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Pregador do Papa: conversão é sorriso do pecador… e de Deus

mar 20, 2007 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade

Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, quinta-feira, 15 de março de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, IV da Quaresma.

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Jesus e os pecadores

II Domingo de Quaresma
Josué 5, 9a. 10-12; 2 Coríntios 5, 17-21; Lucas 15, 1-3. 11-32

O Evangelho do II domingo da Quaresma constitui uma das páginas mais célebres do Evangelho de Lucas e dos quatro Evangelhos: a parábola do filho pródigo. Tudo, nesta parábola, é surpreendente; Deus nunca havia sido descrito aos homens com estas características. Essa parábola sozinha tocou mais corações que todos os discursos dos pregadores juntos. Tem um poder incrível para atuar na mente, no coração, na fantasia, na memória. Sabe tocar os pontos mais diversos: o arrependimento, a vergonha, a saudade.

A parábola é introduzida com estas palavras: «Costumavam aproximar-se de Jesus os publicanos e os pecadores para escutá-lo. E os fariseus e os escribas murmuravam entre si: ‘Esse acolhe os pecadores e come com eles’. Então Jesus lhes disse esta parábola…» (Lc 15, 1-2). Seguindo esta indicação, queremos refletir sobre a atitude de Jesus para com os pecadores, contemplando o Evangelho em seu conjunto, movidos pelo objetivo que nos fixamos neste comentário aos Evangelhos da Quaresma, de conhecer melhor quem era Jesus, o que sabemos historicamente d’Ele.

É conhecida a acolhida que Jesus reserva aos pecadores no Evangelho e a oposição que isso causou por parte dos defensores da lei, que o acusavam de ser «um comilão e um beberrão, amigo de publicanos e pecadores» (Lc 7, 34). Um dos considerados historicamente como dos melhores discursos de Jesus enuncia: «Não vim para chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17). Sentindo-se por Ele acolhidos e não julgados, os pecadores o escutavam com alegria.

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Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 6 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XXVII do tempo comum.

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E os dois serão uma só carne

XVII Domingo do tempo comum (B)
Gênesis 2, 18-24; Hebreus 2, 9-11; Marcos 10, 2-16

O tema deste XXVII Domingo é o matrimônio. A primeira leitura começa com as bem conhecidas palavras: «Disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma ajuda adequada». Em nossos dias, o mal do matrimônio é a separação e o divórcio, enquanto que nos tempos de Jesus o era o repúdio. Em certo sentido, este era um mal pior, porque implicava também uma injustiça com relação à mulher, que ainda persiste, lamentavelmente, em certas culturas. O homem, de fato, tinha o direito de repudiar a própria esposa, mas a mulher não tinha o direito de repudiar seu próprio marido.

Duas opiniões se contrapunham, com relação ao repúdio, no judaísmo. Segundo uma delas, era lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo, ao arbítrio, portanto, do marido; segundo a outra, ao contrário, se necessitava de motivo grave, contemplado pela Lei. Um dia submeteram esta questão a Jesus, esperando que adotasse uma postura a favor de uma ou outra tese. Mas receberam uma resposta que não esperavam: «Tendo em conta a dureza de vosso coração [Moisés] escreveu para vós este preceito. Mas desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem seu pai e a sua mãe, e os dois serão uma só carne. De maneira que já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, o homem não separe».

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Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingoROMA, sexta-feira, 7 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XIV do tempo comum.

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Saiu dali e viu sua pátria

XIV Domingo do tempo comum (B)
Ezequiel 1, 13-15-2, 23-25; 2 Coríntios 12, 7-10; Marcos 6, 1-6

Quando já se havia tornado popular e famoso por seus milagres e seu ensinamento, Jesus voltou um dia ao seu lugar de origem, Nazaré e, como de costume, se pôs a ensinar na sinagoga. Mas dessa vez não suscitou nenhum entusiasmo, nenhum hosana! Mais do que escutar o que dizia e julgá-lo segundo isso, as pessoas se puseram a fazer considerações alheias: «De onde tirou esta sabedoria? Não estudou; nós o conhecemos bem; é o carpinteiro, o filho de Maria!». «E se escandalizavam dEle», ou seja, encontravam um obstáculo para acreditar nEle no fato de que o conheciam bem.

Jesus comentou amargamente: «Um profeta só em sua pátria, entre seus parentes e em sua casa carece de prestígio». Esta frase se converteu em provérbio na forma abreviada: Nemo propheta in pátria, ninguém é profeta em sua terra. Mas isso é só uma curiosidade. A passagem evangélica nos lança também uma advertência implícita que podemos resumir assim: cuidado para não cometer o mesmo erro que cometeram os nazarenos! Em certo sentido, Jesus volta a sua pátria cada vez que seu Evangelho é anunciado nos países que foram, em um tempo, o berço do cristianismo.

Nossa Itália, e em geral a Europa, são, para o cristianismo, o que Nazaré era para Jesus: «o lugar onde foi criado» (o cristianismo nasceu na Ásia, mas cresceu na Europa, um pouco como Jesus havia nascido em Belém, mas foi criado em Nazaré!). Hoje correm o mesmo risco que os nazarenos: não reconhecer Jesus: A carta constitucional da nova Europa unida não é o único lugar do qual Ele é atualmente «expulso»…

O episódio do Evangelho nos ensina algo importante. Jesus nos deixa livres, propõe, não impõe seus dons. Aquele dia, ante a rejeição de seus conterrâneos, Jesus não se abandonou a ameaças e invectivas. Não disse, indignado, como se conta que fez Publio Escipión, o africano, deixando Roma: «Ingrata pátria, não terás meus ossos!». Simplesmente foi para outro lugar. Uma vez não foi recebido em certo povoado; os discípulos lhe propuseram fazer baixar fogo do céu, mas Jesus se virou e os repreendeu (Lc 9, 54).

Assim também hoje. «Deus é tímido». Tem muito mais respeito pela nossa liberdade do que temos nós mesmos uns dos outros. Isso cria uma grande responsabilidade. Santo Agostinho dizia: «Tenho medo de Jesus que passa» (Timeo Jesum transeuntem). Poderia, com efeito, passar sem que eu percebesse, passar sem que eu esteja disposto a acolhê-lo.

Sua passagem é sempre uma passagem de graça. Marcos disse sinteticamente que, tendo chegado a Nazaré no sábado, Jesus «se pôs a ensinar na sinagoga». Mas o Evangelho de Lucas especifica também o que ensinou e o que disse naquele sábado. Disse que havia vindo «para anunciar aos pobres a Boa Nova, para proclamar a liberdade aos cativos e a vista aos cegos; para dar a liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor» (Lucas 4, 18-19).

O que Jesus proclama na sinagoga de Nazaré era, portanto, o primeiro jubileu cristão da história, o primeiro grande «ano de graça», do qual todos os jubileus e «anos santos» são uma comemoração.


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