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Pontífice chega ao país dia 9 de maio e retorna a Roma no dia 13
BRASÍLIA, terça-feira, 30 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) explicou em mensagem enviada a Zenit essa segunda-feira como será a visita de Bento XVI ao Brasil, em maio próximo.
O cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador, recorda que a visita do Papa se dará no contexto da 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, que se celebrará de 13 a 31 de maio no Santuário de Aparecida (sudeste do Brasil).
Segundo o cardeal, Bento XVI chegará a São Paulo na tarde do dia 9 de maio. No dia seguinte, quinta feira, dia 10, à tarde, terá o encontro com os jovens no Estádio do Pacaembu.
Na sexta feira, pela manhã, presidirá a Santa Missa com os Bispos do Brasil, no Campo de Marte; à tarde, encontro com os Bispos na Catedral de São Paulo e, após, o Papa viajará para Aparecida.
No sábado, dia 12, pela manhã, visitará a Fazenda da Esperança em Guaratinguetá. Às 18 horas, recitará o Rosário com o povo na Basílica de Nossa Senhora Aparecida.
No domingo, dia 13, às 10 horas, presidirá a solene Santa Missa e, às 16 horas, a Sessão Inaugural dos trabalhos da 5ª Conferência.
À noite, no Aeroporto de São Paulo, em Guarulhos, o pontífice parte de retorno a Roma.
Dom Geraldo Agnelo informa que esteve em Roma, de 15 a 21 de janeiro, reunido com os outros dois presidentes da 5ª Conferência, o cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina e o cardeal Francisco Javier Errázuriz Ossa, arcebispo de Santiago de Chile e presidente do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano). Em seguida, participou da reunião plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina.
Chamado à Evangelização
Dom Geraldo Agnelo explica que a 5ª Conferência, em sintonia com as quatro grandes reuniões eclesiais anteriores, propõe um renovado impulso à Evangelização.
«É necessário proclamar integralmente a mensagem de salvação que é o Evangelho, para que impregne as raízes da cultura e se encarne no momento histórico latino-americano atual, para responder melhor às suas necessidades e aspirações legítimas», escreve, citando palavras do Papa no discurso à Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina.
«O verdadeiro discípulo cresce e amadurece na família, na comunidade paroquial e diocesana; converte-se em missionário quando anuncia a pessoa de Cristo e o seu Evangelho a todos os ambientes: a escola, a economia, a cultura, a política e os meios de comunicação social», dizia o Papa.
«Os freqüentes fenômenos de exploração e injustiça, de corrupção e violência, são apelo urgente a que os cristãos vivam a sua fé com coerência, e por receber sólida formação doutrinal e espiritual, contribuindo assim para a construção de uma sociedade mais justa, mais humana e cristã», afirmava Bento XVI.
Revelações do arcebispo Amato, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 30 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- A Santa Sé considera a possibilidade de publicar um documento sobre questões de bioética propostas pelas novas fronteiras da biotecnologia, revelou o secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.
O arcebispo Angelo Amato, salesiano, explicou que esse documento buscaria atualizar a instrução «Donum Vitae», «Sobre o respeito da vida humana nascente e a dignidade da procriação», assinada pelo cardeal Joseph Ratzinger, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 22 de fevereiro de 1987.
«Essa ‘Donum Vitae 2’, por assim dizer, não está concebida para abolir a precedente, mas para enfrentar as diferentes questões bioéticas e biotecnológicas que se propõem hoje e que naquele momento ainda eram impensáveis», explicou Dom Amato ao jornalista Gianni Cardinale, na edição de 28 de janeiro do diário «Avvenire».
«A ‘Donum Vitae’ conserva todo seu valor e, em certo sentido, é profética — acrescenta o arcebispo. O problema é que, apesar de ter vinte anos, ainda é pouco conhecida.»
«A questão, portanto, não é, por exemplo, a revisão da doutrina moral sobre a licitude do preservativo, que não parece estar na ordem do dia, mas os novos desafios que por diferentes razões são mais graves e desagregadores para a identidade da pessoa humana, como a do concebido, que é considerado como um produto biológico e não como um ser humano.»
