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Maria, impulsora do ecumenismo

mai 7, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade, Igreja

Segundo a teóloga Jutta Burggraf

Por Miriam Díez i Bosch

PAMPLONA, 7 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Maria é «mestra e companheira no caminho» do ecumenismo, assegura a teóloga alemã Jutta Burggraf, especialista em Teologia da Criação, Teologia Ecumênica e Teologia Feminista.

Burggraf é doutora em Psicopedagogia, doutora em Sagrada Teologia e professora de Teologia dogmática na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra e esteve em Roma recentemente para apresentar o «Dicionário de Teologia» da Editora EUNSA. Zenit a entrevistou.

Maria pode impulsionar o ecumenismo?

–Burggraf: Certamente. Não podemos esquecer que o verdadeiro protagonista do movimento ecumênico é o Espírito Santo. Portanto, é aconselhável que uma pessoa que quer trabalhar a sério pela unidade dos cristãos tome Maria como mestra e companheira no caminho: sua docilidade ao Espírito pode ser considerada como o núcleo íntimo de uma autêntica atitude ecumênica.

A veneração a nossa Mãe se fundamenta na Sagrada Escritura. Maria canta no Magnificat: «Desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada». Estas palavras são uma profecia e, por sua vez, uma missão para a Igreja de todos os tempos.

Os cristãos não inventaram nada novo quando começaram a louvar Maria. Ao contrário, descuidariam do que lhes foi confiado se não o fizessem. Eles se afastariam da palavra bíblica, e não glorificariam a Deus como Ele quer ser glorificado.

Maria é protagonista de festas litúrgicas não só na tradição católica.

–Burggraf: Nos tempos anteriores às grandes separações do Oriente (século XI) e do Ocidente (século XVI), as primeiras gerações cristãs já haviam começado a celebrar algumas festas marianas. Assim, por exemplo, a festa da Dormição é conhecida em Jerusalém no século VI, e em Constantinopla no ano 600. Como se supõe que Maria morreu muito suavemente, com muita paz e com a grande alegria de unir-se ao seu Filho, não se fala de «morte», mas de «Dormição». Tanto os ortodoxos como os muçulmanos celebram hoje esta festa em 22 de agosto, e a preparam com 15 dias de jejum. No final do século VII, foi introduzida em Roma, onde passou a chamar-se «Assunção de Santa Maria».

No século VIII se celebrava no Oriente a festa da Imaculada Conceição, sem dar muitas explicações teológicas ao respeito: o pensamento oriental prefere o mistério; o ocidental, ao contrário, a clareza analítica. Também Lutero foi favorável a esta festa. O reformador também costumava cantar o «Magnificat» diariamente, segundo conta a tradição.

Para os ortodoxos, o primeiro título de Maria é Theotokos, «Mãe de Deus», usado freqüentemente nos hinos e nas ricas obras iconográficas. O hino Akathistos (que literalmente significa «estando de pé», porque se canta nesta posição) é o hino mariano mais famoso no Oriente. Foi composto no final do século V por um autor desconhecido. Como diz um escritor moderno, não há problemas em que o hino seja anônimo. «Assim é de todos, porque é da Igreja.»

Há também uma marca comum a quase todos os ícones da Virgem no Oriente. Maria é representada como Mãe de Deus que leva o Menino Jesus nos braços. Estas imagens confessam a fé na maternidade divina de Maria.

Qual é a atitude dos protestantes com relação a Maria?

–Burggraf: Alguns disseram que, com a veneração de Maria, os cristãos teriam «caído», desde a altura da veneração do único Deus, ao louvor do ser humano. Na realidade, não é assim. Quando louvamos Maria, veneramos Deus. Quem elogia uma obra de arte, elogia o artista que a fez. Se estou fascinada com as pinturas «El aguador de Sevilla» ou «Las Meninas», o louvor recai em Diego Velázquez, que as realizou.

A Igreja venera em Maria a realização mais perfeita da obediência na fé. Isso é algo que podem aceitar também os cristãos evangélicos e, de fato, muitos o afirmam cada vez mais claramente. Não quer dizer que a Mãe de Jesus – como a chamam os protestantes – tenha sido um instrumento passivo nas mãos de Deus.

