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Documento sobre doutrina da Igreja é convite ao diálogo, explica autoridade vaticana

jul 14, 2007 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

O Cardeal explica também que o texto não afirma nada novo

VATICANO, 12 Jul. 07 / 12:00 am (ACI).- A recente declaração da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) intitulada “Respostas a algumas pergunta a respeito de certos aspectos da doutrina da Igreja” “não diz nada novo mas sim expõe e explica, de maneira sintética, a posição sustentada até agora pela Igreja Católica” e constitui um “convite urgente a continuar o diálogo sereno“, indicou o Cardeal Walter Kasper, Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos.

O Cardeal alemão saiu assim ao passo das reações negativas de alguns membros de outras confissões cristãs ante o citado documento e afirmou que no texto “não há nenhuma situação nova e portanto tampouco existe uma razão objetiva para o ressentimento ou motivos para sentir-se tratado bruscamente. Todo diálogo pressupõe claridade nas diversas posições” e isso é o que tem feito a CDF.

“Foram os próprios irmãos protestantes” quem recentemente tem pedido um “ecumenismo com ‘perfis definidos’. Agora a presente declaração expõe e pronuncia o perfil católico, quer dizer que do ponto de vista católico infelizmente ainda nos divide. Isto não limita mas sim favorece o diálogo“, afirmou o Cardeal Kasper.

“Uma leitura atenta do texto esclarece que o Documento não diz que as igrejas protestantes não são igrejas, mas sim não são igrejas no sentido próprio, quer dizer que não são igrejas no sentido em que a Igreja Católica entende por Igreja. Isto, para qualquer pessoa com certa formação ecumênica é totalmente óbvio“, afirmou o Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos.

“Quando saiu a declaração Dominus Iesus, afirmei que as igrejas protestantes são igrejas de outro tipo. Isto não se contradiz com a formulação da Congregação para a Doutrina da Fé, como pretendiam mostrar algumas reaja evangélicas Ao contrário, procurei uma interpretação apropriada das que estou convencido até hoje. Sobre tudo porque os católicos ainda hoje falam de igrejas protestantes”, indicou.

Para o Cardeal Kasper, “a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé não faz outra coisa que evidenciar que usamos a palavra Igreja lhe atribuindo um significado que não é plenamente igual. A Declaração permite assim chegar a uma maior claridade e em conseqüência ao progresso do diálogo”.

“A Declaração não constitui um retrocesso sobre o progresso ecumênico já alcançado, mas sim é um esforço para resolver as tarefas ecumênicas que ainda estão por vir. Estas diferenças deveriam nos estimular e não nos deixar de mau humor porque as chamamos por seus nomes. Em última instância, a Declaração é um convite urgente a continuar com o diálogo sereno”, concluiu o Cardeal.


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Santa Sede rechaça “supostas” ofensas do Bento XVI ao Islã

set 17, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Santa Sé

VATICANO, 15 Set. 06 (ACI) .- O Diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, realizou ontem uma declaração a propósito da interpretação e reações de alguns representantes muçulmanos sobre o discurso do Papa Bento XVI na Universidade de Ratisbonne, assegurando que seu interesse era rejeitar clara e radicalmente a motivação religiosa da violência e não ofender a sensibilidade dos crentes islâmicos. Sobre o discurso do Santo Padre pronunciado o passado 12 de setembro durante sua recente viagem a Bavária, o porta-voz da Santa Sé, assinalou que “é oportuno notar que –como se desprende de uma atenta leitura do texto– o que interessa ao Santo Padre é um rechaço claro e radical da motivação religiosa da violência“.

“Certamente, não era intenção do Santo Padre levar a cabo um estudo profundo sobre a jihad e sobre o pensamento muçulmano nesse sentido, e tão menos ofender a sensibilidade dos crentes muçulmanos“, prosseguiu.

