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Ortodoxos e católicos refletirão juntos sobre figura do «pai espiritual»

set 18, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Mundo

O Mosteiro de Bose acolhe um congresso mundial sobre espiritualidade ortodoxa

Por Inma Álvarez

MAGNANO, quinta-feira, 18 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- O Mosteiro de Bose (Itália) acolhe, de hoje até o próximo domingo, um congresso ecumênico internacional de espiritualidade ortodoxa. Dele participarão especialistas do mundo acadêmico, cultural e religioso procedentes de mais de 20 países.

O congresso, com o título «Paternidade espiritual na tradição ortodoxa», é patrocinado pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e pelo Patriarcado de Moscou, que enviaram mensagens de reconhecimento aos trabalhos do encontro.

O objetivo é, segundo os organizadores, «oferecer uma oportunidade de intercâmbio fraterno e de reflexão compartilhada sobre temas essenciais da vida espiritual, onde as tradições do Oriente e do Ocidente cristão encontram os profundos interrogantes do homem moderno».

O prior e fundador da comunidade monástica de Bose, Enzo Bianchi, explicava ontem à Rádio Vaticano que o tema do encontro – a paternidade espiritual – está ressurgindo com força, tanto na Igreja Católica como na Ortodoxa.

Trata-se, explicou, de «um ministério muito necessário na vida eclesial, do qual hoje inclusive se percebe um renascimento, após a reação das gerações precedentes de ‘rebelião’ contra ‘o pai’. Hoje os jovens sentem a necessidade de alguém mais especializado que os acompanhe no seguimento do Senhor».

Bianchi disse compartilhar a afirmação de Bento XVI na França de que os tempos atuais «são favoráveis para uma volta a Deus».

«Neste momento se começa a sentir uma verdadeira sede de algo que vai além do visível e do efêmero. As novas gerações foram feridas por esta revolução contra o ‘pai’, porque, de alguma forma, deixou-as órfãs.»

Segundo Bianchi, os jovens de hoje «sentem a necessidade de voltar para Deus, de sentir a paternidade espiritual. Não esqueçamos que o termo com que Jesus chamava Deus era precisamente “Abbá’, ‘papai querido’. E esta confiança, creio eu, os jovens a sentem como uma saudade».

A Comunidade de Bose nasceu em 1965, fundada por seu atual prior, Enzo Bianchi, como uma comunidade cenobítica de homens e mulheres de várias confissões cristãs, segundo os ensinamentos dos santos Pacômio, Eleutério e Basílio.

Os irmãos vivem em castidade e oração, dedicando-se trabalho manual e à oração. Especialmente se dedicam aos trabalhos do campo, à produção de ícones e ao estudo da Sagrada Escritura.

O prior, Enzo Bianchi, foi nomeado pelo Papa como especialista para a próxima Assembléia Geral do Sínodo, que acontecerá em outubro.

Mais informação: www.monasterodibose.it


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Discurso do Papa ao patriarca ecumênico de Constantinopla após chegar a Istambul

nov 30, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Mundo

ISTAMBUL, quarta-feira, 29 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI dirigiu na tarde desta quarta-feira ao patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, na oração que elevaram na igreja patriarcal de São Jorge, em Fanar (Istambul).

* * *

«Como é bom para irmãos unidos viverem juntos!» (Salmo 133, 1).

Santidade:

Sinto-me profundamente agradecido pela acolhida fraterna que o senhor me ofereceu pessoalmente, assim como o Santo Sínodo do patriarcado ecumênico, e guardarei para sempre esta lembrança em meu coração com estima. Dou graças ao Senhor pelo dom deste encontro, repleto de boa vontade e de significado eclesial.

Para mim é motivo de grande alegria estar entre vós, irmãos em Cristo, nesta igreja catedral, enquanto rezamos juntos ao Senhor e recordamos os importantes acontecimentos que apoiaram nosso compromisso para trabalhar pela unidade plena entre católicos e ortodoxos.

Desejo, antes de tudo, recordar a valente decisão de remover a memória dos anátemas de 1054. A declaração comum do Papa Paulo VI e do Patriarca Atenágoras, escrita com o espírito de um amor redescoberto, foi lida solenemente em uma cerimônia que se celebrou simultaneamente na basílica de São Pedro em Roma e nesta catedral patriarcal. O «tomos» do patriarca se baseava na profissão de fé de João: «Ho Theós agapé estín» (1 João 4, 9), «Deus caritas est!». Com sintonia perfeita, o Papa Paulo VI começou a sua própria carta com a exortação de Paulo: «vivei no amor» (Efésios 5, 2). Sobre este fundamento de recíproco amor se desenvolveram as novas relações entre as Igrejas de Roma e Constantinopla.

Sinais deste amor se tornaram evidentes em numerosas declarações de compromisso compartilhado e muitos gestos cheios de significado. Tanto Paulo VI como João Paulo II foram recebidos calidamente como visitantes desta igreja de São Jorge e se associaram respectivamente aos Patriarcas Atenágoras I e Demétrio I para reforçar o impulso para a recíproca compreensão e a busca da unidade plena. Que seus nomes sejam honrados e benditos!