Ao contrário, sua entrega humilde e obediente só foi possível graças a uma grande atividade interior que manifesta, por sua vez, liberdade e maturidade. Pois só uma pessoa que é «dona» de si mesma pode dar-se alegremente aos demais. Só quem se sente autenticamente livre não se fere por ser «escrava».

Maria não foi passiva, mas receptiva; esteve disposta a receber os dons divinos. Esta atitude constitui uma condição necessária para levar uma vida cristã: quem não deixa Deus entrar em sua vida, não pode receber a fé nem as demais graças, e tampouco pode desenvolver plenamente suas capacidades. A escrava do Senhor é também a rainha dos céus.

O teólogo protestante Helmut Thielicke conta em sua autobiografia que, em uma visita que fez a um convento católico na Áustria, as religiosas lhe causaram uma grande impressão. Descreve assim: «Meu espírito se elevou – diz –, enquanto passeava meu olhar pelos diferentes rostos lá congregados. Todas elas pareciam ter marcas únicas, eram uma espécie de trabalho artesanal – primoroso – de Deus… Não havia marca de um padrão de fisionomias de moda, imitação ou uniformidade… Impressionou-me especialmente a beleza desses rostos tão idosos, que haviam sido moldados pelo Espírito».


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Pregador do Papa: «nosso verdadeiro céu é Cristo Ressuscitado»

mai 4, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Bíblia, Espiritualidade, Santa Sé

Comentário do Pe. Cantalamessa sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 2 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia – sobre a Liturgia da Palavra do próximo domingo, Ascensão do Senhor.

* * *

Ascensão do Senhor

Atos 1, 1-11; Efésios 1, 17-23; Mateus 28, 16-20

«Por que ficais aqui parados, olhando para o céu?»

Na primeira leitura, um anjo diz aos discípulos: «Homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu». É a ocasião para declarar-nos as idéias sobre o que entendemos por «céu». Em quase todos os povos, por céu se indica a morada da divindade. Também a Bíblia usa esta linguagem espacial: «Glória a Deus no alto céu e paz na terra aos homens».

Com a chegada da era científica, todos estes significados religiosos da palavra «céu» entraram em crise. O céu é o espaço no qual nosso planeta e todo o sistema solar se movem, e nada mais. Conhecemos a ocorrência atribuída a um astronauta soviético, ao regresso de sua viagem pelo cosmo: «Percorri o espaço e não encontrei Deus em lugar nenhum!».

Assim, é importante que tentemos esclarecer o que entendemos nós, cristãos, quando dizemos «Pai nosso que estais nos céus», ou quando dizemos que alguém «foi para o céu». A Bíblia se adapta, nestes casos, ao modo de falar popular (também o fazemos atualmente, na era científica, quando dizemos que o sol «sai» ou se «põe»); mas ela bem sabe e ensina que Deus «está no céu, na terra e em todo lugar», que é Ele quem «criou os céus», e se os criou não pode estar «fechado» neles. Que Deus esteja «nos céus» significa que «habita em uma luz inacessível»; que dista de nós «o quanto o céu se eleva sobre a terra».

Desta forma nós, os cristãos, concordamos em dizer que o céu, como lugar da morada de Deus, é mais um estado que um lugar. Quando se fala dele, não tem sentido algum dizer «no alto» ou «abaixo». Com isso não estamos afirmando que o paraíso não existe, mas só que para nós nos faltam as categorias para poder representá-lo. Peçamos a uma pessoa completamente cega de nascença que nos descreva o que são as cores: o vermelho, o verde, o azul… Não poderá dizer absolutamente nada, nem outro será capaz de explicar-lhe, pois as cores são percebidas com a visão. Assim acontece conosco com relação ao além e à vida eterna, que estão fora do espaço e do tempo.

