Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo

Arquivo de julho, 2008


Difundem na Espanha folheto que explica tragédia do aborto

jul 31, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Mundo, Outros

MADRI, 31 Jul. 08 / 01:30 am (ACI).- A organização “S.O.S. Família” da Espanha, iniciou a distribuição gratuita do folheto “Conheça toda a verdade sobre o aborto”, no qual de maneira simples e clara, responde-se às principais interrogantes sobre este grave tema.

Conforme explica É Família, “o aborto é a pior ferida aberta em incontáveis mães e lares, assim como na rede social espanhola; dificilmente se pode encontrar um tema que cause mais dor e polêmica”; e que ao mesmo tempo gere mais interrogantes: “a decisão de abortar significa um crime ou uma simples operação terapêutica?; matam-se cem mil crianças não nascidas por ano na Espanha ou se dá liberdade a 100 mil futuras mães para desfazer-se de uma ‘gravidez não desejada’?; essas mães ficam felizes pelo que fizeram ou com um trauma profundo pelo resto de suas vidas”

Segundo declarações do coordenador da campanha, Francisco González, o sucesso da publicação foi surpreendente: virtualmente sem publicidade, em junho deste ano se esgotaram duas edições com um total de 50 mil exemplares.

Além disso, no mês de julho, já em época de férias, apareceu a terceira edição com uma redação e apresentação que supera as anteriores, resumida em 16 páginas e ilustrada com 26 fotografias.
“Não desejo o filho que estou esperando. Posso abortá-lo? O Estado me pode permitir isso? por que a Igreja o proíbe?”, são as perguntas que se faz Maria Isabel, uma garota de 18 anos.

“O tema –diz González– é tratado com toda sua crueldade, mas de forma elevada e respeitosa. trata-se de um folheto de fácil leitura, que uma vez começada, não se deixa”.

O íntegra do folheto se pode ver e descarregar da página Web: www.sosfamilia.es


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Santa Sé estuda pedido de «Unidade Corporativa» de grupo anglicano

jul 31, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Santa Sé

Confirma o cardeal Levada em uma carta para a Comunhão Anglicana Tradicional

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 28 de julho de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé segue com «séria atenção» o pedido de «unidade corporativa» com a Igreja católica apresentada pela Comunhão Anglicana Tradicional, ramo ao qual pertencem aproximadamente 400 mil anglicanos.

Isto pode ser constatado em uma carta enviada pelo cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ao primaz desta Comunhão, o arcebispo John Hepworth.

A carta, que traz a data de 5 de julho, foi escrita antes que se iniciasse a Conferência de Lambeth, que reúne os representantes da Comunhão Anglicana a cada 10 anos, e que recebeu ameaças de cisma, em particular por dois pontos principais.

Em primeiro lugar, a intenção dos episcopalianos (ramo americano da Comunhão Anglicana) de ordenar bispos homossexuais; em segundo lugar, a possibilidade de reconhecer a ordenação de mulheres bispos, algo que já foi aprovado no início de julho pelo sínodo geral da Igreja da Inglaterra.

Segundo explica a carta do purpurado, no último ano, «a Congregação para a Doutrina da Fé estudou as propostas que foram apresentadas em nome da Câmara dos Bispos da Comunhão Anglicana Tradicional durante sua visita aos escritórios deste dicastério, em 9 de outubro de 2007».

«Dado que se aproximam os meses de verão, desejo assegurar-lhe a séria atenção que a Congregação dispensa à perspectiva de unidade corporativa nessa carta», acrescenta.

O cardeal Levada reconhece que «a situação na Comunhão Anglicana em geral se fez ainda mais complexa neste mesmo período de tempo».

Por este motivo, conclui, «enquanto a Congregação possa responder de maneira mais definitiva às propostas que os senhores enviaram, lhes informaremos».

O primaz da Comunhão Anglicana Tradicional recebeu a carta do representante vaticano, através do núncio apostólico na Austrália, em 25 de julho e imediatamente publicou uma nota de agradecimento.

«É uma carta de alento cálido. Respondi expressando minha gratidão em nome de ‘meus irmãos bispos’, reafirmando nossa determinação de alcançar a unidade pela qual Jesus rezou tão intensamente na Última Ceia, sem importar os custos pessoais que isto implique entre nossos seguidores», explica o arcebispo Hepworth.

«Esta carta deveria alentar a toda Comunhão, e àqueles amigos que nos ajudaram. Deveria nos estimular também a renovar nossa oração pelo Santo Padre, pelo cardeal Levada e pela equipe da Congregação para a Doutrina da Fé, assim como por todos os sacerdotes e leigos, enquanto avançamos a uma comunhão mais próxima em Cristo com a Santa Sé», afirma.

O arcebispo agradecer particularmente o fato do cardeal mencionar a «unidade corporativa», «um caminho raras vezes percorrida no passado, mas essencial para cumprir a oração de nosso Mestre e Pai: ‘que sejam um’».

Os fiéis da Comunhão Anglicana Tradicional, pouco menos de meio milhão, estão presentes na África, Austrália, no Estreito de Torres, Canadá, América Latina, Inglaterra, Irlanda, Índia, Paquistão, Japão e nos Estados Unidos.

Mais informação em http://www.themessenger.com.au


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Romano, O Melodista

jul 30, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: História da Igreja

Por Papa Bento XVI
Fonte: Vaticano

Caros irmãos e irmãs

Na série de catequeses sobre os Padres da Igreja, hoje gostaria de falar de uma figura pouco conhecida: Romano, o Melodista, nascido por volta de 490 em Emesa (hoje, Homs), na Síria. Teólogo, poeta e compositor, pertence à grande plêiade de teólogos que transformaram a teologia em poesia. Pensemos no seu compatriota, Santo Efrém da Síria, que viveu duzentos anos antes dele. Mas pensemos também em teólogos do Ocidente, como Santo Ambrósio, cujos hinos ainda hoje fazem parte da nossa liturgia e sensibilizam também o coração; ou num teólogo, num pensador de grande vigor como S. Tomás, que nos transmitiu os hinos da festa do Corpus Christi de amanhã; pensemos em São João da Cruz e em muitos outros. A fé é amor, e por isso cria poesia e música. A fé é alegria, e por isso cria beleza.

