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Comentário do Pe. Cantalamessa sobre a liturgia do próximo domingo
ROMA, sexta-feira, 24 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia – sobre a liturgia do domingo próximo, 24 de outubro.
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XXX Domingo do Tempo Comum
Êxodo 22, 20-26; 1 Tessalonicenses 1, 5c-10; Mateus 22, 34-40
Amarás o teu próximo como a ti mesmo
«Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Acrescentando as palavras «como a ti mesmo», Jesus nos pôs diante um espelho ao qual não podemos mentir: deu-nos uma medida infalível para descobrir se amamos ou não o próximo. Sabemos muito bem, em cada circunstância, o que significa amar a nós mesmos e o que queríamos que os demais fizessem por nós. Jesus não diz, note-se bem: «O que o outro te fizer, faze tu a ele». Isso seria a lei do Talião: «Olho por olho, dente por dente». Ele diz: o que tu queres que o outro te faça, faze tu a ele (cf. Mt 7, 12), que é muito diferente.
Jesus considerava o amor ao próximo como «seu mandamento», no qual se resume toda a Lei. «Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei» (Jo 15, 12). Muitos identificam o cristianismo inteiro com o preceito do amor ao próximo, e não estão totalmente desencaminhados. Mas temos de tentar ir um pouco mais além da superfície das coisas. Quando se fala do amor ao próximo, o pensamento se dirige imediatamente às «obras» de caridade, às coisas que é preciso fazer pelo próximo: dar-lhe de comer, de beber, de vestir; ou seja, ajudar o próximo. Mas isso é um efeito do amor, não é ainda o amor. Antes da beneficência vem a benevolência; antes de fazer o bem, vem o querer.
A caridade deve ser «sem fingimentos», ou seja, sincera (literalmente, «sem hipocrisia») (Rm 12, 9); deve-se amar «verdadeiramente, de coração» (1 Pe 1, 22). Pode-se de fato fazer caridade ou dar esmola por muitos motivos que não têm nada a ver com o amor: por ficar bem, por parecer benfeitores, para ganhar o paraíso, inclusive por remorso de consciência. Muita caridade que fazemos aos países do terceiro mundo não está ditada pelo amor, mas pelo remorso. Percebemos a diferença escandalosa que existe entre nós e eles e nos sentimos em parte responsáveis por sua miséria. Pode-se ter pouca caridade também «fazendo caridade»!
Está claro que seria um erro fatal contrapor o amor do coração à caridade dos fatos ou refugiar-se nas boas disposições interiores para com os demais, para encontrar uma desculpa para a própria falta de caridade atual e concreta. Se você encontra um pobre faminto e tremendo de frio, dizia São Tiago, «de que serve dizer «Pobre, vá, esquente-se, coma algo», mas não lhe dá nada do que precisa?». « Filhos meus, acrescenta o evangelista João, não amemos de palavra nem de boca, mas com obras e segundo a verdade» (1 Jo 3, 18). Não se trata, portanto, de subestimar as obras externas de caridade, mas de fazer que estas tenham seu fundamento em um genuíno sentimento de amor e benevolência.
Esta caridade do coração ou interior é a caridade que todos e sempre podemos exercer, é universal. Não é uma caridade que alguns – os ricos e saudáveis – podem somente dar e outros – os pobres e enfermos – podem apenas receber. Todos nós podemos fazê-la e recebê-la. Também é muito concreta. Trata-se de começar a olhar com novos olhos as situações e as pessoas com as que vivemos. Com que olhos? É simples: os olhos com que quisermos que Deus nos olhe. Olhos de desculpa, de benevolência, de compreensão, de perdão…
Quando isso acontece, todas as relações mudam. Caem, como por milagre, todos os motivos de prevenção e hostilidade que nos impediam de amar certa pessoa, e esta começa a parecer o que é realmente: uma pobre criatura humana que sofre por suas fraquezas e limites, como você, como todos. É como se a máscara que todos os homens e as coisas têm caíssem, e a pessoa aparecesse como é na realidade.
