Notícias e novidades da Igreja Católica no mundo

Arquivo de setembro, 2006


Palestra: Validade e Nulidades Matrimoniais no Direito Canônico

set 30, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Outros

A Paróquia São José Operário e a OAB/SP convidam para a Palestra:

“Validade e Nulidades Matrimoniais no Direito Canônico”
Palestrante: Prof. Dr. Pe. Rúbens Miraglia Zani - Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesando de São Paulo.

Local: Salão da Paróquia São José Operário

End.: Rua Daniel Mongolo, 99 - Cohab. José Bonifácio - Itaquera - São Paulo
Data/Hora: 18/10/2006 às 19:30h

Apoio: 104ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil - Presidente Dr. Sídney D´Alberto Liberal


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Ante quase cem novos bispos em terras de missão

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 25 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- É o amor de Cristo que impulsiona a evangelização, sem temor à perseguição nem à morte, recorda Bento XVI.

Ordenados nos dois últimos anos para países de missão na África, Ásia, América e Oceania, 98 novos prelados escutaram as palavras dirigidas pelo Santo Padre no sábado.

A audiência papal no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Roma) foi o ponto de partida do Seminário de Estudo da Congregação para a Evangelização dos Povos, organizada para estes prelados desde 1994.

«Chamados a serem pastores entre populações que em boa parte ainda não conhecem Jesus», como «primeiros responsáveis do anúncio evangélico, deveis portanto realizar esforços consideráveis para que seja dada a todos a possibilidade de acolhê-lo», disse o bispo de Roma a seus irmãos no episcopado.

E admitiu que «só impulsionados pelo amor de Cristo é possível levar a cabo este esforço apostólico, que reclama o ardor intrépido de quem pelo Senhor não teme nem a perseguição nem a morte».

Foi um momento em que Bento XVI quis recordar os «numerosos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que, nos séculos passados e em nossos tempos, regaram os territórios de missão com seu sangue sua fidelidade a Cristo e à Igreja».

E recordou, mais uma vez, o último sacrifício que se acrescentou recentemente «ao número destas heróicas testemunhas do Evangelho», o da «Irmã Leonella Sgorbati, missionária da Consolata, barbaramente assassinada em Mogadiscio» (Somália), enfatizando que «o sangue dos mártires é semente de novos cristãos».

Como ser bispo em terra de missão

Sublinhando aos quase cem novos prelados, a quem é confiado «o mandato de custodiar e transmitir a fé em Cristo, depositada na tradição viva da Igreja e pela qual muitos deram a vida», o Papa apontou as chaves para levar a cabo tal tarefa.

«É essencial que, em primeiro lugar, sejais “exemplo em tudo de boas obras, pureza de doutrina, dignidade, palavra sã, irrepreensível”», disse, citando São Paulo.

«O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres… Ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas», afirmou, apontando palavras de seu predecessor, Paulo VI.

Daí a necessidade de «que deis importância primária em vosso ministério episcopal à oração e à incessante busca da santidade», insistiu o Papa aos novos prelados.

Também lhes pediu que mantenham «a unidade da fé na diversidade de suas expressões culturais», o que exige estar unidos permanente aos fiéis a eles confiados.

«Como sentinelas do Povo de Deus, evitai com firmeza e valor as divisões, especialmente quando sejam devidas a motivos étnicos e sócio-culturais», alertou.

Finalmente, sublinhou ante os bispos a importância de que se preocupem «por uma séria formação dos seminaristas e de uma permanente atualização dos sacerdotes e dos catequistas».

O seminário «é o coração da diocese» e deve ser preocupação do bispo dotá-lo «de um número suficiente de formadores, escolhidos e preparados com atenção, os quais sejam antes de tudo exemplos e modelos para os seminaristas».

«Da preparação dos futuros sacerdotes e de todos os demais agentes de pastoral, em particular dos catequistas, depende o futuro de vossas comunidades e o da Igreja universal», concluiu, assegurando-lhes sua permanente união espiritual na missão encomendada.