Assim Romano, o Melodista, é um deles, um poeta e compositor teólogo. Tendo aprendido os primeiros rudimentos de cultura grega e síria na sua cidade natal, ele transferiu-se para Berito (Beirute), aperfeiçoando aí a educação clássica e os conhecimentos rectóricos. Tendo sido ordenado diácono permanente (515 ca.), ali foi pregador durante três anos. Em seguida, transferiu-se para Constantinopla por volta do final do reino de Anastácio I (518 ca.) e ali estabeleceu-se no mosteiro, junto da igreja da Theotókos, a Mãe de Deus. Aí teve lugar o episódio-chave da sua vida: o Sinaxário informa-nos sobre a aparição em sonho da Mãe de Deus e sobre o dom do carisma poético. Com efeito, Maria obrigou-o a engolir uma folha enrolada. Quando acordou na manhã do dia seguinte era a festa da Natividade do Senhor Romano começou a declamar do ambão: “Hoje, a Virgem dá à luz o Transcendente” (Hino “Sobre a Natividade” I. Proémio). Assim, tornou-se homiliasta-cantor até à sua morte (depois de 555).

Romano permanece na história como um dos mais representativos autores de hinos litúrgicos. Nessa época, para os fiéis a homilia era praticamente a única ocasião de educação catequética. Assim, Romano apresenta-se como testemunha eminente do sentimento religioso da sua época, mas também de um modo vivaz e original de catequese. Através das suas composições, podemos dar-nos conta da criatividade do pensamento teológico, da estética e da hinografia sagrada daquela época. O lugar em que Romano pregava era um santuário da periferia de Constantinopla: ele subia ao ambão, posto no centro da igreja, e falava à comunidade recorrendo a uma encenação bastante dispendiosa: utilizava representações murais ou ícones dispostos sobre o ambão e recorria também ao diálogo. As suas homilias eram métricas cantadas, chamadas “kontáki” (kontákia). Parece que o termo kontákion, “pequena vara”, se refere à pequena haste ao redor da qual se envolvia o rolo de um manuscrito litúrgico ou de outro tipo. Os kontákia que chegaram até nós sob o nome de Romano são oitenta e nove, mas a tradição atribui-lhe mil.

Em Romano, cada kontákion é composto de estrofes, sobretudo de dezoito a vinte e quatro, com igual número de sílabas, estruturadas segundo o modelo da primeira estrofe (irmo); os acentos rítmicos dos versos de todas as estrofes modelam-se segundo os acentos do irmo. Cada estrofe termina com um estribilho (efimnio), de resto idêntico para criar a unidade poética. Além disso, as iniciais de cada uma das estrofes indicam o nome do autor (acróstico), muitas vezes precedido do adjectivo “humilde”. Uma prece em relação aos gestos celebrados ou evocados conclui o hino. Quando terminava a leitura bíblica, Romano cantava o Proémio, sobretudo em forma de oração ou de súplica. Assim, anunciava o tema da homilia e explicava o estribilho a repetir em coro no final de cada uma das estrofes, por ele declamada com cadência em voz alta.

Um exemplo significativo é-nos oferecido pelo kontákion para a Sexta-Feira da Paixão: é um diálogo dramático entre Maria e o Filho, que se desenvolve no caminho da cruz. Maria diz: “Aonde vais, Filho? Por que percorres tão rapidamente o percurso da tua vida? / Jamais teria acreditado, ó Filho, que te veria nesta condição, / e nunca teria imaginado que a tal ponto de furor chegariam os ímpios / de lançar as mãos sobre ti, contra toda a injustiça”. Jesus responde: “Por que choras, minha Mãe? [...] Não deveria eu padecer? Não deveria morrer? / Então, como poderia salvar Adão?”. O Filho de Maria consola a Mãe, mas exorta-a ao seu papel na história da salvação: “Depõe portanto, Mãe, depõe a tua dor: / não te corresponde o gemer, porque foste chamada “cheia de graça”" (Maria aos pés da cruz, 1-2; 4-5). Depois, no hino sobre o sacrifício de Abraão, Sara reserva a si a decisão sobre a vida de Isaac. Abraão diz: “Quando Sara ouvir, meu Senhor, todas as tuas palavras, / conhecendo esta tua vontade, ela dir-me-á: / Se aquele que no-lo concedeu volta a tomá-lo, por que no-lo deu? / [...] Tu, ó sentinela, deixa-me o meu filho, / e quando aquele que te chamou o quiser, terá que dizê-lo a mim” (O sacrifício de Abraão, 7).

Romano não adopta o solene grego bizantino da corte, mas um grego simples, próximo à linguagem do povo. Aqui, gostaria de citar um exemplo do seu modo vivaz e muito pessoal de falar do Senhor Jesus: chama-lhe “fonte que não arde e luz contra as trevas”, e diz: “Ouso ter-te na mão como uma lâmpada; / com efeito, quem leva uma candeia no meio dos homens é iluminado sem arder. / Ilumina-me, pois, Tu que és a Lâmpada inextinguível” (A Apresentação, ou Festa do Encontro, 8). A força de convicção das suas pregações fundava-se na grande coerência entre as suas palavras e a sua vida. Numa oração, ele diz: “Torna clara a minha língua, meu Salvador, abre a minha boca / e, depois de a ter enchido, trespassa o meu coração, para que o meu gesto / seja coerente com as minhas palavras” (Missão dos Apóstolos, 2).

Agora, analisemos alguns dos seus temas principais. Um tema fundamental da sua pregação é a unidade da acção de Deus na história, a unidade entre criação e história da salvação, a unidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Outro tema importante é a pneumatologia, ou seja, a doutrina sobre o Espírito Santo. Na Festa do Pentecostes, ele ressalta a continuidade que existe entre Cristo que subiu ao céu e os Apóstolos, ou seja, a Igreja, enquanto exalta a sua acção missionária no mundo: “[...] com virtude divina conquistaram todos os homens; / tomaram a cruz de Cristo como uma caneta, / utilizaram as palavras como redes e, com elas, pescaram o mundo, / tiveram o Verbo como anzol afiado, / como isca tornou-se para eles / a carne do Soberano do universo” (O Pentecostes, 2; 18).