«Como afirma a ‘Donum Vitae’, ‘o ser humano deve ser respeitado — como pessoa — desde o primeiro instante de sua existência’. E esta consideração devida ao embrião humano é um princípio antropológico que não se pode ser negociado.»
O arcebispo reconhece que «não posso ter previsões» sobre a data de publicação desse novo documento vaticano sobre bioética.
«O estudo de argumentos tão delicados é competência de nossa Congregação, que depois submete seus trabalhos ao Papa», declara.
«E portanto — conclui — , as opiniões sobre esses temas que procedem de outras instituições ou personalidades eclesiásticas, por mais respeitáveis que sejam, não podem ter essa autoridade que os meios de comunicação em certas ocasiões parecem atribuir-lhes.»
Explica o arcebispo Amato, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 30 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Um católico não pode apoiar uma lei que introduz o matrimônio entre duas pessoas do mesmo sexo, explica o arcebispo Angelo Amato.
O secretário da Congregação para a Doutrina da Fé declara que se trata de uma questão que não só faz parte do ensinamento da Bíblia, mas também da lei natural.
«Um católico não pode dar seu apoio a uma legislação que, por exemplo, introduz o matrimônio entre duas pessoas do mesmo sexo, porque vai contra a Revelação bíblica e contra a própria lei natural», declarou em 28 de janeiro a «Avvenire».
Dada a importância da lei natural, o prelado revela que sua Congregação está preparando algum tipo de declaração e que «com esse objetivo já consultou todas as universidades católicas do mundo», revela.
«As respostas são muito alentadoras desde todas as partes do mundo, inclusive por parte das universidades que são consideradas como mais ‘difíceis’… A lei natural é importantíssima também porque, entre outros motivos, pode ser o único fundamento para um fecundo diálogo inter-religioso.»
«Muitos políticos católicos pedem declarações sobre esse tipo de tema; o fato de que depois queiram ou consigam atuar coerentemente, é outra questão», afirma.
«Os políticos católicos, de qualquer forma, deverão recordar sempre que não deverão jamais consentir com a introdução de leis que vão contra os princípios morais. No caso de que as leis desse tipo já estejam em vigor, então podem ‘limitar-se’ a tentar atenuar seu alcance», conclui.
Testemunho do cardeal Dziwisz em seu livro recém-publicado na Polônia
CIDADE DO VATICANO, domingo, 28 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- O secretário pessoal de João Paulo II, cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, colaborador seu durante 40 anos, acaba de publicar um livro de suas memórias, a partir de uma série de entrevistas ao jornalista Gian Franco Svidercoschi, que se intitula «Uma vida com Karol». Adiantamos uma passagem do capítulo 35 sobre os últimos momentos do pontífice na terra.
* * *
Eram 21h37. Havíamos percebido que o Santo Padre deixara de respirar, mas só naquele momento vimos no monitor que seu grande coração, depois de haver batido por uns instantes, detivera-se. O doutor Buzzonetti inclinou-se sobre ele e, lançando apenas um olhar, murmurou: «Passou à casa do Senhor». Alguém deteve os ponteiros do relógio àquela hora.
Nós, como se houvéssemos decidido todos de uma vez, começamos a cantar o Te Deum. Não o Réquiem, porque não era um luto, mas o Te Deum, como agradecimento ao Senhor pelo dom que nos havia dado, o dom da pessoa do Santo Padre Karol Wojtyla.
Chorávamos. Como se podia não chorar! Eram, por sua vez, lágrimas de dor e de alegria. Foi então que se acenderam todas as luzes da casa. Depois, não recordo mais. Era como se, de repente, tivessem caído as trevas. As trevas sobre mim, dentro de mim. Sabia que aquilo havia acontecido, mas era como se, depois, negasse-me a aceitar, ou negasse a entender. Colocava-me nas mãos do Senhor, mas enquanto acreditava ter o coração sereno, retornava a escuridão. Até que chegou o momento da despedida. Estava toda aquela gente. Todas as pessoas importantes que tinham vindo de longe. Na Praça de São Pedro havia uma grande luz; e agora voltou também dentro de mim.