À luz do que dissemos, o que significa proclamar que Jesus «subiu ao céu»? A resposta está no Credo: «Subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai». Que Cristo tenha subido ao céu significa que «está sentado à direita do Pai», isto é, que também como homem entrou no mundo de Deus; que foi constituído, como diz São Paulo na segunda leitura, Senhor e cabeça de todas as coisas. Em nosso caso, «ir ao céu» ou «ao paraíso» significa ir para estar «com Cristo» (Fil 1, 23). Nosso verdadeiro céu é Cristo ressuscitado, com quem iremos encontrar-nos e formar um «corpo» depois de nossa ressurreição, e de modo provisório e imperfeito imediatamente depois da morte. Objeta-se às vezes que, contudo, ninguém voltou do além para assegurar-nos que ele existe de verdade e que não se trata de uma piedosa ilusão. Não é verdade! Há alguém que a cada dia, na Eucaristia, volta do além para dar-nos garantias e renovar suas promessas, se sabemos reconhecê-lo.

As palavras do anjo, «homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu?», contêm também uma reprovação velada: não devem ficar olhando para o céu e especulando sobre o além, mas viver à espera do retorno [de Jesus], prosseguir sua missão, levar seu Evangelho até os confins da terra, melhorar a própria vida na terra. Ele subiu ao céu, mas sem deixar a terra. Só saiu de nosso campo visual. Precisamente na passagem evangélica Ele mesmo nos assegura: «Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo».


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Dados de «GfK Eurisko», por encargo da Federação Bíblica Católica
Por Marta Lago

ROMA, 28 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Da população adulta pesquisada nos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Espanha, França, Itália, Polônia e Rússia surge um pedido: ajuda para entender o significado da Bíblia, sobretudo para a própria vida e para a vida em comum.

Este é um dos resultados da pesquisa sobre «A leitura das Escrituras em alguns países» realizada por «GfK Eurisko», sob o patrocínio da Federação Bíblica Católica, presidida pelo bispo de Terni, Dom Vincenzo Paglia, visando ao Sínodo – do próximo mês de outubro – sobre «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja».

Coordenador do grupo de pesquisa e professor de Sociologia na Universidade de Roma Tre, o professor Luca Diotallevi apresentou nesta segunda-feira sinteticamente os primeiros resultados da pesquisa – quanto à população adulta em geral dos países estudados – na Sala de Imprensa da Santa Sé, diante do citado prelado, do presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, do arcebispo Gianfranco Ravasi e da imprensa internacional.

Longe de constituir o texto de uma minoria, a Bíblia é uma referência importante – em medida e formas diversas – presente na vida e na cultura de amplas maiorias da população, segundo explicou o professor Diotallevi.

Em conjunto, o estudo revela a percepção, por parte do leitor, da Bíblia como algo difícil. Tal conclusão é um dos principais resultados do estudo, segundo o sociólogo, que aponta a importância de que em outubro os padres sinodais saibam que as pessoas não pedem o convencimento do valor da Bíblia, mas ajuda para entender seu significado e sobretudo como aplicá-lo na vida de cada um e na vida comunitária.

A pesquisa mostra que aqueles que defendem a aplicação da Sagrada Escritura ao pé da letra – «fundamentalistas» ou simplesmente literalistas, descreveu o professor Diotallevi – não se incluem entre quem mostra um maior conhecimento bíblico.

Por outro lado, a prática da leitura da Bíblia depende, mais que de compartilhar crenças religiosas, da participação em eventos (ritos) e grupos (religiosos) que já tenham tal hábito – sempre segundo a pesquisa de «GfK Eurisko».

A leitura da Bíblia não depende da tendência política de «direita» ou «esquerda», mas sim de um efeito secularizador que o estudo sublinha e que se concretiza em uma brecha que divide o mundo anglo-saxão da Europa centro-ocidental. Em um extremo, nos Estados Unidos, três de cada quatro pessoas leram alguma vez a Bíblia nos últimos doze meses; uma de cada cinco no outro extremo, na Espanha.

O desnível mostra os «efeitos da secularização» para a religião, aponta o professor Diotavelli. Tais efeitos são melhores nos Estados Unidos e piores em geral na Europa centro-ocidental, «com a positiva exceção italiana».

Outra evidência da pesquisa é a postura favorável predominante, nas populações analisadas, do estudo da Bíblia nas escolas: os partidários desta opção superam 50% na Rússia, Polônia, Itália, Reino Unido e Alemanha.

Uma pesquisa similar foi iniciada na Argentina, África do Sul, Filipinas e Austrália para completar a perspectiva oferecida, anunciou Dom Paglia. «E por que não acrescentar entre esses países o Estado da Cidade do Vaticano?», brincou Dom Ravasi.

