heterodoxas de textos apócrifos do Novo Testamento, talvez é não só porque os jornalistas sabem pouco, mas porque nenhuma empresa pensou em aproveitá-los para vender revistas, livros e DVDs”.

“E também porque ainda não se decidiu (pelo menos por enquanto, embora esteja se aproximando o momento) inserir-se no grotesco filão pseudo-bíblico do qual Dan Brown é apenas o provedor mais afortunado”, acrescenta.

Messori sim reconhece que entre os exegetas católicos existem legítimas discrepâncias sobre o que moveu Judar a trair Jesus.

No Tríduo Pascal, opina o autor, Bento XVI se adere à tese que afirma que Judas traiu porque “valorizava Jesus segundo categorias do poder e do êxito: para ele o amor não conta, só o poder e o sucesso são realidade”.

Esta interpretação severa da traição de Judas, diz Messori, se fundamenta em que Judas, como os judeu de seu tempo esperava um Messias vencedor; “mas a desilusão começou a crescer, frente ao repúdio de Jesus de assumir um papel político”.

Judas, então, teria traido não pelas trinta moedas – que eram o preço de um escravo de pouco valor – mas por que “a maneira, pensada, de por Jesus contra a parede, de pressionar àquele Messias temeroso e tardo em mostrar seu poder: para não ser capturado teria finalmente mostrado qual é o poder de Deus que o tinha enviado”.

O fracasso do projeto de Judas, diz Messori, explica seu desespero e “a crise que o levou ao suicidio”.

Mesmo que o o Papa se adira a esta postura, continua sendo uma hipótese e por isso a Igreja não definiu as motivações do traidor. Mas, do que não cabe dúvida, é que se tratou de um ato consciente, maligno e livre.

“Só Deus sabe o que é que aconteceu no coração daquele desventurado, e quais foram as motivações profundas da decisão fatal”.

Entretanto, Messori conclui indicando que, inclusive a respeito de Judas, a Igreja mantém sua postura: de ninguém se pode afirmar que foi condenado com absoluta certeza, nem mesmo se Jesus disse que “melhor seria não ter nascido”.


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