Concluída a homilia, o cardeal Ratzinger fez aquela alusão na janela, e disse que ele estava seguramente ali, vendo-nos, abençoando-nos. Também eu me voltei, não pude menos que volver-me, mas não elevei meu olhar para ali. Ao final, quando chegamos às portas da Basílica, os que levavam o féretro o giraram lentamente, como para permitir-lhe um último olhar para sua Praça. A despedida definitiva dos homens, do mundo. Também sua despedida de mim? Não, de mim não. Naquele momento, não pensava em mim. Vivi esse momento junto a muitos outros, e todos estávamos abalados, turbados, mas para mim foi algo que nunca poderei esquecer. O cortejo estava entrando na Basílica; deviam levar o féretro à tumba. Então, justamente então, me veio pensar: acompanhei-o durante quase quarenta anos, primeiro em Cracóvia, depois vinte e sete anos em Roma. Sempre estive com ele, ao seu lado. Agora, no momento da morte, ele caminhava sozinho. E este fato, o não ter podido acompanhá-lo, doeu-me muito. Sim, tudo isso é verdade, mas ele não nos deixou. Sentimos sua presença, e também tantas graças obtidas através dele.
[Passagem publicada com permissão de Rizzoli. Traduzido por Zenit]
Nas vésperas ecumênicas da Basílica romana dedicada ao apóstolo
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI pôde contemplar e deter-se em meditação, na tarde desta quinta-feira, ante o reencontrado sarcófago atribuído ao apóstolo São Paulo, que há pouco tempo começou a ser exposto aos peregrinos.
Este momento esperado pelo pontífice, que havia sido pontualmente informado em meses passados sobre os descobrimentos, foi compartilhado com o cardeal Cordero Lanza di Montezemolo, arcipreste da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, nesse templo de Roma, ao concluir a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
O pontífice, que havia deixado os muros vaticanos para participar das vésperas ecumênicas junto aos representantes na Itália das demais confissões cristãs, deteve-se ao final do encontro de oração ante o altar maior para contemplar de perto esse sarcófago que já era visitado pelos cristãos dos primeiros séculos, segundo fontes arqueológicas.
Obras de restauração da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, acabadas em 22 de setembro de 2006, permitiram redescobri-lo, depois de ter sido fechado entre muros de cimento, junto a outros vestígios, nas obras de reconstrução da basílica, após o incêndio que aconteceu em julho de 1823.
Trata-se de um sarcófago de uma longitude de 2,55 metros, de uma largura de 1,25 metro e de uma altura de 0,97 metro. A cobertura é de 0,30 metro de altura.
Durante a homilia das vésperas ecumênicas, o Santo Padre confessou: «Alegro-me em sublinhar que o sepulcro do apóstolo dos povos, ante o qual nos encontramos, foi recentemente objeto de investigações e estudos, após os quais se quis expor aos peregrinos, com uma adequada obra sob o altar maior».
«Quero manifestar minha felicitação por esta importante iniciativa», afirmou.
«Confio à intercessão de São Paulo, incansável construtor da unidade da Igreja, os frutos da escuta e do testemunho comum que pudemos experimentar nos numerosos encontros fraternos e diálogos que aconteceram em 2006, tanto com as igrejas do Oriente como com as comunidades eclesiais no Ocidente», afirmou.
Em uma coletiva, de imprensa concedida em 11 de dezembro de 2006 o cardeal Cordero Lanza di Montezemolo afirmou: «Há vinte séculos se dá uma absoluta concordância no fato de que o túmulo de São Paulo se encontra ali. Ninguém o pôs em dúvida e ninguém o contradisse».
«Este sarcófago nunca se abriu nem estudou, pois se encontrava fechado em um bloco de cimento, construído nos anos 1838-1840», acrescentou o purpurado, de 81 anos, antigo núncio apostólico na Itália e delegado apostólico em Jerusalém.
«Poderia prever-se um estudo de seu interior para satisfazer a curiosidade de quem se pergunta se dentro se encontram os restos do apóstolo. Mas são necessárias as autorizações correspondentes», concluiu o purpurado italiano na coletiva de imprensa. Em última instância, é uma decisão que corresponde ao Papa.
