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Nazismo e comunismo: o mal como distorção do bem

ago 21, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade

Ao contrário do que pensam as várias correntes gnósticas, que sustentam um irreal maniqueísmo, o mal não é um oponente do bem com a mesma envergadura deste, tampouco surge do nada, com total e absoluta independência. Longe das definições dualísticas, o mal é, segundo Santo Tomás de Aquino, a distorção do bem, uma “ausência de um bem qualquer que deveria estar presente em determinado ser.” (Papa João Paulo II. Memória e identidade, p. 13)

O diabo mesmo, para a tradição judaico-cristã, é um anjo que se revolta, é uma simples criatura, não um equivalente negativo de Deus, o Criador. Com isso, sem embargo, não se rejeita a existência de um mal objetivo a combater, nem se a relativiza ou a seus erros. Apenas ressalta-se que, mera expressão desvirtuada do bem, está fadado naturalmente ao fracasso.

Quanto mais a mentira do mal se parece com a verdade do bem, mais ela é perigosa. O heroísmo, v.g., a evocação de tradições guerreiras, o patriotismo, são coisas boas que, desnaturadas, foram pontos básicos do horrendo programa nazista. A fraternidade e a justiça social, por sua vez, são bens que, modificados seus conceitos a serviço do mal, preenchem o discurso comunista.

Vemos a realização histórica daquela sentença no pensamento iluminista, que varreu a Europa após a Idade Média, contribuindo para sua atual união política sem referência à fé cristã que a moldou. O Iluminismo, de fato, toma como carro-chefe de sua doutrina um grande valor, a liberdade. Ocorre que seu conceito de liberdade é equivocado, e dele surge a conclusão que tanto o bem quanto o mal tem os mesmos direitos, eis que a verdade iluminista é relativa. Intrínseco ao pensamento iluminista é o liberalismo, o qual não demoraria, em tese, a transformar-se em bagunça. Para evitar essa funesta conseqüência, estabelecem seus próceres outro mito obtido da deformação de um bem: a democracia. No liberalismo iluminista, é a maioria democrática quem escolhe o que é bem e o que é mal, em última instância, e o que é verdade e o que é mentira.

Filósofos que se debruçaram detidamente sobre a crise do pensamento europeu nos séculos XVIII e XIX, como, por exemplo, Paul Hazard, e Ortega y Gasset, estão plenamente convencidos da afiliação doutrinária dos modernos comunismo e nazismo ao Iluminismo. Por mais que pareça contraditório, o totalitarismo tem origem filosófica no liberalismo: todos partem da idéia da relatividade da verdade, e tanto faz, por isso, que quem faz a escolha seja a maioria (liberalismo), o Estado (fascismo), o proletariado representado teoricamente pelo partido (comunismo), ou a raça “pura” (nazismo). Nesses sistemas, em que o mal é a deturpação do bem “o que é um grande fator de atração dos incautos seduzidos pelas migalhas de verdade”, o erro é a matriz essencial: a rejeição do absoluto, da verdade, do próprio Deus, no fim das contas.

Autor: Dr. Rafael Vitola Brodbeck
Fonte: Veritatis Splendor


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A Sagrada Tradição e os Protestantes

ago 16, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Bíblia

Os protestantes que se dizem voltar ao cristianismo primitivo, que se dizem conhecedores da Palavra de Deus e seus fiéis seguidores, renegam duas parcelas importantíssimas da Palavra de Deus: A Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério.

O escopo de nosso artigo está na Sagrada Tradição, em outra oportunidade trataremos do Sagrado Magistério.

A Ordem Apostólica

Os adeptos da “Sola Scriptura” (Somente as Escrituras), na verdade são adeptos da “Sola alguns versículos da Scriptura”. Negam verdades bem explícitas da Sagrada Escritura como a real presença do Senhor no pão e no vinho da Eucaristia (cf. Jo 6,51-56), negam também que a autoridade apostólica não se encerrou com a geração dos apóstolos, mas se perpetuou em seus legítimos sucessores (cf. At 1,15-26; 1Tm 5,1.19-20; Tt 1,5; 2,9-10.15), negam o preço que o Senhor e São Paulo possuiam pelos celibatários (cf.Mt 19,12; 1Cor 7,1.26-27) e entre outras coisas. Mas se tratando da Sagrada Tradição, fecham seus olhos para a seguinte instrução de São Paulo:

    “Assim, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavra, seja por carta nossa” (2Tes 2,15).

Verter por escrito a Revelação era uma preocupação secundária

Vejam que São Paulo nos manda guardar toda doutrina apostólica, seja ela oral ou escrita. A Sagrada Tradição é maior que a Escritura, pois foi ela que deu origem à Escritura. A ordem do Senhor foi: “Ide, e pregai o Evangelho a toda criatura” (cf. Mt 28,19-20) e não “Ide e imprimi as Escrituras”.

A preocupação da Igreja era anunciar o Evangelho. E fizeram isto de viva voz. Somente em circunstância especiais é que os apóstolos se viram obrigados a colocar algo por escrito. Mas de forma alguma se preocuparam em colocar tudo por escrito (cf. Jo 21,25; 1Cor 11,12; 2Jo 1,12; 3; 3Jo 1,13-14).

Veja o testemunho de Eusébio, Bispo de Cesaréia e historiador da Igreja nos tempos primitivos:

    “[Os Apóstolos] Anunciaram o reino dos céus a todo orbe habitado, sem a menor preocupação de escrever livros.Assim procediam porque lhes cabia prestar um serviço maior e sobre-humano. Até Paulo, o mais potente de todos na preparação dos discursos, o mais dotado relativamente aos conceitos, só transmitiu por escrito breves cartas, apesar de ter realidades inúmeras e inefáveis a contar [...] Outros seguidores de nosso Salvador, os primeiros apóstolos, os setenta discípulos e mil outros mais não eram inexperientes das mesmas realidades. Entretanto, dentre eles todos, somente Mateus e João deixaram memória dos entretenimentos do Salvador. E a Tradição refere que estes escreveram forçados pela necessidade. [...] Quanto a João [o Apóstolo], diz-se que sempre utilizava o anúncio oral. Por fim, também ele pôs-se a escrever pelo seguinte motivo. Quando os três evangelhos precedentes já se haviam propagado entre todos os fiéis e chegaram até ele, recebeu-os, atestando sua veracidade. Somente careciam da história das primeiras ações de Cristo e do anúncio primordial da palavra. E trata-se de verdadeiro motivo.” (História Eclesiástica Livro III, 24,3-7. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C)

Pois o Cristianismo não é baseado num manual de instruções, mas sim no Magistério Vivo da Igreja. E é disto que as Sagradas Escrituras (cf. 2Cor 3,6) e os antigos deram testemunho.

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