Propõe o primado de Deus, na apresentação do primeiro volume
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 23 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI espera que a publicação de sua Opera omnia sirva para superar as dificuldades dos últimos anos com relação às questões litúrgicas. Ele reconhece isso no prefácio do primeiro volume de seus escritos (serão 16), que vão desde as obras que escreveu na universidade até 2005, quando foi eleito bispo de Roma.
«Eu ficaria muito feliz se a nova publicação de meus escritos litúrgicos pudesse contribuir para tornar visíveis as grandes perspectivas de nossa Liturgia, voltando a colocar em seu lugar as míseras e pequenas diatribes sobre as formas exteriores», escreve o Papa na apresentação do primeiro volume, dedicado precisamente à liturgia.
Bento XVI sublinha que começar com a Liturgia, como aconteceu nas sessões de trabalho do Concílio Vaticano II, quer dizer afirmar o primado de Deus.
A Liturgia, escreve, «desde a infância foi a realidade central da minha vida, capaz de responder à pergunta: ‘por que cremos?’».
«Deus acima de tudo», proclama na introdução do prefácio, do qual a Rádio Vaticano publicou uma passagem em italiano. «Onde o olhar sobre Deus não é determinante, todo o demais perde sua orientação».
O pontífice afirma que em um primeiro momento ele havia pensado em eliminar 9 páginas de seu livro «O Espírito da Liturgia. Uma introdução», publicado em 2000, para não voltar a criar polêmicas. Essa obra constitui a parte central do primeiro volume.
Infelizmente, recorda, quase todas as resenhas se concentraram somente nessas páginas que falam sobre a orientação do sacerdote durante a Liturgia, como se quisesse voltar a introduzir a prática de que o sacerdote dê «as costas para a assembléia». Mas depois as manteve, considerando que fica clara sua intenção mais profunda.
Constata com prazer que está abrindo caminho sua sugestão de «não modificar as estruturas, mas simplesmente pôr a Cruz no centro do altar, para que a vejam tanto o sacerdote como os fiéis, para deixar-se conduzir ao Senhor, a quem rezamos todos juntos».
«O conceito pelo qual o sacerdote e a assembléia deveriam ver-se durante a oração se desenvolveu só na época moderna e é totalmente alheio à cristandade antiga», escreve.
De fato, declara, «o sacerdote e a assembléia não rezavam um para o outro, mas dirigidos para o único Senhor».
«Por este motivo, durante a oração, olham na mesma direção: ou para o Oriente, símbolo cósmico do Senhor que virá, ou – onde isso não for possível – para uma imagem de Cristo na abside, a uma Cruz, ou simplesmente todos juntos para o alto, como fez o Senhor durante a oração sacerdotal na noite anterior à sua Paixão.»
O Santo Padre explica, portanto, muito além das «questões com freqüência pedantes sobre uma ou outra forma», a intenção essencial desta obra consiste em enquadrar a Liturgia na «grandeza do cosmos», que «abraça ao mesmo tempo Criação e História», em cujo centro está o Salvador, Jesus Cristo, a quem todos nos dirigimos em oração.
Bento XVI reconhece que decidiu publicar sua Opera omnia depois de «alguns titubeios». Para isso, contou com a ajuda do bispo de Ratisbona, Dom Gerhard Ludwig Müller, que apresentou o primeiro volume à imprensa nesta quarta-feira.
Segundo bispo português, questão foi recorrente nas intervenções
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 15 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O bispo auxiliar do Porto, D. António Bessa Taipa, afirmou que um dos temas recorrentes no Sínodo é a Palavra de Deus como fonte de inspiração para a vida dos fiéis.
«Aquilo que vai preocupando mais é o fazermos todos da Palavra de Deus a inspiração da nossa vida, para que, de fato, inspire toda essa teia de relações com os outros, o próprio Deus, o cosmos», afirmou à Agência Ecclesia.