Temos visto ultimamente uma empreitada de cientistas ateus que querem usar a Ciência para negar Deus, como se pudessem explicar o mundo e o homem, estão longe disso. A Edição 443 - 13/11/2006 - da revista Época trouxe uma reportagem (A Igreja dos novos ateus) sobre um grupo de cientistas ateus que partiram para uma “cruzada contra a fé” no mundo, entre eles o filósofo americano Daniel Dennett, Richard Dawkins, Sam Harris, e outros.
Em contraponto a essa onde de ateísmo, o renomado cientista americano Francis Collins, desmente os seus colegas ateus de que a Ciência exclui Deus. Ele é um dos cientistas mais respeitados do mundo; é o biólogo que desvendou o genoma humano, Diretor do “Projeto Genoma Humano”, patrocinado pelo governo dos EUA. Em 2001, Dr. Collins foi responsável pelo mapeamento do DNA humano. É o cientista que mais rastreou genes com vistas ao tratamento de doenças em todo o mundo, Ele explica porque é possível aceitar a teoria da evolução sem desprezar a Deus e a Sua ação na Criação. (Veja, Edição n. 1992 de 24 jan 07)
Dr. Collins lançou recentemente nos Estados Unidos o livro “The Language of God” (A Linguagem de Deus), com 300 páginas onde conta como deixou de ser “ateu insolente” para se tornar cristão aos 27 anos e narra as dificuldades que enfrentou no meio acadêmico ao revelar sua fé. Ele afirma: “As sociedades precisam tanto da ciência como da religião. Elas não são incompatíveis, mas complementares”. Veja algumas de suas afirmações mais importantes:
Sobre a sua conversão aos 27 anos ele diz:
“Houve um período em minha vida em que era conveniente não acreditar em Deus. Eu era jovem, e a física, a química e a matemática pareciam ter todas as respostas para os mistérios da vida. Reduzir tudo a equações era uma forma de exercer total controle sobre meu mundo. Percebi que a ciência não substitui a religião quando ingressei na faculdade de medicina. Vi pessoas sofrendo de males terríveis. Uma delas, depois de me contar sobre sua fé e como conseguia forças para lutar contra a doença, perguntou-me em que eu acreditava. Disse a ela que não acreditava em nada. Pareceu-me uma resposta vaga, uma frase feita de um cientista ingênuo que se achava capaz de tirar conclusões sobre um assunto tão profundo e negar a evidência de que existe algo maior do que equações. Eu tinha 27 anos. Não passava de um rapaz insolente. Estava negando a possibilidade de haver algo capaz de explicar questões para as quais nunca encontramos respostas, mas que movem o mundo e fazem as pessoas superar desafios.”
“Falo de questões filosóficas que transcendem a ciência, que fazem parte da existência humana. Os cientistas que se dizem ateus têm uma visão empobrecida sobre perguntas que todos nós, seres humanos, nos fazemos todos os dias. “O que acontece depois da morte?” ou “Qual é o motivo de eu estar aqui?”. Não é certo negar aos seres humanos o direito de acreditar que a vida não é um simples episódio da natureza, explicado cientificamente e sem um sentido maior. Esse lado filosófico da fé, na minha opinião, é uma das facetas mais importantes da religião. A busca por Deus sempre esteve presente na história e foi necessária para o progresso. Civilizações que tentaram suprimir a fé e justificar a vida exclusivamente por meio da ciência – como, recentemente, a União Soviética de Stalin e a China de Mao – falharam. Precisamos da ciência para entender o mundo e usar esse conhecimento para melhorar as condições humanas. Mas a ciência deve permanecer em silêncio nos assuntos espirituais.”
Sobre a posição dos cientistas ateus, como Richard Dawkins:
“Essa perspectiva de Dawkins é cheia de presunção. Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas. Os cientistas ateus, que acreditam apenas na teoria da evolução e negam todo o resto, sofrem de excesso de confiança. Na visão desses cientistas, hoje adquirimos tanta sabedoria a respeito da evolução e de como a vida se formou que simplesmente não precisamos mais de Deus. O que deve ficar claro é que as sociedades necessitam tanto da religião como da ciência. Elas não são incompatíveis, mas sim complementares. A ciência investiga o mundo natural. Deus pertence a outra esfera. Deus está fora do mundo natural. Usar as ferramentas da ciência para discutir religião é uma atitude imprópria e equivocada. No ano passado foram lançados vários livros de cientistas renomados, como Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, que atacam a religião sem nenhum propósito. É uma ofensa àqueles que têm fé e respeitam a ciência. Em vez de blasfemarem, esses cientistas deveriam trabalhar para elucidar os mistérios que ainda existem. É o que nos cabe.”
