Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo
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VATICANO, 15 Ago. 06 (ACI) .- Depois de celebrar a Missa pela Solenidade da Assunção da Virgem Maria, o Papa Bento XVI rezou o Ángelus do balcão do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo e em suas palavras introdutórias disse que o peregrinar terreno de todo ser humano deve ter como fim o Paraíso.
Antes de iniciar a oração Mariana, o Santo Padre afirmou que a “liturgia nos chama hoje a esta consoladora verdade de fé: No céu apareceu um sinal grandioso: uma mulher vestida de sol, com a lua sob seus pés e sobre sua cabeça uma coroa de doze estrelas”.
“Nesta mulher deslumbrante de luz –continuou o Pontífice– os Pais da Igreja reconheceram Maria. Em seu triunfo o povo cristão peregrino na história vê a realização de suas esperas e o sinal certo de sua esperança”.
Em seguida o Pontífice lembrou que “Maria é exemplo e sustento para todos os fiéis: anima a não perder a confiança diante das dificuldades e aos inevitáveis problemas de todos os dias. Assegura-nos sua ajuda e nos lembra que o essencial é procurar e pensar nas coisas do alto e não naquelas da terra”.
O Papa fez uma referência ao viver cotidiano, quando “tomados pelas preocupações arriscam o pensar que aqui, neste mundo no qual estamos só de passagem, seja o fim último da humana existência”.
“Ao contrário, é o Paraíso a verdadeira meta de nosso peregrinar terreno. Quão diversas seriam nossas jornadas se fossem animadas por esta perspectiva”, disse.
Ao referir-se aos Santos acrescentou que “suas existências testemunham que quando se vive com o coração constantemente dirigido ao céu, as realidades terrenas são vividas em seu justo valor porque o que as ilumina é a verdade eterna do amor divino”.
Depois do Ângelus, o Papa se dirigiu aos peregrinos de língua espanhola, saudando especialmente os fiéis presentes das paróquias Assunção de Nossa Senhora, de Lliria, e de São Francisco Xavier, de Murcia, e ao grupo da Obra da Igreja. “A todos encomendo sob o constante amparo de nossa Mãe celestial e lhes dou com afeto minha Bênção”, disse.
Deste modo Bento XVI invocou a Virgem Maria para que conceda a todos a paz, aludindo às dificuldades pelas que atravessam atualmente o Líbano, Sri Lanka e Iraque.
Finalmente, e após saudar outros grupos presentes em diversas línguas, o Santo Padre deu sua Bênção Apostólica.
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VATICANO, 14 Ago. 06 (ACI) .- “O catolicismo não é um amontoado de proibições, mas uma opção positiva”, destacou o Papa Bento XVI em uma entrevista televisiva emitida ontem pela televisão alemã, em que expressou sua visão sobre o mundo ocidental, os jovens, a proposta moral cristã hoje, a família, o futuro do cristianismo na Europa, as mulheres na Igreja e seus planos de viagens próximas. A entrevista foi realizada há alguns dias no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo em preparação para sua próxima viagem à sua Baviera natal. O Santo Padre aproveitou uma pergunta sobre aspectos de sua próxima visita a terras bávaras, para ressaltar que “o assunto fundamental é que devemos redescobrir a Deus, não um Deus qualquer, mas o Deus com o rosto humano, porque quando vemos Jesus Cristo vemos Deus. E partindo disto devemos encontrar os caminhos para nos encontrar na família, entre as gerações e também entre as culturas e os povos, entre os caminhos da reconciliação e a convivência pacifica neste mundo, e os caminhos que conduzem para o futuro”.
Na entrevista em preparação para sua viagem a München, Altötting e Regensburg entre 9 e 14 de setembro, o Santo Padre respondeu a perguntas sobre os temas que abordará em seu país natal, sua visão da Igreja ali e o mundo ocidental, os jovens, a atual situação de violência no Oriente Médio, o equilíbrio entre o primado do Papa e a colegialidade episcopal, o ecumenismo, a família, a moral, o futuro do cristianismo na Europa, o lugar e missão das mulheres na comunidade eclesiástica, o “novo fascínio” que o catolicismo exerce hoje, os planos respeito a suas próximas viagens e alguns aspectos de sua personalidade e ministério petrino.
Ao ser perguntado a respeito da situação atual da Igreja em terras germanas, o Pontífice precisou que seu país forma parte do Ocidente e que “no mundo ocidental hoje vivemos uma onda de um novo iluminismo drástico ou laicidade”.