Mais adiante, o porta-voz vaticano explicou que, pelo contrário, “nos discursos do Santo Padre aparece com claridade a advertência, dirigida à cultura ocidental, de que se evite ‘o desprezo de Deus e o cinismo que considera a zombaria do sagrado um direito da liberdade’, a justa consideração da dimensão religiosa é efetivamente uma premissa essencial para um diálogo frutuoso com as grandes culturas e religiões do mundo”.

“Assim, nas conclusões do discurso na Universidade da Ratisbonnea, Bento XVI afirmou: ‘As culturas profundamente religiosas do mundo vêem na exclusão do divino da universalidade da razão um ataque a suas convicções mais arraigadas. Uma razão que frente ao divino é surda e relega a religião ao âmbito de uma cultura de segundo grau é incapaz de inserir-se no diálogo das culturas’”.

Como conclusão, o Pe. Lombardi destacou que “fica clara a vontade do Santo Padre de cultivar uma atitude de respeito e diálogo para as outras religiões e culturas, evidentemente também para o Islã“.

Em uma anterior oportunidade, o mesmo dia do discurso do Santo Padre, o porta-voz tinha declarado que Bento XVI “só quis pôr um exemplo” e que em nenhum momento quis dar a interpretação “de que o Islã é violento, embora dentro dele haja posições que o são”.

Alemanha, Turquia, França

Contra a violência, não contra a fé

Em seu discurso, Bento XVI ressaltou as contradições entre o Islã moderado e o fanático e advertiu que as “culturas profundamente religiosas” vêem na exclusão de Deus cada vez mais assentada no Ocidente como “um ataque” a suas convicções mais íntimas. Diante de essa situação, o Papa ressaltou a necessidade e urgência de um “verdadeiro” diálogo entre culturas e entre religiões para reencontrar o equilíbrio entre a fé e a razão.

Citando alguns escritores para refletir sobre fé e razão nas diferentes religiões e a difusão de fé, o Papa ressaltou algumas contradições do Islã. Ao recordar o diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1391) com um persa o Santo Padre ressaltou que o mandatário dizia a seu interlocutor que na Maomé só se viam “coisas más e desumanas, como sua ordem de difundir usando a espada a fé que ele pregava”, enquanto que o Corão proclama “nenhuma obrigação nas coisas da fé”.

Recordando as palavras do imperador, o Papa assinalou que a violência está em contraposição com a natureza de Deus e a natureza da alma.

“Deus não sente prazer com o sangue, atuar contra a razão é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma e não do corpo. Quem quer levar a algum à fé precisa falar bem e raciocinar corretamente e não usar a violência e à ameaça“, afirmou o Pontífice recordando as palavras do imperador.


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Prevista a adesão metodista à Declaração conjunta da Doutrina da Justificação

jul 18, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Mundo

SEUL, segunda-feira, 17 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Está previsto que a Conferência Mundial Metodista — que se celebra em Seul (Coréia) de 20 a 24 de julho — adira à Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação, firmada em 1999 pela Igreja Católica e pela Federação Luterana Mundial.

Um comunicado do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos distribuído esta segunda-feira pela Sala de Imprensa vaticana confirma o momento desta adesão.

O presidente do citado dicastério, o cardeal Walter Kasper, participará da Conferência Mundial Metodista.

«Esta é convocada a intervalos de oito anos e reúne cristãos do mundo inteiro, pertencentes à tradição de Wesley», declara o comunicado do dicastério.

O movimento metodista, de caráter evangélico, herdeiro da Reforma protestante do século XVI, teve sua origem na Inglaterra do século XVIII, como um movimento de renovação espiritual, missionário e social. Hoje, está presente em cerca de cem países.

Foi o inglês John Wesley — nascido em 17 de junho de 1703–, fundador do movimento de pregação do Evangelho, quem deu origem aos metodistas.