Sobre os erros das religiões:
“Apesar de tudo o que já aconteceu, coisas maravilhosas foram feitas em nome da religião. Pense em Madre Teresa de Calcutá ou em William Wilberforce, o cristão inglês que passou a vida lutando contra a escravatura. O problema é que a água pura da fé religiosa circula nas veias defeituosas e enferrujadas dos seres humanos, o que às vezes a torna turva. Isso não significa que os princípios estejam errados, apenas que determinadas pessoas usam esses princípios de forma inadequada para justificar suas ações. A religião é um veículo da fé – essa, sim, imprescindível para a humanidade.”
Sobre o “design inteligente”:
“Essa abordagem é um grande erro. Os cientistas não podem cair na armadilha a que chamo de “lacuna divina”. Lamento que o movimento do design inteligente tenha caído nessa cilada ao usar o argumento de que a evolução não explica estruturas tão complicadas como as células ou o olho humano. É dever de todos os cientistas, inclusive dos que têm fé, tentar encontrar explicações racionais para tudo o que existe. Todos os sistemas complexos citados pelo design inteligente – o mais citado é o “bacterial flagellum”, um pequeno motor externo que permite à bactéria se mover nos líquidos – são um conjunto de trinta proteínas. Podemos juntar artificialmente essas trinta proteínas, que nada vai acontecer. Isso porque esses mecanismos se formaram gradualmente através do recrutamento de outros componentes. No curso de longos períodos de tempo, as máquinas moleculares se desenvolveram por meio do processo que Darwin vislumbrou, ou seja, a evolução.”
Sobre a compatibilidade da teoria da Evolução e Deus:
“Se no começo dos tempos Deus escolheu usar o mecanismo da evolução para criar a diversidade de vida que existe no planeta, para produzir criaturas que à sua imagem tenham livre-arbítrio, alma e capacidade de discernir entre o bem e o mal, quem somos nós para dizer que ele não deveria ter criado o mundo dessa forma?”
Sobre a Biblia:
“Santo Agostinho, no ano 400, alertou para o perigo de se achar que a interpretação que cada um de nós dá à Bíblia é a única correta, mas a advertência foi logo esquecida. Agostinho já dizia que não há como saber exatamente o que significam os seis dias da criação. Um exemplo de que uma interpretação unilateral da Bíblia é equivocada é que há duas histórias sobre a criação no livro do Gênesis, 1 e 2 – e elas são discordantes. Isso deixa claro que esses textos não foram concebidos como um livro científico, mas para nos ensinar sobre a natureza divina e nossa relação com Ele. Muitas pessoas que crêem em Deus foram levadas a acreditar que, se não levarmos ao pé da letra todas as passagens da Bíblia, perderemos nossa fé e deixaremos de acreditar que Cristo morreu e ressuscitou. Mas ninguém pode afirmar que a Terra tem menos de 10 000 anos a não ser que se rejeitem todas as descobertas fundamentais da geologia, da cosmologia, da física, da química e da biologia.”
Sobre a ressurreição, milagres, etc.:
“Eu acredito na Ressurreição. Também acredito na Virgem Maria e em milagres. A questão dos milagres está relacionada à forma como se acredita em Deus. Se uma pessoa crê e reconhece que Ele estabeleceu as leis da natureza e está pelo menos em parte fora dessa natureza, então é totalmente aceitável que esse Deus seja capaz de intervir no mundo natural. Isso pode aparecer como um milagre, que seria uma suspensão temporária ou um adiamento das leis que Deus criou. Eu não acredito que Deus faça isso com freqüência – nunca testemunhei algo que possa classificar como um milagre. Se Deus quis mandar uma mensagem para este mundo na figura de seu filho, por meio da Ressurreição e da Virgem Maria, e a isso chamam milagre, não vejo motivo para colocar esses dogmas como um desafio para a ciência. Quem é cristão acredita nesses dogmas – ou então não é cristão. Faz parte do jogo.”
