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A injustiça, falta de solidariedade social, pobreza, os “sinais de morte”, adverte bispo
BRASÍLIA, segunda-feira, 22 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Os bispos reunidos na Conferência de Aparecida tentarão entender e também responder a «questões intrigantes» que assolam a América Latina há muito tempo, afirma o secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Segundo Dom Odilo Scherer escreve em mensagem esta segunda-feira, o subdesenvolvimento e os problemas estruturais verificados no continente constarão nos debates e reflexões que se darão de 13 a 31 de maio em Aparecida (Brasil).
«Por que, apesar do trabalho e do sangue de muitos missionários e da acolhida simpática dos povos latino-americanos à fé católica, não vingaram melhor na vida e na organização desses povos alguns valores essenciais do Evangelho de Cristo, como a justiça, a solidariedade social, o respeito profundo por toda pessoa e sua efetiva valorização no convívio social?», questiona o bispo.
«Por que certos pecados contra a humanidade e contra Deus, como escravidões, violências, discriminações e exclusões sociais, as estruturas econômicas e políticas que criam ou perenizam situações de dependência, concentração de poder e riqueza, a miséria, a fome e a destruição da natureza continuam a marcar com a morte a vida de nossos povos?», enfatiza.
Qual será a via de solução que a Conferência de Aparecida irá apontar? O próprio Papa Bento XVI, acolhendo propostas do Episcopado latino-americano, escolheu o tema da V Conferência Geral: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que, nele, nossos povos tenham vida. Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, explica Dom Odilo.
«Claramente, a primeira parte do tema refere-se à identidade dos cristãos, ponto de referência irrenunciável que precisa ser sempre retomado e aprofundado. Os cristãos são discípulos de Jesus Cristo. A Igreja é discípula de Jesus Cristo», afirma.
Segundo o secretário-geral da CNBB, «a Conferência de Aparecida deverá recordar aos cristãos e à Igreja que sua referência religiosa objetiva e irrenunciável é Jesus Cristo; e seu Evangelho é a proposta para suas vidas e suas relações com o mundo».
Dom Odilo Scherer explica ainda que um segundo aspecto contemplado no tema da Conferência de Aparecida é a atuação dessa identidade cristã no mundo, através do exercício da missão.
«O Evangelho de Cristo, dom precioso para as pessoas e os povos, não deve ser desvirtuado nem escondido, mas partilhado generosamente com os outros», diz.
Para o bispo, «só uma vigorosa renovação da atitude missionária poderá trazer vida nova para a Igreja e para cada católico. E terá, como efeito, vida nova para a sociedade e os nossos povos».
A terceira parte do tema refere-se ao objetivo da vida e da missão da Igreja e dos católicos: para que, em Jesus Cristo, nossos povos tenham vida, refere Dom Odilo.
A Igreja «deve ajudar nossos povos a conhecerem e valorizarem sua dignidade, a superar os “sinais de morte” que ainda os afligem», afirma.
«Deve ajudar a sociedade a organizar sua vida na base do respeito, da justiça e da solidariedade, superando velhos vícios, prepotências e egoísmos. Jesus Cristo, de fato, veio ao mundo para ser o caminho, a verdade e a vida para a humanidade. E enviou seus discípulos e missionários para o meio dos povos latino-americanos para que também eles, por meio dele, tenham vida em abundância», diz Dom Odilo.
Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo
ROMA, sexta-feira, 19 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, III do Tempo Comum.
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Os Evangelhos são relatos históricos?
III Domingo do Tempo Comum
Neemias 8, 2-4ª.5-6.8-10; I Coríntios 12, 12-31a; Lucas 1, 1-4; 4, 14-21
Antes de começar o relato da vida de Jesus, o evangelista Lucas explica os critérios que o guiaram. Assegura que refere fatos transmitidos por testemunhas oculares, verificados pelo mesmo com «comprovações exatas» para que quem lê possa perceber a solidez dos ensinamentos contidos no Evangelho. Isso nos oferece a ocasião de nos ocuparmos do problema da historicidade dos Evangelhos.
Até pouco tempo atrás, não se mostrava entre as pessoas o sentido crítico. Tomava-se por historicamente ocorrido tudo o que era referido. Nos últimos dois ou três séculos nasceu o sentido histórico, pelo qual, antes de crer em um fato do passado, ele é submetido a um atento exame crítico para comprovar sua veracidade. Esta exigência foi aplicada também aos Evangelhos.
Resumamos as diversas etapas pelas que a vida e o ensinamento de Jesus atravessaram antes de chegar a nós.
Primeira fase: vida terrena de Jesus. Jesus não escreveu nada, mas em sua pregação utilizou alguns recursos comuns às culturas antigas, os quais facilitavam muito a retenção de um texto na memória: frases breves, paralelismo e antítese, repetições rítmicas, imagens, parábolas… Pensemos em frases do Evangelho como: «Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos», «Larga é a entrada e espaçoso o caminho que leva à perdição…, estreita a entrada e o caminho que leva à Vida» (Mt 7, 13-14). Frases como estas, uma vez escutadas, até as pessoas de hoje dificilmente as esquecem. O fato, portanto, de que Jesus não tenha escrito Ele mesmo os Evangelhos não significa que as palavras neles referidas não sejam suas. Ao não poder imprimir as palavras no papel, os homens da antiguidade as fixavam na mente.
Segunda fase: pregação oral dos apóstolos. Depois da ressurreição, os apóstolos começaram imediatamente a anunciar a todos a vida e as palavras de Cristo, levando em conta as necessidades e as circunstâncias dos diversos ouvintes. Seu objetivo não era o de fazer história, mas de levar as pessoas à fé. Com a compreensão mais clara que agora temos disso, eles foram capazes de transmitir aos outros o que Jesus havia dito e feito, adaptando-o às necessidades daqueles a quem se dirigem.
Terceira fase: os Evangelhos escritos. Cerca de trinta anos após a morte de Jesus, alguns autores começaram a escrever esta pregação que lhes havia chegado por via oral. Nasceram assim os quatro Evangelhos que conhecemos. Das muitas coisas chegadas até eles, os evangelistas escolheram algumas, resumiram outras e explicaram finalmente outras, para adaptá-las às necessidades do momento das comunidades às quais escreviam. A necessidade de adaptar as palavras de Jesus a exigências novas e diferentes influiu na ordem com o que se relatam os fatos nos quatro Evangelhos, na diversa colocação e importância que revestem, mas não alterou a verdade fundamental deles.
Que os evangelistas tenham tido, na medida do possível naquele tempo, uma preocupação histórica e não só edificante é demonstrado na precisão a que situam o acontecimento de Cristo no espaço e no tempo. Pouco mais adiante, Lucas nos proporciona todas as coordenadas políticas e geográficas do início do ministério público de Jesus (Lc 3, 1-2).
Em conclusão, os Evangelhos não são livros históricos no sentido moderno de um relato o mais neutro possível dos fatos ocorridos. Mas são históricos no sentido de que o que nos transmitem reflete em substância o acontecimento.
Mas o argumento mais convincente a favor da fundamental verdade histórica dos Evangelhos é o que experimentamos dentro de nós cada vez que somos tocados em profundidade por uma palavra de Cristo. Que outra palavra, antiga ou nova, teve o mesmo poder?
[Traduzido por Zenit]
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VATICANO, 19 Jan. 07 (ACI) .- Durante a recepção de boa-vinda ao novo Embaixador da Turquia na Santa Sé, Muammer Dogan Akdur, o Papa Bento XVI destacou o respeito da Igreja pelo Islã e pediu que o subsídio católico seja acolhido no âmbito muçulmano.
Durante o encontro, o Santo Padre expressou acima de tudo sua gratidão às autoridades e à população turca pela acolhida que lhe dedicaram durante sua visita apostólica em dezembro.
O Pontífice afirmou que durante sua viagem pôde “verificar as boas relações” entre a Turquia e a Santa Sé, e recordou que em seus encontros com as autoridades políticas turcas quis “reafirmar o arraigo da Igreja Católica na sociedade turca graças à herança prestigiosa das primeiras comunidades cristãs da Ásia Menor”, assim como “à existência das comunidades cristãs atuais, certamente minoritárias, mas ligadas ao país e ao bem comum de toda a sociedade, que desejam contribuir com a construção da nação”.
“Ao gozar da liberdade religiosa que garante a todos os fiéis a Constituição turca, a Igreja Católica deseja poder beneficiar-se de um estatuto jurídico reconhecido e conseguir o estabelecimento de uma instância oficial de diálogo entre a Conferência Episcopal e as autoridades estatais para resolver os diversos problemas que possam existir e manter boas relações entre ambas as partes”, disse o Papa. “Não duvido que seu Governo fará tudo o que está em seu poder para avançar nesta direção”, acrescentou.
O Santo Padre destacou em seguida que durante sua viagem a Turquia manifestou repetidas vezes “o respeito da Igreja Católica pelo Islã e a estima do Papa e dos fiéis pelos fiéis muçulmanos”.
Bento XVI destacou que “no mundo atual, onde as tensões parecem exacerbar-se, a Santa Sé está convencida de que os fiéis das diferentes religiões devem esforçar-se por trabalhar a favor da paz, começando por denunciar a violência, que no passado se utilizou freqüentemente com o pretexto de motivações religiosas, e aprender a se conhecer e se respeitar mutuamente”.
Segundo constatam os bispos católicos do mundo que visitaram os Lugares Santos
JERUSALÉM, quinta-feira, 18 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Ao concluir uma visita à Terra Santa, bispos de países da Europa e da América constataram que a presença dos cristãos nos Lugares Santos é essencial para alcançar a paz, motivo pelo qual fazem um chamado a mostrar-lhes apoio com peregrinações.
Ao mesmo tempo, os representantes dos católicos fizeram um chamado ao governo de Israel para que aplique o Acordo Fundamental que regulamenta suas relações com a Igreja Católica.
Por sua parte, pedem aos palestinos a rejeição da violência e o reconhecimento do Estado de Israel.
A peregrinação, acontecida de 12 a 18 de janeiro, contou com a participação de prelados procedentes do Canadá, Inglaterra e Gales, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, Suíça e Estados Unidos, além do Conselho das Conferências Episcopais Européias (CCEE) e da Comissão dos Episcopados da União Européia (COMECE).
Na peregrinação, estavam também representadas diversas organizações: Cáritas Internationalis, Catholic Relief Services, Pax Christi International, Cavaleiros do Santo Sepulcro, Pontifícia Sociedade Missionária, Rádio Vaticano e a Fundação Cristã Ecumênica da Terra Santa.
«A presença cristã é um fator de moderação e é essencial para a consecução da paz», afirmam os participantes em uma declaração final.
«Os cristãos devem ser uma ajuda e um apoio para um futuro de paz e fraternidade», acrescentam. «Os cristãos são pequenos em número, mas são uma parte integrante de Israel e dos territórios palestinos.»
«Seus direitos devem ser garantidos com o reconhecimento da igualdade e de uma melhor segurança, junto aos direitos religiosos reconhecidos por lei», declaram.
«Vemos com clareza que é preciso alcançar a justiça e a paz, de modo que os israelenses possam superar o medo, que conduz a políticas ineficazes de segurança que oprimem os palestinos», declaram os prelados.
«Deste modo, os palestinos poderão superar a cólera e o desespero, que conduzem à violência que aterroriza os israelenses», acrescentam.
O documento conclui fazendo um «chamado aos católicos a rezar pela paz, a vir em peregrinação e a empreender outras atividades para apoiar a Igreja Mãe» de Jerusalém.
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VATICANO, 17 Jan. 07 (ACI) .- Durante a catequese desta quarta-feira, coincidente com o início da Jornada de oração pela unidade dos cristãos, o Papa Bento XVI animou aos católicos a não desanimar-se no longo caminho para a unidade na fé, porque contam com Cristo.
O Pontífice recordou que a unidade “é um dom de Deus e fruto da ação de seu Espírito. Por isso, é importante rezar. Quanto mais nos aproximamos de Cristo, nos convertendo a seu amor, mais nos aproximamos também os uns dos outros”.
Bento XVI recordou que o tema deste ano para a Jornada são as palavras do Evangelho de São Marcos: “Faz ouvir os surdos e falar os mudos”, e explicou que essa frase, “destacando dois aspectos da missão de toda comunidade cristã –o anúncio do Evangelho e o testemunho da caridade–, sublinha também quão importante é traduzir a mensagem de Cristo em iniciativas concretas de solidariedade. Favorece-se assim o caminho da unidade, porque se pode dizer que a contribuição, embora muito pequena, que ofereçam os cristãos para aliviar o sofrimento do próximo, contribui também a fazer sua comunhão mais visível”.
“O caminho da unidade dos cristãos é certamente longo e não fácil”; recordou o Santo Padre; “mas não devemos nos desanimar senão seguir percorrendo-o, contando com a ajuda de Cristo”.
WASHINGTON DC, 17 Jan. 07 (ACI) .- Um católico converso do islamismo afirmou que os muçulmanos respeitam uma defesa clara e bem argumentada em questão de fé, e desdenham a debilidade e a pouca firmeza na apologética da mesma.
Durante sua exposição em um seminário no estado da Virginia titulado “O que todo católico deve saber sobre o Islã”, o converso da fé muçulmana em 1998 e de origem iraquiana, Daniel Ali, assinalou aos mais de 400 assistentes que “a primeira linha de defesa é conhecer a própria fé” e que quem está batizado deve estar disposto a sair na frente quando suas crenças está sendo atacadas.
Quando os cristãos se encontram com muçulmanos, “não se pode eliminar a Jesus para levar-se bem com quem professa a fé islâmica. Não gostam de fracotes. Respeitam mais a quem defende suas convicções”, indicou Ali quem ressaltou assim a necessidade de lutar contra o relativismo da fé.
“Cada oração de um muçulmano inclui um ‘mas’, curiosamente as questões de fé não”, precisou e comentou que é muito próprio dos americanos “defender o que alguém acredita, mas quando se trata da fé cristã, as pessoas têm medo de falar dela“.
Do mesmo modo, o converso ao catolicismo indicou que há dois tipos de “jihad” para os muçulmanos: a “grande jihad” que é a luta cotidiana dos indivíduos para viver sua fé, e a “jihad menor” que é a luta contra os inimigos de Alá.
Para Ali, o que deve preocupar aos cristãos e a quem professa um credo distinto ao islâmico é a segunda jihad. “É muito triste que a tragédia nos faça emprestar atenção ao momento mais desafiante do nosso tempo”, disse logo em referência aos ataques do 11-S. “Quando os muçulmanos dizem que querem tomar ocidente, não está brincando. Conheço suas mentes, acho que de verdade acreditam isso que afirmam”, precisou.
Ali é co-autor, junto com Robert Spencer, do livro “Dentro do Islã: Uma guia para católicos” no que ambos precisam que os muçulmanos consideram Jesus como profeta, embora neguem sua morte na cruz e condenam a crença em sua natureza divina.
Em uma audiência concedida nesta segunda-feira
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 15 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI recebeu nesta segunda-feira, em audiência privada, James Morris, diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, que agradeceu ao Papa seu compromisso a favor dos mais necessitados.
A audiência aconteceu depois de que no último dia 8 de janeiro Bento XVI fizesse um chamado à comunidade internacional, em seu discurso ao corpo diplomático, para pedir um maior compromisso na luta contra a fome, flagelo que voltou a aumentar após décadas de retrocesso.
«Foi uma admoestação que reflete o trabalho diário do Programa Mundial de Alimentos, e alenta a comunidade internacional a continuar com políticas ativas para alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio, para reduzir à metade a proporção de pessoas com fome para o ano 2015», afirma um comunicado do Programa Mundial de Alimentos.
«Quero agradecer a Sua Santidade por seu contínuo compromisso pessoal, assim como o da Igreja Católica para com as pessoas pobres e desesperadas do mundo. O mundo desenvolvido deve fazer mais para ajudar os mais de 850 milhões que não têm comida suficiente», declarou Morris, que reconheceu a «extraordinária ajuda oferecida ao Programa Mundial de Alimentos em todo o mundo pelas organizações católicas».
«O apoio espiritual, moral e material do Papa Bento XVI e da Igreja Católica representa uma esperança real para oferecer um futuro a milhões de crianças», afirmou Morris.
«Estou sumamente agradecido por sua boa vontade, seu alento, sua fidelidade e especialmente pela especial preocupação do Santo Padre pelos vulneráveis no mundo. Seu espírito alenta a todos nós.»
O Programa Mundial de Alimentos é a maior agência humanitária do mundo: cada dia oferece comida a cerca de 90 milhões de pessoas pobres, entre elas, 58 milhões de crianças, ao menos em 80 países do mundo.
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