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Cardeal Kasper: unidade entre Igrejas ortodoxas é vital para ecumenismo

set 28, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Santa Sé

Conclui a reunião da Comissão católico-ortodoxa para o Diálogo Teológico

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Para que católicos e ortodoxos possam avançar no caminho rumo a unidade plena, é necessária a unidade entre as Igrejas ortodoxas, reconhece o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

O purpurado alemão comentou nesta quarta-feira as conclusões da sessão plenária da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja ortodoxa em seu conjunto, celebrada em Belgrado (Sérvia) de 18 a 25 de setembro.

Tratava-se de um encontro sumamente esperado, pois relançou o diálogo oficial, que havia ficado estancado desde a sessão plenária celebrada em Baltimore (Estados Unidos), em julho de 2000.

Segundo explicou o cardeal Kasper aos microfones da «Rádio Vaticano», a reunião supôs um «passo adiante», pois «estavam presentes todas as Igrejas ortodoxas» e «as sessões de trabalho se desenvolveram em uma atmosfera amigável, positiva e construtiva».

Informa que se encontraram «muitos pontos de contato» sobre o tema discutido, «a Igreja como comunhão», ou seja, a relação entre os concílios e a autoridade no âmbito local, regional e universal.

Nesta ocasião, decidiu-se não enfrentar o tema dos «uniatas», termo com o qual os ortodoxos indicam as Igrejas de tradição ortodoxas que estão unidas ao Papa, pois bloqueou o diálogo católico-ortodoxo nos últimos dez anos.

«Evidentemente há dificuldades que são bem conhecidas — reconheceu o purpurado –, mas dado que discutimos em uma atmosfera serena e positiva, temos a esperança de poder avançar.»

O purpurado sublinha em particular a «hospitalidade inesperada, muito surpreendente» oferecida pela Igreja ortodoxa da Sérvia e em particular pelo patriarca Pavle de Belgrado.

Os católicos assistiram à liturgia católica. «Tudo se desenvolveu verdadeiramente em uma atmosfera ótima», confirma.

O problema se deveu aos contrastes existentes desde há anos entre o patriarcado de Moscou e o patriarcado ecumênico de Constantinopla.

Após o encontro, o bispo da Igreja ortodoxa russa em Viena e na Áustria, Hilarion, criticou em 25 de setembro, através da agência de imprensa Interfax, o cardeal Kasper pelas questões de procedimento adotadas no encontro.

Em particular, na metodologia adotada, surgiram diferenças sobre a aplicação do princípio tradicional, segundo o qual a sede do patriarcado ecumênico de Constantinopla goza de um primado de honra entre as Igrejas ortodoxas.

«A questão é interortodoxa e não constitui um argumento de discussão entre católicos e ortodoxos», declara o cardeal Kasper. «A parte católica declarou explicitamente que não desejava intervir nesta controvérsia interna.»

«A questão foi enfrentada exclusivamente desde o ponto de vista do procedimento e só para ver como era possível superá-la.»

«Esta posição foi expressamente explicada à delegação ortodoxa russa, o que torna dificilmente compreensível seu protesto público», confessa o cardeal.

Por este motivo, ante a reunião da Comissão católico-ortodoxa do próximo ano, o cardeal espera que, enquanto isso, «se chegue a uma solução das diferenças existentes no âmbito ortodoxo».

«Se a questão ficar aberta, provocará de fato uma permanente dificuldade para o diálogo internacional católico-ortodoxo», conclui.


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Ao apresentar a figura de Tomé apóstolo

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Inspirando-se no exemplo do apóstolo Tomé, Bento XVI recomendou aos fiéis nesta quarta-feira ter coragem para dizer a Deus «não te entendo», «ajuda-me a compreender», nos momentos de incerteza.

«Deste modo — declarou –, com esta franqueza, que é o autêntico modo de rezar, de falar com Jesus, expressamos a pequenez de nossa capacidade para compreender, mas ao mesmo tempo assumimos a atitude de confiança de quem espera luz e força de quem é capaz de dá-las.»