Sobre a genética comportamental:
“Esses argumentos podem parecer plausíveis, mas não há provas de que o altruísmo seja uma característica do ser humano que permite sua sobrevivência e seu progresso, como sugerem os evolucionistas. Eles querem justificar tudo por meio da ciência, e isso acaba sendo usado para difundir o ateísmo. Há muitas teorias interessantes nessa área, mas são insuficientes para explicar os nobres atos altruístas que admiramos. O recado da evolução para cada um de nós é propagar o nosso DNA e tudo o que está contido nele. É a nossa missão no planeta. Mas não é assim, de forma tão lógica, que entendo o mundo, muito menos o altruísmo e a religiosidade. Penso em Oskar Schindler, que se sacrificou por um longo período para salvar judeus, e não pessoas de sua própria fé. Por que coisas desse tipo acontecem? Se estou caminhando à beira de um rio, vejo uma pessoa se afogar e decido ajudá-la mesmo pondo em risco a minha vida, de onde vem esse impulso? Nada na teoria da evolução pode explicar a noção de certo e errado, a moral, que parece ser exclusiva da espécie humana.”
Fonte: http://www.cleofas.com.br/
Autor: Prof. Felipe Aquino
Data Publicação: 23/01/2007
Durante sua intervenção antes de rezar a oração mariana do Angelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 21 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI pede que o anseio – feito de oração e colaboração caritativa – pela unidade dos cristãos «difunda-se cada vez mais nas paróquias e nos movimentos eclesiais e entre os Institutos religiosos».
Perante milhares de fiéis e peregrinos na Praça de São Pedro, no Vaticano, e milhões de pessoas que acompanham a transmissão do Angelus dominical através dos meios de comunicação, o Santo Padre afirmou a importância da oração no itinerário ecumênico, um tema que também considera prioritário em seu pontificado.
Entre 18 e 25 de janeiro celebra-se a «Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos», cujo tema, este ano, apresenta o entusiasmo das pessoas – recolhido no Evangelho de Marcos – pela cura do surdo mudo por Jesus: «Faz ouvir os surdos e falar os mudos!».
A isso aludiu este domingo Bento XVI: «Cristo pode tudo», «é capaz de infundir nos cristãos o desejo ardente de escutar o outro, de comunicar-se com o outro e de encontrar junto a ele a linguagem do amor recíproco».
Definia assim em que consiste o ecumenismo: «Uma experiência dialógica profunda, um escutar-se e falar-se, um conhecer-se melhor».
«É uma tarefa que todos podem realizar –exortou–, especialmente no relativo ao ecumenismo espiritual, baseado na oração e em compartilhar o que é possível por agora entre os cristãos».
Neste contexto, expressou seu desejo de que «o anseio pela unidade, traduzido em oração e fraterna colaboração para aliviar os sofrimentos do homem, difunda-se cada vez mais nas paróquias e nos movimentos eclesiais e entre os Institutos religiosos».
Este ano o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos se inspirou nas comunidades cristãs de Umlazi (África do Sul), uma região açoitada pela pobreza e a Aids.
Os materiais de oração e reflexão para a Semana se preparam conjuntamente, se traduzem e se publicam pelo Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos (em representação vaticana) e pela Comissão de Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Cada ano, um grupo ecumênico local prepara o material original.
Estão disponíveis, tais materiais, no link www.vatican.va.
A Semana é um tempo forte de oração no qual as Igrejas de todo o mundo expressam sua aspiração e sua vontade de caminhar para a unidade dos cristãos, que são cerca de dois bilhões.
Em Roma, a Semana concluirá na próxima quinta-feira, às 17h30, com a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, no dia da festa litúrgica da conversão do Apóstolo dos povos. Bento XVI presidirá a celebração.
«Espero-vos numerosos em tal encontro litúrgico, já que a unidade se faz sobretudo orando, e quanto mais coral é a oração, mais agradável é ao Senhor», despediu-se o Papa este domingo.