De acordo com o bispo, é essencial «aproximar a Bíblia de nós próprios, fazer que a nossa vida seja toda inspirada na Palavra de Deus».
D. António Taipa afirmou que os diferentes testemunhos que chegam da Igreja pelo mundo impressionam.
Segundo o bispo, muitos católicos no mundo não têm a Sagrada Escritura porque em vários países não há dinheiro para editá-la.
«Muitos não têm Bíblias porque não têm dinheiro para elas e usam outros meios», disse.
O prelado afirmou também que o tema da qualidade das homilias tem sido recorrente nas intervenções dos membros da assembleia sinodal.
D. António Taipa enfatizou que «a homilia é um dos momentos principais para o anúncio e a divulgação da Palavra».
«Uma homilia de 7, 8 ou 10 minutos em que se diga alguma coisa é algo muito exigente, pede uma preparação muito forte.»
Um outra questão muito apontada tem sido a «interação entre teólogos, exegetas e pastores» quanto à leitura da Bíblia.
«Nós não podemos prescindir de uma exegese séria, do fato de o Verbo de Deus ter habitado num determinado tempo e espaço, de procurar entender o que as coisas quiseram dizer no seu tempo», considera, de modo a evitar «subjetivismos perigosos».
Por outro lado, o bispo destacou que é necessária uma leitura orante, a lectio divina, «sob o risco de ficarmos de ficarmos com a exegese como um estudo arqueológico que não tem interesse».
Um dos temas mais abordados até agora
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- A declaração de que «a Palavra é mais do que a Bíblia» assumiu um espaço fundamental na relação geral pronunciada nesta segunda-feira pelo cardeal Marc Ouellet, P.S.S., arcebispo de Québec, relator geral da assembléia, que elucidou um mal-entendido histórico: o cristianismo não é a religião do Livro.
«A Palavra de Deus significa, antes de tudo, o próprio Deus que fala, que expressa em si mesmo o Verbo divino que pertence a seu mistério íntimo», declarou.
Esta Palavra, disse em sua longa relação pronunciada em latim, sentado junto ao Papa na sala do Sínodo dos Bispos, fala de maneira particular e ao mesmo tempo dramática na história dos homens, em especial, da escolha de um povo, da lei de Moisés e dos profetas, assegurou.
Acompanhando suas palavras com imagens tomadas da arte, que eram projetadas em telões no Sínodo, o purpurado canadense explicou que, depois de Deus ter falado de muitas maneiras, a Palavra «resume e coroa tudo de uma maneira única, perfeita e definitiva em Jesus Cristo».
Assim, a Palavra não é um simples texto escrito, insistiu, é o amor de Deus feito homem em Cristo. Isto significa que a Palavra de Deus estabelece uma relação de amor, pois interpela diretamente o homem.
O cardeal William Joseph Levada havia tomado a palavra um pouco antes para explicar que «existe uma inseparável unidade entre a Sagrada Escritura e a Tradição, já que ambas procedem de uma mesma fonte».
«A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto se consigna por escrito sob a inspiração do Espírito Santo, e a Sagrada Tradição transmite na íntegra aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus, a eles confiada por Cristo e pelo Espírito Santo para que, com a luz do Espírito da verdade, eles a guardem fielmente, exponham-na e a difundam com sua pregação», declarou o sucessor do cardeal Joseph Ratzinger, citando a Dei Verbum, do Concílio Vaticano (II, 9).
As intervenções dos padres sinodais começaram nesta segunda-feira, com o cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício, que pediu ao Sínodo que não reduzisse a Palavra à escrita, «contida na Bíblia, mas que também compreende a Palavra oral, contida na Tradição da Igreja».
