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Santo Atanásio de Alexandria

jun 8, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: História da Igreja, Santos da Igreja

Por Papa Bento XVI
Tradução: Zenit
Fonte: Vaticano/Zenit

Queridos irmãos e irmãs:

Continuando nossa passagem pelos grandes mestres da Igreja antiga, queremos dirigir hoje nossa atenção a Santo Atanásio de Alexandria. Este autêntico protagonista da tradição cristã, já poucos anos antes de sua morte, era aclamado como «a coluna da Igreja» pelo grande teólogo e bispo de Constantinopla Gregório Nazianzeno («Discurso» 21, 26), e sempre foi considerado como um modelo de ortodoxia, tanto no Oriente como no Ocidente.

Não é casualidade, portanto, que Gian Lorenzo Bernini tenha colocado sua estátua entre as dos quatro santos doutores da Igreja oriental e ocidental –Ambrósio, João Crisóstomo e Agostinho–, que na maravilhosa abside da Basílica vaticana rodeiam a Cátedra de São Pedro.

Atanásio foi, sem dúvida, um dos Padres da Igreja antiga mais importantes e venerados. Mas, sobretudo, este grande santo é o apaixonado teólogo da encarnação do «Logos», o Verbo de Deus que, como diz o prólogo do quarto Evangelho, «se fez carne e pôs sua morada entre nós» (João 1, 14).

Precisamente por este motivo, Atanásio foi também o mais importante e tenaz adversário da heresia ariana, que então era uma ameaça para a fé em Cristo, reduzido a uma criatura «intermédia» entre Deus e o homem, segundo uma tendência que se repete na história e que também hoje constatamos de diferentes maneiras.

Nascido provavelmente em Alexandria, no Egito, por volta do ano 300, Atanásio recebeu uma boa educação antes de converter-se em diácono e secretário do bispo da metrópole egípcia, Alexandro.

Próximo colaborador de seu bispo, o jovem eclesiástico participou com ele do Concílio de Nicéia, o primeiro de caráter ecumênico, convocado pelo imperador Constantino em maio do ano 325 para assegurar a unidade da Igreja. Os Padres de Nicéia puderam deste modo discutir várias questões, principalmente o problema originado alguns anos antes pela pregação do presbítero de Alexandria, Ário.

Este, com sua teoria, ameaçava a autêntica fé em Cristo, declarando que o «Logos» não era verdadeiro Deus, mas um Deus criado, um ser «intermédio» entre Deus e o homem e deste modo o verdadeiro Deus sempre permanecia inacessível para nós. Os bispos, reunidos em Nicéia, responderam redigindo o «Símbolo da fé», que completado mais tarde pelo primeiro Concílio de Constantinopla, permaneceu na tradição das diferentes confissões cristãs e na liturgia como o «Credo niceno-constantinopolitano».

Neste texto fundamental, que expressa a fé da Igreja sem divisão, e que ainda recitamos hoje, todo domingo, na celebração eucarística, aparece o termo grego «homooúsios», em latim «consubstantialis»: indica que o Filho, o «Logos», é «da mesma natureza» do Pai, é Deus de Deus, é sua natureza, e deste modo se sublinha a plena divindade do Filho, que era negada pelos arianos.

Ao morrer o bispo Alexandro, Atanásio se converteu no ano 328 em seu sucessor como bispo de Alexandria, e imediatamente rejeitou com decisão todo compromisso com as teorias arianas condenadas pelo Concílio de Nicéia. Sua intransigência, tenaz e às vezes muito dura, ainda que necessária, contra quem se havia oposto a sua eleição episcopal e sobretudo contra os adversários do Símbolo de Nicéia, lhe provocou a implacável hostilidade dos arianos e dos filo-arianos.