O Santo Padre dedicou a audiência geral desta quarta-feira a apresentar a figura do apóstolo conhecido sobretudo por suas dúvidas após a ressurreição de Jesus. Com esta audiência geral, da qual participaram cerca de 30.000 peregrinos, o pontífice continuou a série de catequeses sobre os doze apóstolos e as origens da Igreja.

O bispo de Roma recordou as passagens nas quais os evangelhos falam deste apóstolo, conhecido como «Dídimo». Em particular, mencionou a Última Ceia, quando Jesus anuncia que após sua partida preparará um lugar para que os discípulos também estejam com Ele; e especifica: «E para onde eu vou, vós sabeis o caminho» (João 14, 4).

Então Tomé intervém, dizendo: «Senhor, não sabemos aonde irás, como podemos saber o caminho?».

Jesus lhe respondeu com a famosa definição: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida».

«Cada vez que escutamos ou lemos estas palavras, podemos pôr-nos com o pensamento junto a Tomé e imaginar que o Senhor também fala conosco como falou com ele», recomendou o Papa aos fiéis em uma bela manhã de sol na praça de São Pedro, no Vaticano.

Ao mesmo tempo, sugeriu, «sua pergunta também nos dá o direito, por assim dizer, de pedir explicações a Jesus».

«Com freqüência, não o compreendemos — reconheceu –. Devemos ter o valor de dizer-lhe: não te entendo, Senhor, escuta-me, ajuda-me a compreender.»

O Papa também recordou a cena de incredulidade de Tomé, que aconteceu depois da ressurreição, quando o próprio apóstolo disse: «Se eu não vir em suas mãos o sinal dos pregos e não colocar o dedo no lugar dos pregos, e não colocar a mão em seu lado, não acreditarei».

Oito dias depois, Jesus apareceria aos apóstolos, e nesta ocasião, ao estar presente Tomé, ele o interpela diretamente com estas palavras: «Aproxima aqui teu dedo e olha minhas mãos, traz tua mão e coloca-a no meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente».

«Tomé reage com a profissão de fé mais esplêndida do Novo Testamento — assegurou o sucessor de Pedro: “Meu Senhor e meu Deus”.»

«Porque me viste, creste. Felizes os que não viram e creram», respondeu-lhe Jesus, enunciando «um princípio fundamental para os cristãos que viriam depois de Tomé, ou seja, para todos nós», indicou.

Em primeiro lugar, disse, «ele nos consola em nossas inseguranças»; em segundo lugar, «ele nos demonstra que toda dúvida pode ter um final luminoso, além de toda incerteza»; e, por último, recorda-nos «o autêntico sentido da fé madura e nos estimula a continuar, apesar das dificuldades, pelo caminho de fidelidade a ele».

Após recordar que, segundo a tradição, Tomé evangelizou a Síria, a Pérsia e parte da Índia, desejou que «o exemplo de Tomé confirme cada vez mais nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e nosso Deus».


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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 25 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Os dois acontecimentos mais importantes na agenda de Bento XVI para ao mês de outubro são a canonização de quatro beatos e a viagem a Verona (Itália) por ocasião do IV Congresso Eclesial Nacional da Igreja na Itália.

Segundo o calendário das cerimônias que serão presididas pelo Santo Padre, publicado pelo Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, no domingo 15 de outubro acontecerá na praça de São Pedro, às 10 da manhã, a esperada canonização.

Os futuros santos são:

  • Rafael Guízar Valencia, bispo mexicano de Vera Cruz (1878-1938), que se converterá no primeiro bispo santo nascido na América Latina.
  • Filippo Smaldone (1848-1923), sacerdote de Nápoles, fundador da congregação das Religiosas Salesianas dos Sagrados Corações.
  • Rosa Venerini (1656-1728), originária de Viterbo (Itália), fundadora da Congregação dedicada à educação das Mestras Pias Venerini.
  • Theodore Guérin (Anne-Thérèse), religiosa francesa (1798-1856), que fundou nos Estados Unidos, país no qual faleceu, a congregação das Religiosas da Providência de Saint Mary of the Woods.

O calendário revela que o Papa viajará na quinta-feira, 19 de outubro, a Verona (Itália), para presidir a celebração eucarística no estádio Bentegodi, por ocasião do IV Congresso Eclesial Nacional da Igreja Italiana.

O Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice informa que no mês de outubro acontecerão na Itália, Espanha e Alemanha três beatificações.

No domingo 8 de outubro, às 16:00h, no anfiteatro romano de Fiésole (Itália), será beatificada a religiosa Maria Teresa de Jesus (no século Maria Scrilli), italiana, fundadora da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Carmelo (1825-1889).

No domingo 22 de outubro, às 17:00h, na catedral de Bilbao (Espanha), acontecerá a beatificação de Margarita Maria López de Maturana, espanhola, fundadora do Instituto das Irmãs Mercedárias Missionárias (1884-1934).

Por último, no domingo 29 de outubro, às 14:30h, na catedral de Speyer (Alemanha), será beatificado Paul Josef Nardini, sacerdote diocesano e fundador das Religiosas Franciscanas da Sagrada Família (1821-1862).


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Papa e muçulmanos: um encontro que vale mais que mil palavras

set 26, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Mundo

Um escritor iraquiano presente considera que se abre uma nova etapa

CASTEL GANDOLFO, segunda-feira, 25 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Ao convidar nesta segunda-feira a Castel Gandolfo os diplomatas de vinte e um países de maioria islâmica e os representantes muçulmanos da Itália, Bento XVI era consciente de que há gestos que valem mais que muitas palavras.

Antes que o Papa chegasse, seus hóspedes na residência pontifícia veraneia conversaram com o cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, e com os membros desse dicastério da Santa Sé, em particular com Dom Khaled Akasheh, chefe do Escritório para o Islã.

Também se uniu a estas conversas Dom Pietro Parolin, subsecretário da Seção da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados.

Os 21 países representados pelos diplomatas eram: Kuwait, Jordânia, Paquistão, Qatar, Costa do Marfim, Indonésia, Turquia, Bósnia-Herzegovina, Líbano, Yemen, Egito, Iraque, Senegal, Argélia, Marrocos, Albânia, Síria, Tunísia, Líbia, Irã e Azerbaijão.

Na audiência, estava presente também o representante da Liga dos Estados Árabes, Salid Khalid, pois a Santa Sé tem o estatuto de observador nessa instituição.

Quinze muçulmanos participaram, em representação dos membros da Consulta Islâmica na Itália, entre os quais se encontrava o embaixador italiano Mario Scialoja e o escritor iraquiano residente no país Younis Tawfik.

Na audiência, também saudou o Papa o imame da mesquita de Roma, Ali Salem Mohammed Salem, e o secretário-geral do Centro Islâmico Cultural da Itália, Abdellah Redouane.

O discurso do Papa, no qual reafirmou que o diálogo entre muçulmanos e cristãos «é uma necessidade vital, da qual depende em grande parte nosso futuro», foi acolhido por um aplauso.

O cardeal Poupard apresentou o Santo Padre a cada um de seus hóspedes muçulmanos, entre os quais havia quatro mulheres, e o Papa conversou com cada um deles. O encontro durou mais de meia hora e não faltou a foto de grupo.

Após a audiência, Younis Tawfik confessou que o discurso do Papa foi «emocionante e de grande impacto, pois não quis retomar ou afirmar a polêmica dos dias passados, mas pronunciar um discurso totalmente novo, como se quisesse dar uma volta, virar a página, dando a impressão de continuar o caminho da Igreja pelo diálogo».

«Confirmou sua estima pelo islã, pelos muçulmanos, dando-nos uma aula de grande tolerância, sobretudo quando passou a saudar-nos um a um. Deteve-se o tempo suficiente para perguntar a cada um quem era e para agradecer-lhe por ter vindo à audiência», explicou o escritor iraquiano aos microfones da «Rádio Vaticano».

Para Tawfik, o discurso do Papa é muito importante nestes momentos em que «muitas pessoas só buscam seus interesses, entre outras coisas, fomentando o ódio e o confronto».

«Pelo contrário, o discurso do Santo Padre quis evitar este confronto, quis convidar todos a refletirem sobre a importância da paz e dos valores da humanidade», concluiu o escritor.