Por Inma Álvarez
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- A importância que o Apóstolo dos Gentios concede, em suas cartas, à Tradição vida da Igreja «demonstra quão equivocada está a visão daqueles que atribuem a Paulo a invenção do cristianismo», explicou hoje Bento XVI durante a audiência geral.
O Papa dedicou a catequese, pela 5ª vez, à figura do apóstolo São Paulo, nesta ocasião em relação com os Doze e com a Igreja de Jerusalém. A audiência aconteceu na Praça de São Pedro e dela participaram cerca de 15 mil peregrinos dos cinco continentes, entre eles vários grupos procedentes da Europa do Leste e da Oceania.
Segundo explicou Bento XVI, a relação entre Paulo e os demais apóstolos «sempre esteve marcada por um profundo respeito e pela franqueza que em Paulo derivava da defesa da verdade do Evangelho».
Ele destacou especialmente a relação com Pedro, a quem Paulo consultou durante 15 dias sobre a vida terrena de Jesus.
Segundo o Papa, Paulo transmite fielmente em suas cartas as duas fórmulas fundamentais da tradição viva da Igreja, que são o anúncio da Ressurreição e a Eucaristia.
Estas fórmulas, que contêm as palavras de Jesus na Última Ceia e a menção das aparições do Ressuscitado, «são elementos constitutivos e concernem à Eucaristia e à Ressurreição; trata-se de textos já formulados por volta do ano 30».
«Ele as transmite verbalmente, assim como as havia recebido, com uma fórmula muito solene: ‘Eu vos transmito aquilo que recebi’. Ele insiste, portanto, na fidelidade a tudo o que ele mesmo recebeu e que fielmente transmite aos novos cristãos», acrescenta o Papa.
Além disso, ambas as fórmulas constituem também o núcleo da teologia paulina, pois as palavras de Jesus na Última ceia «são realmente o centro da vida da Igreja».
«Além desse centro eucarístico, do qual a Igreja volta sempre a nascer – também para toda a teologia de Paulo, para todo o seu pensamento –, estas palavras têm um notável impacto sobre a relação pessoal de Paulo com Jesus.»
«O outro texto, sobre a Ressurreição, transmite-nos novamente a mesma fórmula de fidelidade. São Paulo escreve: ‘Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze’», comentou o Santo Padre.
Ao incluir sua própria experiência no caminho de Damasco, Paulo sublinha «a identidade e a unicidade do anúncio do Evangelho: tanto eles como eu pregamos a mesma fé, o mesmo Evangelho de Jesus Cristo morto e ressuscitado que se entrega na Santíssima Eucaristia», acrescentou o Papa.
Portanto, explicou, a importância que Paulo confere à Tradição viva da Igreja «demonstra quão equivocada está a visão daqueles que atribuem a Paulo a invenção do cristianismo: antes de proclamar o evangelho de Jesus Cristo, ele o encontrou no caminho de Damasco e o conheceu na Igreja».
«Quanto mais procurarmos seguir os passos de Jesus de Nazaré pelos caminhos da Galiléia, mais poderemos compreender que Ele tomou sobre si a nossa humanidade, compartilhando-a em tudo, exceto no pecado. Nossa fé não nasce de um mito, nem de uma idéia, mas do encontro com o Ressuscitado, na vida da Igreja», concluiu o Papa.
Carta do cardeal Arinze às conferências episcopais sobre o nome de Deus
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 11 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos enviou uma carta às conferências episcopais do mundo sobre o nome de Deus, na qual pede que não se use o termo «Javé» nas liturgias, orações e cantos.
A carta se refere ao uso do nome «YHWH», que se refere a Deus no Antigo Testamento e que em português se lê «Javé». O texto explica que este termo deve ser traduzido de acordo ao equivalente hebraico «Adonai» ou do grego «Kyrios»; e põe como exemplos traduções aceitáveis em cinco idiomas:Lord (inglês), Signore (italiano), Seigneur (francês), Herr (alemão) e Señor em espanhol.