Outro tema central é, naturalmente, a cristologia. Ele não entra no problema dos conceitos difíceis da teologia, tão debatidos naquela época, e que também muito dilaceraram a unidade não só entre os teólogos, mas também entre os cristãos na Igreja. Ele prega uma cristologia simples mas fundamental, a cristologia dos grandes Concílios. Mas sobretudo, está próximo da piedade popular de resto, os conceitos dos Concílios nasceram da piedade popular e do conhecimento do coração cristão e assim Romano sublinha o facto de que Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, e sendo verdadeiro Homem-Deus, é uma só pessoa, a síntese entre a criação e o Criador: nas suas palavras humanas, ouvimos falar o próprio Verbo de Deus. “Era homem diz Cristo, mas também era Deus, / porém não dividido em dois: é Um só, Filho de um Pai que é Um só” (A Paixão, 19). Quanto à mariologia, grato à Virgem pelo dom do carisma poético, Romano recorda-a no final de quase todos os hinos e dedica-lhe os seus kontáki mais lindos: Natividade, Anunciação, Maternidade divina e Nova Eva.

Enfim, os ensinamentos morais referem-se ao juízo final (As dez virgens, [II]). Ele conduz-nos para este momento da verdade da nossa vida, do confronto com o Juiz justo, e por isso exorta à conversão na penitência e no jejum. De modo positivo, o cristão deve praticar a caridade, a esmola. Ele acentua o primado da caridade sobre a continência em dois hinos, as Bodas de Caná e as Dez virgens. A caridade é a maior das virtudes: “[...] dez virgens possuíam a virtude da virgindade intacta, /mas para cinco delas o árduo exercício não deu fruto. / As outras brilharam pelas lâmpadas do amor pela humanidade, / e foi por isso que o esposo as convidou” (As dez virgens, 1).

Humanidade palpitante, ardor de fé e profunda humildade permeiam os cantos de Romano, o Melodista. Este grande poeta e compositor recorda-nos todo o tesouro da cultura cristã, nascida da fé, nascida do coração que se encontrou com Cristo, com o Filho de Deus. Deste contacto do coração com a Verdade que é Amor nasce a cultura, nasceu toda a grande cultura cristã. E se a fé permanecer viva, também esta herança cultural não morrerá, mas permanecerá viva e presente. Os ícones falam também hoje ao coração dos fiéis, não são realidades do passado. As catedrais não são monumentos medievais, mas casas de vida, onde nos sentimos “em casa”: encontramo-nos com Deus e encontramo-nos uns com os outros. Nem sequer a grande música o gregoriano, ou Bach, ou Mozart é algo do passado, mas vive da vitalidade da liturgia e da nossa fé. Se a fé for viva, a cultura cristã não se tornará algo do “passado”, mas permanecerá viva e presente. E se a fé for viva, também hoje poderemos responder ao imperativo que se reitera sempre de novo nos Salmos: “Cantai ao Senhor um cântico novo”. Criatividade, invocação, canto novo, cultura nova e presença de toda a herança cultural na vitalidade da fé não se excluem, mas são uma única realidade; são presença da beleza de Deus e da alegria de ser seus filhos.


Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

50 Provas do Primado Petrino e do papado tiradas do Novo Testamento

jul 29, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja

A doutrina católica sobre o papado é bíblica e decorre do primado de São Pedro entre os Apóstolos. Como todas as doutrinas cristãs, desenvolveu-se ao longo dos séculos mas não se afastou dos seus elementos essenciais, presentes na liderança e nas prerrogativas do Apóstolo São Pedro. Tais prerrogativas foram dadas a São Pedro por Nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecidas por seus contemporâneos e aceitas pela Igreja Primitiva. Os dados bíblicos sobre o Primado Petrino são muito fortes e inelutáveis em virtude de seu peso cumulativo. Tal peso fica especialmente claro com o auxílio de comentários bíblicos. A evidência da Sagrada Escritura se segue logo abaixo:

  1. Mt 16,18: “E eu te digo, tu és Pedro, e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e os poderes da morte não prevalecerão contra ela”.

    A pedra (em grego, petra) aqui mencionada é o próprio São Pedro e não a sua fé ou Jesus Cristo {a}. Cristo não aparece aqui como a fundação, mas como o arquiteto que “constrói”. A Igreja é edificada, não sobre confissões, mas sobre confessores - pessoas vivas (ver, por exemplo, 1Pd 2,5).

    Hoje o consenso da grande maioria dos eruditos e comentadores bíblicos se encontra a favor da interpretação católica. Aqui é dito que São Pedro é a pedra de fundação da Igreja, a cabeça e o superior da família de Deus (vemos aí a “semente” da doutrina do papado). Além disso, a palavra “pedra” expressa uma metáfora análoga à usada por São Pedro para designar o Messias sofredor e desprezado (1Pd 2,4-8; cf. Mt 21,42). Sem uma fundação sólida qualquer casa desaba. São Pedro é o fundamento, mas não o fundador da Igreja; administrador, mas não o Senhor da Igreja. O Bom Pastor (Jo 10,11) nos dá também outros pastores (Ef 4,11).