Alegro-me também de poder estar nesta terra, tão intimamente ligada à fé cristã, na qual floresceram muitas igrejas nos tempos antigos. Penso na exortação de São Pedro às primitivas comunidades cristãs: «no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia» (1 Pedro 1, 1), e na rica messe de mártires, teólogos, pastores, monges e homens e mulheres santos que estas igrejas geraram através dos séculos.

Do mesmo modo, recordo os insignes santos e pastores que velaram pela Sede de Constantinopla, entre os que se encontram São Gregório de Nazianzo e São João Crisóstomo, venerados também pelo Ocidente como doutores da Igreja. Suas relíquias descansam na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e uma parte delas foi doada a Sua Santidade pelo falecido Papa João Paulo II, como sinal de comunhão, para que fossem veneradas nesta catedral. Verdadeiramente, são dignos intercessores nossos ante o Senhor.

Nesta parte do mundo oriental se celebraram sete concílios ecumênicos, que ortodoxos e católicos reconhecem como autorizados para a fé e a disciplina da Igreja. Constituem pedras angulares permanentes e guias no caminho para a unidade plena.

Concluo expressando mais uma vez minha alegria ao encontrar-me entre vós. Que este encontro reforce nosso afeto mútuo e renove nosso compromisso comum para perseverar no itinerário que leva à reconciliação e à paz das Igrejas.

Saúdo-vos com o amor de Cristo. Que o Senhor esteja sempre convosco.

[Tradução realizada por Zenit. © Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana]


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Cardeal Kasper: unidade entre Igrejas ortodoxas é vital para ecumenismo

set 28, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Santa Sé

Conclui a reunião da Comissão católico-ortodoxa para o Diálogo Teológico

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Para que católicos e ortodoxos possam avançar no caminho rumo a unidade plena, é necessária a unidade entre as Igrejas ortodoxas, reconhece o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

O purpurado alemão comentou nesta quarta-feira as conclusões da sessão plenária da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja ortodoxa em seu conjunto, celebrada em Belgrado (Sérvia) de 18 a 25 de setembro.

Tratava-se de um encontro sumamente esperado, pois relançou o diálogo oficial, que havia ficado estancado desde a sessão plenária celebrada em Baltimore (Estados Unidos), em julho de 2000.

Segundo explicou o cardeal Kasper aos microfones da «Rádio Vaticano», a reunião supôs um «passo adiante», pois «estavam presentes todas as Igrejas ortodoxas» e «as sessões de trabalho se desenvolveram em uma atmosfera amigável, positiva e construtiva».

Informa que se encontraram «muitos pontos de contato» sobre o tema discutido, «a Igreja como comunhão», ou seja, a relação entre os concílios e a autoridade no âmbito local, regional e universal.

Nesta ocasião, decidiu-se não enfrentar o tema dos «uniatas», termo com o qual os ortodoxos indicam as Igrejas de tradição ortodoxas que estão unidas ao Papa, pois bloqueou o diálogo católico-ortodoxo nos últimos dez anos.

«Evidentemente há dificuldades que são bem conhecidas — reconheceu o purpurado –, mas dado que discutimos em uma atmosfera serena e positiva, temos a esperança de poder avançar.»

O purpurado sublinha em particular a «hospitalidade inesperada, muito surpreendente» oferecida pela Igreja ortodoxa da Sérvia e em particular pelo patriarca Pavle de Belgrado.

Os católicos assistiram à liturgia católica. «Tudo se desenvolveu verdadeiramente em uma atmosfera ótima», confirma.

O problema se deveu aos contrastes existentes desde há anos entre o patriarcado de Moscou e o patriarcado ecumênico de Constantinopla.

Após o encontro, o bispo da Igreja ortodoxa russa em Viena e na Áustria, Hilarion, criticou em 25 de setembro, através da agência de imprensa Interfax, o cardeal Kasper pelas questões de procedimento adotadas no encontro.

Em particular, na metodologia adotada, surgiram diferenças sobre a aplicação do princípio tradicional, segundo o qual a sede do patriarcado ecumênico de Constantinopla goza de um primado de honra entre as Igrejas ortodoxas.

«A questão é interortodoxa e não constitui um argumento de discussão entre católicos e ortodoxos», declara o cardeal Kasper. «A parte católica declarou explicitamente que não desejava intervir nesta controvérsia interna.»

«A questão foi enfrentada exclusivamente desde o ponto de vista do procedimento e só para ver como era possível superá-la.»

«Esta posição foi expressamente explicada à delegação ortodoxa russa, o que torna dificilmente compreensível seu protesto público», confessa o cardeal.

Por este motivo, ante a reunião da Comissão católico-ortodoxa do próximo ano, o cardeal espera que, enquanto isso, «se chegue a uma solução das diferenças existentes no âmbito ortodoxo».