A carta está assinada pelo cardeal Francis Arinze e pelo arcebispo Albert Malcom Rajith, respectivamente prefeito e secretário da congregação vaticana, seguindo uma diretiva de Bento XVI.
Após comentar que o nome de Deus exige dos tradutores um grande respeito, o cardeal explica que a palavra «YHWH» é «uma expressão da infinita grandeza e majestade de Deus», que se manteve «impronunciável e por isso foi substituída na leitura das Sagradas Escrituras com o uso da palavra alternativa ‘Adonai’, que significa ‘Senhor’».
Esta tradição da tradução é importante para entender Cristo, assinala a carta vaticana, já que o título de «Senhor» torna-se «intercambiável entre o Deus de Israel e o Messias da fé cristã».
«As palavras das Escrituras contidas no Antigo e Novo Testamento expressam a verdade que transcende os limites do tempo e do espaço; são a palavra de Deus expressada em palavras humanas, e por meio destas palavras de vida, o Espírito Santo introduz os fiéis no conhecimento da verdade total. Por isso, a palavra de Cristo aparece diante dos fiéis em toda a sua riqueza», explica a indicação da Santa Sé.
Intervenção do cardeal Kasper na Conferência de Lambeth
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 30 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O acesso de mulheres ao episcopado significará um «passo atrás» para o diálogo entre Católicos e Anglicanos, advertiu o cardeal Walter Kasper ao tomar a palavra nesta quarta-feira na Conferência de Lambeth da Comunhão Anglicana.
O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, segundo a transcrição e sua intervenção em italiano que será publicada na edição desta quinta-feira do «L’Osservatore Romano», começou transmitindo a proximidade do Papa Bento XVI.
O pupurado reconheceu: «sei que muitos estão preocupados, alguns profundamente, pela ameaça da fragmentação no seio da Comunhão Anglicana. Somos profundamente solidários convosco».
«Nosso grande desejo é que a Comunhão Anglicana esteja unida, arraigada nessa fé histórica que nosso diálogo e nossas relações, no curso de quatro décadas, nos levaram a crer que é partilhada amplamente».
Dois motivos de divisão
Neste contexto, o cardeal alemão tocou em «duas questões que estão no centro das tensões no seio da Comunhão Anglicana e de suas relações com a Igreja Católica: a ordenação de mulheres e a sexualidade humana».
No que se refere à segunda questão, em particular a homossexualidade, o cardeal fez o pedido aos bispos anglicanos: «à luz das tensões dos anos passados neste sentido, uma declaração clara por parte da Comunhão Anglicana nos ofereceria maiores possibilidades para oferecer um testemunho comum da sexualidade humana e do matrimônio, um testemunho dolorosamente necessário para o mundo de hoje».
No que se refere à ordenação das mulheres ao sacerdócio e ao episcopado, o cardeal Kasper afirmou: «tenho que ser claro a propósito da nova situação que se criou em nossas relações ecumênicas».
«Ainda que nosso diálogo tenha produzido um acordo significativo sobre a idéia de sacerdócio, a ordenação das mulheres ao episcopado bloqueia substancial e definitivamente um possível reconhecimento das ordenações anglicanas por parte da Igreja Católica», esclareceu.
Impedimento à comunhão plena
«Desejamos a continuação de um diálogo teológico entre a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica – assegurou –, mas este último passo mina nosso objetivo e altera o nível do que perseguimos com o diálogo».
«Agora parece que a plena comunhão visível, como objetivo de nosso diálogo, deu um passo atrás, que nosso diálogo terá objetivos menos definitivos, e que, portanto, seu caráter ficará alterado», considerou.
«Ainda que este diálogo possa produzir ainda bons resultados, não será apoiado pelo dinamismo que se desprende da possibilidade realista da unidade que Cristo exige de nós ou da participação comum na mesa do único Senhor, que anelamos com tanto ardor», concluiu.