Apesar do resultado inequívoco do Concílio, que havia afirmado com clareza que o Filho é da mesma natureza do Pai, pouco depois estas idéias equivocadas voltaram a prevalecer — inclusive Ário foi reabilitado — e foram apoiadas por motivos políticos pelo próprio imperador Constantino e depois por seu filho Constancio II. Este, que não se preocupava tanto com a verdade teológica, mas com a unidade do Império e de seus problemas políticos, queria politizar a fé, fazendo-a mais acessível, segundo seu ponto de vista, a todos os súditos do Império.

A crise ariana, que parecia ter sido solucionada em Nicéia, continuou durante décadas com vicissitudes difíceis, e divisões dolorosas na Igreja. E em cinco ocasiões, durante 30 anos, entre 336 e 366, Atanásio se viu obrigado a abandonar sua cidade, passando 17 anos em exílio e sofrendo pela fé.

Mas durante suas ausências forçadas de Alexandria, o bispo teve a possibilidade de sustentar e difundir no Ocidente, primeiro em Tréveris e depois em Roma, a fé de Nicéia assim como os ideais do monaquismo, abraçados no Egito pelo grande eremita, Antonio, com uma opção de vida pela qual Atanásio sempre se sentiu próximo.

Santo Antonio, com sua força espiritual, era a pessoa mais importante que apoiava a fé de Atanásio. Ao voltar a tomar posse definitivamente de sua sede, o bispo de Alexandria pôde dedicar-se à pacificação religiosa e à reorganização das comunidades cristãs. Morreu em 2 de maio do ano 373, dia no qual celebramos sua memória litúrgica.

A obra doutrinal mais famosa do santo bispo de Alexandria é o tratado sobre «A encarnação do Verbo», o «Logos» divino que se fez carne, como nós, por nossa salvação. Nesta obra, Atanásio afirma com uma frase que se fez justamente célebre, que o Verbo de Deus «se fez homem para que nós nos tornássemos Deus; fez-se visível corporalmente para que tivéssemos uma idéia do Pai invisível e suportou a violência dos homens para que herdássemos a incorruptibilidade» (54, 3). Com sua ressurreição, o Senhor fez desaparecer a morte como se fosse «palha entre o fogo» (8, 4). A idéia fundamental de toda a luta teológica de Santo Atanásio era precisamente a de que Deus é acessível. Não é um Deus secundário, é o verdadeiro Deus, e através de nossa comunhão com Cristo, podemos unir-nos realmente a Deus. Ele se fez realmente «Deus conosco».

Entre as demais obras deste grande Padre da Igreja, que em boa parte estão ligadas às vicissitudes da crise ariana, recordamos também as quatro cartas que dirigiu ao amigo Serapião, bispo de Thmuis, sobre a divindade do Espírito Santo, nas quais é afirmada com clareza, e umas trinta cartas «festivas», dirigidas ao início de cada ano às Igrejas e aos mosteiros do Egito para indicar a data da festa de Páscoa, mas sobretudo para intensificar os vínculos entre os fiéis, reforçando a fé e preparando-os para esta grande solenidade.

Por último, Atanásio é também autor de textos meditativos sobre os Salmos, muito difundidos, e sobretudo de uma obra que constitui o «best seller» da antiga literatura cristã, a «Vida de Antonio», ou seja, a biografia de Antonio abade, escrita pouco depois da morte desse santo, precisamente enquanto o bispo de Alexandria, no exílio, vivia com os monges do deserto egípcio. Atanásio foi amigo do grande eremita até o ponto de receber uma das duas peles de ovelha deixadas por Antonio como herança sua, junto ao manto que o próprio bispo de Alexandria lhe havia dado.

Após fazer-se logo sumamente popular e traduzida imediatamente duas vezes em latim e em várias línguas orientais, a biografia exemplar desta figura muito querida pela tradição cristã contribuiu decisivamente à difusão do monaquismo, no Oriente e no Ocidente. A leitura deste texto, em Tréveris, forma parte central de uma emocionante narração da conversão de dois funcionários imperiais que Agostinho apresenta nas «Confissões» (VIII, 6, 15) como premissa para sua própria conversão.