«Se a questão ficar aberta, provocará de fato uma permanente dificuldade para o diálogo internacional católico-ortodoxo», conclui.


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Os sinais da reaproximação ortodoxo-católica, segundo o cardeal Kasper

mai 28, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Santa Sé

Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de maio de 2006 (ZENIT.org).- Será necessário tempo, mas existem sinais de reaproximação ortodoxo-católica, reconhece o presidente do dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o cardeal Walter Kasper.

«A divisão entre Oriente e Ocidente não é filha de um só acontecimento – declara. É o resultado de um processo de afastamento que durou séculos».

Essa distância «não se salva com um salto, mas com muitos passos». «São os que começamos a dar. E tenho confiança – reconhece – em que o Senhor saberá conduzir-nos a bom fim».

Nesta entrevista, publicada na terça-feira no diário católico «Avvenire», o purpurado alemão faz um repasso dos últimos passos e dos próximos projetos desse itinerário ecumênico.

-Eminência, o que aconteceu nestes últimos tempos entre Roma e Moscou?

-Cardeal Kasper: Nossa impressão é que o ambiente melhorou muito. O Patriarcado [ortodoxo. Ndt] de Moscou está disposto a colaborar sobretudo no redescobrimento das raízes cristãs da Europa. É um tema que interessa muito, também a nós. Esperamos que se possa avançar passo a passo. Mas requererá tempo. Os problemas no diálogo ecumênico nunca foram só dogmáticos; também há diferenças de mentalidade. O próprio Patriarca Alexia não pode sempre avançar como queria. Mas estou convencido de que ele está disposto a dar passos importantes. Com está fazendo Bento XVI. Não há ainda projetos concretos, mas esperamos de verdade poder preparar o terreno para um encontro entre eles.

-Também em setembro, em Belgrado, reiniciará seus trabalhos, após seis anos de estancamento, a Comissão mista para o diálogo teológico com as Igrejas ortodoxas em seu conjunto.

-Cardeal Kasper: Será a primeira sessão plenária da nova comissão, com novos membros. O tema também é novo: refletiremos sobre o que quer dizer estar em plena comunhão. E dentro desse marco, queremos falar do primado do Papa e do problema do chamado uniatismo.

-O que mudou com relação ao verão de 2000, quando os trabalhos da Comissão se interromperam?

-Cardeal Kasper: Melhoramos primeiro nossas relações com as Igrejas individuais. Fizemos isso com a de Grécia, Sérvia, Bulgária, e também com Moscou. Agora há um novo clima de confiança. E penso que construir confiança é sempre o mais importante.

-Mas este clima de confiança em Moscou reflete-se também nas relações cotidianas entre católicos e ortodoxos?

-Cardeal Kasper: A impressão é que também nisso há melhoria. Certamente todas as dificuldades não desapareceram. São questões ligadas às relações entre maioria e minorias. E está também o problema histórico das relações entre russos e poloneses. É necessário muito tempo para superar certos preconceitos que, aliás, existem por ambas partes.

-O diálogo teológico se reinicia precisamente nos Balcãs, símbolo, nos anos 90, de graves divisões.

-Cardeal Kasper: É um fato muito significativo: também a Igreja sérvia esteve durante bastante tempo fechada, e, ao contrário, agora se abriu ao diálogo; são eles que se ofereceram como sede para os trabalhos. Em Belgrado, agora, o Santo Sínodo e a Conferência Episcopal católica se encontram regularmente para orar juntos, para informar-se.

-E em novembro, acontecerá a visita de Bento XVI ao Patriarca de Constantinopla.

-Cardeal Kasper: O Papa teria desejado fazer já no ano passado esta viagem, mas não foi possível. Agora visitará o Patriarca ecumênico, que tem um primado de honra entre os patriarcas ortodoxos. Esta viagem não dará resultados imediatos, mas terá um valor simbólico importante. E também será uma ocasião para apoiar o Patriarca, os católicos e todos os demais cristãos que em Istambul e na Turquia vivem sua fé em uma situação difícil.

-O encontro com Bartolomeu será em El Fanar, a sede do Patriarcado?

-Cardeal Kasper: Sim. O Papa irá antes a Ankara, onde visitará as autoridades. Depois se trasladará a Éfeso. Finalmente em Istambul terá um encontro com o Patriarca ecumênico.

-Em um mundo onde o Oriente voltou a ser uma área muito quente, o que pode expressar esta reaproximação entre católicos e ortodoxos?

-Cardeal Kasper: Com nossas relações devemos ser um sinal de reconciliação. Penso sobretudo no Oriente Médio, onde as Igrejas cristãs são minoria. Fizemos muitos progressos nas últimas décadas; colaboramos, visitamo-nos, há muitos intercâmbios. Mas é verdade: o perigo do terrorismo e os confrontos que vemos nos demandam um encontro ainda mais pleno para ser autênticas testemunhas da paz.

[Traduzido por Zenit]


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