    {a} - N. do T.: Alguns protestantes objetam que o nome de Pedro em grego, petros, significa “pequena pedra”, e que, portanto, Cristo refere-se a si próprio como rocha fundamental da Igreja, petra, “grande pedra”. Tal objeção não se sustenta porque: I - No grego koiné do NT as palavras petros e petra não possuem significados distintos [ver as seguintes fontes protestantes que confirmam este fato: Joseph H. Thayer, Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament (Peabody: Hendrickson, 1996), 507; D.A. Carson, "Matthew," in Frank E. Gaebelein, ed., The Expositor's Bible Commentary (Grand Rapids: Zondervan, 1984), vol. 8, 368]. II - A palavra grega para designar “pequena pedra” é lithos. Por exemplo, em Mt 4,3, o demônio tenta o Senhor a operar um milagre transformando algumas pedras, lithoi, em pães; em Jo 10,31, os judeus apanham pedras, lithoi, para apedrejar Jesus. III - Jesus falava aramaico, não grego, e em aramaico ele usou a mesma palavra para designar Pedro e pedra: kefa (cfr. Jo 1,42). Se o Senhor tencionasse chamar o Apóstolo de “pequena pedra”, teria usado o termo aramaico correspondente, evna. IV - O evangelista usou petros enquanto forma masculina de petra, para evitar uma impropriedade de gênero, a designação de um sujeito masculino - o Apóstolo - com um nome feminino - petra. V -Especialistas em grego reconhecem que petros = petra na sentença de Mt 16,18. A sintaxe da frase não deixa lugar para dúvidas. Petros é o mesmo sujeito que é designado sob o nome de petra, ou seja, São Pedro.

  2. Mt 16,19: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus…”

    O “poder das chaves” tem a ver com a disciplina eclesiástica e a autoridade administrativa com respeito às exigências da fé, como em Is 22,2 (cf. Is 9,6; Jó 12,14. Ap 3,7). É deste poder que derivam o uso de censuras, a excomunhão, a absolvição, a disciplina batismal, a imposição de penitências e os poderes legislativos. No AT um mordomo, ou primeiro ministro, é o “maior da casa”, o homem que ficava acima da assembléia (Gn 41,40; 43,19; 44,4; 1Rs 4,6; 16,9; 18,3; 2Rs 10,5; 15,5; 18,18; Is 22,15.20-21).

  3. Mt 16,19: “…o que tu ligares sobre a terra será ligado no Céu, e o que desligares sobre a terra será desligado no Céu”.

    “Ligar” e “desligar” eram termos técnicos usados pelos rabinos, que significavam “proibir” e “permitir” com referência à interpretação da Lei. Secundariamente significavam o poder de condenar ou absolver. Portanto, a São Pedro e a seus sucessores, os papas, foi dada a autoridade de estabelecer as leis para a doutrina e a vida, em virtude da Revelação e da assistência do Espírito Santo (Jo 16,13), e de receber a obediência da Igreja. “Ligar” e “desligar” representam os poderes judiciais e legislativos do papa e do bispos (Mt 18,17-18; Jo 20,23). São Pedro, no entanto, é o único Apóstolo que recebeu esses poderes individualmente, o que o põe em lugar de preeminência no Colégio Apostólico.

  4. O nome de Pedro ocorre em primeiro lugar em todas as listas dos Apóstolos (Mt 10,2; Mc 3,16; Lc 6,14; At 1,13). Mateus chega a chamá-lo de “primeiro” (10,2). Judas Iscariotes é invariavelmente mencionado em último lugar.
  5. Pedro é quase sempre mencionado primeiro, quando seu nome aparece junto de outros. Em um exemplo que contradiz esta regra (o único), Gl 2,9, no qual “Cefas” é listado depois de Tiago e antes de João, Pedro aparece claramente em destaque, levando-se em conta o contexto do versículo (p. ex., 1,18-19; 2,7-8). Alguns códices registram variações nas quais Pedro aparece em primeiro lugar.
  6. Apenas Pedro, entre todos os Apóstolos, recebe um novo nome, “pedra”, solenemente conferido (Jo 1,42; Mt 16,18).
  7. Da mesma forma, Pedro é colocado por Jesus como o Pastor Chefe depois dele mesmo (Jo 21,15-17) sobre a Igreja Universal, embora outros possuam um papel parecido mas subordinado (At 20,28; 1Pd 5,2).
  8. Jesus ora apenas por Pedro, dentre todos os Apóstolos, para que a sua fé não desfaleça (Lc 22,32).
  9. Apenas Pedro, entre todos os Apóstolos, é exortado por Jesus: “fortalece teus irmãos” (Lc 22,32).
  10. Pedro é o primeiro a confessar a divindade de Cristo (Mt 16,16).
  11. Apenas de Pedro se diz que recebeu conhecimento divino através de uma revelação especial (Mt 16,17).
  12. Pedro é considerado pelos Judeus (At 4,1-13) como o líder e porta-voz dos cristãos.
  13. Pedro é considerado pelo povo da mesma forma (At 2,37-41; 5,15).
  14. Jesus Cristo paga o imposto para si mesmo e para Pedro (Mt 17,24-27).
  15. Cristo ensina da barca de Pedro, e a pesca milagrosa que se segue (Lc 5,1-11) é talvez uma metáfora sobre o papa como “pescador de homens” (cf. Mt 4,19).
  16. Pedro foi o primeiro Apóstolo a partir para, e a entrar em, o sepulcro vazio (Lc 24,12; Jo 20,6).
  17. Um anjo destaca Pedro entre os discípulos como líder e representante dos Apóstolos (Mc 16,7).
  18. Pedro lidera os Apóstolos na pesca (Jo 21,2-3.11). A “barca” de Pedro tem sido considerada pelos católicos como uma figura da Igreja, com Pedro no leme.
  19. Apenas Pedro anda sobre as águas para encontrar-se com Jesus (Jo 21,7).
  20. As palavras de Pedro são as primeiras a serem registradas e as mais importantes no Cenáculo, antes de Pentecostes (At 1,15-22).
  21. Pedro toma a liderança na convocação para a escolha de um substituto para Judas (At 1,22).
  22. Pedro é a primeira pessoa a falar (e a única registrada) depois de Pentecostes, de modo que ele foi o primeiro cristão a “pregar o Evangelho” no tempo da Igreja (At 2,14-36).
  23. Pedro opera o primeiro milagre do tempo da Igreja, curando um aleijado de nascença (At 3,6-12).
  24. Pedro lança o primeiro anátema (sobre Ananias e Safira), enfaticamente confirmado por Deus (At 5,2-11)!
  25. A sombra de Pedro opera milagres (At 5,15).
  26. Pedro é o primeiro depois de Cristo a ressuscitar uma pessoa morta (At 9,40).
  27. Um anjo instrui Cornélio a procurar Pedro para conhecer a fé cristã (At 10,1-6).
  28. Pedro é o primeiro a receber os gentios, após uma revelação de Deus (At 10,9-48).
  29. Pedro ensina aos outros Apóstolos sobre a catolicidade (universalidade) da Igreja (At 11,5-17).
  30. Pedro é o objeto da primeira intervenção divina em favor de um indivíduo no tempo da Igreja (um anjo o liberta da prisão - At 12,1-17).
  31. A Igreja inteira ora por Pedro enquanto o mesmo está preso (At 12,5).
  32. Pedro preside e abre o primeiro Concílio da História da Igreja, e lança vários princípios que serão adotados por todos os cristãos (At 15,7-11).
  33. Paulo distingue as aparições do Senhor a Pedro após a ressurreição das aparições realizadas diante dos demais Apóstolos (1Cor 15,4-8). Os dois discípulos na estrada de Emaús fazem a mesma distinção (Lc 24,34), na ocasião mencionando apenas Pedro (”Simão”), mesmo tendo eles mesmos acabado de ver o Cristo ressuscitado (Lc 24,33).
  34. Pedro é muitas vezes distinguido entre os apóstolos (Mc 1,36; Lc 9,28.32; At 2,37; At 5,29; 1Cor 9,5).
  35. Pedro é quase sempre o porta-voz dos outros Apóstolos, especialmente nos momentos mais importantes (Mc 8,29; Mt 18,21; Lc 9,5; Lc 12,41; Jo 6,67ss).
  36. O nome de Pedro é sempre o primeiro a ser listado dentro do “círculo íntimo” dos discípulos (Pedro, Tiago e João - Mt 17,1; Mt 26,37.40; Mc 5,37; Mc 14,37).
  37. Pedro é muitas vezes figura central junto a Jesus em cenas dramáticas do Evangelho, como a caminhada sobre as águas (Mt 14,28-32; Lc 5,1ss; Mc 10,28; Mt 17,24ss).
  38. Pedro é o primeiro a reconhecer e refutar a heresia, contra Simão o Mago (At 8,14-24).
  39. O nome de Pedro é mais citado do que todos os discípulos juntos: 191 vezes (162 como Pedro ou Simão Pedro, 23 como Simão e 6 como Cefas). João é o segundo colocado com apenas 48 referências. Pedro está presente em 50% das vezes em que João é mencionado na Bíblia! O arcebispo Fulton Sheen calculou que todos os outros discípulos combinados somam 130 referências. Se isto é correto, 60% das referências a discípulos são referências a São Pedro.
  40. O discurso de Pedro em Pentecostes (At 2,14-41) contém uma interpretação da Escritura feita com autoridade, uma decisão doutrinal e um decreto disciplinar referente aos membros da “Casa de Israel” (2,36) - um exemplo do poder de “ligar e desligar”.
  41. Pedro foi o primeiro “carismático”, tendo julgado com autoridade a primeira manifestação do dom de línguas como genuína (At 2,14-21).
  42. Pedro é o primeiro a pregar o arrependimento cristão e o batismo (At 2,38).
  43. Pedro (presume-se) esteve à frente do primeiro batismo em massa registrado (At 2,41).
  44. Pedro ordenou o batismo do primeiro cristão vindo da gentilidade (At 10,44-48).
  45. Pedro foi o primeiro missionário itinerante, e o primeiro a exercer o que seria chamado de “visita às igrejas” (At 9,32-38.43). Paulo pregou em Damasco imediatamente após a sua conversão (At 9,20), mas não tinha viajado até aquela cidade com esse propósito (Deus alterou seus planos!). Suas jornadas missionárias começam apenas em At 13,2.
  46. Paulo partiu para Jerusalém especialmente para ver Pedro, por quinze dias, no começo de seu ministério (Gl 1,18), e foi encarregado por Pedro, Tiago e João (Gl 2,9) de pregar para os gentios.
  47. Pedro age (fortemente indicado) como o bispo/pastor chefe da Igreja (1Pd 5,1), uma vez que ele exorta todos os demais bispos, ou “anciãos”.
  48. Pedro interpreta profecia (2Pd 1,16-21).
  49. Pedro corrige aqueles que interpretam mal os escritos paulinos (2Pd 3,15-16).
  50. Pedro escreve sua primeira epístola da cidade de Roma, de acordo com muitos estudiosos, sendo seu bispo, e como bispo universal (ou papa) da Igreja primitiva. “Babilônia” (1Pd 5,13) é uma espécie de codinome para Roma.

Em conclusão, é necessário muita credulidade para achar que Deus colocaria São Pedro em tal posição de preeminência na Bíblia sem que esta preeminência tenha algum significado ou importância para a história cristã posterior; em particular para o governo da Igreja. A doutrina sobre o papado é, de longe, a que melhor se ajusta ao dado bíblico. Considerando a Tradição e a História, a conclusão por sua veracidade é inescapável.

Traduzido e adaptado do inglês por Ewerton Wagner Santos Caetano. “50 NEW TESTAMENT PROOFS FOR PETRINE PRIMACY AND THE PAPACY”, Copyright 1994 by Dave Armstrong. All rights reserved.


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

E tu serás chamado “Cefas”

jul 28, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Bíblia, História da Igreja, Igreja

Por Luis Fernando Pérez
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte: http://www.veritatis.com.br/article/4709

Nunca será possível entender a importância da figura do Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro, sem previamente se compreender quem foi aquele homem chamado Simão, filho de Jonas, e qual foi o papel que Nosso Senhor Jesus Cristo quis que desempenhasse em sua Igreja. No Evangelho de João, lemos como ocorreu o primeiro encontro entre Jesus e Simão:

“André, irmão de Simão Pedro, era um daqueles que havia ouvido a João e resolvera seguir a Jesus. Ele falou primeiramente com seu irmão Simão e lhe disse: ‘Encontramos o Messias’ (que traduzido significa ‘o Cristo’). E o levou até Jesus. E olhando-o, Jesus disse-lhe: ‘Tu és Simão, filho de Jonas; serás chamado ‘Cefas” (que quer dizer ‘Pedro’)” (João 1,40-42).

Em um primeiro momento, ninguém diria que estas primeiras palavras de Jesus a Pedro tivessem uma importância além da de estabelecer um primeiro contato entre ambos; porém, sem dúvida alguma, nelas encontramos um elemento essencial para saber quem foi o Apóstolo. Efetivamente, Cristo anuncia a Simão que ele receberá um novo nome, pelo qual será conhecido: Cefas (=Pedro). Mas por que tal mudança? Provavelmente encontraremos a resposta no Antigo Testamento:

“Então Abrão se prostrou sobre o seu rosto e Deus falou com ele, dizendo: ‘Eis o pacto que faço contigo: serás pai de uma multidão de povos. E teu nome não será mais Abrão, mas serás chamado de Abraão, porque te coloquei como pai de uma multidão de povos” (Gênese 17,3-5).

“E o varão lhe disse: ‘Qual é o teu nome?’ E ele respondeu: ‘Jacó’. E o varão lhe disse: ‘Teu nome não será mais Jacó, mas Israel, porque lutaste contra Deus e os homens, e venceste’” (Gênese 32,27-28).

“E Deus lhe disse: ‘Teu nome é Jacó, mas não mais serás chamado de Jacó; Israel será o teu nome’. E chamou seu nome de Israel. E Deus também lhe disse: ‘Eu sou o Deus todo-poderoso: crescei e multiplicai; uma nação e um conjunto de nações procederão de ti; e reis sairão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaac, a darei a ti; e à tua descendência darei a terra depois de ti’” (Gênese 35,10-12).

Toda vez que Deus altera o nome de alguém, o faz por um motivo bem particular. Ao estabelecer o pacto com Abrão, que significa “pai enaltecido”, o renomeia para Abraão, que significa “pai de uma numerosa multidão”. Tal mudança de nome está totalmente relacionada com o próprio pacto que Deus estabelece com o patriarca. O mesmo ocorre com Jacó, a quem um personagem misterioso que havia lutado com ele o adverte que seu nome passará a ser Israel, que significa “Deus luta” ou “aquele que luta com Deus”, o que é confirmado pelo próprio Senhor quando reafirma o pacto que já houvera feito anteriormente com seu avô Abraão.

Existem outros exemplos do Antigo Testamento em que podemos comprovar que o nome de uma pessoa era intimamente relacionado com certa circunstância da sua vida. Não foi em vão, portanto, que o anjo do Senhor anunciou a José que o fruto do ventre de Maria fôra gerado pelo Espírito Santo, acrescentando ao mesmo tempo que o menino deveria se chamar “Jesus”, que significa “Javé salva” (tal nome definia perfeitamente a missão do Senhor, que haveria de nascer do seio da Virgem Maria).

Considerando todos estes antecedentes, não podemos ignorar o fato de que Jesus, ao estabelecer um novo nome a Simão, logo na primeira vez em que se encontra com ele, estava demonstrando uma qualidade essencial do próprio Simão.

Porém, não seremos nós que o diremos; deixemos que o próprio Senhor nos diga quem é Pedro e quais são os elementos distintivos do seu ministério. Analisemos cada um dos versículos do texto de Mateus 16,13-19:

“Vindo Jesus à região da Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus discípulos, dizendo: ‘Quem os homens dizem que é o Filho do Homem?’ Eles disseram: ‘Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; e outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas’” (vv.13-14).

Jesus sabia que havia um grande número de especulações acerca da sua identidade, fato este também de total conhecimento dos seus discípulos. Em meio a tanta confusão, o Senhor lhes faz uma pergunta bastante interessante:

“E disse-lhes: ‘E vós? Quem dizeis que eu sou?’” (v.15).

Ora, nem sempre o que cremos acerca de alguém corresponde ao que é realmente essa pessoa. Principalmente quando essa pessoa é o próprio Deus. Vivemos hoje uma situação semelhante àqueles tempos. Os homens especulam muito acerca da verdadeira identidade de Cristo: uns dizem que foi somente um bom mestre; outros, que foi um iluminado que fracassou; outros crêem que foi um guru palestino; outros ainda opinam que foi um extraterrestre; e muitos também o ignoram por completo. Porém, mais uma vez, o que é realmente importante é que nós, seus discípulos, podemos responder à pergunta: “Quem dizeis que eu sou?”. Ora, que aqueles que não conhecem verdadeiramente a Cristo se equivoquem sobre a sua real identidade, até certo ponto é natural; entretanto, nós não podemos nos equivocar. PEDRO NÃO SE EQUIVOCOU:

“Respondendo Simão Pedro, disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’” (v.17).

Eis aí um PONTO FINAL sobre todas as especulações! Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo. Pedro o disse e a questão está encerrada. Pedro fala em nome de todos, já que a pergunta foi dirigida a todos. Em Pedro está a resposta da Igreja à pergunta mais importante que Cristo podia fazer: a pergunta sobre a sua verdadeira identidade! Mas de onde Pedro tirou a sua resposta? Da sua capacidade intelectual? Do seu potencial humano para compreender a verdade sobre Jesus? Não, de algo bem além:

“Então Jesus lhe respondeu: ‘Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque isto não te foi revelado pela carne ou pelo sangue, mas por meu Pai que está nos céus’” (v.18).

Simão soube - e com ele, a Igreja - quem é Jesus por revelação direta de Deus Pai. Não lhe foi revelado por outros homens, mas por Deus. Já sabemos, então, quem é Jesus. Jesus é o Messias, isto é, Jesus Cristo (pois Messias = Cristo). Agora escutemos bem quem é na verdade esse tal Simão, filho de Jonas:

“‘E eu também te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela’” (v.19).

Reflitamos agora por um instante sobre o contexto em que o Senhor diz estas palavras. Simão acaba de declarar quem é Jesus. Cabe agora a Jesus nos dizer quem é o Apóstolo. Já não o chama de Simão, mas de Pedro. Simão havia dito a Jesus: “Tu és Cristo”; e Cristo responde a Simão: “E tu és Pedro”. Da mesma forma como não podemos separar o nome de Cristo e seu significado da pessoa de Jesus, também não podemos separar o nome de Pedro e seu significado da pessoa de Simão. Jesus é o Messias e Simão é a Pedra. E é justamente nesse contexto que Cristo diz: “e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Quem é o Cristo? Jesus, Jesus Cristo. Quem é a pedra sobre a qual Jesus edifica a sua Igreja? A quem foi dado o nome de pedra? A Simão, Pedro.