“Acreditar se tornou mais difícil, porque o mundo no qual nos encontramos está feito completamente por nós mesmos e no que, por assim dizer Deus já não aparece diretamente. Já não se bebe diretamente da fonte, mas sim do recipiente que nos apresenta já cheio, etc. Os homens construíram o próprio mundo, e encontrá-Lo neste mundo se tornou algo muito difícil”.
Entrevistado pelos jornalistas da rede televisiva Bayerischer Rundfunk (ARD); ZDF; Deutsche Welle e a Rádio Vaticano, o Papa manifestou seu desejo de apelar à generosidade dos jovens que, entretanto, “diante do risco de comprometer-se por toda a vida, quer seja no matrimônio ou no sacerdócio” experimentam medo.
Diante do temor que se experimenta de “atar a liberdade” com uma decisão definitiva, o Santo Padre notou a urgência de “despertar o valor de ousar decisões definitivas, que na realidade são as únicas que fazem possível o crescimento, o caminho para frente e o alcançar algo importante na vida, as únicas que não destroem a liberdade, mas que lhe oferecerem a justa direção no espaço”.
Como foi dado a conhecer há uma semana, Bento XVI se referiu ao atual conflito armado no Oriente Médio afirmando que “a guerra é a pior solução para todos. Não contribui em nada de bom para ninguém, nem sequer para os supostos ‘vencedores’” e que o que todos precisam é de paz.
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VATICANO, 02 Ago. 06 (ACI) .- Durante uma audiência geral particular, diante de mais de 40 mil coroinhas da Europa, o Papa Bento XVI pediu aos jovens servidores do altar estar abertos à possibilidade do chamado à vocação sacerdotal.
O Pontífice iniciou recordando que “faz mais de 70 anos, em 1935, comecei como coroinha”; e explicou que é “o Espírito Santo quem sustenta a vossa relação com Jesus, de maneira que não seja só externa”.
“Hoje, vendo-vos aqui diante de mim na Praça de São Pedro –continuou o Santo Padre–, penso nos Apóstolos e escuto a voz de Jesus que vos diz: ‘Não vos chamei servos, senão amigos: permanecei em meu amor, e dareis muito fruto”.
“Vos convido: Escutai esta voz! Cristo não o disse só faz dois mil anos; Ele está vivo e vo-lo diz agora. Escutai esta voz com grande disponibilidade; tem algo para vos dizer a cada um”, adicionou.
“Talvez –continuou– a algum de vós vos esteja dizendo: ‘quero que me sirva de maneira especial como sacerdote convertendo-se assim em minha testemunha, sendo meu amigo apresentando aos outros esta amizade’”.
O Pontífice exclamou logo: “Queridos coroinhas, Vós sois já apóstolos de Jesus! Quando participais da Liturgia realizando o vosso serviço no altar, vós ofereceis um testemunho. A vossa atitude de recolhimento, vossa devoção que parte do coração e se expressa nos gestos, no canto, nas respostas: se o fizerdes de maneira correta e sem distrações, nem de qualquer jeito, então o vosso é um testemunho que comove aos homens”.
Bento XVI assinalou depois que os coroinhas estão “muito perto de Jesus Eucaristia, e este é o maior sinal de sua amizade”. “Por isso vos peço: não vos habitueis a este dom, de tal forma que não se converta em uma sorte de rotina, sabendo como funciona e fazendo-o automaticamente, pelo contrário deveis descubrir cada dia novamente que acontece algo grande, que o Deus vivente está em meio de vós, e que podeis estar perto para ajudar a que vosso ministério seja celebrado e chegue às pessoas”.
O Papa destacou que, desta forma “sereis verdadeiramente seus apóstolos e produzireis frutos de bondade e de serviço em cada âmbito de vossa vida: na família, na escola, no tempo livre”.
“Queridos coroinhas, minhas últimas palavras são: sede sempre amigos e apóstolos de JesusCristo!“, concluiu.
Em suas intenções para o mês de agosto
ROMA, sexta-feira, 28 de julho de 2006 (ZENIT.org).- No mês de agosto, Bento XVI rezará especialmente «para que os fiéis cristãos sejam conscientes de sua vocação missionária em todos os ambientes e circunstâncias».
É o que anuncia o Apostolado da Oração, uma iniciativa seguida por 50 milhões de pessoas nos cinco continentes, através da qual leigos, religiosos, religiosas, sacerdotes e bispos do mundo inteiro oferecem suas orações e sacrifícios pelas intenções que o Papa indica a cada mês.