O presidente do dicastério para a Cultura enfatizou, na apresentação destes primeiros resultados, a conseqüência hermenêutica. Considera muito satisfatório que entre os pesquisados se considere fundamental o recurso à interpretação das Escrituras. O componente hermenêutico se sente como uma exigência básica, afirmou o prelado.


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Roma, 18 Abr. 08 / 07:00 pm (ACI).- A missiva, publicada no fim de semana pelo L’Osservatore Romano, foi escrita em ocasião da Jornada Mundial pela Santificação dos sacerdotes, que se celebra em 30 de maio, Solenidade do Sagrado Coração do Jesus.

Depois de destacar a “prioridade da oração em relação à ação, enquanto que da primeira depende a incessante atividade”, o Cardeal Hummes explica que “da relação pessoal de cada um com o Senhor Jesus depende enormemente a missão da Igreja“.

“A missão, então, deve ser nutrida pela oração. ‘Chegou o momento de reafirmar a importância da oração frente ao activismo e ao secularismo‘ (Bento XVI, Deus caritas est, n° 37). Não nos estanquemos de procurar a sua misericórdia, de deixá-lo olhar e curar as feridas dolorosas de nosso pecado e assombremo-nos frente ao milagre, sempre novo, de nossa humanidade redimida”, prossegue o Cardeal.

Logo de encorajar que os sacerdotes sejam “peritos da misericórdia de Deus em nós, para que assim sejamos instrumentos no abraço, de modo sempre renovado, da humanidade ferida”, o Cardeal sublinhou que “somos, enfim, presbíteros graças ao ato mais alto da misericórdia de Deus e à contemplação de sua predileção: o sacramento da Ordem”.

Seguidamente, assinalou que “a dimensão mais autêntica de nosso sacerdócio é a mendicidade, a oração simples e contínua, que se aprende na oração silenciosa que sempre caracterizou a vida dos santos e é solicitada insistentemente”.

O Prefeito da Congregação para o Clero remarcou que “a única medida adequada, frente a nossa Santa vocação, é a radicalidade. Esta total dedicação, na consciência de nossa infidelidade, pode aparecer somente como uma renovada decisão em oração que, logo, Cristo realiza dia a dia”.

Depois de reconhecer que “o mesmo dom do celibato sacerdotal surge do acolher e viver nesta dimensão de radicalidade e plena configuração a Cristo”, o Cardeal Hummes advertiu energicamente que “qualquer outra posição, em relação à realidade da relação com Ele, corre o risco de converter-se em ideologia”.

“Sejamos fiéis, queridíssimos irmãos, à celebração cotidiana da Santíssima Eucaristia, não para cumprir um esforço pastoral ou um ensino da comunidade confiada a nós, mas sim pela absoluta necessidade pessoal que advertimos em nós, como a respiração, como a luz para nossa vida, como a única razão adequada para uma existência sacerdotal adequada”, alentou.

Ao colocar de relevo a necessidade dos sacerdotes da adoração eucarística cotidiana, o Prefeito assegurou que “como o fato de ser missionária é intrínseco à natureza mesma da Igreja, do mesmo modo a nossa missão está inscrita na identidade sacerdotal, e assim a urgência missionária é uma questão de consciência de nós mesmos”.

“Fundamente imprescindível da inteira vida sacerdotal é a Santa Mãe de Deus. A relação com ela não pode se resolver em uma piedosa prática devocional, mas sim está nutrida pelo contínua entrega, entre os braços da sempre Virgem, de toda a nossa vida, de nosso ministério em sua totalidade”, disse.

“Confiamo-nos à intercessão da Virgem Santa Reina dos Apóstolos, Mãe muito doce, olhamos com ela a Cristo, na contínua tensão de ser totalmente, radicalmente seus. Esta é nossa identidade!”, continuou.

“O Senhor nos guie e proteja a todos e cada um, de maneira especial aos doentes e o que sofrem, na constante oferenda de nossa vida por amor”, finalizou o Cardeal.