Durante a Conferência Mundial Metodista desta semana, o ato com o qual a Declaração se estenderá também ao metodismo acontecerá no curso de uma celebração solene da Palavra de Deus, em presença do cardeal Kasper e do reverendo doutor Ismael Noko, secretário-geral da Federação Luterana Mundial.

A histórica firma da citada Declaração conjunta — na cidade alemã de Augsburgo em 31 de outubro de 1999 –, aprovada pela Igreja Católica e pela Federação Luterana Mundial, encontrou um consenso entre luteranos e católicos em uma matéria, a doutrina da justificação, que se converteu na causa da Reforma de Lutero.

No final do ano passado, ao receber a uma delegação do Conselho Metodista Mundial — encabeçada por seu presidente, o bispo Sunday Mbang, da Nigéria –, Bento XVI manifestou seu reconhecimento pela intenção de tal Conselho de ratificar a Declaração Conjunta Sobre a Doutrina da Justificação.

«Em caso de que o Conselho Metodista Mundial expresse sua intenção de associar-se à Declaração Conjunta, contribuiria para a reconciliação que desejamos ardentemente e seria um passo significativo rumo à meta da plena e visível unidade na fé», apontou então o Santo Padre (Zenit, 9 de dezembro de 2005).


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Fé não se expressa de maneira abstrata, mas com obras de amor, diz Papa

jun 29, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Santa Sé

Ao meditar na Carta de São Tiago

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de junho de 2006 (ZENIT.org).- Para Bento XVI, a fé, se é autêntica, não se expressa de maneira abstrata, mas com obras concretas de amor.

Esta foi a conclusão à que chegou nesta quarta-feira, ao refletir na figura do apóstolo Tiago o Menor, cuja biografia é pouco conhecida, mas que deixou à cristandade uma carta que faz parte dos escritos do Novo Testamento.

Nesse texto, declarou o Papa ao dirigir-se aos 25.000 peregrinos que suportaram um forte sol na praça de São Pedro do Vaticano, «insiste muito na necessidade de não reduzir a própria fé a uma declaração verbal ou abstrata, mas em expressá-la concretamente com boas obras».

Segundo Bento XVI, São Tiago «nos convida à constância nas provas gozosamente aceitas e à oração confiada para obter de Deus o dom da sabedoria, graças à qual chegamos a compreender que os verdadeiros valores da vida não estão nas riquezas transitórias, mas em saber compartilhar as próprias capacidades com os pobres e necessitados».

O que o bispo de Roma gosta da carta de São Tiago é que «mostra um cristianismo muito concreto e prático».

«A fé deve ser realizada na vida, sobretudo no amor ao próximo e particularmente no compromisso com os pobres», declarou.

«Este é o fundo com o qual se deve ler também a famosa frase: “Assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta” (Tiago 2, 26)». Alguns, reconheceu, contrapuseram esta declaração a outra de São Paulo, na qual diz que não somos justificados ante Deus em virtude de nossas obras, mas graças à nossa fé (cf. Gálatas 2).

«Contudo — assegurou o Papa –, as duas frases, que aparentemente são contraditórias, na realidade, se bem interpretadas, são complementares. São Paulo se opõe ao orgulho do homem, que pensa que não tem necessidade do amor de Deus», pois a graça é «doada e não merecida».

São Tiago, indicou, «fala, pelo contrário, das obras como fruto da fé: “A árvore boa dá frutos bons”, diz o Senhor. E São Tiago repete isso para nós».

Por último, disse, «a carta de São Tiago nos exorta a colocar-nos nas mãos de Deus em tudo que fazemos, pronunciando sempre as palavras: “Se Deus quiser” (Tiago 4, 15)».

«Deste modo, ele nos ensina a não planejar nossa vida de maneira autônoma e interesseira, mas a deixar espaço à inescrutável vontade de Deus, que conhece o autêntico bem para nós. Assim, São Tiago continua sendo um mestre de vida para cada um de nós», concluiu.


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