A Congregação vaticana para a Evangelização dos Povos encarregou o comentário desta intenção missionária a Irmã Elisabetta Adamiak, superiora geral das Irmãs Missionárias de São Pedro Claver (SSPC).
A religiosa recorda que todos os fiéis, «por causa do batismo, são responsáveis da missão da Igreja», e que eles «estão chamados a contribuir para a santificação do mundo, principalmente com o testemunho de sua vida e com o fulgor da fé, da esperança e da caridade, iluminando e ordenando as realidades temporais segundo Deus».
Daí que em seu «compromisso social e político, buscam promover a dignidade da pessoa humana, colocando o homem no centro da vida econômica e social; e se empenham em defender o inviolável direito à vida, à liberdade de consciência e à liberdade religiosa», exemplifica.
Mas «o primeiro espaço de seu empenho social é a família e a alma de seu empenho apostólico é a caridade», afirma.
Ponto de partida: o amor de Deus
É que, como alude a religiosa, essa é a «formula sintética da existência cristã» –em palavras de Bento XVI–: «Nós temos reconhecido o amor de Deus por nós e nele acreditamos» (Deus caritas est, n.1).
De forma que «reconhecer e acreditar no amor de Deus por cada um de nós» «estimula fortemente a compartilhá-lo, a comunicá-lo aos outros», afirma.
No entanto, é consciente de que se pode apresentar a dificuldade de «acreditar que Deus nos ama, ou melhor, que foi o primeiro a nos amar», coisa que «explica, ao menos em parte, o enfraquecimento da consciência sobre a grandeza da vocação cristã».
«Como reforçar tal consciência?», pergunta. E oferece uma indicação expressa do Papa: «Diante do ativismo e do oprimente secularismo de muitos cristãos, chegou o momento de reafirmar a importância da oração» (Deus caritas est, n.37).
«Por conseguinte –acrescenta Irmã Elisabetta Adamiak–, todos nós, membros da Igreja - ministros ordenados, consagrados e leigos -, devemos apostar na oração, cultivando uma sempre mais profunda familiaridade com Deus e o abandono à sua vontade».
«Somente assim, apesar de “pequeno rebanho”, nos tornaremos o fermento evangélico capaz de fermentar a grande massa da humanidade», conclui.
O Papa reza também todos os meses por uma intenção geral, que para o mês de agosto diz assim: «Para que não faltem aos órfãos as devidas atenções para sua formação humana e cristã».
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VATICANO, 26 Jul. 06 (ACI). - Durante um encontro informal com os jornalistas na região de Les Combes, o Papa Bento XVI ofereceu suas orações pelos frutos da conferência que começou hoje em Roma para a paz no Líbano, e desejou que esta termine com “resultados concretos“.
“Acredito que neste momento, algo se move… acredito que as orações não são em vão“, disse o Santo Padre.
“Agora rezemos fervorosamente para que esta conferência em Roma possa dar seus frutos e oferecer resultados concretos para a paz e para uma solução dos problemas que vão às raízes e alcance uma paz duradoura e estável”, acrescentou.
A reunião, impulsionada pela Itália e Estados Unidos e alentada intensamente pela Santa Sé, conta com os ministros de Assuntos Exteriores e os principais representantes de 15 países, incluindo a Rússia e os principais países árabes; assim como organizações internacionais como a União Européia, as Nações Unidas e o Banco Mundial.
A Santa Sé participa como Observador através do Secretário para as Relações com os Estados, o Arcebispo Giovanni Lajolo.
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KONIGSTEIN, 25 Jul. 06 (ACI) .- A agência caritativa católica Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) anunciou hoje que o número de famílias afetadas pelo conflito armado no Líbano ultrapassa as 100 mil; a maioria delas cristãs.
“O número de mortes passa dos 300 e de 900 o número de feridos”, diz o comunicado de imprensa urgente de AIS; que informa além disso muitas das 100 mil famílias atingidas estão buscando refúgio nas escolas públicas e particulares, “assim como em conventos e edifícios da Igreja“.
“Neste momento, alimentos enlatados, leite para as crianças, detergentes, sabão, e remédios sãos os produtos mais ncessitados”, acrescenta o informe.
O AIS, respondendo a um chamado de urgência lançado por Issam Bishara, Diretor regional da Missão Pontifícia, enviou 20 mil euros como assistência de emergência.
O Pe. Joaquín Alliende, Assistente eclesiástico do AIS, lançou um enérgico chamado aos católicos do mundo para seguir “o chamado à oração feito pelo Santo Padre pela paz no Oriente Médio“.