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Pregador do Papa: «amor evangélico é o grande ausente das seitas»

abr 12, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade

Comentário do Pe. Cantalamessa sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 11 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia – sobre a Liturgia da Palavra do próximo domingo, IV da Páscoa.

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IV Domingo da Páscoa

Atos 2,14a.36-41; 1 Pedro 2, 20b-25; João 10, 1-10

Eu sou o Bom Pastor

Este é o domingo do Bom pastor, mas pelo menos dessa vez não é nele que vamos concentrar a atenção, e sim no seu antagonista. Quem é o personagem definido como «ladrão» e «estranho»? Jesus pensa, em primeiro lugar, nos falsos profetas e nos pseudomessias do seu tempo, que faziam de conta que eram enviados de Deus e libertadores do povo, enquanto, na verdade, não faziam nada além de mandar as pessoas morrerem por eles.

Hoje, esses «estranhos» que não entram pela porta, mas que se introduzem no redil às escondidas, que «roubam» as ovelhas e as «matam», são visionários fanáticos ou astutos aproveitadores que abusam da boa vontade e da ingenuidade das pessoas. Eu me refiro aos fundadores ou chefes de seitas religiosas que estão por aí.

Quando falamos de seitas, no entanto, devemos prestar atenção para não colocar tudo no mesmo nível. Os evangélicos e os pentecostais protestantes, por exemplo, além de grupos isolados, não são seitas. A Igreja Católica mantém com eles, há muito tempo, um diálogo ecumênico no âmbito oficial, algo que jamais faria com as seitas.

As verdadeiras seitas são reconhecidas por algumas características. Antes de tudo, quanto ao conteúdo do seu credo, não compartilham pontos essenciais da fé cristã, como a divindade de Cristo e a Trindade; ou misturam com doutrinas cristãs elementos alheios incompatíveis com elas, como a reencarnação. Quanto aos métodos, são literalmente «ladrões de ovelhas», no sentido de que tentam por todos os meios arrancar os fiéis da sua Igreja de origem para torná-los adeptos da sua seita.

Geralmente são agressivos e polêmicos. Mais do que propor conteúdos próprios, passam o tempo acusando, polemizando contra a Igreja, Nossa Senhora e em geral tudo o que é católico. Estamos, com isso, nas antípodas do Evangelho de Jesus, que é amor, doçura, respeito pela liberdade dos outros. O amor evangélico é o grande ausente das seitas.

Jesus nos deu um critério seguro de reconhecimento: «Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os reconhecereis» (Mt 7, 15). E os frutos mais comuns da passagem das seitas são famílias destruídas, fanatismo, expectativas apocalípticas do fim do mundo, regularmente desmentidas pelos fatos.

Existes outros tipos de seitas religiosas, nascidas do mundo cristão, em geral importadas do Oriente. Ao contrário das primeiras, não são agressivas; elas se apresentam com «fantasia de cordeiro», pregando o amor por todos, pela natureza, pela busca do eu profundo. São formações freqüentemente sincretistas, ou seja, que agrupam elementos de diversas procedências religiosas, como no caso da Nova Era.

O imenso prejuízo espiritual para quem se deixa convencer por esses novos messias é que perde Jesus Cristo e, com Ele, essa «vida em abundância» que Ele veio trazer.

Algumas dessas seitas são perigosas também no campo da saúde mental e da ordem pública. Os recorrentes casos de sequestros e suicídios coletivos nos advertem até onde pode levar o fanatismo do chefe de uma seita.

Quando se fala de seitas, no entanto, devemos recitar também um «mea culpa». Com freqüência, as pessoas acabam em alguma seita pela necessidade de sentir o calor e o apoio humano de uma comunidade que não encontraram em sua paróquia.

[Tradução: Aline Banchieri]


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Conversão de Paulo é exemplo de encontro com Cristo, diz arcebispo

abr 12, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade, Igreja

Dom Geraldo Lyrio Rocha presidiu missa de encerramento de assembléia da CNBB

Por Alexandre Ribeiro

INDAIATUBA, sexta-feira, 11 de abril de 2008 (ZENIT.org).- A narração da conversão de Paulo é exemplo de encontro com Cristo e remete à Conferência de Aparecida e suas indicações sobre discípulos e missionários, afirma o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Na missa de encerramento da 46ª Assembléia Geral do episcopado, esta manhã, Dom Geraldo Lyrio Rocha, no contexto da primeira leitura (At 9, 1-20), explicou que «o sempre comovente relato da conversão de Paulo» se constrói em dois pólos.

