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Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo
ROMA, sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, VI do Tempo Comum.
* * *
Bem-aventurados vós, os pobres! Ai de vós, os ricos!
VI Domingo do Tempo Comum [C]
Jeremias 17, 5-8; I Coríntios 15, 12. 16-20; Lucas 6, 17. 20-26
A página do Evangelho deste domingo, as bem-aventuranças, nos permite verificar algumas coisas que dissemos, com anterioridade, acerca da historicidade dos evangelhos [Zenit, 19 de janeiro de 2007, ndt]. Dizíamos naquela ocasião que, ao referir as palavras de Jesus, cada um dos quatro evangelistas, sem trair seu sentido fundamental, desenvolveu um aspecto ao invés de outro, adaptando-as às exigências da comunidade para a qual escrevia.
Enquanto Mateus refere oito bem-aventuranças pronunciadas por Jesus, Lucas refere só quatro. Em compensação, contudo, Lucas reforça as quatro bem-aventuranças, opondo a cada uma delas uma maldição introduzida por um «ai!». Mais ainda: enquanto o discurso de Mateus é indireto: «Bem-aventurados os pobres!», o de Lucas é direto: «Bem-aventurados vós, os pobres!». Mateus acentua a pobreza espiritual («bem-aventurados os pobres de espírito), Lucas acentua a pobreza material («bem-aventurados vós, os pobres»).
Mas são detalhes que não alteram no mais mínimo, como se vê, a substância das coisas. Cada um dos dois evangelistas, com seu modo particular de referir o ensinamento de Jesus, sublinha um aspecto novo, que de outra forma teria ficado na sombra. Lucas é menos completo no número das bem-aventuranças, mas recolhe perfeitamente seu significado de fundo.
Quando se fala das bem-aventuranças, o pensamento vai direto à primeira delas: «Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus». Mas, na verdade, o horizonte é muito mais amplo. Jesus traça, nesta página, dois modos de conceber a vida: ou «pelo Reino de Deus» ou «pela própria consolação», isto é, ou em função exclusivamente desta vida ou em função da vida eterna. Isso é o que evidencia o esquema de Lucas: «Bem-aventurados vós — ai de vós»: «Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus… Ai de vós, os ricos, porque haveis recebido vosso consolo».
Duas categorias, dois mundos. À categoria dos bem-aventurados pertencem os pobres, os famintos, os que agora choram e os que são perseguidos e proscritos por causa do Evangelho. À categoria dos desventurados pertencem os ricos, os saciados, os que agora riem e os que são tratados na palma da mão por todos.
Jesus não canoniza simplesmente todos os pobres, os que padecem fome, os que choram e são perseguidos, como não depõe simplesmente todos os ricos, os saciados, os que riem e são aplaudidos. A distancia é mais profunda; trata-se de saber sobre que coisa se fundamenta sua própria segurança, sobre que terreno está construindo o edifício de sua vida: se sobre aquele que passa ou sobre aquele que não passa.
A página de hoje do Evangelho é verdadeiramente uma espada de dois gumes: separa, traça dois destinos diametralmente opostos. É como o meridiano de Greenwich, que divide o leste do oeste do mundo. Mas, por sorte, com uma diferença essencial. O meridiano de Greenwich está fixo: as terras que estão ao leste não podem passar ao oeste, como está fixo o equador que divide o sul pobre do mundo rico e opulento. A linha que divide, em nosso Evangelho, os «bem-aventurados» dos «desventurados» não é assim; é uma barreira móvel, absolutamente possível de atravessar. Não só se pode passar de um setor ao outro, mas toda esta página do Evangelho foi pronunciada por Jesus para convidar-nos e animar-nos a passar de uma à outra esfera. O seu não é um convite a tornar-nos pobres, mas ricos! «Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus». Pensemos: pobres que possuem um reino, e o possuem já desde agora! Aqueles que decidem entrar neste reino são, com efeito, desde agora filhos de Deus, são livres, são irmãos, estão cheios de esperança de imortalidade. Quem não desejaria ser pobre desta forma?
[Tradução realizada por Zenit]
Escrita por um dos maiores apologistas católicos da atualidade, Prof. Alessandro Lima, conhecido por sua firmeza e objetividade, esta obra é a primeira no mundo totalmente dedicada a um tema de suma importância para os cristãos: o Cânon Bíblico.
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Ao contrário do que muitos pensam, a Bíblia Cristã não caiu do céu organizada como um único livro. Para reunir os livros sagrados em um único volume, antes foi necessário saber quais eram eless.
O discernimento da lista dos livros sagrados pela Igreja foi resultado de um longo e gradativo processo de amadurecimento teológico e espiritual sob a condução do Espírito Santo.
Guiando o leitor pelos primórdios do Cristianismo, o autor apresenta o parecer dos homens mais célebres da antiguidade cristã como Ireneu, Orígines, Atanásio, Agostinho, Jerônimo, Eusébio entre outros, mostrando como fa Bíblia foi formada no seio da Igreja Nascente.