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte (Brasil)
BELO HORIZONTE, domingo, 23 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (Minas Gerais), difundido essa semana pelo site de sua arquidiocese.
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«Jesus teve compaixão»
(Mc 6,34)
Esta anotação do evangelista, ‘Jesus teve compaixão’, rasga e marca com outro tom o horizonte de egoísmo que sempre emoldura toda mesquinhez e a comum indiferença diante das dores e dos sofrimentos dos outros. Não é difícil ver tantas coisas, particularmente, aquelas que alimentam a perversidade ou ocasionam comentários que dão asas aos pensamentos que destroem. É preciso ver. Há muito para se ver. Só quem vê, de verdade, é capaz de ter compaixão. Deus vê de verdade. Deus vê tudo. Por isso, Ele tem compaixão. Em Deus, o ver é uma propriedade que o define na sua mais profunda significação. No coração humano, ver de verdade é um dom. Um dom de grande importância. Sua grande importância deve gerar no coração do discípulo o desejo de pedir e receber o dom de ver de verdade, fazendo nascer no seu peito um coração cheio de misericórdia e compaixão. Um sentimento que é mais do que um simples sentimento. Na verdade, é uma experiência de intimidade e semelhança com o coração do próprio Deus. E tudo muda quando se tem compaixão. O coração compassivo é autenticamente humano e se torna, por isso, fonte de grandes alegrias.
É preciso ver
Na medida em que se em que se consegue ver as dores e sofrimentos dos outros é que se conquista um coração novo. Esta capacidade de ver e sentir o outro gera o coração novo, porque provoca a generosidade que enche a vida de sentido pela medida da oferta de si para o bem de qualquer um outro, considerando a sua necessidade. Necessidade atendida como projeto de reconstrução e edificação da vida. Não se pode, pois, dispensar olhos que se tornam capazes de ver os mais pobres, aqueles que estão mais distantes e esquecidos pelos interesses outros de tantos outros. Só um coração íntimo de Deus é capaz de ver em profundidade, com a propriedade do ver de Deus. Esta propriedade gera no coração humano os sentimentos de profundidade divina. O divino sentir de Deus se manifesta no fundo do coração humano. O resultado é uma grande e verdadeira revolução. Uma revolução de amor derramado nos corações precisados, garantindo-lhes o cuidado do pastor, a certeza de sua recomposição e conquista da vida.
Ele teve compaixão
A compaixão de Deus nasce das vísceras do seu coração. O Mestre, muitas vezes, se deixou tocar no fundo do coração. Um toque de compaixão. Uma compaixão nascida desta capacidade, dom de Deus, de ver em profundidade a dor e a necessidade do outro. É uma experiência que toca o mais escondido dos afetos, produzindo mudanças, criando as condições da oferta de si. Um toque nos afetos humanos que inclui a capacidade de indignar-se na busca e na promoção do bem. Ver em profundidade gera compaixão. A compaixão cura toda impassibilidade tão comum nos corações interessados em si mesmos, tendentes a eleger o seu próprio bem como prioridade mais importante. A compaixão é, também, um misto de ternura com indignação, criando as condições e os mecanismos para desmascarar aqueles que se põem no lugar de Deus, e não raramente produzem o contrário de sua presença. Em lugar da vida a morte; em lugar da oferta a manipulação interesseira; em lugar da generosidade o interesse pelas próprias coisas.
O segredo da missão
A compaixão do Mestre é a desafiadora medida para o coração dos seus discípulos. É a garantia de sua identidade. Este é o verdadeiro sentido de assumir o lugar de discípulo. É quando o outro se torna a medida primeira de todos os atos nos quadros da vida. São incontáveis as necessidades. O tempo pra si é curto. Conta mais o tempo para se fazer oferta para o bem dos outros. É curto até mesmo o tempo para comer. A multidão é sempre grande. São aqueles que precisam mais. Um desafio que compromete e exige um sustento de qualidade superior. Uma qualidade que nasce do gosto de uma intimidade. Aquela intimidade que só Deus é capaz de oferecer e garantir. Uma intimidade que supõe cultivo, um tempo de deserto diante de Deus. Esta experiência traz a exigência de que é preciso ser íntimo de Deus, aprendendo dele a sua capacidade própria de ver. O ver que faz o coração humano hospedar as prerrogativas de Deus. Uma hospedagem que resulta na nobreza maior da pessoa humana que se torna capaz de ver o outro, especialmente os mais pobres, sob o impulso de agir segundo a vontade soberana e amorosa de Deus.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte