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Ciclo de catequese sobre os Padres Apostólicos: São João Crisóstomo
VATICANO, 19 Set. 07 / 12:00 am (ACI).- Ao apresentar durante a Audiência Geral celebrada esta manhã na Praça de São Pedro a figura e pensamento de São João Crisóstomo, o Papa Bento XVI destacou que ao referir-se ao noivado e ao matrimônio, este “Mestre da fé” assegurava que “os casais bem preparados fecham o caminho ao divórcio“.
Depois de sua chegada em helicóptero ao Vaticano desde sua residência estival de Castel Gandolfo, a 20 quilômetros de Roma, o Santo Padre presidiu em recinto vaticano ante milhares de paroquianos o costumeiro encontro das quartas-feiras onde prosseguiu com o ciclo de catequese sobre os Padres Apostólicos.
O Pontífice recordou que este ano se cumpre o décimo sexto centenário da morte de São João Crisóstomo, nascido em 349 na Antioquia da Síria, ao sul da atual Turquia. “Chamado Crisóstomo, que quer dizer, ‘Boca de ouro’ por sua eloqüência, pode-se dizer que vive ainda hoje através de suas obras“.
Este santo presbítero, célebre pregador nas Igrejas de sua cidade, assinalou o Papa, é “um dos Padres mais prolíficos” por seus numerosos tratados, homilias –mais de 700–, comentários e cartas.
“Não foi um teólogo especulativo. Transmitiu a doutrina tradicional e segura da Igreja em uma época de controvérsias teológicas suscitadas sobre tudo pelo arianismo, quer dizer, a negação da divindade de Cristo”, explicou o Pontífice.
Depois de destacar que “sua teologia era excelentemente pastoral“, pois nela era constante “a preocupação pela coerência entre o pensamento expresso pela palavra e o que se vive”, o Santo Padre afirmou este santo se preocupou deste modo em “acompanhar com seus escritos o desenvolvimento integral da pessoa, nas dimensões física, intelectual e religiosa”.
Antídoto contra o divórcio
Mais adiante, o Papa destacou o pensamento de Crisóstomo em relação às etapas da vida do ser humano, ressaltando a vigência e atualidade de suas idéias.
São João destacava a importância da infância, “porque é quando se manifestam as inclinações ao vício e à virtude e, por isso, é nesta idade quando a lei de Deus tem que ser gravada do início na alma ‘como sobre uma tabela de cera’”. A esta etapa “segue o mar da adolescência, onde os ventos sopram violentos, porque é quando cresce a concupiscência”.
Em seus escritos, este Padre da Igreja aborda o período do noivado e o matrimônio e afirma que “os maridos bem preparados fecham o caminho ao divórcio. Tudo se desenvolve com alegria e se pode educar aos filhos na virtude. Depois, quando nasce a primeira criança se forma uma ponte; os três se convertem em uma só carne, porque o filho une as duas partes e os três constituem ‘uma família, uma pequena Igreja’”.
Ao final da catequese, Bento XVI recordou que São João Crisóstomo também se dirige em seus escritos aos fiéis laicos, que “com o Batismo assumem o ofício sacerdotal, real e profético. Esta lição de Crisóstomo sobre a presença autenticamente cristã dos fiéis laicos na família e na sociedade segue sendo ainda hoje mais atual que nunca”.
Concluída a audiência, o Santo Padre retornou a Castel Gandolfo.
Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo
ROMA, sexta-feira, 6 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XXVII do tempo comum.
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E os dois serão uma só carne
XVII Domingo do tempo comum (B)
Gênesis 2, 18-24; Hebreus 2, 9-11; Marcos 10, 2-16
O tema deste XXVII Domingo é o matrimônio. A primeira leitura começa com as bem conhecidas palavras: «Disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma ajuda adequada». Em nossos dias, o mal do matrimônio é a separação e o divórcio, enquanto que nos tempos de Jesus o era o repúdio. Em certo sentido, este era um mal pior, porque implicava também uma injustiça com relação à mulher, que ainda persiste, lamentavelmente, em certas culturas. O homem, de fato, tinha o direito de repudiar a própria esposa, mas a mulher não tinha o direito de repudiar seu próprio marido.
Duas opiniões se contrapunham, com relação ao repúdio, no judaísmo. Segundo uma delas, era lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo, ao arbítrio, portanto, do marido; segundo a outra, ao contrário, se necessitava de motivo grave, contemplado pela Lei. Um dia submeteram esta questão a Jesus, esperando que adotasse uma postura a favor de uma ou outra tese. Mas receberam uma resposta que não esperavam: «Tendo em conta a dureza de vosso coração [Moisés] escreveu para vós este preceito. Mas desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem seu pai e a sua mãe, e os dois serão uma só carne. De maneira que já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, o homem não separe».
O conceito teológico de um clero celibatário é baseado na crença da Igreja de que o modelo de celibato é o próprio Cristo.
Alguns têm argumentado que o celibato voluntário era desconhecido entre os homens judeus do tempo de Jesus. Embora pudesse ser pouco comum, não era de todo desconhecido. Não será provável que João Baptista tenha sido casado, e provas quase contemporâneas indicam que pelo menos alguns membros da comunidade Judaica dos Essénios eram celibatários.
Outra prova indirecta do estado celibatário de Jesus são as suas próprias palavras acerca dos que se mantém célibes. Depois de rejeitar o divórcio tal com era aceite na Lei de Moisés, os seus discípulos dizem-lhe que “será melhor não casar” (Mt.19:10). Jesus fala então daqueles incapazes de casar “porque nasceram assim do ventre de sua mãe” de outros “a quem os homens fizeram tais” e ainda daqueles que “renunciaram ao casamento por causa do reino dos céus. Quem puder compreender isto, compreenda”( Mt.19:12).
São Paulo, que escreve aos Coríntios, “Imitem-me, como eu imito Cristo”( 1 Cor.11:1); e também escreve, “Digo isto aos solteiros e às viúvas: é bom ficarem como estão, tal como eu, mas se não conseguirem controlar-se deverão casar-se, pois é melhor casarem-se do que abrasarem-se”( 1 Cor7:8-9).
Este chamamento ao celibato não diminui a importância do casamento. O Matrimónio, tal como a Ordem, é um sacramento, um dos sete sinais indeléveis através dos quais Cristo manifesta a sua presença permanente na Sua Igreja. No casamento, a relação espiritual e física entre marido e mulher torna-se um símbolo sagrado do amor de Cristo pela Igreja. (Efésios 5:25-33).
Fonte: Jesus Decoded