Esta é uma obra recomendada a todos que amam e se interessam pelas Sagradas Escrituras.
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Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 1o de fevereiro de 2007
O ex-chefe da espionagem romena, Ion Mihai Pacepa, confessou recentemente que a onda de acusações ao Papa Pio XII, que começou com a peça de Rolf Hochhuth, O Vigário (1963), e culminou no livro de John Cornwell, O Papa de Hitler (1999), foi de cabo a rabo uma criação da KGB. A operação foi desencadeada em 1960 por ordem pessoal de Nikita Kruschev. Pacepa foi um de seus participantes diretos. Entre 1960 e 1962 ele enviou a Moscou centenas de documentos sobre Pio XII. Na forma original, os papéis nada continham que pudesse incriminar o Papa. Maquiados pela KGB, fizeram dele um virtual colaborador de Hitler e cúmplice ao menos passivo do Holocausto (leiam a história inteira aqui).
Foi nesses documentos forjados que Hochhuth se baseou para escrever sua peça, a qual acabou por se tornar o maior succès de scandale da história do teatro mundial. O dramaturgo talvez fosse apenas um idiota útil, mas Erwin Piscator, diretor do espetáculo e aliás prefaciador da edição brasileira (Grijalbo, 1965), era um comunista histórico com excelentes relações no Kremlin e na KGB. Muito provavelmente sabia da falsificação.
Costa-Gavras, o diretor que em 2001 lançou a versão cinematográfica da peça, decerto cabe com Hochhuth na categoria dos idiotas úteis. Mas o mesmo não se pode dizer de John Cornwell, que mentiu um bocado a respeito das fontes da sua reportagem, dizendo que havia feito extensas investigações na Biblioteca do Vaticano, quando as fichas da instituição não registravam senão umas poucas e breves visitas dele. Cornwell é vigarista consciente. O conteúdo da sua denúncia já estava desmoralizado desde 2005, graças ao estudo do rabino David G. Dalin, The Myth of Hitler’s Pope, publicado pela Regnery, do qual o público brasileiro praticamente nada sabe até agora, pois o livro não foi traduzido nem mencionado na grande mídia. Com a revelação das fontes, nada sobra de confiável na lenda do “Papa de Hitler”, que, no Brasil, graças à omissão da mídia e das casas editoras, tem campo livre para continuar sendo alardeada como verdade pura. Da Grijalbo nada se pode esperar. É tradicionalmente pró-comunista e nem sei se ainda existe. Mas a Imago, editora de O Papa de Hitler, parece ser honesta o bastante para reconhecer sua obrigação moral de publicar o livro do rabino Dalin. Noto, de passagem, que eu mesmo, quando li a denúncia de Cornwell, acreditei em tudo e cheguei a citá-la em artigo. Que Deus me perdoe.
VATICANO, 05 Fev. 07 (ACI) .- Na mensagem dirigida com ocasião da XXII Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada em todas as dioceses no próximo Domingo do Ramos, 1º de abril, o Papa Bento XVI recordou aos jovens que o amor é o centro de nossa vida, e que requer fortaleza e sacrifício.
Referindo-se ao tema da Jornada: “Como eu vos amei, assim amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34), o Pontífice destaca que “o amor é possível e a finalidade de minha mensagem é contribuir para despertar em cada um de vós, que sois o futuro e a esperança da humanidade, a confiança no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une às pessoas, fazendo-as sentirem-se livres no respeito mútuo”.
O Papa começa explicando que o Amor nos manifestou através de Cristo: “redimida por seu sangue, nenhuma vida humana é inútil ou de pouco valor, porque todos são amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, com um amor sem limites”.
“Na cruz Cristo grita: ‘Tenho sede’ (Jo 19,28): revela assim uma ardente sede de amar e de ser amado por cada um de nós. Apenas se chegarmos a perceber a profundidade e a intensidade de tal mistério, daremos conta da necessidade e da urgência de amá-lo por nossa parte ‘como’ Ele nos amou”, adiciona o Santo Padre na mensagem.
Logo depois de expor os três âmbitos nos quais deseja ver o testemunho de amor dos jovens, o Papa convida a “ousar o amor, a não desejar outra coisa a não ser um amor forte e formoso, capaz de fazer de toda a existência uma realização gozosa do dom de vós mesmos a Deus e aos irmãos”; porque “o amor é a única força capaz de mudar o coração do homem e da humanidade inteira, fazendo proveitosas as relações entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre culturas e civilizações. Disto dá testemunho a vida dos Santos”.
O Pontífice cita em seguida o exemplo da Devota Madre Teresa de Calcutá: “O único desejo de sua vida se converteu em saciar a sede de amor de Cristo não com palavras, mas sim com atos concretos, reconhecendo o rosto desfigurado, sedento de amor, no rosto dos mais pobres entre os pobres”.
