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ROMA, 2006-04-17 (ACI).- A Heresia do Iscariotes benemérito é o título de um artigo em que o polemista católico italiano Vittorio Messori, demonstra o absurdo que subjaz sobre a idéia de um Judas bondoso que difunde o polêmico documentário O evangelho de Judas, transmitido no Domingo de Ramos pela National Geographic. Messori, autor do Informe sobre a Fé e do livro-entrevista com o Papa João Paulo II Cruzando o Limiar da Esperança, escreve no diário Corriere della Sera que há dezoito anos a Igreja condenou uma heresia gnóstica entre muitas, aquela dos cainitas que valorizando em chave anti-judaica as figuras negativas da Escritura, propunha a hipótese de um Iscariotes benéfico, traidor a pedido do próprio Jesus.
Messori se surpreende que um texto que já era conhecido há mil e 800 anos e condenado pelos Padres da Igreja tenha merecido o clamor mediático suspeito de interesses comerciais que na realidade não revela nada de novo, salvo alguns dos textos precisos sobre os quais caiu a condenação católica.
Não sem ironia, o polemista italiano afirma que se ninguém fala das infinitas ridicularidades heterodoxas de textos apócrifos do Novo Testamento, talvez é não só porque os jornalistas sabem pouco, mas porque nenhuma empresa pensou em aproveitá-los para vender revistas, livros e DVDs.
E também porque ainda não se decidiu (pelo menos por enquanto, embora esteja se aproximando o momento) inserir-se no grotesco filão pseudo-bíblico do qual Dan Brown é apenas o provedor mais afortunado, acrescenta.
Messori sim reconhece que entre os exegetas católicos existem legítimas discrepâncias sobre o que moveu Judar a trair Jesus.
No Tríduo Pascal, opina o autor, Bento XVI se adere à tese que afirma que Judas traiu porque valorizava Jesus segundo categorias do poder e do êxito: para ele o amor não conta, só o poder e o sucesso são realidade.
Esta interpretação severa da traição de Judas, diz Messori, se fundamenta em que Judas, como os judeu de seu tempo esperava um Messias vencedor; mas a desilusão começou a crescer, frente ao repúdio de Jesus de assumir um papel político.
Judas, então, teria traido não pelas trinta moedas que eram o preço de um escravo de pouco valor mas por que a maneira, pensada, de por Jesus contra a parede, de pressionar àquele Messias temeroso e tardo em mostrar seu poder: para não ser capturado teria finalmente mostrado qual é o poder de Deus que o tinha enviado.
O fracasso do projeto de Judas, diz Messori, explica seu desespero e a crise que o levou ao suicidio.
Mesmo que o o Papa se adira a esta postura, continua sendo uma hipótese e por isso a Igreja não definiu as motivações do traidor. Mas, do que não cabe dúvida, é que se tratou de um ato consciente, maligno e livre.
Só Deus sabe o que é que aconteceu no coração daquele desventurado, e quais foram as motivações profundas da decisão fatal.
Entretanto, Messori conclui indicando que, inclusive a respeito de Judas, a Igreja mantém sua postura: de ninguém se pode afirmar que foi condenado com absoluta certeza, nem mesmo se Jesus disse que melhor seria não ter nascido.
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