De fato, o próprio Atanásio demonstra que tinha clara consciência da influência que poderia exercer sobre o povo cristão a figura exemplar de Antonio. Escreve na conclusão desta obra: «O fato de que chegou a ser famoso em todas as partes, de que encontrou admiração universal e de que sua perda foi sentida ainda por gente que nunca o viu, sublinha sua virtude e o amor que Deus lhe tinha. Antonio ganhou renome não por seus escritos nem pela sabedoria de palavras nem por nenhuma outra coisa, mas só por seu serviço a Deus. E ninguém pode negar que isto é dom de Deus. Como explicar, com efeito, que este homem, que viveu escondido na montanha, fosse conhecido na Espanha e Gália, em Roma e na África, senão por obra de Deus, que em todas partes faz conhecidos os seus, que, mais ainda, havia dito isto nos começos? Pois ainda que façam suas obras em segredo e desejem permanecer na obscuridade, o Senhor os mostra publicamente como lâmpadas todos os homens, e assim, os que ouvem falar deles, podem dar-se conta de que os mandamentos levam à perfeição, e então cobram valor pelo caminho que conduz à virtude» («Vida de Antonio» 93, 5-6).

Sim, irmãos e irmãs! Temos muitos motivos para dar graças a Santo Atanásio. Sua vida, como a de Antonio e a de outros inumeráveis santos, nos mostra que «quem vai para Deus, não se afasta dos homens, mas se faz realmente próximo a eles» («Deus caritas est», 42).


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Aborto: a quem interessa?

jul 21, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Outros

Maria José Miranda Pereira, promotora de Justiça do Tribunal do Júri de Brasília (DF), membro da Associação Nacional Mulheres pela Vida

BRASÍLIA, sexta-feira, 21 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir artigo de Maria José Miranda Pereira, promotora de Justiça do Tribunal do Júri de Brasília (DF), membro da Associação Nacional Mulheres pela Vida, intitulado «Aborto: a quem interessa?». O texto foi publicado originalmente site Jus Navigandi, nº 1090, 26 de junho de 2006 (Cf. http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8562).

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Aborto, a quem interessa?

“Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos: nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto” (Relatório Kissinger, p. 182).

Uma pesquisa da Sensus realizada em abril de 2005 a pedido da Confederação Nacional de Transportes (CNT) revelou que 85% dos brasileiros são contrários à prática do aborto. Mesmo em caso de violência sexual, 49,5% são contrários, enquanto 43,5% são favoráveis e 7% não responderam [1].

A Folha de S. Paulo recentemente mostrou sua admiração pela “queda abissal” (sic) da aprovação pública ao aborto:

“Um dos aspectos que mais atraíram a atenção das pessoas ouvidas pela Folha a respeito dos resultados das chamadas ´questões morais´ da pesquisa Datafolha foi a queda abissal no índice de moradores de São Paulo que apóiam a legalização do aborto. Saiu de 43% em 1994, quando a maioria da população se declarava a favor da descriminalização, para 21% em 1997, já em segundo nas opções, para apenas 11% na pesquisa atual…” [2].

Paradoxalmente, estamos vendo parte do governo e de ONGs feministas numa busca frenética da liberação total do aborto. Por iniciativa do governo federal, foi instalada uma Comissão Tripartite para rever a legislação punitiva de tal crime. A Comissão foi composta por três partes: a primeira, abortistas do Poder Executivo; a segunda, abortistas do Poder Legislativo; a terceira, abortistas das ONGs financiadas com muitos dólares “representando” (?) a sociedade civil. Lamentavelmente, a Associação Nacional Mulheres pela Vida não foi convidada. O anteprojeto (ou “proposta normativa”) resultante do trabalho de tal Comissão dificilmente poderia ter saído pior.