Bento XVI advertiu que “só a ajuda do Senhor nos permite fugir da resignação frente à enormidade da tarefa que terá que levar a cabo e nos infunde o valor para realizar o que humanamente é impensável. O contato com o Senhor na oração nos mantém na humildade”.
A carta recorda que “a Eucaristia é a grande escola de amor. Quando se participa de forma regular e com devoção na Santa Missa, quando se transcorrem em companhia de Jesus eucarístico, prolongadas pausas de adoração, é mais fácil compreender a largura, a longitude, a altura e a profundidade de seu amor que excede a todo conhecimento (cfr. Ef 3,17-18)”.
Finalmente, o Papa recordou que a próxima Jornada Mundial da Juventude representará uma etapa importante para o encontro de Sydney, cujo tema será: “Receberão a força do Espírito Santo, que virá sobre vós, e serão minhas testemunhas” (Atos 1,8). Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, ajude-lhes a fazer ressoar em todas as partes o brado que mudou o mundo: ‘Deus é amor!’”.
“Acompanho-lhes com a oração e de coração lhes abençôo”, conclui o Papa.
Afirma o secretário-geral da Conferência episcopal brasileira
SÃO PAULO, segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- Segundo Dom Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a visita do país a esse país transcende fronteiras, já que o pontífice lançará sua mensagem a todos os povos do continente e também do mundo inteiro.
«As razões da visita do Papa devem ser buscadas num horizonte que vai além do nosso país», explica o bispo, em mensagem difundida aos fiéis esta segunda-feira por meio da CNBB.
Dom Odilo recorda que esta primeira viagem do pontífice fora da Europa circunscreve-se «num evento latino-americano da maior importância», a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe (Aparecida, 13 a 31 de maio).
«Vindo ao Brasil para dar início aos trabalhos da Conferência de Aparecida, o Papa destaca a importância dessa reunião eclesial», afirma o bispo.
É que neste evento «quase 300 bispos e outros representantes da Igreja, vindos de todos os países americanos e também alguns convidados da Europa, Ásia e África, estarão reunidos no Santuário Nacional para fazer um diagnóstico das situações vividas pelos povos da América Latina e do Caribe e, evidentemente, da situação da Igreja», explica.
Os bispos delegados «lançarão um olhar de discípulos e missionários de Jesus Cristo sobre os novos desafios postos à missão evangelizadora da Igreja, para “ouvir a voz de Deus na voz dos tempos”. De Aparecida devem sair diretrizes para a ação da Igreja nos próximos anos em nosso Continente», acrescenta Dom Odilo.
O secretário-geral da CNBB recorda que a Conferência não tem a finalidade de discutir questões dogmáticas, mas terá um caráter eminentemente missionário e pastoral.
«Mais que um privilégio para nosso País, a visita do Papa e a realização, aqui, da V Conferência Geral, representam uma tarefa e uma responsabilidade especial para o Brasil», afirma.
Dom Odilo destaca que ao Brasil, sendo o maior país da América Latina, e com o maior número de católicos, também lhe cabe contribuir de maneira significativa para a missão da Igreja no continente e no mundo.
«Depois de termos recebido muito, é hora de partilhar largamente com os outros o rico patrimônio da fé e da experiência de vida eclesial que nos foi legado. Talvez um dos motivos da visita do Papa ao Brasil seja, justamente, recordar-nos isso», refere o bispo.
MEXICO D.F., 03 Fev. 07 (ACI) .- O Bispo de Veracruz, Dom. Luis Felipe Gallardo Martín del Campo, exortou aos deputados locais para não aprovarem uma Lei de Convivência para o estado de Veracruz, porque no fundo fazer isso é legalizar as uniões homossexuais e as equiparar ao matrimônio.
Recentemente o grupo Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros anunciou a elaboração de uma iniciativa de Lei de Convivência que se apóia nas aprovadas no Distrito Federal e na Coahuila, para que seja apresentada e aprovada pelo Parlamento local, o que contaria com o apoio do deputado Miguel Rodríguez Cruz (PRI).
Em declarações à imprensa, Dom Galhardo recordou que a Igreja defende a condição e natureza humana e o valor da família fundamentada no matrimônio entre um homem e uma mulher.
“O grande problema é querer igualar com a condição familiar de matrimônio tudo isto que pudesse ser simplesmente convênios, contratos de reciprocidade e apoio mútuo sem a necessidade de chamá-lo família, matrimônio, bodas e, por conseguinte querer dar os mesmos direitos que tem o matrimônio heterossexual”, explicou.
Nesse sentido, assinalou que “todo mundo pode associar-se para fins honestos, é um direito constitucional. O reprovável do ponto de vista, não só católico, mas também antropológico, básico e fundamental, é estar acima da natureza humana que todos compartilhamos”.
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