Muito se tem especulado sobre isto: a pedra é o próprio Pedro ou a sua declaração [de fé] acerca de Cristo? Pelo contexto verificamos que os versículos estão falando de PESSOAS, não de idéias. Trata-se de saber quem é Jesus e de saber quem Jesus diz que Simão é. Uma vez determinado quem é Jesus e quem é Pedro, Jesus edifica a sua Igreja. E nem a Igreja se edifica sem a verdade acerca de Cristo (declarada por Pedro), nem a Igreja se edifica sem a verdade acerca de Pedro (declarada por Cristo).

E é essa Igreja, a verdadeira, a que conhece e confessa quem é Cristo e quem é Pedro, aquela sobre a qual não prevalecerão as portas do Hades [=morte]!


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

São Bento de Núrsia

jul 28, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: História da Igreja, Santos da Igreja

Por Papa Bento XVI
Tradução: José Caetano
Fonte: Zenit/Vaticano

Caros irmãos e irmãs,

Hoje eu gostaria de falar de São Bento, Fundador do monasticismo ocidental, e também padroeiro de meu pontificado. Começo com uma palavra de São Gregório Magno, que escreve de São Bento: «O homem de Deus que brilhou sobre esta terra com tantos milagres não brilhou menos pela eloqüência com a qual soube expor sua doutrina» (Dial. II, 36). Estas palavras foram escritas pelo grande Papa no ano 592; o santo monge estava morto há apenas 50 anos e estava ainda vivo na memória das pessoas e sobretudo na florescente Ordem religiosa por ele fundada. São Bento de Núrcia, com sua vida e sua obra, exerceu uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura européia. A fonte mais importante sobre a vida dele é o segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno. Não é uma biografia no sentido clássico. Segundo as idéias de seu tempo, ele quer ilustrar, mediante o exemplo de um homem concreto – precisamente de São Bento –, a subida aos montes da contemplação, como pode ser realizada por quem se abandona a Deus. Então nos dá um modelo da vida humana como subida ao vértice da perfeição. São Gregório Magno relata também, neste livro dos Diálogos, muitos milagres realizados pelo santo, e também aqui não quer simplesmente relatar alguma coisa extraordinária, mas demonstrar como Deus, admoestando, ajudando e também punindo, intervém nas situações concretas da vida do homem. Quer mostrar que Deus não é uma hipótese distante posicionada na origem do mundo, mas está presente na vida do homem, de todo homem.

Esta perspectiva do «biógrafo» se explica também à luz do contexto geral de seu tempo: entre os séculos V e VI, o mundo era devastado rapidamente por uma tremenda crise de valores e de instituições, causada pela queda do Império Romano, pelas invasões dos novos povos e pela decadência dos costumes. Com a apresentação de São Bento como «astro luminoso», Gregório queria indicar nesta situação, justamente aqui nesta cidade de Roma, a via de escape da «noite escura da história» (cf. João Paulo II, Insegnamenti, II/1, 1979, p. 1158). De fato, a obra do santo e, de modo particular, sua Regra, revelaram-se portadoras de um autêntico fermento espiritual, que penetrou no curso dos séculos, muito além dos confins de sua pátria e de seu tempo, o rosto da Europa, suscitando depois da queda da unidade política criada pelo império romano uma nova unidade espiritual e cultural, a da fé cristã partilhada pelos povos do continente. Nasceu justamente assim a realidade que nós chamamos de «Europa».

O nascimento de São Bento ocorreu por volta do ano 480. Provinha, assim disse São Gregório, «ex provincia Nursiae» – da região da Núrsia. Seus progenitores logo o mandaram para realizar os estudos em Roma. Ele, porém, não se firmou muito tempo na Cidade Eterna. Como explicação plenamente acreditável, Gregório indica o fato de que o jovem Bento estava incomodado pelo estilo de vida de muitos de seus colegas de estudos, que viviam de modo dissoluto, e não queria cair nos mesmos erros. Queria agradar a Deus somente; «soli Deo placere desiderans» (II Dial., Prol 1). Assim, ainda antes da conclusão de seus estudos, Bento deixou Roma e se retirou na solidão dos montes ao leste de Roma. Depois de uma primeira estadia no vilarejo de Effide (hoje: Affile), onde por certo período se associou a uma «comunidade religiosa» de monges, fez-se eremita na distante Subiaco. Lá viveu por três anos completamente só em uma gruta que, a partir da Alta Idade Média, constitui o «coração» de um mosteiro beneditino chamado «Sacro Speco». O período em Subiaco, um período de solidão com Deus, foi para Bento um tempo de amadurecimento. Lá devia suportar e superar as três tentações fundamentais de todo ser humano: a tentação da auto-afirmação e do desejo de pôr a si mesmo no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. Era, de fato, convicção de Bento que, só depois de ter vencido estas tentações, ele poderia dizer aos outros uma palavra útil para sua situação de necessidade. E assim, pacificada sua alma, estava em condições de controlar plenamente os impulsos do eu, para ser assim um criador de paz em torno de si. Só então decide fundar os primeiros mosteiros no vale do Anio, vizinho a Subiaco.

No ano de 529 Bento deixou Subiaco para estabelecer-se em Montecassino. Alguns explicaram esta transferência como uma fuga diante das intrigas de um invejoso eclesiástico local. Mas esta tentativa de explicação se revelou pouco convincente, já que a morte inesperada dele não induz Bento a retornar (II Diál. 8). Na verdade, ele se impôs esta decisão porque havia entrado em uma nova fase de seu amadurecimento interior e de sua experiência monástica. Segundo Gregório Magno, o êxodo do remoto vale do Anio para Montecassino – uma altura que, dominando a vasta planície circunstante, é visível de longe – reveste um caráter simbólico: a vida monástica no ocultamento tem sua razão de ser, mas um mosteiro tem também uma finalidade pública na vida da Igreja e da sociedade: deve dar visibilidade à fé como força de vida. De fato, quando, em 21 de março de 547, Bento conclui sua vida terrena, deixou com sua Regra e com a família beneditina por ele fundada um patrimônio que produziu nos séculos transcorridos, e produz ainda agora, fruto no mundo inteiro.