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Compromisso dos Cônjuges

mai 15, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Outros

Mateus (2,13-15.19-23)
Depois dos Magos se retirarem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: “Levanta-te, toma contigo a criança e sua mãe e foge para o Egito; e permanece ali até que eu te diga. Porque Herodes vai buscar a criança para matá-la”. José se levantou, tomou de noite a criança e sua mãe, e se retirou ao Egito; e esteve ali até a morte de Herodes; para que se cumprisse o oráculo do Senhor, por meio do profeta: “Do Egito chamei meu filho”.

No domingo depois do Natal celebra-se a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Na segunda leitura, São Paulo disse: “Mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sede ásperos com elas. Filhos, obedecei vossos pais, porque isto é do agrado de Deus no Senhor. Pais, não exasperai vossos filhos, não seja que se desalentem”. Neste texto, apresentam-se as duas relações fundamentais que constituem a família: a relação mulher-marido, e pais-filhos.

Das duas relações, a mais importante é a primeira, a relação de casal, porque dela depende em grande parte também a segunda, aquela com os filhos.

Lendo com olhos modernos as palavras de São Paulo, salta imediatamente uma dificuldade. São Paulo recomenda ao marido “amar” a própria mulher (e isto está bem), mas logo recomenda à mulher que seja «submissa» ao marido, e isto, em uma sociedade fortemente (e justamente) consciente da igualdade dos sexos, parece inaceitável. Sobre este ponto, São Paulo está, ao menos em parte, condicionado pela mentalidade de seu tempo. No entanto, a solução não está em eliminar das relações entre marido e mulher a palavra “submissão”, está em todo caso em fazê-la recíproca, como recíproco deve ser também o amor.

Em outras palavras, não só o marido deve amar a mulher, mas também a mulher o marido; não só a mulher deve estar submetida ao marido, mas o marido à mulher. A submissão não é então senão um aspecto e uma exigência do amor. Para quem ama, submeter-se ao objeto do próprio amor não humilha, ao contrário, faz feliz.

Submeter-se significa, neste caso, ter em conta a vontade do cônjuge, seu parecer e sua sensibilidade…

Dialogar, não decidir por si só; saber às vezes renunciar o próprio ponto de vista. Enfim, lembrar-se de que se converteram em “cônjuges”, isto é, literalmente, pessoas que estão debaixo do mesmo jugo. A Bíblia situa uma relação estreita entre o estar criados à “imagem de Deus” e o fato de ser “homem e mulher” (Cf. Gn 1,27). A semelhança consiste nisso. Deus é único e sozinho, mas não solitário. O amor exige comunhão, intercâmbio pessoal; requer que haja um «eu» e um “tu”. Por isso o Deus cristão é uno e trino. Nele coexistem unidade e distinção: unidade de natureza, de vontade, de intenção, e distinção de características e de pessoas.

Precisamente nisso o casal humano é imagem de Deus, reflexo da Trindade. Marido e mulher são de fato uma só carne, um só coração, uma só alma, ainda na diversidade de sexo e de personalidade. Os esposos estão de frente, o um ao outro, como um “eu” e um “tu”, e estão frente a todo o resto do mundo, começando pelos próprios filhos, como um “nós”, como se se tratasse de uma só pessoa, mas já não singular, senão plural. “Nós”, isto é, “tua mãe e eu”, “teu pai e eu”. Assim falou Maria a Jesus depois de encontrá-lo no templo.

Bem sabemos que este é o ideal e que, como em todas as coisas, a realidade é freqüentemente diferente, mais humilde e mais complexa, às vezes até trágica. Mas estamos tão bombardeados de casos de fracasso que talvez, por uma vez, não está mal voltar a propor o ideal do casal, primeiro no plano natural e humano, e depois no cristão.

Os jovens têm direito a ver que se lhes transmite, pelos mais velhos, ideais e não só ceticismo. Nada tem a força da atração que o ideal possui.


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