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Muçulmanos da Rússia satisfeitos com as explicações dadas pela Igreja

set 24, 2006 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: Igreja, Mundo

Após os protestos islâmicos contra o discurso do Papa

MOSCOU, sexta-feira, 22 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- «As declarações dadas pela parte católica me satisfazem completamente», disse nesta quinta-feira o presidente da Direção Espiritual Muçulmana no território europeu da Rússia, o mufti Ravil Gainutdin, em relação ao discurso pronunciado pelo Santo Padre Bento XVI na Universidade de Ratisbona, motivo de protestos no mundo muçulmano.

O também presidente do Conselho de Muftis na Rússia se expressou assim ao arcebispo da Arquidiocese da Mãe de Deus em Moscou, o metropolita Tadeusz Kondrusiewicz, durante uma reunião que ambos líderes religiosos tiveram na residência do próprio Gainutdin, por iniciativa da hierarquia católica neste país.

Segundo se deu a conhecer, tanto muçulmanos como católicos assinalaram que o conflito sobre as declarações do pontífice havia sido considerado como encerrado no território da Federação Russa e fizeram um chamado a todos os fiéis para trabalharem pelo diálogo de paz e cooperação para o bem-estar do país.

Durante o encontro, que no dizer dos participantes se levou a cabo em uma atmosfera de irmandade e abertura, Dom Kondrusiewicz agradeceu ao mufti a oportunidade de encontrar-se e discutir o tema, ao mesmo tempo em que manifestou seu pesar pelo mal-entendido suscitado.

O metropolita reiterou a posição oficial da Igreja Católica, ressaltando que Bento XVI de forma alguma teve a intenção de ofender o sentimento muçulmano.

Explicou que em seu discurso, o sumo pontífice pretendeu fazer algumas reflexões sobre o freqüente questionamento entre a relação «religião-violência», para concluir que a violência não tem nenhuma motivação religiosa.

Ambos representantes assinalaram que nos últimos anos se intensificaram os exemplos de entendimento e cooperação entre católicos russos e muçulmanos.

Assim, por exemplo, cada vez são mais as ocasiões nas quais conjuntamente participam em reuniões e celebrações, ocupam posições no mesmo nível na discussão de temas fundamentais para a sociedade moderna, como a família, a defesa da vida, os valores morais, a tolerância religiosa, a consolidação da sociedade e o desenvolvimento democrático, entre outros. Inclusive não foram poucos os casos nos quais se deu a colaboração em obras benéficas.

Deve-se recordar que um sinal do desenvolvimento da vida religiosa na Rússia foi a realização, no outono do ano passado, em uma das salas de conferência da principal mesquita de Moscou, da conferência dedicada a comemorar o quadragésimo aniversário da declaração do Concílio Vaticano II «Nostra Aetate», sobre a relação da Igreja Católica com as religiões não-cristãs.

O arcebispo Kondrusiewicz assegurou ao mufti Ravil Gainutdin que a Igreja Católica na Rússia, daqui adiante, acompanhará de perto o desenvolvimento do diálogo com os fiéis do Islã.

O prelado considerou muito oportuno o chamado do presidente Vladimir Putin aos líderes religiosos mundiais à responsabilidade e à discrição.

O arcebispo mostrou também seu reconhecimento pela mensagem da Direção do Conselho de Muftis na Rússia ao povo muçulmano nesse país, no qual lhes foi pedido que considerassem com calma e em sua justa medida a situação suscitada e, aos países que professam o Islã, que fizessem todo o possível para não provocar nenhum confronto.

Tanto o mufti Ravil Gainutdin como o arcebispo Tadeus Kondrusiewicz expressaram que, «nos desafios do mundo moderno, todos temos esperança no diálogo e na cooperação sincera, com o fim de construir uma sociedade fundamentada no respeito mútuo entre as pessoas de diferentes crenças e nacionalidades».

«Isso nos deve ajudar a ser testemunhas da unidade de Deus e juntos a defender a igualdade social, os valores morais, a paz e a liberdade, tal como ensina o Concílio Vaticano II», apontou o metropolita.


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