Primeiro, «o diálogo da aparição» e, conseqüentemente, «a missão confiada àquele que de perseguidor dos cristãos se torna ‘um instrumento escolhido para levar o nome de Jesus aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel’».

Segundo o arcebispo de Mariana (Minas Gerais), no caminho de Damasco, Saulo «reconhece Jesus de Nazaré e descobre a identidade entre Jesus que agora encontrou e os cristãos que tanto havia perseguido».

«Revela-se a Paulo o mistério de Cristo Cabeça e seu corpo que é a Igreja. Esse duplo reconhecimento é que vai motivar Paulo para a urgência da missão: “Depois de passar alguns dias com os discípulos em Damasco, ele logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é Filho de Deus”.»

De acordo com Dom Geraldo Lyrio, a narração da conversão de Saulo traz consigo a apresentação de sua vocação apostólica.

«Como os demais Apóstolos também Paulo viu o Ressuscitado e foi por ele enviado a pregar.»

Entretanto –prossegue o arcebispo–, de acordo com a narração de Lucas, «o chamado que Cristo dirigiu a Saulo deveria ser ratificado pela Igreja. Cristo manda Paulo à Igreja que, por Ananias, o batiza e lhe abre os olhos».

«A experiência do encontro pessoal com o Ressuscitado transformou Saulo em discípulo e missionário de Jesus Cristo», afirma.

Ao recordar que «essa verdade logo nos remete à Conferência de Aparecida», o arcebispo lembrou que o esforço da 46ª assembléia plenária da CNBB foi justamente traduzir as reflexões da Quinta Conferência em indicações pastorais concretas para o país, tendo como eixo central «o acontecimento de Cristo».


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Nasce mosteiro com adoração perpétua na Galiléia

abr 4, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Espiritualidade, Igreja, Mundo

KORAZIM (Israel), quinta-feira, 3 de abril de 2008 (ZENIT.org).- No sábado passado, 29 de março, durante um encontro com cerca de 170 bispos europeus, foi inaugurado um mosteiro construído na parte direita da Domus Galilaeae, onde acontecerá a adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento.

Cumpre-se, desta maneira, depois de quase um século, o desejo contemplado pelo beato Charles de Foucauld, quando se encontrava em Nazaré, de criar neste monte um lugar onde Cristo Eucaristia fosse uma presença permanente e adorada.

Com este fim, ele havia pensado em reunir uma pequena família monástica cuja vocação estivesse baseada na imitação da vida oculta de Jesus de Nazaré, na adoração eucarística perpétua e na evangelização nos países de missão.

Como sinal concreto de comunhão com a figura do fundador dos Pequenos Irmãos, uma relíquia do beato Charles de Foucauld será depositada sob o altar da capela circular, onde o Santíssimo será exposto noite e dia para ser adorado por todos os que habitam o mosteiro e pelos que se encontrem na Domus.

A adoração perpétua sobre esse monte sustentará «o diálogo entre o judaísmo e a Igreja Católica», segundo as indicações da carta enviada pelo Papa João Paulo II àDomus por ocasião da inauguração de sua biblioteca, assim como a promoção do diálogo ecumênico pela unidade das Igrejas cristãs.

O mosteiro está composto por 23 celas; em seu centro se encontra a capela circular sobre cujo teto se colocou um complexo escultural realizado por Kiko Argüello, que representa Jesus e os doze apóstolos durante a pregação do Sermão da Montanha.

Desta maneira, o monte no qual se proclamou pela primeira vez o mais essencial da pregação de Cristo será um sinal visível da oração da Igreja pela evangelização até os confins da terra.

A inauguração do mosteiro foi presidida pelo patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude Michel Sabbah, acompanhado de outros bispos de vários ritos, do Custódio da Terra Santa, o Pe. Pierbattista Pizzaballa, o arcebispo Antonio Franco, núncio de Sua Santidade, e de todas as autoridades civis da região. Também participaram numerosos embaixadores.


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