Em todo o segundo livro dos Diálogos, Gregório nos ilustra como a vida de São Bento estava imersa em uma atmosfera de oração, principal fundamento de sua existência. Sem a oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na inquietude e na confusão de seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e justamente assim não perde mais de vista os deveres da vida cotidiana e o homem com suas necessidades concretas. Vendo Deus, entende a realidade do homem e sua missão. Na sua Regra, ele qualifica a vida monástica como «uma escola do serviço do Senhor» (Prol. 45) e pede a seus monges que «à Obra de Deus [isto é, ao Ofício Divino ou à Liturgia das Horas] não se anteponha nada» (43, 3). Sublinha, porém, que a oração é em primeiro lugar um ato de escuta (Pról. 9-11), que deve pois traduzir-se em ação concreta. «O Senhor espera que nós respondamos todo dia, com fatos, a seus santos ensinamentos», ele afirma (Pról. 35). Assim, a vida do monge se torna uma simbiose fecunda entre ação e contemplação, «a fim de que em tudo Deus seja glorificado» (57, 9). Em contraste com uma auto-realização fácil e egocêntrica, hoje mesmo exaltada, o primeiro e irrenunciável empenho do discípulo de São Bento é a sincera busca de Deus (58, 7), sobre o caminho traçado por Cristo humilde e obediente (5, 13), ao amor do qual ele não deve antepor qualquer coisa (4, 21; 72, 11); e justamente assim, no serviço ao outro, torna-se homem do serviço e da paz. No exercício da obediência transformada em ato com uma fé animada pelo amor (5,2), o monge conquista a humildade (5,1), à qual a Regra dedica um capítulo inteiro (7). Deste modo, o homem se torna sempre mais conforme a Cristo e alcança a verdadeira auto-realização como criatura à imagem e semelhança de Deus.

À obediência do discípulo deve corresponder a sabedoria do Abade, que no mosteiro assume «o lugar de Cristo» (2,2; 63,13). Sua figura, delineada sobretudo no segundo capítulo da Regra, com um perfil de espiritual beleza e de exigente empenho, pode ser considerada como um auto-retrato de Bento, pois – como escreve Gregório Magno – «o Santo não pode de modo algum ensinar diversamente de como viveu» (Diál. II, 36). O Abade deve ser ao mesmo tempo um tenro pai e também um severo mestre (2, 24), um verdadeiro educador. Inflexível contra os vícios, é, porém, chamado sobretudo a imitar a ternura do Bom Pastor (27,8), a «ajudar muito mais que dominar» (64,8), a «acentuar mais com os fatos que com as palavras tudo o que é bom e santo» e a «ilustrar os divinos mandamentos com seu exemplo» (2,12). Para estar em grau de decidir responsavelmente, o Abade também deve ser alguém que escuta «o conselho dos irmãos» (3,2), porque «mesmo Deus revela ao mais jovem a solução melhor» (3,3). Esta disposição torna surpreendentemente moderna uma Regra escrita há quase quinze séculos! Um homem de responsabilidade pública, e também em pequenos âmbitos, deve sempre ser também um homem que sabe escutar e sabe aprender do que escuta.

Bento qualifica a Regra como «mínima, escrita só para o início» (73,8); na verdade, porém, essa oferece indicações úteis não só aos monges, mas também a todos aqueles que buscam um guia em seu caminho para Deus. Pela sua medida, sua humanidade e seu sóbrio discernimento entre o essencial e o secundário na vida espiritual, ela pode manter sua força iluminadora até hoje. Paulo VI, proclamando em 24 de outubro de 1964 São Bento como padroeiro da Europa, queria reconhecer a obra maravilhosa desenvolvida pelo Santo mediante a Regra para a formação da civilização e da cultura européia. Hoje a Europa – saída há pouco de um século profundamente ferido por duas guerras mundiais e depois da queda das grandes ideologias reveladas como trágicas utopias – está em busca de sua identidade. Para criar uma unidade nova e duradoura, são certamente importantes os instrumentos políticos, econômicos e jurídicos, mas ocorre também suscitar uma renovação ética e espiritual que chegue às raízes cristãs do continente, ou então não se pode reconstruir a Europa. Sem esta seiva vital, o homem fica exposto ao perigo de sucumbir à antiga tentação de querer ser redimido por si mesmo – utopia que, de uma forma diversa, na Europa do século passado causou, como revelou o Papa João Paulo II, «uma volta sem precedentes na atormentada história da humanidade» (Insegnamenti, XIII/1, 1990, p. 58). Buscando o verdadeiro progresso, escutemos também hoje a Regra de São Bento como uma luz para nosso caminho. O grande monge permanece sendo um verdadeiro mestre de cuja escola podemos aprender a arte de viver o verdadeiro humanismo.


Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

Líder anglicano converte-se ao catolicismo

jul 27, 2008 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Protestantismo

Fonte: http://www.doutrinacatolica.com/

O líder anglicano Edward Norman, chanceler da catedral de York (Inglaterra) e renomado historiador eclesiástico, anunciou sua conversão ao catolicismo, no livro Dificuldades anglicanas: um novo guia de erros. Nele, Norman escreve que no anglicanismo “a covardia moral habitual é apresentada como sendo um juízo sábio, e a ambigüidade na formulação dos compromissos é uma segunda natureza para os líderes”. Norman declarou ao “Daily Telegraph” de Londres: “Não acredito que [a anglicana] seja realmente uma igreja”.

Norman havia aprovado a ordenação de sacerdotisas, mas agora manifesta-se contrário a essa medida. Ele se baseia “na evidência”: “De início as sacerdotisas foram apresentadas como um enriquecimento do sacerdócio. Esse enriquecimento nunca aconteceu”. Elogiou a “sabedoria de Nosso Senhor, que confiou o sacerdócio ao homem”.


Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Comentários Recentes